Como ficam as bases F2 e GP3 na nova F1 sem Ecclestone?

A GP2 pode até ter mudado de nome, mas parece claro que ela e a GP3 vão precisar passar por metamorfoses caso queiram sobreviver aos novos donos da F1

Gabriel Curty, de São Paulo

 

Não é de hoje que a GP2 vem perdendo sua relevância e status de grande categoria de base para a F1. Diante de um certame muito caro e na esteira de uma fase em que cada vez mais os jovens pilotos saltam direto de F3 Europeia ou outros campeonatos para a categoria principal, parecia óbvio que a GP2 precisaria dar uma sacodida para sobreviver e voltar a ter a importância que teve no seu nascimento, quando revelou nomes como Lewis Hamilton e Nico Rosberg, o primeiro campeão, em 2005.
 
A ideia inicial era a criação de uma nova F2, em um projeto que seria comandado por Stefano Domenicalli, ex-chefe da Ferrari. Verdade seja dita, isso fracassou quase que completamente. Quase porque, pelo menos, a GP2, então categoria que tinha Bernie Ecclestone entre seus sócios, realmente trocou de nome e, agora, passa a ter um peso um pouco maior na tabela da superlicença para chegar à F1.
 

 

O passo real que a atual F2, agora com maior suporte por parte da FIA, deu para sobreviver veio meses antes da mudança de nome. Na realidade, veio exatamente quando a categoria divulgou o calendário de 2017. Apesar de continuar como preliminar da F1 em dez ocasiões, a F2 deu a primeira mostra de que pretende ser algo mais, marcando uma etapa em Jerez.
 
Tudo indica que os novos donos da F1 - os americanos do Liberty Media - vão fazer mudanças drásticas nos finais de semana da categoria e nos eventos em si. Pensando em um prazo nem tão longo assim, não é impossível imaginar que a categoria principal seja a única atração automobilística, talvez cercada por shows e outros tipos de entretenimento.
 
Desta forma, a F2 acerta em cheio por ao menos demonstrar que pode dar alguns passos sem ser controlada pela F1. E onde entra a GP3 nessa história toda?
 

 

Com oito rodadas duplas, a GP3 também estará em Jerez correndo ao lado da F2. Entretanto, a segunda categoria-suporte da F1 não tem apenas o problema de provavelmente ser 'chutada' do programa da F1, mas, também, de ser encerrada. Afinal, pensando friamente, que lógica teria manter uma categoria chamada GP3 em uma sequência que agora parece natural de F1, F2 e F3 Europeia?
 
Uma saída que pode ser avaliada para a GP3 é a mudança de nome e o isolamento total da F1 e da F2. Talvez, seguindo uma linha parecida com a da World Series, que tem um calendário independente das demais séries, a categoria consiga se manter relevante, brigando possivelmente pelo posto de terceira principal categoria de base.
 
Ainda que F2, GP3, F3 Europeia e World Series sejam essencialmente categorias de base e potenciais campeonatos de acesso à F1, está cada vez mais claro que não existe uma cartilha para se chegar à categoria principal. Assim, é essencial que elas sejam cada vez mais campeonatos competitivos e que invistam em sua marca buscando independência da F1 e, por mais forte que isso possa soar, a sobrevivência.