Equipes e Pilotos

Quem é quem na temporada 2017 do Mundial de F1

Rodrigo Berton, de São Paulo
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Mercedes

 

A Mercedes abre 2017 com seu domínio posto em xeque por uma Ferrari que foi a grande equipe da pré-temporada. A escuderia prateada ainda terá de lidar com a ausência de Nico Rosberg, a adaptação de Valtteri Bottas e a gana de Lewis Hamilton em voltar ao topo do Mundial.

A sensível mudança no regulamento técnico da F1 não foi bem-quista pela Mercedes. E havia uma grande razão para tal. Afinal, a ‘nova F1’ faz com que, pela primeira vez nos últimos três anos, a escuderia prateada tenha seu domínio posto em xeque. Dona de nada menos que 51 vitórias, três títulos do Mundial de Pilotos e outros três do Mundial de Construtores de 2014 para cá, a Mercedes era a principal interessada em que tudo ficasse como está.

Mas a introdução de novas regras mostrou, ao menos nos testes de pré-temporada, que há grandes chances de a temporada 2017 ser bem mais parelha em relação aos anos anteriores. A Ferrari se destacou demais não apenas pela performance em volta rápida, mas também foi extremamente consistente e confiável.

A Mercedes se mostrou novamente forte, completou mais voltas e quilômetros que qualquer outra equipe nos testes — 1.096 voltas, ou 5.102 km —, mas desta vez não parece que o abismo que vai separá-la da sua principal oponente será tão grande assim.

E para complicar ainda mais a vida dos prateados, há uma mudança importante na sua dupla de pilotos. Lewis Hamilton continua focado em buscar mais um título, mas agora o britânico terá outro companheiro de equipe no lugar de Nico Rosberg, que chocou o mundo ao anunciar sua aposentadoria apenas cinco dias depois de faturar seu único título.

Ainda é muito cedo para ver o impacto de Valtteri Bottas na Mercedes. O finlandês já se mostrou à vontade durante os testes de pré-temporada. Mas é como o famoso comentarista costuma dizer: treino é treino, corrida é corrida, de modo que é preciso de um tempo para ver como Bottas vai se encaixar à equipe e lidar com Hamilton, um companheiro de equipe sempre difícil.

Outra mudança importante diz respeito ao diretor-técnico. Pilar dos anos de sucesso do time de Brackley, Paddy Lowe deixou a Mercedes e fechou com a Williams. Para seu lugar, a escuderia contratou o renomado e experiente James Allison, que fez seu último trabalho na Ferrari. Allison chega a uma estrutura forte e logo deve exercer um papel de destaque para ajudar a Mercedes a tentar permanecer no topo da F1.  

 

Sedes: Brackley e Brixworth, Inglaterra; Stuttgart, Alemanha
Carro: W08 EQ Power+
Motor: Mercedes
Chefe de equipe: Toto Wolff
Diretor-técnico: James Allison

Em 2016: Campeã Mundial de Construtores (765 pontos)
Melhor resultado: 3 títulos de Pilotos; 3 títulos de Construtores
Melhor tempo em Barcelona: 1min19s310 (Valtteri Bottas, 3º, pneus ultramacios)

#ForeverFaster #PumaMotorsport 

#44 Lewis Hamilton

Nascimento: 7 de janeiro de 1985, Tewin, Inglaterra (32 anos)
188 GPs disputados
53 vitórias
61 poles
104 pódios
31 voltas mais rápidas
2.247 pontos

Melhor resultado
Campeão em 2008, 2014 e 2015
Em 2016: vice-campeão (380 pontos)

Lewis Hamilton ficou a seis pontos de conquistar o tetracampeonato em 2016. Mas o britânico foi acometido por uma série de azares e erros, que acabaram por prejudicá-lo na missão de faturar mais um título, ainda que tendo sido o piloto com mais vitórias no ano passado. Mesmo assim, não dá para dizer que a última temporada foi de toda ruim para o #44. Afinal, Lewis alcançou marcas históricas: ultrapassou as 50 vitórias, as 60 poles e os 100 pódios. Números que colocaram Hamilton, em definitivo, no rol dos maiores pilotos da F1 em todos os tempos.

Por toda a sua capacidade e por fazer parte da Mercedes, Hamilton abre a temporada como, ao menos em teoria, grande favorito ao título em 2017. E para ajudar ainda mais o tricampeão, Nico Rosberg, seu maior rival nos últimos três anos, decidiu deixar o esporte depois de superar Lewis e conquistar a taça de campeão do mundo no ano passado. Valtteri Bottas, por mais talento que possa ter, ainda terá de se encaixar à estrutura da Mercedes, o que sempre leva tempo. 

Com o discurso cauteloso, Hamilton prefere jogar para os ombros da Ferrari o favoritismo neste começo de temporada. Nos testes de inverno, Lewis não brilhou, procurando trabalhar muito em simulações de corrida. Ao falar sobre os trabalhos, o britânico se empolgou com a pilotagem do novo W08, mas ao mesmo tempo não se mostrou tão certo sobre a permanência da Mercedes como equipe dominante da F1. Se é blefe ou não, só será possível comprovar a partir do GP da Austrália. Mas que ninguém duvide de Hamilton, que abre 2017 com totais condições de conquistar o tetra.

#77 Valtteri Bottas

Nascimento: 28 de agosto de 1989, Nastola, Finlândia (27 anos)
77 GPs disputados
9 pódios
1 volta mais rápida
411 pontos

Melhor resultado
Quinto lugar em 2015
Em 2016: oitavo (85 pontos)

No esporte, assim como na vida, nada é por acaso. Se Valtteri Bottas é um predestinado, só o tempo vai dizer. Mas é fato que o finlandês recebeu a grande chance da sua carreira de forma inesperada e, claro, com certa dose de sorte. Nem o mais fanático fã do finlandês poderia imaginar que, menos de um mês após encerrar a temporada 2016 como piloto da Williams, seu universo viraria do avesso com a transferência para a toda-poderosa Mercedes. Fruto, claro, da aposentadoria surpreendente de Rosberg.

Em teoria, Bottas não seria a primeira opção. Mas pilotos de ponta como Sebastian Vettel e Fernando Alonso tinham (e têm) contratos vigentes. Bottas também tinha e chegou a ser anunciado pela Williams para 2017, mas um acordo que envolveu dinheiro, negociações arrastadas com Claire Williams e a não menos surpreendente volta do aposentado Felipe Massa à F1 fez com que Valtteri tivesse a chance de assinar com a Mercedes. Com a bênção do seu ex-empresário, Toto Wolff.

É muito cedo para saber o que Bottas poderá fazer correndo pela Mercedes. O nórdico terá pela frente o desafio de correr pela equipe que vem dominando a F1 nas últimas temporadas e conta com ninguém menos que Lewis Hamilton. Rosberg sabe bem como é difícil lidar com a competitividade de Hamilton. A pressão a que Bottas será submetido será muito grande, afinal o mundo da F1 estará de olho nele e muita gente vai querer estar no seu lugar. É uma missão pra lá de espinhosa: substituir o campeão mundial vigente é tarefa para poucos. Assim, 2017 será um ano-chave para a carreira de Bottas. Jogado aos leões, ele terá de mostrar do que é capaz logo de cara — afinal, seu contrato é de apenas um ano, o que aumenta ainda mais a pressão. Para Valtteri Bottas, todas as 20 corridas do calendário vão ter um quê de decisão.

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Red Bull

 

A equipe que fechou 2016 como segunda força parece ter dado um passo para trás em 2017, ficando atrás de Mercedes e Ferrari. Sorte que a Red Bull conta com uma das melhores duplas do grid: Daniel Ricciardo e Max Verstappen devem trazer bons resultados vez que outra.

A equipe que terminou a temporada 2016 como segunda força pode muito bem estar dando um passo para trás – justamente o contrário do que se esperava. A Red Bull, que tem na aerodinâmica um de seus pontos fortes, parece ter falhado justamente quando os fluxos de ar ganharam importância. A julgar pelos tempos de volta anotados em Barcelona, a equipe abre 2017 claramente atrás de Mercedes e Ferrari.

Não que a Red Bull esteja fadada ao fracasso – os novos carros ainda vão se desenvolver muito ao longo de 2017 –, mas já fica bem difícil acreditar em um título para Daniel Ricciardo e Max Verstappen. Não é exagero nenhum pensar em uma ou outra vitória, mas as fraquezas do motor Renault, menos potente e confiável, vão ser uma bela pedra no sapato. Aliás, os motores seguem sendo determinantes. Quando se esperava que a potência dos carros fosse menos determinante, a Ferrari acertou em cheio e a Renault derrapou. Com um bom desenvolvimento, os taurinos devem voltar a ser postulantes ao título em 2018.

O que não deve ser um problema é a dupla de pilotos. Daniel Ricciardo e Max Verstappen formam um dos conjuntos mais fortes da F1 – se não o mais forte de todos. São dois caras que já mandaram muito bem em 2016, se posicionando como únicas grandes ameaças ao poderio da Mercedes. Não há motivo para acreditar que a história será diferente em 2017. 

 

Sede: Milton Keynes, Inglaterra
Carro: Red Bull RB13
Motor: Tag-Heuer (Renault)
Chefe de equipe: Christian Horner
Diretor-técnico: Adrian Newey
Pilotos reserva: Sébastien Buemi e Pierre Gasly

Melhor resultado: 4 títulos de Pilotos; 4 títulos de Construtores
Em 2016: 2º lugar no Mundial de Construtores (436 pontos)
Melhor tempo em Barcelona: 1min19s438 (Max Verstappen, 6º, pneus ultramacios)

#FasterTogether #PumaMotorsport

#3 Daniel Ricciardo

Nascimento: 1º de julho de 1989, Perth, Austrália (27 anos)
109 GPs
4 vitórias
18 pódios
8 voltas mais rápidas
616 pontos

Melhor resultado: 3º colocado em 2014 e 2016
Em 2016: 3º colocado (256 pontos)

Não é exagero nenhum dizer que Daniel Ricciardo vive o melhor momento da carreira. Teria brigado pelo título em 2016 se tivesse carro para isso – não por acaso, o australiano foi o ‘melhor do resto’, excluindo as Mercedes. Essa velocidade contrasta com o momento incerto da Red Bull, que parece ter perdido terreno e virado a terceira melhor equipe.

Essas variáveis dificultam uma previsão certeira sobre Ricciardo, mas não há motivos para acreditar que a boa forma de 2016 vai ficar para trás. É bem possível que o australiano consiga ao menos uma vitória, alimentando de grão em grão suas ainda magras estatísticas na F1 – e que não fazem justiça ao real talento de Daniel.

#33 Max Verstappen

Nascimento: 30 de setembro de 1997, Hasselt, Bélgica (19 anos)
40 GPs
1 vitória
7 pódios
1 volta mais rápida
253 pontos

Melhor resultado: 5º colocado em 2016
Em 2015: 5º colocado (204 pontos)

O menino prodígio só tem a crescer em 2017. Agora mais experiente, a expectativa é de um Max Verstappen capaz de igualar a regularidade alcançada por Daniel Ricciardo, por exemplo. Os pódios, que já vinham em número considerável, podem ser ainda mais frequentes – isso se as deficiências do RB13 não incomodarem tanto.

Mas, mais do que a experiência, a grande vantagem de Verstappen é ter uma temporada inteira para conhecer o novo carro. A mudança súbita da Toro Rosso para a Red Bull significou que o holandês disputou alguns GPs ainda se adaptando ao carro – mesmo que tenha vencido logo na primeira corrida pela equipe A, no GP da Espanha. Dessa vez, Max iniciar a temporada já plenamente adaptada.

Mesmo com toda essa expectativa de melhora, a sensação é de que Verstappen ainda deve ficar um pouco atrás de Ricciardo – mas bem pouco mesmo. Deve ser uma das disputas mais acirradas entre companheiros de equipe.

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Ferrari

 

A Ferrari chega a 2017 renovada. Ainda que não tenha sofrido nenhuma grande mudança em seu quadro técnico, a equipe italiana produziu um carro rápido e confiável. A SF70H foi a grande sensação dos testes de pré-temporada e é a aposta do time para bater a Mercedes.

Depois de passar por uma reestruturação técnica entre as temporadas de 2014 e 2015, em que viu a troca de chefia, pessoas chave dos bastidores e a vinda de Sebastian Vettel para o lugar de Fernando Alonso, a Ferrari deu um salto de qualidade. O alemão e a nova gestão deram frescor ao ambiente sempre carregado em Maranello. Chegaram a vencer corridas e se colocaram como uma ameaça real à Mercedes em algumas etapas, ainda que a disputa do título nunca tenha se concretizado. Só que aquele campeonato de 2015 acabou elevar demais as expectativas para o ano seguinte.

E a pré-temporada corroborou isso. A esquadra vermelha liderou os testes e deixou a impressão de que viria mais forte. Mas a performance foi apenas ilusória, e a verdade é que o time sofreu demais ao longo da temporada. Não conseguiu vencer e se viu às voltas com a rebeldia de Vettel. Pior do que isso foi assistir à recuperação da Red Bull. A equipe austríaca não só ultrapassou os italianos na tabela, como foi a única a vencer em um ano que a Mercedes dominou a F1 como quis.

Agora, entretanto, a Ferrari parece ter renascido. A esquadra se recompôs muito bem da perda de James Alisson – agora na rival alemã – e a apostou na prata da casa para projetar o SF70H. E a decisão agora parece acertada. Em um ano de grandes mudanças, o modelo ferrarista se mostrou rápido, apresentou soluções aerodinâmicas inteligentes e chamou a atenção pela confiabilidade.

A equipe fechou os testes com os dois melhores tempos. Mas, desta vez, o desempenho foi mais real. E chegou a colocar medo na concorrência. E há quem já coloque a Ferrari como a grande favorita do ano. Lewis Hamilton, por exemplo, não escondeu a surpresa com o ritmo dos italianos e teme por uma rivalidade ainda maior neste 2017. Notícia mais que bem-vinda para essa nova F1. 

 

Sede: Maranello, Itália
Carro: SF70H
Motor: Ferrari
Chefe de equipe: Maurizio Arrivabene
Diretor-técnico: Mattia Binotto
Piloto reserva: Antonio Giovinazzi

Melhor resultado: 15 Títulos de Pilotos; 16 Títulos de Construtores
Em 2016: Terceira colocada no Mundial de Construtores (398 pontos)
Melhor tempo em Barcelona: 1min18s634 (Kimi Räikkönen, 1º, pneus supermacios)

#ForeverFaster #PumaMotorsport

 

#5 Sebastian Vettel

Nascimento: 3 de julho de 1987, Heppenheim, Alemanha (29 anos)
178 GPs disputados
42 vitórias
46 poles
86 pódios
28 voltas mais rápidas
2.108 pontos

Melhor resultado
Campeão em 2010, 2011, 2012 e 2013
Em 2016: quarto colocado (278 pontos)

Sebastian Vettel é quem lidera a Ferrari nesta nova fase da equipe italiana. Contratado para substituir Fernando Alonso e conduzir o time mais tradicional do grid de volta às vitórias e títulos, o tetracampeão vestiu o vermelho como poucos, se identificou rapidamente com o ambiente em Maranello e, principalmente, cativou os fanáticos torcedores ferraristas. Tal como seu ídolo Michael Schumacher, Vettel vem trabalhando arduamente para levantar a equipe. É bem verdade que o alemão se tornou um ‘reclamão’ nas pistas no último ano, mas raramente se queixa da Ferrari. E só por isso já ganhou o coração dos tifosi.

Vettel começou bem sua trajetória pela Ferrari em 2015. Ganhou três vezes, foi ao pódio e deu a impressão de que seria o futuro rival de Lewis Hamilton. Só que a temporada passada acabou sendo um pesadelo para os italianos, que perderam a mão do carro e o posto de segunda força do Mundial para a Red Bull. Só que isso não parece ter servido de motivação. O novo carro começou a ser projetado na metade do ano e chegou a Barcelona impressionando, no fim de fevereiro.

O alemão se colocou veloz e foi melhorando seu desempenho volta a volta. Mas a Ferrari é mais do que mostrou. Tanto é assim que, em seu último dia de testes, Seb tirou o pé e deliberadamente evitou andar mais rápido. Saiu de Montmeló feliz e com um sorriso no rosto, embora pregasse a cautela. Ainda assim, já possível dizer que o tetracampeão, enfim, deve se colocar como o grande oponente de Hamilton.

#7 Kimi Räikkönen

Nascimento: 17 de outubro de 1979, Espoo, Finlândia (37 anos)
251 GPs disputados
20 vitórias
16 poles
84 pódios
43 voltas mais rápidas
1.360 pontos

Melhor resultado
Campeão em 2007
Em 2016: sexto colocado (186 pontos)

Kimi Räikkönen completa a dupla ferrarista, uma das mais fortes do grid. O campeão mundial de 2007 ganhou uma nova chance ao ter seu contrato renovado com os italianos e agora vai para seu último ano de acordo. A verdade é que o finlandês fez por merecer. Com um carro melhor em 2015, foi consistente, apesar de não ter conseguido acompanhar o ritmo do colega tetracampeão. Porém, no ano passado, conseguiu superar Seb em posições de largada e foi bastante regular, teve menos abandonos e se mostrou o cara certo para levar a Ferrari também de volta ao caminho das vitórias.

A experiência do nórdico, sem dúvida, tem grande peso no clima mais ameno dentro dos boxes ferraristas e no desempenho da SF70H. Räikkönen estava à vontade em um carro que parece que casa com seu estilo de pilotagem. Foi muito rápido nos testes coletivos em todas as configurações. Tirou o que conseguiu de uma Ferrari melhor acertada e estável. 

Se Vettel parece o homem que vai se colocar como principal adversário para Hamilton, Räikkönen será o cara da preocupação da Mercedes. Afinal, Kimi é extremamente veloz e comete pouquíssimos erros. Será interessante também ver o embate entre os dois finlandeses, agora que o rápido Valtteri Bottas terá um carro capaz de vencer.

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Force India

 

Depois de terminar em quinto lugar no Mundial de Construtores em 2015, no ano passado, a Force India alcançou um feito ainda maior e fechou a temporada no top-4. O grande desafio em 2017 é manter a posição.

O slogan de ‘equipe que mais cresce na F1’ se encaixa como uma luva à Force India. Baseada em Silverstone, a escuderia de Vijay Mallya alcançou um feito histórico no ano passado e desbancou ninguém menos que a Williams, equipe icônica e multicampeã, para terminar o Mundial de Construtores em quarto lugar. Um ano antes, a Force India já havia conquistado um sólido quinto posto no campeonato. Para manter a guinada ascendente, o time anglo-indiano contou com um carro de ótima base, o poderoso motor Mercedes e a forte e equilibrada dupla de pilotos formada por Sergio Pérez e Nico Hülkenberg.

Para 2017, como a maior parte das equipes, a Force India teve mudanças na sua dupla de pilotos. Nico Hülkenberg ganhou a chance que queria para defender uma equipe de fábrica e partiu de mala e cuia para ser a grande referência da Renault, que queria Pérez. Mas ‘Checo’, dono de dois pódios no ano passado e piloto mais bem-sucedido da história da Force India, permaneceu e terá ao seu lado uma das grandes estrelas desta nova geração: o jovial e talentoso francês Esteban Ocon.

Os cofres da Force India ganharam um substancial reforço. Primeiro, em razão do quarto lugar no Mundial de Construtores no ano passado. E agora, depois do anúncio do patrocínio da empresa austríaca de tratamento hídrico BWT, vai receber cerca de R$ 63,2 milhões para pintar seu novo carro de rosa. Vale a pena. Trata-se de um dinheiro suficiente para a equipe tenha toda a tranquilidade para desenvolver o VJM10 ao longo da temporada.

Nos testes de inverno em Barcelona, a Force India não impressionou, mas indicou ter um carro confiável, o que é sempre bom neste começo de temporada. Ao todo, Pérez, Ocon e o piloto de desenvolvimento Alfonso Celis completaram, juntos, 785 voltas no circuito catalão, com ‘Checo’ anotando a melhor volta da equipe no último dia (1min20s116).

As sessões de pré-temporada podem ser pouco conclusivas, mas dá a entender que, neste princípio de 2017, a Force India larga atrás da Williams. Mas, claro, considerando o equilíbrio maior da sua dupla em relação ao duo Felipe Massa-Lance Stroll, há uma possibilidade de repetir o quarto lugar do ano passado no Mundial deste ano. Tudo para continuar vivendo sua fase cor-de-rosa na F1.

 

Sede: Silverstone, Inglaterra
Carro: VJM10
Motor: Mercedes
Chefe de equipe: Vijay Mallya
Diretor-técnico: Andrew Green
Piloto de desenvolvimento: Alfonso Celis

Em 2016: 4º no Mundial de Construtores (173 pontos)
Melhor resultado: 7º lugar no Mundial de Pilotos; 4º lugar no Mundial de Construtores
Melhor tempo em Barcelona: 1min20s116 (Sergio Pérez, 10º, ultramacios)

#11 Sergio Pérez

Nascimento: 26 de janeiro de 1990, Guadalajara, México (27 anos)
114 GPs disputados
7 pódios
3 voltas mais rápidas
367 pontos

Melhor resultado
7º lugar em 2007
Em 2016: sétimo (101 pontos)

Sergio Pérez acompanhou a Force India e seguiu uma rota ascendente nos últimos. Desde que foi dispensado pela McLaren e abraçado pela escuderia anglo-indiana, ‘Checo’ evoluiu de forma constante, conquistou pelo menos um pódio por ano desde 2014 e se consolidou como um dos melhores pilotos do grid. Na temporada passada, terminou o Mundial como o ‘melhor do resto’, ficando só atrás dos pilotos do ‘trio de ferro da F1’, formado por Mercedes, Red Bull e Ferrari.

Pérez alcançou sua melhor fase na F1 tendo ao seu lado como companheiro de equipe o forte, porém azarado Nico Hülkenberg. Neste ano, com a saída do alemão para a Renault, ‘Checo’ assume de vez o posto de líder da Force India e, mesmo ainda bem jovem, servirá de referência ao talentoso Esteban Ocon para ajudar a equipe a pelo menos se manter no rol das quatro maiores forças da F1.

Competente, cada vez mais forte mentalmente e com uma pilotagem que melhora a cada temporada, Pérez desponta como um dos nomes que podem brilhar aqui e ali ao longo de 2017. Carro para isso o mexicano tem. A estrutura da Force India está cada vez melhor e, se não permite a ele sonhar com vitórias, ao menos lhe dá a perspectiva de conquistar mais pódios neste ano e se consolidar de vez como o melhor piloto da história da equipe.

#31 Esteban Ocon

Nascimento: 17 de setembro de 1996, Evreux, França (20 anos)
9 GPs disputados

Melhor resultado
23º lugar em 2016
Em 2016: 23º (sem pontos)

A Mercedes aproveitou os problemas financeiros de Rio Haryanto e encaixou Esteban Ocon na vaga de titular da hoje extinta Manor para dar ao francês alguma rodagem na F1 na metade final da temporada 2016. Pupilo da montadora alemã, o francês despontou como grande talento desde o início da carreira, ainda no kart. Nos monopostos, brilhou na F3 Europeia, bateu ninguém menos que Max Verstappen e saiu com o título em 2014. No ano seguinte, faturou a taça da GP3. 

Com tamanha competência, logo Ocon despontou como um dos bons talentos da sua geração. Assim, a Mercedes não perdeu tempo e tratou de promover o jovem francês de ascendência espanhola a um lugar no grid tão logo teve oportunidade. Mesmo com seu desempenho ofuscado pelas deficiências do carro da Manor, mas Esteban mostrou bom trabalho e desbancou até mesmo Pascal Wehrlein para virar o queridinho da Mercedes.

Tanto que, novamente graças à montadora alemã e a Toto Wolff, foi Esteban e não Pascal o piloto indicado para correr pela Force India, parceira da Mercedes, nesta temporada. Um salto e tanto para quem disputou apenas nove corridas na F1 até o momento. Com uma equipe melhor estruturada e um companheiro bom de grupo e capaz de lhe ajudar nesta nova temporada, Ocon chega a 2017 com condições de, pelo menos, somar pontos na maioria das corridas. E, talvez, consiga repetir os feitos de Pérez nos últimos anos e beliscar algum pódio aqui e ali.

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Williams

 

Com a saída de Valtteri Bottas, a Williams perdeu um dos seus pontos fortes: o equilíbrio entre seus pilotos. Mas a volta de Felipe Massa da aposentadoria dá à lendária equipe britânica a chance de voltar a sonhar. Já o novato Lance Stroll é uma incógnita, sobretudo pelo que apresentou nos testes de inverno.

A Williams terminou o Mundial de 2016 em baixa. Afinal, depois de ficar por dois anos consecutivos no top-3 da F1, a equipe de Grove foi superada pela Red Bull, o que não chegou a ser uma surpresa, e pela Force India, isso sim, algo inesperado. Quinta colocada no ano passado, os ingleses tinham em mente apenas uma palavra para 2017: reação. Mas tudo o que aconteceu dias depois do fim da última temporada mexeu demais com as estruturas da escuderia multicampeã da F1.

O planejamento inicial era contar com Valtteri Bottas e o novato Lance Stroll, enquanto Felipe Massa se despedia do esporte. Mas a inesperada aposentadoria de Nico Rosberg acabou por alçar Bottas rumo a Williams, e Massa foi chamado de volta da aposentadoria. O brasileiro retornou à F1 e à equipe como grande referência para equilibrar com a falta de experiência do novato, porém bilionário, Stroll. O equilíbrio que a Williams tinha na sua antiga dupla de pilotos ficou para trás.

Em 2017, a missão é conseguir aliar da melhor forma a experiência de Massa e a juventude de Stroll. A julgar pelos testes de pré-temporada, a Williams acertou em cheio em apostar no brasileiro. Como o próprio Felipe disse, nem parece um ex-aposentado: em Barcelona, Massa foi um dos grandes destaques, foi rápido, consistente, não cometeu erros e se mostrou extremamente motivado. E se coloca como o parâmetro ideal para Stroll que, ao contrário do seu companheiro de equipe, não deixou uma boa impressão, sobretudo na primeira semana de testes.

O novo FW40 se mostrou muito bom e confiável. A equipe completou nada menos que 800 voltas (3.724 km), só atrás de Mercedes e Ferrari, e só enfrentou maiores problemas quando Stroll bateu. O conjunto é estável e, além do chassi que parece ser bem equilibrado, a Williams continua sendo empurrada pelo motor Mercedes, o melhor da F1. Com todas as armas que à disposição, a Williams tem potencial para estar de volta ao grupo das quatro primeiras equipes do Mundial. Mas a falta de experiência de Stroll pode jogar contra os ingleses em 2017.

 

Sede: Grove, Inglaterra
Carro: FW40
Motor: Mercedes
Principais dirigentes: Frank Williams, Claire Williams, Paddy Lowe, Rob Smedley
Piloto reserva: Paul di Resta

Em 2016: 5º no Mundial de Construtores (138 pontos)
Melhor resultado: 7 títulos de Pilotos; 9 títulos de Construtores
Melhor tempo em Barcelona: 1min19s420 (Felipe Massa, 5º, pneus ultramacios)

#19 Felipe Massa

Nascimento: 25 de abril de 1981, São Paulo, Brasil (35 anos)
250 GPs disputados
11 vitórias
16 poles
41 pódios
15 voltas mais rápidas
1.124 pontos

Melhor resultado
Vice-campeão em 2008
Em 2016: 11º (53 pontos)

Dentre os pilotos em atividade na F1 em 2017, Felipe Massa é o terceiro mais experiente, atrás apenas em relação a Fernando Alonso e Kimi Räikkönen em número de largadas. Foi essa experiência de 250 GPs que determinou, na prática, o retorno do brasileiro após breve aposentadoria da F1. Massa nem bem chegou a deixar a categoria e voltou ao grid e à Williams para ser a grande referência em um novo momento do time, que passa a contar com o jovem Lance Stroll.

A Williams sabe bem que o retorno de Massa acrescenta muito ao time em si. Além de ser bom de grupo e ter ótimo relacionamento com todos, Felipe reúne grande conhecimento técnico e já enfrentou várias mudanças de regulamento na F1. Assim, foi o nome perfeito escolhido por Claire Williams para liderar a equipe após a saída de Valtteri Bottas. E os testes de pré-temporada mostraram que a escolha foi a melhor possível para a Williams no momento.

A forma de Massa nos testes foi invejável. Rápido e motivado ao extremo, Felipe mostrou que ainda tem muita lenha para queimar na F1 e que seria um desperdício enorme ficar de fora, ainda mais nesta fase de mudanças pela qual passa a categoria. O brasileiro reúne todos os predicados para fazer uma temporada melhor que em 2016, ainda mais se o FW40 render tão bem como nos testes de inverno. É uma atração a mais nesta temporada, até porque Massa será o único brasileiro no grid em 2017.

#18 Lance Stroll

Nascimento: 29 de outubro de 1998, Montreal, Canadá (18 anos)
Estreante na F1

Lance Stroll chega à F1 sob a sombra da dúvida. Em teoria, um título como o da F3 Europeia é um indicativo de talento e capacidade de um jovem piloto. De fato, o canadense mostrou bom trabalho nas categorias de base, sendo campeão também de competições importantes como a F4 Italiana em 2014 e o Toyota Racing Series em 2015. Seu crescimento, contudo, foi notável. Porém, a primeira impressão de Stroll como piloto da F1 não foi nada boa.

Como forma de preparação, Lance, bancado pelo bilionário pai, o magnata do mundo da moda Lawrence Stroll, teve à disposição uma equipe só para si e testou em vários circuitos ao redor do mundo com o carro de 2014 da Williams. Tudo para garantir a maior quilometragem possível antes dos testes ‘pra valer’ e da temporada de estreia em si.

Entretanto, seja pelas diferenças do novo FW40 em relação aos modelos anteriores, seja pela ansiedade ou por sentir a pressão, Stroll cometeu muitos erros e ficou marcado por uma performance abaixo da média e pouco digna de um piloto de F1 na primeira semana de pré-temporada. As críticas vieram em profusão, e a equipe precisou mandar trazer de Grove, às pressas, um novo chassi para os testes. 

Na segunda sessão, Lance mudou sua postura e, seguindo o programa da Williams, se dedicou a simulações em ritmo de corrida. Mais cauteloso, Stroll ficou bem longe de impressionar, como fez Massa, mas ao menos também não comprometeu. Seja como for, o canadense já começa sua carreira no Mundial com desconfiança. Rob Smedley, por sua vez, pediu tempo para o piloto se adaptar ao carro, à equipe e à F1 como um todo. Mas em um esporte que costuma ser cruel, sobretudo com quem está começando, Lance Stroll sabe que terá de mostrar serviço desde já.

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McLaren

 

A performance ridícula na pré-temporada, consequência do motor Honda, indica um ano de sofrimento para uma McLaren que mal deve pontuar. A temporada que deveria ser de renascimento não vai demorar em virar uma agonia dividida em 20 capítulos.

A McLaren quebrou tanto na pré-temporada que fica até difícil pensar em uma previsão certeira. Mas uma coisa é certa: todas as expectativas que estão sendo nutridas são, em maior ou menor escala, negativas. Ou o motor Honda vai quebrar toda hora, ou vai durar uma corrida inteira e ser um desastre por mais tempo.

O problema é tão sério que não dá nem para avaliar o chassi. Ninguém sabe dizer com precisão se com um motor Mercedes o MCL32 seria um carro campeão – opinião de Eric Boullier, chefe da equipe. Todo o esforço empregado em desvendar o novo regulamento técnico, buscando ganhos na aerodinâmica, se provou inútil.

Fernando Alonso e Stoffel Vandoorne não podem nem se dar ao luxo de criar expectativas, já que elas provavelmente vão gerar frustração. A realidade é que a equipe britânica deve abrir 2017 apenas na frente da Sauber, que também tem deficiências no motor. Muito, muito pouco para uma escuderia que prometeu um renascimento ao se pintar de laranja.

 

Sede: Woking, Inglaterra
Carro: MCL32
Motor: Honda
Chefe de equipe: Eric Boullier
Diretor-técnico:  Tim Goss
Piloto reserva: Oliver Turvey

Melhor resultado: 8 títulos de Pilotos,  12 títulos de Construtores
Em 2016: Sexta colocada no Mundial de Construtores (76 pontos)
Melhor tempo em Barcelona: 1min24s714 (pneus ultramacios)

#14 Fernando Alonso

Nascimento: 29 de julho de 1981, Oviedo, Espanha (35 anos)
272 GPs disputados
32 vitórias
22 poles
97 pódios
22 voltas mais rápidas
1.832 pontos

Melhor resultado
Campeão em 2005 e 2006
Em 2016: Décimo colocado (54 pontos)

Fernando Alonso virou quase uma alma penada no grid da F1. Depois de um 2016 relativamente promissor, o espanhol parece estar de volta à estaca zero. O tão sonhado terceiro título, objetivo principal em sua jornada na McLaren, é uma meta mais surreal do que um quadro do conterrâneo Salvador Dalí.

Infelizmente, Alonso deve passar 2017 usando seu grande talento para trazer pontos esparsos. O espanhol, piloto de maior experiência da equipe, também vai servir como guia no tão necessário desenvolvimento do MCL32. Além disso, deve ser um tutor para Stoffel Vandoorne, que faz a transição para a F1. Não são as tarefas dos sonhos.

#2 Stoffel Vandoorne

Nascimento: 26 de março de 1992, Kortrijk, Bélgica (24 anos)
1 GP disputado
1 ponto

Melhor resultado
20º colocado em 2016 (1 ponto)
Em 2016: 20º colocado em 2016 (1 ponto)

Stoffel Vandoorne sofre do mesmo problema que Alonso, mesmo que em menor escala. É outro piloto de enorme talento, mas que vai ser aproveitado apenas para brigar por posições medíocres.

Mas o belga tem alguma sorte. Qualquer performance mais apagada, consequência da adaptação ao novo carro da F1, vai ser camuflada pelo carro lento. Quando surgir a oportunidade de trazer resultados melhores, Vandoorne há de estar preparado. Mais do que tudo, Stoffel tem tempo. ‘Perder’ 2017 nem é tão ruim, olhando desta forma.

O grande objetivo de Vandoorne, então passa a ser aprender com Alonso. Se o belga for capaz de acompanhar o rendimento do espanhol, aprendendo e acumulando experiência, já será um bom trabalho. 

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Toro Rosso

 

A confiabilidade é o maior problema da Toro Rosso no início de 2017. A segunda equipe com menos voltas disputadas na pré-temporada tem na boa performance em voltas rápidas uma luz no fim do túnel. Quem sabe essa seja a fórmula para bons resultados de Daniil Kvyat e Carlos Sainz.

A Toro Rosso de hoje é uma equipe relativamente forte. Dentro das limitações de uma escuderia satélite, os italianos fazem um belo trabalho e batem de frente com outras potências do meio do pelotão, como McLaren, Haas ou até Force India e Williams. Não fosse o motor velho da Ferrari em 2015, poderia até sonhar com top-5 no Campeonato de Construtores em 2016. Um ano depois, a escuderia segue capaz de ganhar terreno, mas o motor segue sendo uma dor de cabeça.

O STR12 é um dos carros que mais quebrou na pré-temporada, e a Toro Rosso só somou mais quilometragem do que a desastrosa McLaren. O maior problema parece ser o motor Renault, que deu problema até em dia de filmagem. Quando o carro conseguiu andar, pareceu bom: ao utilizar os compostos mais macios, Carlos Sainz Jr. e Daniil Kvyat não pareciam estar muito atrás da Red Bull.

Se o carro não quebrar muito, a Toro Rosso pode viver uma de suas melhores temporadas. Enquanto boa parte das equipes ainda está batendo cabeça para encontrar rendimento, a equipe de Faenza parece ter arranjado tudo que poderia. A missão agora é fazer o carro funcionar durante um GP inteiro.

 

Sede: Faenza, Itália
Carro: STR12
Motor: Renault
Chefe de equipe: Franz Tost
Diretor-técnico: James Key
Piloto reserva: Pierre Gasly, Niko Kari

Melhor resultado: 8º no Mundial de Pilotos, 6º no Mundial de Construtores
Em 2016: 7ª no Mundial de Construtores (63 pontos)
Melhor tempo em Barcelona: 1min19s837 (Carlos Sainz Jr., 7º, pneus ultramacios)

#26 Daniil Kvyat

Nascimento: 26 de julho de 1994, Ufa, Rússia (22 anos)
58 GPs
2 pódios
128 pontos
Melhor resultado: 7º colocado em 2015
Em 2016: 14º colocado (25 pontos)

2017 será, em essência, um ano de renascimento para Daniil Kvyat. Depois de ser desalojado da Red Bull, a Toro Rosso virou solução imediata para alguém que tenta reencontrar os rumos da carreira. Não é uma situação horrível: na equipe de Faenza, Kvyat ainda deve ser capaz de demonstrar seu talento, brigando por pontos com frequência.

Se der para superar Carlos Sainz Jr., Kvyat já terá feito um grande trabalho. Através de uma temporada constante – exatamente o contrário do que se viu em 2016 – Daniil deve reencontrar a rota do sucesso. Se tudo der certo, o russo encontra uma nova casa em 2018 – ninguém merece virar babá na equipe júnior do programa que chutou sua bunda sem dó.

#55 Carlos Sainz

Nascimento: 1º de setembro de 1994, Madri, Espanha (22 anos)
40 GPs disputados
64 pontos
Melhor resultado: 12º lugar em 2016
Em 2016: 12º lugar (46 pontos)

Ao contrário de Kvyat, Carlos Sainz vem em plena ascensão. O espanhol assumiu a condição de primeiro piloto da Toro Rosso e trouxe ótimos resultados em 2016 – três sextos lugares com uma equipe que fechou o ano em péssima forma não está nada mal.

Se Sainz conseguir repetir a dose em 2017, trazendo resultados chamativos e derrotando Kvyat com frequência, sua missão estará completa. Francamento, não há muito mais o que possa ser feito na Toro Rosso, mesmo que haja um salto de rendimento nesta temporada. Aí o problema vai passar a ser outro: arranjar uma vaga em uma Red Bull que já tem uma dupla sensacional.

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Haas

 

Depois de um ano de experiência, a Haas desembarca em 2017 mais confiante e melhor preparada para a F1. A equipe norte-americana não fez feio em sua primeira temporada, mas agora quer dar o salto para se firmar no grupo de intermediário do grid.

A Haas viveu uma estreia decente e não fez feio na primeira experiência na F1. Cautelosa, a equipe norte-americana esperou e se preparou para o ano inicial. Surpreendeu ao marcar pontos logo de nas primeiras corridas e mostrou ter acertado ao chamar Romain Grosjean para liderar o time. No fim, a esquadra terminou 2016 à frente de equipes como a Renault e Sauber. Como era de se esperar, a caçula do grid também cometeu muitos erros. Equívocos de estratégia e teve dificuldades para lidar com contratempos, especialmente os relacionados à confiabilidade, apesar do apoio técnico da Ferrari.

Para 2017, a Haas surgiu mais forte e estruturada. Dispensou o fraco Esteban Gutiérrez e contratou o veloz Kevin Magnussen, que traz na bagagem a experiência de ser o único piloto a já ter andado com os quatro motores disponíveis. O conhecimento do dinamarquês certamente vai ajudar o time a dar mais um passo adiante.

A meta para a temporada que começa neste fim de semana é se firmar no grupo intermediário do grid. Para isso, o time se preparou muito, aprendeu com os erros do ano passado, melhorou a operação e, acima de tudo, dedicou mais tempo ao projeto do carro e a um melhor relacionamento com suas parceiras italianas, Dallara e Ferrari.

Durante a pré-temporada, a Haas mostrou parte dessa evolução, mas também revelou problemas de confiabilidade, principalmente de freios. Tirando isso, Romain Grosjean e Kevin Magnussen foram capazes de percorrer muitas voltas e conduzir simulações de corridas. O conjunto da Ferrari também fez diferença para a performance do time, especialmente na fase final das atividades em Barcelona.

 

Sede: Kannapolis, EUA 
Carro: VF-17
Motor: Ferrari
Chefe de equipe: Guenther Steiner
Diretor-técnico: Rob Taylor

Em 2016: Oitava colocada no Mundial de Construtores (29 pontos)
Melhor resultado: Oitava colocação no Mundial de Construtores em 2016
Melhor tempo em Barcelona: 1min20s504 (Kevin Magnussen, 15º, pneus ultramacios)

#8 Romain Grosjean

Nascimento: 17 de abril de 1986, Genebra, Suíça (30 anos)
102 GPs disputados
10 pódios
1 volta mais rápida
316 pontos

Melhor resultado
Sétimo colocado no Mundial de Pilotos em 2013
Em 2016: 13º (29 pontos)

Romain Grosjean vai disputar em 2017 sua oitava temporada na F1. Depois dos anos de Lotus/Renault, o francês foi eleito para liderar o projeto da Haas no Mundial. Amadurecido após alguns anos difíceis, marcados por acidentes e até uma suspensão, Grosjean agora é dono de uma carreira sólida e muito bem visto por seus pares. Foi graças a ele que a equipe norte-americana se apresentou muito bem na estreia.

Sempre combativo, o gaulês somou pontos importantes, especialmente na primeira metade do ano passado. Depois, como toda a equipe, sofreu com a confiabilidade e erros de estratégia. Ainda assim, Grosjean inicia o ano mais otimista. “Acho que estamos em uma melhor posição do que ano passado”, disse ao GRANDE PRÊMIO em Barcelona. De fato, a Haas se revelou mais veloz. Mas o quanto, só será possível saber em Melbourne. Para Romain, a notícia boa é que terá um piloto melhor para dividir os boxes e as informações, mas a notícia ruim é que esse mesmo piloto também é muito rápido e pode se tornar uma dor de cabeça. 

#20 Kevin Magnussen

Nascimento: 5 de outubro de 1992, Roskilde, Dinamarca (24 anos)
40 GPs disputados
1 pódio
62 pontos

Melhor resultado
11º colocado no Mundial de Pilotos em 2014
Em 2016: 16º (7 pontos)

Kevin Magnussen tem pouco experiência na F1 – disputou uma temporada como titular da McLaren e depois mais uma com a Renault -, mas nesse meio tempo andou com carros da geração das unidades de potência e também com os antigos V8. Kevin também é o único que já pilotou pelas quatro fornecedoras de motor do grid. Só por isso a vaga na Haas já se justifica.

A verdade é que o jovem Magnussen vinha sendo preparado para crescer na McLaren, mas a chegada de Fernando Alonso em 2015 mudou os planos da equipe, que acabou por dispensar o piloto um ano mais tarde. Sem ter o que fazer, Kevin se viu longe da F1, mas teve acabou ganhando uma segunda chance na Renault em 2016, durante um período de transição. Mas as coisas não aconteceram como previsto, e o filho de Jan preferiu também buscar novos ares. Agora, na Haas, em uma equipe o quis, já se sente em casa e pronto para, enfim, mostrar que é mais que um filho de ex-piloto.

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Renault

 

A Renault embarca em 2017 com a missão de melhorar a nona colocação conquistada no Mundial de Construtores no ano passado. Para isso, mudou nomes chave do staff técnico e contratou o elogiadíssimo Nico Hülkenberg para liderar a equipe nesta nova fase da F1.

Depois dos anos de vitórias e campeonatos com a Red Bull, a Renault se viu em meio a um tiroteio de críticas vindas da parceira, por conta do motor pouco competitivo que a montadora fabricou na era das unidades V6 híbridas. 2014 e 2015 não foram anos fáceis. A confiabilidade deixou a desejar, e a equipe austríaca não perdoou. Chegou a procurar novos fornecedores, mas, sem sucesso, chamou a Ilmor para ajudar no desenvolvimento.

Todo os problemas causados pela tetracampeã acabaram por dar a Renault um motivo para voltar à F1 como equipe. A marca francesa, então, adquiriu a falida Lotus e a reestruturou. Dispensou Pastor Maldonado e chamou para o seu lugar, Kevin Magnussen, que passou a fazer dupla com o novato Jolyon Palmer.

Só que o ano de transição foi ainda mais complicado. É verdade que a Renault conseguiu melhorar seu motor e torná-lo mais forte, mas o projeto do carro não acompanhou essa evolução, aliado a isso, a equipe ainda teve de lidar com dois pilotos inexperientes, e isso se refletiu na tabela de pontos. No fim, o time de Enstone fechou a temporada na nona posição com apenas oito pontos.

Dessa forma, cabeças rolaram. Magnussen foi trocado pelo experiente e rápido Nico Hülkenberg, enquanto o chefe Frederic Vasseur também foi tirado do comando. A meta agora é usar o novo regulamento para tentar preencher as lacunas e voltar a disputar posições na parte de cima do grupo intermediário do grid.

Nos testes, a Renault surgiu com um carro arrojado e bonito. Mas os problemas de confiabilidade e potência ainda perseguem o time a ponto de Hülkenberg perceber que não será fácil manter a equipe na zona de pontuação. Ao menos, nas primeiras etapas.

 

Sede: Enstone, Inglaterra 
Carro: R.S.17
Motor: Renault
Chefe de equipe: Cyril Abiteboul
Diretor-técnico: Bob Bell

Em 2016: Nona colocada no Mundial de Construtores (8 pontos)
Melhor resultado: 2 títulos de Pilotos (2005 e 2006), 2 títulos de Construtores (2005 e 2006)
Melhor tempo em Barcelona: 1min19s885 (Nico Hülkenberg, 8º, pneus ultramacios)

#27 Nico Hülkenberg

Nascimento: 19 de agosto de 1987, Emmerich, Alemanha (29 anos)
115 GPs disputados
1 pole-position
2 voltas mais rápidas
362 pontos

Melhor resultado
Nono colocado no Mundial de Pilotos em 2014 e 2016
Em 2016: Nono colocado (72 pontos)

Nico Hülkenberg enfim terá a oportunidade de defender uma equipe de fábrica na F1. Visto como um dos pilotos mais talentosos do grid, mas sempre no lugar errado na hora errada, o alemão não hesitou quando a Renault bateu em sua porta. A equipe francesa pode não estar nos melhores dias, mas, sem dúvida, possui recursos suficientes para dar ao piloto de 29 anos a chance de liderar o time no caminho de volta ao sucesso.

Hülkenberg terá a seu lado o jovem Jolyon Palmer, que vai para a segunda temporada na F1. Isso quer dizer que, ao menos no início, a cobrança e a pressão por resultados vão pesar do lado mais experiente da dupla. Mas Nico não tem medo, apesar da enorme cautela mostrada durante os testes coletivos. Em Barcelona, Hülk foi bem, especialmente na segunda semana, mas acha que ainda é cedo para colocar o time gaulês entre os favoritos do grupo intermediário.

#30 Jolyon Palmer

Nascimento: 20 de janeiro de 1991, Horsham, Inglaterra (26 anos)
20 GPs disputados
1 ponto

Melhor resultado
18º colocado no Mundial de Pilotos em 2016
Em 2016: 18º colocado (1 ponto)
Jolyon Palmer chega em 2017 com um ano de experiência na F1. E não foi um ano dos mais fáceis. O inglês sofreu para se adaptar à Renault e também sofreu com a falta de competitividade da equipe. Não se deu bem com companheiro Kevin Magnussen, mas acabou garantindo uma segunda oportunidade no time para esta temporada.

Agora, a meta do britânico é melhorar o ritmo de corrida e classificação, além de cometer menos erros. O piloto terá a seu lado um competidor bem mais forte do Magnussen, e essa parceria pode até definir seus rumos na carreira no futuro.

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Sauber

 

Com a falência da Manor, a Sauber tem tudo para ser a pior equipe do grid do Mundial de F1 em 2017. Sua dupla de pilotos não é das piores. O mediano Marcus Ericsson terá ao seu lado o promissor Pascal Wehrlein. Mas o motor defasado da Ferrari só deverá atrapalhar.

De todas as dez equipes do grid, a Sauber desponta como a mais fraca e com o menor orçamento. Assim, tudo aponta para que a escuderia suíça seja a última colocada no Mundial de Construtores em 2017. Mesmo com a salvadora chegada da Longbow Finance no ano passado, o que ajudou o time de Hinwil a sobreviver, as perspectivas não são nada animadoras diante de um ano que deveria ser mais alentador depois das enormes dificuldades vividas no ano passado.

Pode-se dizer que os dois pontos conquistados por Felipe Nasr no GP do Brasil de 2016 ajudaram financeiramente a Sauber, que recebeu cerca de R$ 130 milhões pelo prêmio por ter finalizado o Mundial de Construtores em décimo lugar, tendo somado dois pontos, contra um da Manor. Mas o brasileiro, sem o patrocínio do Banco do Brasil, foi sacado do time, que passa a contar neste ano com o talentoso Pascal Wehrlein ao lado do mediano Marcus Ericsson.

Não será uma temporada fácil para a dupla, claro. Mesmo com a equipe ganhando o reforço de bons profissionais no seu corpo técnico, como a estrategista Ruth Buscombe, o chefe de engenharia Xevi Pujolar e o novo diretor-técnico Jörg Zander, além de uma perspectiva financeira um pouco melhor, as chances de bons resultados são muito pouco prováveis. O principal fator contra a Sauber é o uso do motor Ferrari na versão 2016, o que representa um déficit e tanto, como foi visto nos tempos de volta.

Nos testes de pré-temporada, como já era esperado, a Sauber ficou bem longe das rivais. O time ficou com as duas piores marcas dos testes de inverno. Se é possível apontar um ponto positivo é que o novo C36 apresentou poucos problemas e levou a escuderia suíça a ser a quarta que mais completou voltas em Barcelona: foram 788, o que dá um total de 3.668 km.

De resto, tudo indica que será mesmo outro ano difícil para a equipe fundada por Peter Sauber. Chances de pontos? Pouquíssimas. Só mesmo em uma dessas corridas insanas, como a que Nasr somou os únicos pontos do time no ano passado. Dentro da normalidade, já é possível prever um verdadeiro calvário para os suíços de Hinwil.

 

Sede: Hinwil, Suíça
Carro: C36
Motor: Ferrari (versão 2016)
Chefe de equipe: Monisha Kaltenborn
Diretor-técnico: Eric Gandelin
Piloto de desenvolvimento: Tatiana Calderón 

Em 2016: 10ª colocada (dois pontos)
Melhor resultado: 8º no Mundial de Pilotos (Nick Heidfeld, 2001); 4º no Mundial de Construtores (2001)
Melhor tempo em Barcelona: 1min21s670 (19º, Marcus Ericsson, supermacios)

#9 Marcus Ericsson

Nascimento: 2 de setembro de 1990, Kumla, Suécia (27 anos)
56 GPs disputados
9 pontos
Melhor resultado
18º lugar em 2015
Em 2016: 22º (sem pontos)

Diante de uma Sauber cheia de dificuldades, atraso no pagamento de salários e a consequente falta de desenvolvimento do carro, Marcus Ericsson pouco pode fazer em 2016. Porém, ao longo da maior parte da temporada, o sueco conseguiu se sair melhor frente aos problemas e andou à frente de Felipe Nasr. Mas os pontos logrados pelo brasileiro em sua excepcional performance em Interlagos ofuscou de vez os poucos pontos positivos apresentados por Ericsson.

De capacidade limitada, o sueco tem muito pouco a mostrar em relação aos últimos anos. É notório que Ericsson está na Sauber muito pela sua ligação com a nova proprietária da equipe. Nas pistas, Marcus nunca foi brilhante. Trata-se apenas de um piloto esforçado, mas só. 

Em teoria, a tendência é que o piloto seja ‘engolido’ por Pascal Wehrlein. No entanto, Ericsson caminha para o terceiro ano na Sauber, e isso pode ser um ponto em seu favor.

#94 Pascal Wehrlein

Nascimento: 18 de outubro de 1994, Sigmaringen, Alemanha (22 anos)
21 GPs disputados
1 pontos
Melhor resultado
19º lugar em 2016
Em 2016: 19º (um ponto)

Pascal Wehrlein viveu um ano, digamos, esquisito em 2016. Graças à força da Mercedes, o talentoso alemão foi elevado ao posto de titular da Manor, a pior equipe do grid. Mas o piloto, mesmo bastante jovem, se destacou e conseguiu um feito: levar a escuderia britânica à zona de pontuação com o décimo lugar no GP da Áustria. Uma credencial e tanto para quem fazia seu ano de estreia na sempre desafiadora F1.

Mas as coisas meio que mudaram para Pascal quando Esteban Ocon foi contratado pela Manor, também com a bênção da Manor. Não que Wehrlein tenha desaprendido a andar. Mas as atenções se voltaram para o francês. Tanto que, antes do fim da temporada, Ocon, e não Wehrlein, foi contratado pela Force India, que seguiu a orientação da Mercedes. Pascal não escondeu a decepção por ter sido preterido.

Um mês depois, Wehrlein amargou outro revés: depois que Nico Rosberg se aposentou, o germânico despontou como um dos candidatos à sua vaga. O piloto seria a escolha natural, já que era o reserva imediato de Rosberg e Lewis Hamilton na Mercedes. Mas a escuderia prateada optou por trazer um nome mais experiente e contratou Valtteri Bottas. Wehrlein teve de se contentar com um prêmio de consolação: substituir Felipe Nasr e correr na Sauber em 2017. Assim como no ano passado, novamente Pascal integra o pior time do grid. E, assim como no ano passado, tem tudo para mostrar seu talento mesmo com poucas condições de competitividade. 

Dá para imaginar que o tímido alemão vai dar tudo de si para mostrar que a Mercedes errou, por duas vezes, em recusar a ele uma mudança de patamar na F1.