Tradição em conflito com os dias atuais

F1 alegou que grid girls são questionáveis ‘quanto às normais sociais modernas’, mas modelos garantem que eventual assédio não é diferente do que acontece no dia a dia; feminista alerta para caráter de ‘objetificação’ em ambiente em que não são protagonistas

André Avelar, São Paulo

‘Troféu para os pilotos’, ‘mulher-objeto’, ‘pedaço de carne’, ‘ficha rosa’, ‘puta’. Essas são só algumas expressões que as grid girls ouvem com mais raiva desde a última quinta-feira (31) de pessoas favoráveis à decisão do Liberty Media de banir as modelos da F1. Nem assim, elas concordam com a atitude dos novos donos da categoria em escancarar o conflito da tradição com os dias atuais. 

Em comunicado, o grupo que do ano passado pra cá vem tirando o pó da F1 com o olhar para as redes sociais, por exemplo, explicou que a “prática de adotar grid girls não faz parte dos valores da marca, além de ser questionável quanto às normas sociais modernas”. Mulheres do esporte ouvidas pelo GRANDE PREMIUM confirmam a polêmica e se dividem sobre o banimento.  

Entre as grid girls, o principal argumento é de que ninguém as obriga a nada. Mais do que isso, recebem uma boa quantia em dinheiro pelo trabalho que gostam e, no caso da F1, são bem tratadas. Pode parecer pouco, ou deveria ser natural, mas as roupas não marcam o corpo e elas recebem orientação para cuidarem da alimentação e da hidratação durante todo o domingo da corrida, além de segurança. O assédio? Segundo elas, vem apenas por parte do público e não é diferente do que acontece diariamente.

 
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