Que é isso, novinhos? O que farão Ocon, Vandoorne e Stroll

Com semelhanças e muitas diferenças, Esteban Ocon, Lance Stroll e Stoffel Vandoorne vão iniciar uma temporada da F1 pela primeira vez. Os 'novinhos' da categoria certamente estarão sob os olhares atentos dos fãs

Gabriel Curty, de São Paulo

Três pilotos farão pela primeira vez uma temporada completa na F1 em 2017. Por qualquer que seja o motivo, é certo que Esteban Ocon, Lance Stroll e Stoffel Vandoorne vão estar sob os holofotes.

Após alguns anos em que os pilotos novatos não tiveram desempenhos mais que mornos — como Esteban Gutiérrez, Charles Pic, Max Chilton e Giedo van der Garde, com o saudoso Jules Bianchi sendo rara exceção —, o fenômeno Max Verstappen, em 2015, fez as equipes verem que talvez fosse hora de apostar na molecada. Dois anos mais tarde e por razões diversas, o francês, o canadense e o belga surgem entre os 20 cockpits mais desejados do mundo.

Esteban Ocon teve bons momentos com a Manor
Manor

Quando o assunto é apenas a F1, Ocon é o mais experiente do trio. Hoje com 20 anos, o francês de Évreux disputou nove provas da categoria máxima em 2016, se aproveitando da desgraça de Rio Haryanto, que viu sua fonte de patrocínio secar e, assim, teve de deixar a Manor com a temporada em andamento.
 
É bem verdade que Ocon caiu logo na equipe que era de longe a pior do grid, mas não é que mesmo assim o menino teve seus bons momentos? Conseguindo superar o companheiro Pascal Wehrlein em algumas oportunidades, Esteban brilhou de fato no alagado GP do Brasil. Com pilotagem arrojada, madura e inteligente, por muito pouco não foi aos pontos em uma pista que nem conhecia direito.
 
Ocon chegou à F1 dando pinta de estar pronto para o desafio. Campeão da F3 Europeia em 2014 — superando o badalado Verstappen — e da GP3 em 2015, o francês de ascendência espanhola praticamente fez o caminho tradicional para alcançar a elite, trocando apenas o passo final. Nada de GP2 para o gaulês, que teve o grande ‘upgrade’ da sua carreira quando se tornou piloto do programa de desenvolvimento da Mercedes. Veio então a chance de correr no DTM — substituindo Wehrlein em 2016 — até ser chamado pela Manor.
 
Além da experiência de DTM e da chance na Manor, foram os alemães que proporcionaram ao menino a oportunidade de correr na Force India em 2017 após ganhar a concorrência com Wehrlein. Muito talentoso e muito constante, Ocon tem tudo para chegar incomodando o ótimo Sergio Pérez.
Ocon deixou a Manor e seguiu para a Force India
Manor

Vandoorne é o mais velho dos três novatos da F1. O belga de Kortrijk, que está prestes a completar 25 anos, já pedia passagem na categoria desde pelo menos 2014, mas teve de esperar sua chance pelo peso da dupla que tinha a McLaren.
 
A primeira grande chance de Vandoorne apareceu logo no início da temporada passada. Assim como no caso de Ocon, o belga precisou esperar que acontecesse alguma coisa com um dos titulares para aparecer. A oportunidade veio quando Fernando Alonso se acidentou e assustou o mundo na Austrália em um choque com Esteban Gutiérrez.
 
Stoffel, então, tratou de agarrar a tal chance com unhas e dentes. Na medianíssima McLaren, Vandoorne chegou com o pé na porta, fazendo o primeiro ponto do time em atuação para lá de segura em sua estreia no GP do Bahrein.
 
Para chegar lá, Vandoorne teve uma trajetória tão gloriosa quanto a de Ocon. Campeão na F-Renault, o belga passou para a World Series, de onde saiu com um vice-campeonato - perdendo para Kevin Magnussen. Dali, Vandoorne seguiu para a GP2, tendo uma segunda metade de 2014 gloriosa e um 2015 praticamente perfeito, acumulando mais um título e mais um vice. No ano passado, cruzou o mundo para disputar a Super Formula japonesa em busca de ritmo de corrida até ser efetivado como titular do time de Woking.
Vandoorne teve de esperar sua vez na McLaren
McLaren

Stroll é o mais novo e o também mais inexperiente dos três jovens. Sendo realista, o canadense só vai estrear tão cedo na F1 pelo grande aporte financeiro. Seu pai, Lawrence Stroll, bilionário empresário do mundo da moda, está na lista dos homens mais ricos do mundo.
 
Aos 18 anos, o menino nascido em Montreal teve também seus resultados marcantes em categorias de base, ainda que sempre contando com equipamentos bem superiores aos da maioria dos rivais. Na F3 Europeia, depois de um primeiro ano muito ruim, marcado por acidentes e até por suspensão por problemas em sua pilotagem, o canadense botou a cabeça no lugar e nadou de braçadas em 2016, sendo campeão com sobras na equipe bancada pelo pai desde a F4 Italiana: a Prema.
 
Foi também em 2016 que Stroll começou a traçar sua ida para a F1. Além da F3 Europeia, realizou uma série de testes, até então realizados sob sigilo, em diversos circuitos, numa preparação que recentemente estava praticamente extinta. Com tantas horas de pista, o canadense tenta compensar a ausência de uma passagem por GP3 ou GP2. Lance estava sendo preparado para ser o substituto de Felipe Massa, mas, nessas reviravoltas que só o mundo do esporte é capaz de proporcionar, será exatamente o companheiro de equipe — e aprendiz do brasileiro em 2017.
 
Stroll vai ser um dos raros casos de pilotos que saltam da F3 direto para a F1. Recentemente, Verstappen fez o mesmo e brilhou na categoria principal desde o começo. Lance vai para um time ainda melhor, mas não parece ter nem metade do talento de Max. O canadense é, possivelmente, a grande incógnita de 2017. A interrogação é ainda maior diante do desempenho pífio de Stroll na primeira semana de pré-temporada.
Stroll assustou na pré-temporada
Williams