Quase sem braços para os braços do povo

Só com a sexta marcha, Senna vence espasmos e câimbras e termina dia da primeira vitória no Brasil cercado pelo povo em casa

Victor Martins, de São Paulo

A vitória de Ayrton Senna naquele 24 de março de 25 anos atrás só não teve sangue, mas muito suor e lágrimas. E ainda se pode dizer que quase teve sangue dado o esforço que o brasileiro fez para levar a McLaren e sua marcha única, a sexta, até o final. “Ele dizia que seus braços doíam muito e que não conseguia mexer”, disse à época o anestesista Flávio Beretta, que o atendeu no safety-car que foi resgatá-lo na Reta Oposta – onde ouvia da torcida um efusivo ‘e dá-lhe Senna, olê, olê, olê’. “Ele estava calmo e com cara de que já tinha chorado”, completou.

O cansaço de Senna não terminou após a comemoração com a bandeira brasileira no pódio. Senna não foi poupado da entrevista coletiva. Foi lá onde apontou aos céus para indicar o responsável pela façanha. “Ele”, disse, referindo-se à intervenção divina. No plano terreno, Ayrton contou a façanha. “Faltando 20 voltas para o final, eu tive problemas graves com o câmbio: perdi a terceira e a quinta marcha e, de repente, usava somente a sexta nas últimas sete voltas. Eu notei o (Riccardo) Patrese se aproximando de mim e cheguei a pensar que não venceria”, confessou. Mas Senna se sentia na obrigação de ganhar. “Foi assim que consegui levar o carro, apesar da chuva que caiu no final da corrida.” 

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