'Grid girl não é puta'

Cintia Ferretti, que trabalhou no GP do Brasil nos últimos três anos, discorda do fim das modelos e conta em depoimento ao GRANDE PREMIUM que, ao contrário de outros eventos, sempre foi bem tratada na F1: ‘o mundo precisa entender as pessoas e não só julgar’

André Avelar, São Paulo

"Fui grid girl da F1 por três anos consecutivos: 2015, 16 e 17. Fiquei muito triste com a decisão de agora não pelo fato do dinheiro em si, mas por tudo que a F1 representa. 

Achei a atitude totalmente errada e tenho impressão que foi tomada por eles mesmos. Nós, meninas que estamos trabalhando, não fomos ouvidas. Eles alegam que vai contra o pensamento de hoje, que o mundo está mudando, que já não tem nada a ver a mulher lá, mas todo mundo que trabalha com isso está lá porque quer.

Para a gente, é um trabalho maravilhoso de se fazer. Tem uma exposição muito boa, o coração bate mais forte na frente dos carros e você se sente fazendo parte de algo importante. E sempre fui muito bem tratada na F1. As roupas são normais, não são aquelas que marcam o corpo inteiro. O cuidado deles vai desde a alimentação, água, ao lanche... Tudo. Quem ouve, parece que é bobagem, que seria o básico, mas não é. Tem muito evento em que a gente passa 10, 12 horas sem sequer tomar água ou poder ir ao banheiro.

Já fiquei com vontade de ir ao banheiro e não fui porque tinha o risco de ser mandada embora e não receber pelo evento. As meninas têm até uma estratégia de não beber muita água para não ir ao banheiro porque eles falam que atrapalha o evento.

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