Massa volta de ‘turnê de despedida’ com cara de sorte grande

Felipe Massa parecia ter colocado um fim na carreira na F1, mas o destino o pôs de volta. Escalado para substituir Valtteri Bottas, o brasileiro agora não sabe mais quando vai se aposentar. Até porque a Williams também voltou

Juliana Tesser, de São Paulo

 

Felipe Massa pode até não ser fã do Kiss, mas tal qual a banda fundada por Paul Stanley e Gene Simmonds, segue na ativa depois de completar sua ‘turnê de despedida’. Ao contrário da lendária banda de hard rock, no entanto, o piloto brasileiro não demorou a colocar um fim em seu hiato.

Em 2016, no fim de semana do GP de Monza, Felipe anunciou que aquela seria sua derradeira temporada na F1. Como não poderia deixar de ser, a passagem pelo Brasil resultou em uma despedida grandiosa, com o piloto aos prantos e ovacionado por torcedores e equipes rivais.

Cinco dias após o fim da temporada, porém, Nico Rosberg foi o responsável por mudar o futuro de Massa. Na esteira do título da F1, o germânico decidiu pendurar o capacete e deixou a Mercedes a ver navios, procurando alguém para assumir o posto de companheiro de Lewis Hamilton.

Com a maioria dos pilotos do grid presa por contrato com as escuderias rivais, a esquadra de Brackley se viu sem muitas opções. Valtteri Bottas, então, apareceu como a melhor solução, mas a Williams fez jogo duro para liberar aquele que seria seu principal piloto — já que o acerto com Lance Stroll já era fato consumado.

Solicita — pero no mucho —, a Williams aceitou liberar Bottas de seu contrato, mas impôs uma série de condições. Entre elas: a volta de Massa.

 

Felipe Massa voltou à F1 depois de alguns dias aposentado
(Foto: Williams)

 

Assim como a Mercedes, a equipe de Grove perdeu um de seus pilotos nos acréscimos do segundo tempo e não podia arriscar deixar sua sorte nas mãos de um estreante como Stroll. 

Chefe do time, Claire Williams não tardou a recorrer a Felipe, que precisou de uns poucos dias para aceitar o convite para retornar àquela que — até então — era sua última parada na F1. No fim das contas, Massa acabou mesmo com um presentão nas mãos.

Embora a Williams não tenha o carro mais forte do grid, o que se viu na pré-temporada foi um FW40 confiável e competitivo, capaz de manter o brasileiro brigando na parte da frente do grid da F1.

Experiente, Massa vai ser um ativo importante para a Williams, uma vez que a F1 passa por uma importante mudança de regulamento em 2017. Além disso, paulistano de 35 anos também terá a chance de guiar os primeiros passos de Stroll no Mundial, oferecendo uma mão-amiga tal qual recebeu de Michael Schumacher anos atrás.

“Acho que minha relação com o Stroll vai ser parecida com a que tive com o Schumacher. É até interessante, porque quando eu conheci o Lance ele era uma criança, tinha oito anos. E agora vamos ser companheiros de equipe na F1", contou Felipe em entrevista ao GRANDE PRÊMIO.

 

Felipe Massa vai disputar sua 15ª temporada na F1
(Foto: Williams)

 

De volta ao Mundial, Felipe já fala abertamente em prolongar ainda mais sua carreira, evitando marcar uma data final para sua aposentadoria.

"Não dá para saber o que vai acontecer agora. Essa mudança de rumo eu jamais poderia prever que fosse acontecer. Então, se eu resolvi ficar, é para ter o mesmo pensamento que eu sempre tive, de buscar resultados", disse Massa ao GRANDE PRÊMIO.

Quando do anúncio de seu retorno, muitos fãs pediram de volta as lágrimas derramadas em Interlagos, mas a situação de Felipe foi realmente incomum. O agora ex-aposentado não ‘mendigou’ uma volta à F1, mas foi trazido de volta para ajudar a equipe na qual viveu bons momentos nessa reta final da carreira.

E aí veio a pré-temporada: Massa não teve problema algum, foi rápido e constante com um FW40 bem nascido e que certamente vai figurar no top-4 pelo menos neste início de ano. A expectativa é tamanha que, à boca pequena, fala-se em pódio — ainda mais considerando que a Mercedes não tem lá o carro mais confiável do mundo e a Red Bull não parece ter feito um carro vencedor, por ora.

Animado, motivado, em forma e com um carro competitivo nas mãos, Massa não tem mesmo razão para colocar uma ‘data de validade’ na carreira. Afinal, como bem diz a música do Kiss, ele “ainda ama” a F1.