Hora de aventura

Marcos Gomes, aos 33 anos, achou que era hora de se aventurar nos EUA. E aceitou começar 'quieto' na K&N Pro East, quarta divisão da Nascar. Comparamos suas expectativas do começo do ano com os resultados agora, no meio de 2018. E sucesso resume

Felipe Noronha, de São Paulo

Cinco corridas. Três top-10, um top-5, 11ª posição no campeonato. E isso tudo em uma nova categoria, com um novo carro, em meio a uma maratona entre Estados Unidos e Brasil.

O começo de Marcos Gomes na K&N Pro Series East, algo como a “quarta divisão” da Nascar, é promissor. E até nada esperada em termos racionais — mas totalmente possível quando se fala em talento.

Gomes, aos 33 anos, campeão da Stock Car em 2015, resolveu que era hora de se aventurar em outros locais. E se encontrou na Nascar, se permitindo sonhar em alcançar as categorias principais do campeonato tão querido pelos americanos.

Mas a questão é: por que agora? Antes mesmo da empreitada começar, quando Gomes havia feito apenas um teste em Bristol — e quebrando recorde da pista  —, o GRANDE PREMIUM questionou o piloto sobre esta opção. E conta agora, para comparar as então expectativas do titular da Cimed na Stock Car com o que ele vem conquistando fora do Brasil. Seu melhor resultado neste começo foi em South Boston, com a quarta colocação pela NextGen Motorsports.

Marcos Gomes no carro da NextGen Motorsports
Divulgação/RF1

“Começou a amadurecer esse assunto no final do ano passado. Conseguimos um grupo de investidores para a gente tocar isso. Eles investem nesse ano e depois eu retorno 20% do que eu ganhar lá. Foi uma maneira de levantar o orçamento para correr esse ano e acabou dando certo.”

“A meta é pegar experiência, usar umas três corridas para pegar bastante experiência para as outras três, para conseguir os resultados. E, assim, conseguir mais patrocinadores para continuar o projeto”, explicou.

Para quem disputou 12 corridas em um espaço de um mês e meio — mais do que qualquer maratona de Fernando Alonso em 2018, por exemplo —, a experiência parece estar sendo adquirida.

Na Stock Car, Marcos Gomes chegou à parada da Copa do Mundo como vice-líder
Divulgação/RF1

As viagens e os bons resultados, aliás (lembrando que, na Stock Car, voltou a vencer após dois anos, em Santa Cruz do Sul, e está em segundo no campeonato, sendo o único além do líder Daniel Serra a já ter passado dos 100 pontos), batem com outro ponto que Gomes se preocupava no começo da aventura: o do costume com o carro e as diferenças do americano para o brasileiro.

“O carro é bem diferente. Para falar a verdade, o que eu senti mais dificuldade foi a posição de dirigir, de guiar, lá eles usam o volante muito perto do corpo, é bem diferente do que o automobilismo brasileiro e o europeu estão acostumados.”

“Mas é assim que eles andam. Deu para me adaptar rápido, e agora é pegar toda corrida que eu mudar da Stock Car para lá, ficar automático na cabeça. Lá eles têm muito mais potência no carro e menos aderência, é um carro um pouco mais difícil de guiar. Quando eu cheguei lá eu estranhei muito, acostumei lá, quando cheguei aqui estranhei muito. Na próxima vez vai estar automático na cabeça”, completou.

Gomes chegou à K&N batendo recorde em Bristol
Reprodução/Instagram

O plano é fazer seis corridas — ou seja, falta uma — na K&N Pro East neste ano e, quem sabe, algumas corridas do lado oeste também. E Gomes resume o que quer com isso: chamar a atenção de quem está acima, subir e aumentar seu nível com bons pilotos na mesma pista.

“Ela (a versão Leste) é considerada a mais forte, tem todos os pilotos mais fortes que estão querendo chegar na principal. Tem alguns filhos de ex-campeões, então é uma categoria bem forte. Acho que é uma boa categoria para começar lá.”

O ano é longo, ainda faltam seis meses, mas parece que Gomes se adaptou bem à situação. É ver se o ritmo empolgante volta com tudo após a parada da Stock Car para a Copa do Mundo. Se sim, ele vai querer se arriscar com novidades cada vez mais.