Foi fácil

O GP da Espanha, de certa forma, funciona como uma metáfora da temporada 2018: parece mais equilibrada, mas, na prática, vem sendo mais fácil para Hamilton do que o ano passado – por enquanto. E quem pode evitar isso parece estar batendo cabeça...

Renan Martins Frade, de São Paulo



Realmente não era ilusão. Até mais do que isso: foi fácil. A Mercedes dominou o GP da Espanha neste domingo, 13, com uma dobradinha liderada com folga por Lewis Hamilton. Agora, o inglês lidera o campeonato com 95 pontos, 17 à frente do segundo colocado, Sebastian Vettel, da Ferrari.

De certa forma, podemos extrapolar o resultado dominical para o que vem acontecendo na temporada 2018, ao menos até agora. Em algum momento, parecia que a Mercedes não tinha tanto domínio assim, com Red Bull e, principalmente, a Ferrari mais próximos. Realmente, em desempenho as equipes estão mais equilibradas. Mas, na pontuação do campeonato (que é o que realmente importa), Hamilton vem tendo vida fácil até este momento, principalmente quando comparamos em relação ao ano passado.

Lewis construiu duas vitórias seguidas em um momento importante da primeira metade do ano, isso enquanto Sebastian fica fora do pódio pela segunda vez seguida. Veja só: em 2017, após a quinta etapa (também o GP da Espanha), Vettel liderava o campeonato com 104 pontos, contra 98 de Hamilton.

Nem preciso lembrar quem foi campeão no final do ano, né? Desta vez, o inglês pode até curtir a vitória espanhola cantando Guns N' Roses: “It's so easy, easy / When everybody's tryin' to please me baby”. 

Vettel e a Ferrari tiveram uma corrida perdida e sem foco na Espanha
Ferrari



A temporada é longa, obviamente. Muita coisa pode acontecer, inclusive por causa do equilíbrio maior – que fica claro quando vemos que os líderes do campeonato estão pontuando menos na temporada atual. Por outro lado, esse mesmo equilíbrio valoriza também a vantagem já construída pelo inglês. Os 17 pontos serão mais difíceis de tirar.

Agora, o pessoal de Maranello precisa voltar para a base e repensar o que aconteceu. É difícil imaginar que os carros vermelhos tenham sido ultrapassados em desempenho por Mercedes e, em ritmo de corrida, por Red Bull assim, tão fácil. Os italianos fizeram algo errado por eles, também – incluindo na estratégia. Paradas nos momentos errados, escolhas erradas de pneus, enfim. Pane total. 

Talvez aprender com o que deu errado não seja tão fácil assim – e, se for esse o caso, vai continuar fácil para a Mercedes.

A Espanha também representou a retomada da liderança do Mundial de Construtores pela equipe alemã – não só pela dobradinha das Flechas de Prata, mas ajudada também pela quebra da Ferrari de Kimi Räikkönen. É mais uma nova dor de cabeça para os italianos: a confiabilidade do carro.

Renault: a nova quarta colocada do campeonato
Renault

E se lá na frente Hamilton começa bem a parte europeia da temporada, a briga pelo lugar de quarta força da F1 vai esquentando. Na prova, foi a Haas que ocupou essa posição, com o sexto lugar de Kevin Magnussen. Porém, os pontos perdidos com o acidente de Romain Grosjean na primeira volta, além daquele abandono duplo na Austrália, estão fazendo falta.

Quem vem também crescendo é a Renault. Carlos Sainz fez uma corrida consistente, largando em nono e chegando em sétimo. Com o resultando, a equipe francesa ultrapassou a McLaren em um ponto: 41 a 40.

Outra boa surpresa foi Charles Leclerc. A Sauber tem, sabidamente, o segundo pior carro do grid – melhor apenas que o da Williams. Ok que o francês foi ajudado pelos seis abandonos, mas o piloto fez uma corrida muito consistente e marcou mais um ponto para a equipe austríaca. De pouco em pouco, a Sauber já tem 11 pontos em 2018 (sendo oito de Leclerc). Durante todo o ano de 2017, a mesma equipe fez míseros cinco pontos.

Vamos ver, agora, o que acontece no GP de Mônaco. Circuito apertado, travado e difícil de ultrapassar, Monte Carlo viu uma vitória de Vettel em 2017 – mas, nos quatro anos anteriores, quem se deu bem por lá foi a Mercedes, incluindo três vitórias seguidas do hoje aposentado Nico Rosberg.

Quer saber? Não importa quem vença, mas pelo menos que não seja tão fácil.