Os pontos da virada

Depois de Hamilton tomar a liderança de Vettel no Mundial de F1, GRANDE PREMIUM analisa a escalada do inglês que tirou 17 pontos de desvantagem. No ano passado, ele foi capaz de remar 25 pontos e ainda assim ficar com o título

André Avelar, São Paulo

Apesar de a estratégia ter se mostrado equivocada no final das contas, ninguém pode acusar Sebastian Vettel de passividade no último domingo (29), no GP do Azerbaijão. O então líder do Mundial de F1 trocou o que poderia ser uma pontuação ainda maior pela virada de Lewis Hamilton no campeonato. Antes da fase mais tradicional do calendário, com as consagradas corridas na Europa, o GRANDE PREMIUM analisa os pontos da mudança na tabela de classificação.

Hamilton lidera o campeonato depois de quatro corridas: são 70 pontos para o inglês da Mercedes contra 66 do alemão da Ferrari. A próxima prova acontece em 13 deste mês, no Circuito da Catalunha, para o GP da Espanha.

Se nem 20% das 21 etapas ainda foi cumprido, não custa lembrar que o #5 também esteve à frente no ano passado e, por diferentes problemas, viu o #44 sagrar-se campeão ao final da temporada. O maior prejuízo naquela oportunidade esteve relacionado com erros até bobos nas últimas provas. Neste ano, a diferença chegou a ser de 17 pontos a favor de Vettel. Agora, Hamilton tem 4 pontos à frente.

O alemão contou com uma renovada e confiante Ferrari para conseguir as vitórias na Austrália e no Bahrein. Na estratégia e na pista, alcançou rapidamente o 100% de aproveitamento. Por outro lado, a Mercedes, que não demorou a entender que não tem mais o carro supercampeão dos últimos anos, buscou a sobrevivência nas três primeiras provas do ano. Contou com a sorte, ou o destempero de Max Verstappen que segurou Vettel na tábua de pontos na China, para o triunfo do coadjuvante de luxo Daniel Ricciardo.

A quarta prova da temporada, pelo sim ou pelo não, – com ou sem a ajuda do Safety Car, com ou sem o pneu furado de Valtteri Bottas – foi a redenção de Hamilton. Também não se tem a garantia de que ele não passaria seu adversário na relargada, lá pela volta 41. A briga pelas quatro primeiras posições era forte e quem aquecesse melhor seu equipamento teria mais sucesso. Não precisava inclusive ser na primeira curva, da primeira volta depois do Safety Car.

Mas a prova no Azerbaijão não apenas marcou a primeira vitória dele no ano, como também a virada no campeonato. Dessa forma, a equipe vai para a fase europeia confiante que pode desgarrar antes das férias de verão da F1. A Ferrari insiste em dizer que já faz parte do passado, mas a Mercedes garante que a virada de 2017 ainda está bem viva na memória. Na casa da rival, Hamilton venceu o GP da Itália do ano passado e remou uma diferença de 25 pontos atrás (a maior diferença do ano, depois do GP de Mônaco) para três a mais.

Depois da Itália, Vettel, e a Ferrari, se perderam nas três provas seguintes que entregaram o título a Hamilton: Singapura (confusão na largada), Malásia (punição no grid) e Japão (problema de vela). Na sequência, nos Estados Unidos e no México, o inglês fez só o necessário para sagrar-se campeão mundial pela quarta vez e passar a lição atual da importância de somar todo e qualquer tipo de ponto durante o ano.

Ainda assim e sem calculadora a mais de 300 km/h, Vettel preferiu arriscar e fui buscar a vitória nas ruas de Baku. Não conseguiu, mas também ainda não perdeu o campeonato apesar da liderança de Hamilton. Em uma temporada tão longa, outros tantos pontos de virada ainda podem aparecer.