Que falta fazem Stroll e Hartley?

Seja lá de quem tenha sido a culpa, pilotos que nada acrescentam a Williams e Toro Rosso mais uma vez se envolveram em confusão, desta vez, na primeira volta do GP do Canadá. Livre de qualquer bobagem, Vettel venceu e retomou a ponta na F1

André Avelar, São Paulo

 

‘Corridas são corridas’, ‘acidentes acontecem’, ‘com o tempo eles aprendem’... Muitas podem ser as desculpas para o que aconteceu neste domingo (10), no GP do Canadá. Mas que falta fazem Lance Stroll e Brendon Hartley à F1? Nenhuma. Seja lá de quem tenha sido a culpa na primeira volta em Montreal, os dois pilotos pouco acrescentam a Williams e Toro Rosso. Tudo bem a categoria ser entregue ao dinheiro, daí a desperdiçar talento já é demais.

Lá na frente, Sebastian Vettel se livrou de toda e qualquer confusão e guiou com tranquilidade para retomar a liderança do Mundial: 121 pontos, contra 120 de Lewis Hamilton, apenas o quinto colocado na corrida. Valtteri Bottas e Max Verstappen completaram o pódio. 

Dono da casa, Stroll achou também que era o dono da pista. Por mais que tenha perdido o controle do carro na curva 5, e isso acontece mesmo com os pilotos mais experientes, veio de uma largada atabalhoada, tentando a todo o custo ganhar posições. Poucas para quem largou só em 17º. Há a suspeita de que o pneu furado, provavelmente por um leve toque em Stoffel Vandoorne. Ainda assim, a F1 não é videogame e se preservar também faz parte. Ainda mais em um carro reconhecidamente ruim como a Williams.

Por mais que aos otimistas o canadense não tenha feito nada de errado desta vez (apesar do histórico, sim, jogar contra), o neozelandês então bem que poderia ter tido um pouco mais de calma. De forma alguma caberia um carro ali. A tentativa de ultrapassagem por fora naquele ponto, naquela altura da corrida, foi mais do que precipitada em uma primeira volta historicamente confusa. 

Mais corrida, menos corrida, o bicampeão mundial de endurance pode pagar o preço de pelo menos estar envolvido em tantas bobagens e, claro, ter somado apenas um ponto – para a comparação na própria garagem, Pierre Gasly soma 18 pontos tendo inclusive conseguido um excepcional quarto lugar no GP do Bahrein. 

Nessa semana mesmo, surgiu a informação de que a Toro Rosso cogitou o empréstimo pela McLaren do jovem Lando Norris, líder da F2 depois de oito corridas. Vale lembrar que o próprio Hartley substituiu Daniil Kvyat no final do ano passado.

Já a situação de Stroll é mais garantida para o ano que vem e nem tanto pelos seus míseros quatro pontos no ano, contra nenhum do ainda menos expressivo Sergey Sirotkin. Apesar do enorme apelo popular, o polonês Robert Kubica não é uma ameaça concreta. Ainda mais porque o dinheiro do pai do piloto será mais do que bem vindo em uma temporada em que a principal patrocinadora, a Martini, já anunciou que vai deixar o time depois de quatro anos de parceira. 

Nem todo mundo precisa ser um Fernando Alonso, um Lewis Hamilton ou um Sebastian Vettel (ordem alfabética), mas há outros tantos pilotos muito bons no próprio grid de F1. Os recém-chegados, principalmente em equipes de médio porte, custam a provar seu valor. Mas há exceções. Charles Leclerc, Esteban Ocon, Max Verstappen e Pierre Gasly (de novo ordem alfabética), têm tudo para liderarem a categoria nos próximos anos. Recentemente, Pascal Wehrlein também demonstrou que poderia fazer algo melhor do que a dupla em questão e curiosamente não tem vaga na F1.

Depois de longas 70 voltas em um GP de novo pouco animado no Canadá, pouca gente sentiu falta do canadense Lance Stroll e do neozelandês Brendon Hartley. Talvez nem os próprios torcedores locais.

A Copa do Mundo costuma a tomar a atenção dos amantes de esportes, mas o automobilismo não para. A oitava prova da temporada 2018 da F1, por exemplo, acontece no domingo (24), com a volta do GP da França. Depois de 10 anos, o tradicional circuito de Paul Ricard recebe novamente uma corrida da categoria.