McLaren muda carro, cor e nome. Mas ainda machuca Alonso

Piloto espanhol, que passou dois anos na parte de trás do grid da F1, tem contrato com a equipe de Woking até o final desta temporada e poderia fazer 'loucuras' rumo ao sonhado tricampeonato

André Avelar, de São Paulo

O esforço de Fernando Alonso para voltar a ser vitorioso na McLaren chega a ser, no mínimo, louvável. O espanhol é a figura central de um projeto que já deveria ter decolado, mas dois anos (se já não estiver caminhando para o terceiro) de fim do grid frustram qualquer piloto que tenha subido uma vez sequer no pódio da F1. A julgar pelos testes de pré-temporada, o que mudou mesmo nos carros de Woking foi a cor.

De volta ao seu tradicional laranja das décadas de 1960 e 1970, a McLaren apostava, antes dos testes, na drástica mudança de regulamento para que seus carros tivessem enfim o desempenho esperado por todos. Não foi bem o que aconteceu nas duas semanas de trabalho na pista de Barcelona. O redesenhado motor Honda e novas soluções aerodinâmicas para um carro mais colado no chão não foram suficientes para subir degraus importantes na hierarquia de forças. A impressão que ficou no ar é que os mecânicos recolhiam o carro para a garagem com certa vergonha – e isso nada tinha a ver com a chamativa pintura.

Além da cor, outra mudança que Alonso pôde ver até agora foi o fim dos prefixos MP4. Pela primeira vez desde 1980, um carro da equipe não faz referência àquele que era quase um emblema dos times então chefiados por Ron Dennis. Para marcar a nova era, que terá muito trabalho se quiser ser igualmente vitoriosa em relação à anterior, os carros do diretor executivo Zak Brown agora levam a nomenclatura MCL. O chassi 32 é o primeiro da linha. Para a temporada 2017, a equipe também passará a utilizar combustível e óleos fornecidos pela Castrol. A parceria de duas décadas com a ExxonMobil chegou ao fim no ano passado.

McLaren não empolgou nas duas semanas de testes realizados em Barcelona, na Espanha
Divulgação/McLaren

Alonso já fez de tudo para conseguir um carro melhor. Falou sério e foi irônico. Disse que iria ficar e deixou o adeus no ar. Para não ir muito longe, na casa da Honda, em Suzuka, Alonso abriu a porta da geladeira e chamou o propulsor de “motor de GP2”. Mais do que isso, tomou sol e, ao lado do então companheiro e hoje aposentado Jenson Button, invadiu o pódio de Interlagos para “curtir o momento”. No ano seguinte, ainda se arriscou de operador de câmera e arrancou risos de todos.

Aos 35 anos, o piloto sabe que, até pelas extenuantes novas exigências físicas, não terá lá muito mais tempo de carreira. A chance de repetir os títulos de 2005 e 2006, quando guiava pela Renault, estaria naquele promissor projeto de 2015 da McLaren. As coisas não caminharam como o imaginado e o espanhol chega ao seu último ano de contrato com, ao menos e até agora, um discurso otimista.  

 

“Acredito e estou comprometido com este projeto. Quero ser campeão do mundo com a McLaren-Honda. Esse é meu objetivo”, disse Alonso, que também espera reparar uma história que ficou mal-contada em 2007, quando acreditava ser preterido por Lewis Hamilton na garagem da equipe britânica. Hoje, ele tem ao seu lado o quase novato Stoffel Vandoorne – o belga substituiu o próprio Alonso, no GP do Bahrein, no ano passado.

Em recente entrevista ao jornal espanhol Às, o diretor Eric Boullier admitiu que muito se fala sobre a possibilidade do seu principal piloto deixar a equipe caso os resultados não venham. “Fernando está sendo honesto conosco, assim como estamos sendo honestos com ele. Ele queria ver como era o novo carro e como os novos regulamentos são e acho que ele gostou da nova F-1. Precisamos ser competitivos para mantê-lo feliz. Se formos competitivos, ele será feliz, se não formos ele irá tomar suas próprias decisões.”

Acredito e estou comprometido com este projeto. Quero ser campeão do mundo com a McLaren-Honda. Esse é meu objetivo
Fernando Alonso

Também sem meias palavras, Alonso confirmou que foi sondado por Toto Wolff para eventualmente substituir Valtteri Bottas na Mercedes e, por força do destino, reencontrar justamente Hamilton como companheiro de equipe.

“Toto Wolff me ligou e perguntou qual era a minha situação, mas de maneira muito tranquila e informativa. Foi uma conversa de dois ou três minutos. Disse que tinha contrato com a McLaren, que estava feliz aqui e que não estava pensando em fazer nenhuma loucura”, comentou o bicampeão, logo na apresentação do carro. 

Ao final do campeonato, depois de mais um ano de fim de pelotão, qual então será o limite da 'loucura' para Fernando Alonso? A McLaren começará a responder aos questionamentos a partir deste fim de semana, com a abertura da temporada, no GP da Austrália.

Bicampeão da F-1, Fernando Alonso tem contrato até o final desta temporada com a McLaren
Divulgação/McLaren