Altos e baixos na F1

Passada a primeira parte do calendário, pilotos têm experimentado uma estranha gangorra de resultados. Dos ponteiros aos lanternas, todos já viveram bons e maus momentos em algumas corridas pra lá de surpreendentes na temporada

André Avelar, São Paulo

Dos ponteiros Lewis Hamilton e Sebastian Vettel aos lanternas Romain Grosjean e Sergey Sirotkin, os pilotos da atual F1 têm experimentado uma estranha gangorra ao final das primeiras quatro corridas da temporada. Entre vitórias vindas do céu ou da estratégia, derrotas inesperadas e pneus mal colocados rabiscaram altos e baixos no gráfico de desempenho dos pilotos.

Tendo terminado em todas as posições da primeira à quarta colocação na Austrália, Bahrein, China e Azerbaijão, o líder Hamilton é um dos mais regulares do grid. Talvez isso explique os 70 pontos, quatro a mais que Vettel. Esse, por exemplo, já foi de dois primeiro lugares para um oitavo e outro quarto. Mesmo no meio do pelotão, também há a discrepância entre a posição média do piloto, a posição real na tabela de classificação e os resultados na pista. Pierre Gasly quase foi ao pódio, mas não se sustentou. Sergio Pérez conseguiu esse feito, mas também ocupa as posições intermediárias.

Antes da fase europeia do calendário, que começa no próximo domingo (13) com o GP da Espanha, o GRANDE PREMIUM usa os resultados de cada um dos 20 pilotos para tentar entender a classificação até aqui.

 

Lewis Hamilton

(AUS: 2º, BAH: 4º, CHN: 3º e AZE: 1º)

O atual campeão levou um susto ao ver logo seu rival à frente na abertura do campeonato. Os pontos perdidos por um erro de estratégia da Mercedes ficaram pelo caminho também na prova seguinte com um desempenho pífio do carro prateado. A recuperação foi lenta, como em um claro sinal de que o carro era uma diva de comportamento temperamental como nunca visto depois de 2014. A vitória marcou a virada no campeonato.

Valtteri Bottas

(AUS: 8º, BAH: 2º, CHN: 2º e AZE: 14º)

A primeira impressão já não é mais a que fica. Bottas bateu na classificação e terminou apenas em oitavo na primeira corrida do ano. A partir daí brigou de igual para igual com Vettel ainda que faltasse um tanto mais de ousadia e garantiu dois segundos lugares enquanto Hamilton se achava no campeonato. Na última corrida, nas ruas de Baku, teria vencido não fosse um estouro do pneu a três voltas do fim. O constrangimento foi tanto que Hamilton não teve como agradecer.

 

Sebastian Vettel

(AUS: 1º, BAH: 1º, CHN: 8º e AZE: 4º)

Uma vitória na estratégia de pit-stops na Austrália quando superou Hamilton, outra no braço no Bahrein quando segurou Bottas. Vettel tinha tudo para emplacar mais duas vitórias nas corridas seguintes e deslanchar no campeonato. Não foi bem o que aconteceu. Na China, foi atropelado por Max Verstappen e, no fim de semana seguinte, arriscou demais e acabou em quarto com uma manobra para cima de Bottas. 

Kimi Räikkönen

(AUS: 3º, BAH: nc, CHN: 3º e AZE: 2º)

Para muita gente, o finlandês estava acabado para as equipes de ponta da F1. Mas entre resmungos nas entrevistas e xingamentos no rádio, Räikkönen foi conseguindo bons resultados. Depois de dois convincentes terceiro lugares, teria até uma chance de vitória no deserto de Sakhir se não fosse o acidente com o mecânico. Mais do que a segunda posição, a corrida de recuperação no Azerbaijão mostrou que o lugar mais alto do pódio não está muito longe.

 

 

Daniel Ricciardo

(AUS: 4º, BAH: nc, CHN: 1º e AZE: nc)

Pode um piloto com dois abandonos em quatro corridas estar no top-5 da classificação? Esse é Ricciardo. O australiano soube superar os problemas de confiabilidade da sua Red Bull e até conseguiu uma vitória no ano. Em casa, perdeu posições no grid de largada. Na China, mais uma tumultuada vitória na carreira. Depois de um abandona na primeira volta no Bahrein, se envolveu em uma polêmica logo com o companheiro de equipe.

Max Verstappen

(AUS: 6º, BAH: nc, CHN: 5º e AZE: nc)

Ao menos nesse começo de temporada, Verstappen tem se notabilizado por ser o piloto que dá espetáculo, mas não conquista propriamente os pontos para a equipe. Mesmo assim, ainda não deixou de ser um potencial candidato a campeão da F1 em um futuro próximo. O desempenho do carro na Austrália e na China esteve aquém do esperado, no Bahrein e no Azerbaijão, duas bobagens que já marcaram sua carreira: com Vettel e Ricciardo

 

 

Fernando Alonso

(AUS: 5, BAH: 7, CHN: 7 e AZE: 7)

Se alguém tem quebrado essa regra da irregularidade, esse, claro, só poderia ser o piloto espanhol. Mesmo com uma McLaren ainda longe dos seus melhores anos, Alonso consegue resultados espetaculares e se consolida como um dos melhores pilotos do grid. Ou outro piloto leva um carro para os boxes apenas com duas rodas e ainda chega em 7º? O quinto lugar na abertura da temporada, ainda que em um golpe da estratégia no safety-car, elevou os ânimos da equipe.   

Stoffel Vandoorne 

(AUS: 9, BAH: 8, CHN: 13 e AZE: 9)

Para ter mais claro o bom desempenho de Alonso, basta dar uma olhada para os resultados de Vandoorne. O belga também foi muito bem, mas já experimentou dos altos e baixos que foram devidamente traduzidos na tabela de classificação. Na segunda prova do ano, saiu de último na primeira volta para oitavo. Em Xangai, no entanto, não conseguiu acompanhar de perto o companheiro de equipe e teve um desempenho apenas regular.

 

Nico Hülkenberg

(AUS: 7, BAH: 6, CHN: 6 e AZE: nc)

Hülkenberg é um daqueles casos raros da F1. Em 141 GPs, o piloto ainda não conseguiu um pódio sequer. Na última prova, vinha construindo um resultado espetacular e pareceu que enfim acabaria com a sina de não entrar no top-3. Nas voltas finais, alegou um pneu furado para ter ficado no muro e jogado fora uma excelente corrida. Antes disso, vinha fazendo sua melhor temporada com resultados convincentes à frente do companheiro de Renault. 

Carlos Sainz Jr.

(AUS: 9, BAH: 8, CHN: 13 e AZE: 9)

Do outro lado da garagem amarela, a impressão que se tinha nas três primeiras corridas era que o encanto do espanhol havia acabado. Bastou um quinto lugar na última prova para tudo mudar. O resultado no Azerbaijão, aliado à batida de Hülkenberg, fez a Renault o ver novamente com bons olhos. Ainda assim, é preciso dar fim às oscilações que foram desde uma dor de barriga na abertura do campeonato até a falta de ritmo na terceira prova do ano.

 

Sergio Pérez

(AUS: 11, BAH: 16, CHN: 12 e AZE: 3)

O improvável pódio do mexicano nas ruas de Baku é justamente obra dessa gangorra dos resultados na atual F1. A Force India reconhecidamente não teve no início do ano o admirável carro das outras temporadas e seus pilotos penaram em colocações intermediárias. As atuações apagadas também foram contribuições de pancadas nas primeiras voltas quando superar o companheiro de equipe era o máximo que poderia ser feito.

Esteban Ocon

(AUS: 12, BAH: 10, CHN: 11 e AZE: nc)

Já o francês tinha tudo para ir ele ao pódio no último GP. Cometeu uma bobagem daquelas logo na primeira volta e terminou de arruinar a primeira fase da temporada. Cansado dos desempenhos aquém do esperado, arriscou tudo na largada e misturou tinta com Räikkönen. Com o carro cor-de-rosa tão fora dos eixos, qualquer ponto era de ser comemorado.

 

Pierre Gasly

(AUS: nc, BAH: 4, CHN: 18 e AZE: 12)

Nessas quarto corridas, ainda não é possível saber quem é o verdadeiro Gasly. O piloto já foi traído pelo motor, conquistou um excepcional quarto lugar, o que se envolveu em um acidente com o próprio companheiro de equipe ou esse último de posições intermediárias. Bem verdade que o carro da Toro Rosso não é propriamente lá essas coisas, mas aproveitou a oportunidade que teve e chegou perto do pódio.

Brendon Hartley

(AUS: 15, BAH: 17, CHN: 20 e AZE: 10)

O restante da temporada também irá determinar o futuro do neozelandês na F1. Até aqui, nada de muito emocionante, mas pelo menos uma performance convincente, exatamente a última. O ponto conquistado foi comemorado pela equipe, diferentemente do último lugar no Bahrein e na China com batidas na largada e no companheiro de equipe respectivamente.

 

Romain Grosjean

(AUS: nc, BAH: 13, CHN: 17 e AZE: nc)

O desempenho do francês no campeonato não pode se ater apenas nos números. Com o carro da Haas ainda em desenvolvimento, ele foi prejudicado pelo não encaixe do pneu traseiro esquerdo no pit-stop logo da abertura da temporada. De lá para cá, foi como se uma maré de má sorte tivesse atingido o piloto que também precisa melhorar já que andou atrás do companheiro de equipe. A batida enquanto aquecia os pneus na última prova foi só mais uma prova da fraqueza psicológica do piloto.

Kevin Magnussen

(AUS: nc, BAH: 5, CHN: 10 e AZE: 13)

Igualmente prejudicado pelo pit-stop desastroso em Melbourne, Magnussen conseguiu dar a volta por cima logo na corrida seguinte. No Bahrein, ele arrancou um quinto lugar de um carro que ainda precisa de ajustes e candidatava a Haas como quarta força do ano. O problema foi mesmo no GP do Azerbaijão. Naquela oportunidade, fechou grosseiramente Gasly no muro, tomou dez segundos de punição e dois pontos na carteira.

 

Marcus Ericsson

(AUS: nc, BAH: 9, CHN: 16 e AZE: 11)

Os resultados do sueco não são propriamente ruins na primeira parte do calendário. Os resultados. O piloto da Sauber não pôde mostrar serviço na prova de abertura, conseguiu dois pontos importantes para a equipe no Bahrein, não conseguiu nada na China e esteve perto dos pontos no Azerbaijão. Nessa corrida, no entanto, conseguiu até que muito se levado em consideração a batida e uma escapada grosseira de pista.

Charles Leclerc

(AUS: 13, BAH: 12, CHN: 19 e AZE: 6)

Ele é a prova da irregularidade da atual F1. Depois de corridas em que parecia só mais um novato barbeiro, Leclerc se aproveitou das oportunidades e conseguiu um inimaginável sexto lugar. Os oito pontos assim logo de cara foram comemorados como título por uma equipe que luta para se manter no grid. Algumas escapadas exageradas de pista, no entanto, ainda precisam ser revistas.

 

Lance Stroll

(AUS: 14, BAH: 14, CHN: 14 e AZE: 8)

O jovem canadense caminhava para mais uma temporada de chacotas no mundo da F1. Sem nada de relevante nas duas primeiras corridas, começou a reclamar do carro na terceira (sempre com a anuência do pai, maior investidor da carreira) e continuar sem resultados. Sabe-se lá qual foi a estratégia da Williams, mas fato é que o canadense experimentou a gangorra dos altos e baixos e alcançou a oitava posição nas ruas de Baku – essas, aliás, as quais foi terceiro no ano passado. 

Sergey Sirotkin

(AUS: nc, BAH: 15, CHN: 15 e AZE: nc)

Sem a pressão de carregar a Williams nas costas, como tem Stroll, Sirotkin passaria despercebido em um carro ruim. Dos dois abandonos do ano, o primeiro foi por pura falta de sorte ao ter uma embalagem de saco plástico presa no duto de freio; enquanto o segundo foi por uma batida um tanto grotesca na largada e o sanduíche de dois carros logo depois. Os dois 15º lugares não foram suficiente para dar quilometragem ao estreante.