Não era ilusão. Ou ainda é?

Hamilton crava a pole no GP da Espanha, mostrando que (por enquanto) a Mercedes tem o melhor desempenho em Barcelona – mesmo que não seja por uma diferença tão grande assim

Renan Martins Frade, de São Paulo



A Mercedes dominou os treinos livres. Diziam que não era real. Era, sim. Lewis Hamilton cravou a pole position no GP da Espanha de 2018 neste sábado, 12. É a segunda pole do inglês na temporada, chegando no melhor momento do piloto no campeonato: após assumir a liderança do mundial depois de uma conturbada prova no Azerbaijão. Até mais do que isso: Lewis cravou o recorde da pista espanhola, com o tempo de 1:16.173.

Vale dizer que a equipe alemã tem todos os motivos para sorrir. O quinto ano da Era Híbrida vem sendo o mais difícil para as Flechas de Prata, que dominaram os quatro anteriores. Até agora, a temporada 2018 é bastante equilibrada, mas a liderança de Hamilton no Mundial de Pilotos parecia um pouco mais de sorte do que realmente por conta do desempenho da Mercedes. Não à toa, a Ferrari lidera o Mundial de Construtores por uma pequena margem, de quatro pontos.

O circuito catalão costuma trazer um parâmetro mais concreto do equilíbrio de forças. Afinal, é lá no qual todas as equipes treinam durante o verão, com seus carros e pilotos amplamente adaptados a cada centímetro da pista. Além disso, o GP da Espanha marca o início da parte europeia da temporada (ainda que o Azerbaijão tenha “um pé” no Velho Continente), com os times trazendo atualizações aerodinâmicas.

Isso, somado ao fato de quem a classificação é uma disputa de velocidade pura, determina que a Mercedes tem realmente o carro mais rápido em tiro curto – e que Hamilton, até agora com apenas uma vitória no ano, justamente na prova anterior – ainda está em sua melhor forma.

Ou seja, resumindo: a liderança de Hamilton no campeonato também não é nada circunstancial.

Hamilton concentrado em Barcelona
Mercedes



Mas, há sempre o “mas”. A Mercedes não massacrou a concorrência, como fez por diversas vezes no passado. Ok, foi uma dobradinha prateada – Valtteri Bottas foi o segundo, apenas 0,040s atrás do companheiro -, só que ambos os pilotos ficaram 0,132s à frente de Sebastian Vettel, da Ferrari, o que não é tanto assim. Kimi Räikkönen, no outro carro vermelho, já ficou mais atrás: 0,439s de diferença.

Por isso a história será outra na corrida. Há (ainda) dúvidas se a Mercedes conseguirá ter o melhor desempenho em tiro longo na Espanha. Em um ano equilibrado, a estratégia tem se mostrado importante, também – e sabemos que a equipe alemã tem se perdido nesse quesito. Tem mais: a previsão de chuva para a madrugada pré-GP e para o momento da corrida pode mudar o equilíbrio de forças. Não podemos descartar nem um crescimento da Red Bull, até.

Pois é, a vantagem tão real de Hamilton neste sábado pode virar pó no domingo.

Normalmente, o GP da Espanha não é tão famoso assim por ter muitas ultrapassagens. Ainda assim, podemos esperar uma disputa divertida não só pela liderança, mas um pouco mais atrás, entre os times que tentam ser a quarta força da categoria. Kevin Magnussen, da Haas, conseguiu a posição de “melhor fora do trio de ferro”, em sétimo no grid, seguindo pela McLaren de Fernando Alonso, a Renault de Carlos Sainz e da outra Haas, a de Romain Grosjean. Há uma boa chance de sair faíscas entre esses quatro, principalmente nas primeiras voltas. Melhor para nós, espectadores.

Ou será que sou eu que estou me iludindo? Vamos aguardar...

Será que Vettel irá contra-atacar no domingo?
Ferrari