Equipes e pilotos

Quem é quem na temporada 2018 do Mundial de F1

Felipe Noronha, de São Paulo,
Fernando Silva, de Sumaré,
Nathalia De Vivo, de São Paulo,
Rodrigo Berton, de São Paulo &
Vitor Fazio, de Porto Alegre
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Dominante desde o início da nova ‘Era Turbo’, em 2014, com a incrível marca de 63 vitórias — em 79 GPs — e oito títulos mundiais neste período, a Mercedes chega para a nova temporada com o objetivo claro de estabelecer uma nova dinastia na F1. E diante de um 2018 sem grandes mudanças relevantes no regulamento técnico, parece difícil que mesmo a Ferrari, sua maior rival no ano passado, tenha condições para assumir o topo.

Assim como o regulamento técnico permanece quase o mesmo, a estrutura da Mercedes também segue como dos últimos anos. Afinal, não há mesmo motivos para mexer em time que está ganhando. Capitaneados por Toto Wolff e Niki Lauda, a escuderia de Brackley segue tendo o melhor carro, o melhor motor e seu principal piloto no auge. Elementos mais que suficientes para garantir outra campanha vitoriosa. Com o segundo piloto, Valtteri Bottas, mais confiante e à vontade dentro da equipe após uma temporada de adaptação, está formado o conjunto para brigar pelo penta.

Nos testes de pré-temporada, a Mercedes sequer forçou o ritmo em volta rápida, tendo apenas a oitava melhor marca em Barcelona. Mas pouco importa para quem sempre trabalhou no inverno priorizando a confiabilidade. Aí, sim, os números foram bem relevantes: 1040 voltas, ou 4.841 km, quase 500 km a mais que a rival Ferrari. Prova que o novo W09 EQ Power+ é mais que uma máquina e muito capaz para dar sequência à era de prata na F1.

Sedes: Brackley e Brixworth, Inglaterra; Stuttgart, Alemanha
Carro: W09 EQ Power+
Motor: Mercedes M09 EQ Power+
Chefe de equipe: Toto Wolff
Diretor-técnico: James Allison
Em 2017: Campeã Mundial de Construtores (668 pontos)
Melhor resultado: 4 títulos de Pilotos; 4 títulos de Construtores
Melhor tempo em Barcelona: 1min18s400 (Lewis Hamilton, 8º, pneus ultramacios)

#44 Lewis Hamilton

Nascimento: 7 de janeiro de 1985, Tewin, Inglaterra (33 anos)
208 GPs disputados
62 vitórias
72 poles (recorde da F1)
117 pódios
38 voltas mais rápidas
2.610 pontos
Melhor resultado
Campeão em 2008, 2014, 2015 e 2017
Em 2017: campeão (363 pontos)

Lewis Hamilton já faz parte da lista dos grandes da história da F1 e entra na temporada 2018 como o homem a ser batido. O britânico, que chega mais amadurecido e vencedor após uma campanha muito sólida rumo ao tetra, avisou que não há espaço para comodismo e quer ir além e ser melhor do que o auge alcançado em 2017. O britânico chega para sua 12ª temporada com a meta de desempatar em títulos com Sebastian Vettel e Alain Prost e igualar outra lenda, Juan Manuel Fangio, pentacampeão.

Competência e talento jamais lhe faltaram, e seu carro entra em mais uma temporada como o melhor da F1.Com a motivação lá em cima e a perspectiva de seguir quebrando recordes no esporte, Hamilton só terá de ver até onde a Ferrari e seu grande rival na atualidade, Vettel, podem chegar. Favoritaço, Lewis tem tudo nas mãos para se manter no topo e continuar fazendo história.

#77 Valtteri Bottas

Nascimento: 28 de agosto de 1989, Nastola, Finlândia (28 anos)
97 GPs disputados
3 vitórias
4 poles
3 voltas mais rápidas
22 pódios
716 pontos
Melhor resultado: terceiro lugar em 2017
Em 2017: terceiro (305 pontos)

Surpreendido com a chance de ouro de substituir Nico Rosberg e assumir uma vaga de titular na Mercedes em 2017, Valtteri Bottas cumpriu seu primeiro objetivo: mostrou um serviço capaz de fazer a equipe apostar na sua permanência por mais uma temporada. Ainda assim, o finlandês não convenceu totalmente e sabe que vai ter pela frente corridas decisivas para se firmar de vez e continuar por mais tempo em Brackley. Mas a concorrência é grande e tem como principal nome Esteban Ocon.

Reconhecidamente mais à vontade à estrutura da Mercedes, Bottas tem alguns desafios pela frente: ser um concorrente real na peleja pelo título e, ao mesmo tempo, um elemento importante para impedir o avanço da Ferrari. Cobrado por uma suposta passividade nas pistas, Valtteri vai ter de rever sua postura e ser mais agressivo que de costume. Ou muda e dá resultados ou seus dias na Mercedes tão contados.

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Atualmente, a Ferrari conta com a dupla mais velha do grid, com seus pilotos somando 68 anos. No entanto, a esquadra italiana é a única que tem em seus dois titulares campeões mundiais, somando ao todo cinco títulos.

Para 2018, a mais tradicional das equipes chega não só com o objetivo de superar definitivamente a Mercedes, mas também de segurar a competitividade da Red Bull, que mostrou bons resultados na pré-temporada. 

Ainda, o time ousou no projeto do carro. A SF71H agradou Vettel, que chegou a dizer que “a mágica de verdade acontece nos bastidores. Todo detalhe importa, toda pequena parte faz diferença. O carro é muito diferente do último ano”. Nos testes de Barcelona, no entanto, apesar de bom ritmo e velocidade, as simulações de corrida não convenceram tanto. Agora, basta esperar a Austrália para o veredito final.

Sede: Maranello, Itália
Carro: SF71H
Motor: Ferrari
Chefe de equipe: Maurizio Arrivabene
Diretor-técnico: Mattia Binotto
Pilotos de desenvolvimento: Marc Gené, Davide Rigon
Em 2017: 2º lugar no Mundial de Construtores (522 pontos)
Melhor resultado: 15 títulos de Pilotos; 16 títulos de Construtores

#5 Sebastian Vettel 

Nascimento: 3 de julho de 1987, Heppenheim, Alemanha (30 anos)
199 GPs
47 vitórias
99 pódios
33 voltas mais rápidas
2425 pontos
Melhor resultado: campeão em 2010, 2011, 2012 e 2013
Em 2017: 2º colocado (317 pontos)

Sebastian Vettel começa mais uma temporada com a missão de bater Lewis Hamilton. Em 2017, o sonho do pentacampeonato chegou perto de ser alcançado, mas erros da Ferrari e acidentes acabaram fazendo a chance de título escorrer por entre os dedos do alemão.

Neste campeonato, ainda mais focado e determinado, o tetracampeão tem de provar que aprendeu com o passado a dominar a emoção. Líder da escuderia e responsável por colocá-la de volta ao topo, tem tudo para mais uma vez peitar o inglês da Mercedes.

#7 Kimi Räikkönen

Nascimento: 17 de outubro de 1979, Espoo, Finlândia (38 anos)
273 GPs
20 vitórias
91 pódios
45 voltas mais rápidas
1565 pontos
Melhor resultado: campeão em 2007
Em 2017: 4º colocado (205 pontos)

Uma vez campeão mundial, hoje Kimi Räikkönen mais está no grid fazendo número do que verdadeiramente brigando por grandes resultados. Vivendo de brilharecos e subindo vez ou outra no pódio, o piloto vai para mais uma temporada preenchendo o papel de fiel escudeiro.

Desde que voltou para a Ferrari, em 2014, o finlandês sofreu um apagão em seu desempenho e é considerado apenas uma aposta conservadora da Ferrari. Na pré-temporada, chegou a mostrar bom ritmo, mas dificilmente vem em 2018 como o piloto competitivo do time italiano, tendo apenas a responsabilidade de conseguir bons resultados para somar pontos importantes ao final da classificação.

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Desde 2016, a Red Bull tem tentando se colocar como ameaça à poderosa Mercedes - e uma prova são as vitórias que conquistou neste período, tirando proveito dos azares das rivais. Com uma dupla de pilotos  combativa - talvez a mais forte do grid -, a principal meta para 2018 da escuderia das bebidas energéticas é fazer um carro que seja suficientemente competitivo desde o início do campeonato, não apenas na reta final. Para aí, então, ter a chance de encarar as duas ponteiras da tabela. 

Os testes da pré-temporada mostraram que a esquadra evoluiu e se aproximou de Ferrari e Mercedes, com uma chance grande de ter um RB14 mais veloz do que a SF71H. A única grande preocupação dos austríacos, porém, segue sendo a Renault. A montadora francesa ainda não conseguiu entregar um motor confiável e forte o bastante para enfrentar as duas concorrentes. Mas o carro, agora assinado novamente por Adrian Newey, é bem nascido e nas mãos de Daniel Ricciardo e Max Verstappen tem condições de recompensar a menor potência. 

Sede: Mylton Keynes, Reino Unido
Carro: RB14
Motor: TAG Heuer (Renault)
Chefe de equipe: Christian Horner
Diretor-técnico: Pierre Wache
Pilotos de desenvolvimento: Sébastien Buemi
Em 2017: 3º lugar no Mundial de Construtores (368 pontos)
Melhor resultado: 4 títulos de Pilotos; 4 títulos de Construtores

 

#3 Daniel Ricciardo

Nascimento: 1º de julho de 1989, Perth, Austrália (28 anos)
129 GPs
5 vitórias
27 pódios
9 voltas mais rápidas
816 pontos
Melhor resultado: 3º colocado em 2014 e 2016
Em 2017: 5º colocado (200 pontos)

O homem do maior sorriso do grid tem tudo para chegar forte em 2018. Na última temporada, fechou a classificação no quinto posto, sendo o melhor piloto depois dos titulares das duas líderes.

O campeonato também começa com uma certa pressão para o australiano, que estreou como uma grande promessa na Red Bull, mas o sonho de conquistas um título ainda não se concretizou. Além disso, Ricciardo entra em seu último ano de contrato com os austríaco e uma performance forte deve colocá-lo em posição privilegiada de negociação.

O único detalhe que Daniel terá que tomar cuidado, e eventualmente superar, ao longo do ano está dentro de sua própria equipe. Jovem, cheio de talento e sem medo de arriscar, Max Verstappen pode surgir como um grande oponente, esquentando uma briga interna.

#33 Max Verstappen 

Nascimento: 30 de setembro de 1997, Hasselt, Bélgica (20 anos)
60 GPs
3 vitórias
11 pódios
2 voltas mais rápidas
421 pontos
Melhor resultado: 5º colocado em 2016
Em 2017: 6º colocado (168 pontos)

Max Verstappen tem tudo para dar trabalho para as equipes de ponta em 2018. Com uma Red Bull apostando, ao menos em um primeiro momento, em confiabilidade, o holandês entra para brigar por vitórias e talvez até ameaçar Lewis Hamilton e Sebastian Vettel.

O piloto enfrentou uma difícil fase em 2017, onde foi traído pelo próprio carro e colocou diversos abandonos no bolso. Mas assim que o time das bebidas energéticas acertou a mão do RB13, Max chegou a abocanhar duas vitórias na reta final do campeonato.

Talento, arrojo e velocidade não faltam ao competidor mais jovem a vencer uma prova na F1. Agora, tem que encarar o desafio não só de encontrar a consistência nos resultados, mas também de lidar com um grande adversário dentro da equipe: Daniel Ricciardo.

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A escuderia de propriedade de Vijay Mallya alcançou um feito digno de nota. Não bastasse terminar 2016 em quarto lugar, repetiu a dose na temporada passada, sendo a ‘melhor do resto’ no Mundial de Construtores, ficando só atrás das ponteiras Mercedes, Ferrari e Red Bull. A Force India, dona de um trabalho bem sólido, conseguiu ser muito mais eficiente com um orçamento menor que Williams, Renault e McLaren, que ficaram mais atrás. Para 2018, mesmo com uma dupla das melhores, vai ser um grande desafio se manter no top-4.

Isso porque Renault, McLaren e até a Haas apresentaram uma nítida evolução nos testes de inverno, enquanto a Force India não foi aquela equipe que encheu os olhos. Claro, tudo ainda é muito cedo, mas serve ao menos para se ter um pé atrás. Não dá para duvidar da capacidade de trabalho de equipe e tampouco do potencial dos ótimos Sergio Pérez e Esteban Ocon. 

No ano passado, os dois travaram uma rivalidade quase sangrenta e levaram a Force India a um verdadeiro clima de guerra. Só que os dois vão ter de trabalhar juntos e não desperdiçar um ponto sequer para ajudar o time de Silverstone a continuar em uma posição privilegiada na F1.

Sede: Silverstone, Inglaterra
Carro: VJM11
Motor: Mercedes
Dono de equipe: Vijay Mallya
Diretor-técnico: Andrew Green
Pilotos de desenvolvimento: Nicholas Latifi e Nikita Mazepin
Em 2017: 4º no Mundial de Construtores (187 pontos)
Melhor resultado: 7º lugar no Mundial de Pilotos; 4º lugar no Mundial de Construtores
Melhor tempo em Barcelona: 1min18s967 (Esteban Ocon, 14º, hipermacios)

#11 Sergio Pérez

Nascimento: 26 de janeiro de 1990, Guadalajara, México (28 anos)
134 GPs disputados
7 pódios
4 voltas mais rápidas
467 pontos
Melhor resultado
7º lugar em 2016 e 2017
Em 2017: sétimo (100 pontos)

Sergio ‘Checo’ Pérez jamais escondeu que sonha em ter outra chance numa equipe de ponta da F1. Mas com as portas fechadas nas três grandes por mais um ano, restou ao bom piloto mexicano continuar como uma das bases para o sucesso da Force India. Nas duas últimas temporadas, o piloto foi o ‘melhor do resto’, como a sua equipe, fechando em sétimo, só atrás das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Só faltou mesmo um pódio para coroar outro bom ano do jovem de Guadalajara.

A duríssima rivalidade travada com Esteban Ocon no ano passado levou a Force India a uma conclusão: que é preciso unir o potencial dos seus dois pilotos para manter a equipe forte. Com a cabeça mais fria, ‘Checo’ vem ainda mais motivado depois que nasceu seu filho em dezembro, Sergio Pérez Martínez: “Ser pai é o melhor que me aconteceu na vida. Estou muito feliz por isso e muito motivado para a temporada”.

#31 Esteban Ocon

Nascimento: 17 de setembro de 1996, Evreux, França (21 anos)
29 GPs disputados
Melhor resultado
Oitavo lugar em 2017
Em 2017: oitavo lugar (87 pontos)

Esteban Ocon provou na pista em 2017 porque é a grande joia da Mercedes para o futuro. Logo na sua primeira temporada por uma equipe capaz de somar pontos com frequência, como a Force India, o talentoso francês mostrou a que veio e realizou uma campanha incrível para um piloto ainda novato: completou 19 de 20 corridas e pontuou em 18, ficando fora do top-10 apenas no Brasil, onde abandonou, e em Mônaco.

Ocon também trabalhou para mostrar seu espaço, ainda que isso tenha deixado rusgas dentro da equipe. Esteban jamais se assumiu como segundo piloto e nunca cedeu em disputas contra ‘Checo’ Pérez. A batalha entre os dois gerou muitos momentos de tensão, como no GP da Bélgica, onde os dois quase bateram forte na descida da Eau Rouge. 

Segundo a cúpula da Force India, daqui pra frente tudo vai ser diferente, mas o que se espera é que a estrela do menino Esteban brilhe ainda mais. Até porque está nas suas mãos a chance de subir ainda mais na carreira e ser o próximo piloto da Mercedes.

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Talvez a equipe em que a polêmica reside no grid da F1. Com dois pilotos pagantes, sendo um jovem com apenas um ano de experiência, e outro semi-desconhecido, vai batalhar em duas frentes durante o ano: para não ser a última colocada e para apaziguar a insistência com o nome de Robert Kubica.

O novo carro não rendeu bem nos testes em Barcelona e, para piorar, tanto Lance Stroll como Sergey Sirotkin não apresentaram um ritmo bom o suficiente e tiveram de contar com a experiência de Kubica. Isso só serviu para que Claire Williams, Paddy Lowe e companhia tivessem de usar a imprensa para tentar acalmar os ânimos. "Sirotkin é de confiança e vai surpreender" é uma frase ouvida várias vezes de diversas formas.

Mais um problema: essa defesa aos pilotos pagantes, em especial ao que 'roubou' a vaga de Kubica, pode colocar ainda mais pressão nos próprios. Qualquer resultado decepcionante - e, com o carro fornecido, isso é o provável de ocorrer - produzirá notícias e análises negativas sobre o russo e o canadense. E aumentará a busca por frases do polonês, que já demonstrou insatisfação com seu posto durante a pré-temporada.

A Williams pode não ser a pior equipe do grid, mas é aquela em que o caos reina. E não há muitos caminhos, ao menos visíveis no momento, que a tirem do 'buraco'.

Sede: Grove, Inglaterra
Carro: FW41
Motor: Mercedes
Chefe-adjunta: Claire Williams
Diretor-técnico: Paddy Lowe
Piloto reserva: Robert Kubica
Em 2016: 5° no Mundial de Construtores (83 pontos)
Melhor resultado: 7 títulos de Pilotos; 9 títulos de Construtores

#18 Lance Stroll

Nascimento: 29 de outubro de 1998, Monteal, Canadá (19 anos)
20 GPs disputados
1 pódio
40 pontos
Melhor resultado: 12° colocado em 2017
Em 2017: 12° colocado (40 pontos)

Após um primeiro ano de aprendizado, com mais erros do que acertos, mas conquistando um inesperado pódio, Lance Stroll tenta apagar a alcunha de 'pagante' para se firmar como um titular merecedor. Com o carro que terá, porém, será difícil vê-lo conseguindo resultados melhores do que em 2017.

Nos treinos de pré-temporada, não andou bem em  termos de tempos, mas pode culpar o FW41, que não apresentou muita melhora em relação ao último ano. A esperança é que as primeiras impressões, de que a equipe lutaria com Haas e Sauber contra a lanterna da temporada, sejam dissipadas com resultados que coloquem a Williams acima, ao menos, da oitava colocação.

A batalha de Stroll é, acima de tudo, contra os seus críticos, contra quem não aceita, ou não acha justo, um piloto bancado pelo pai (o bilionário Lawrence Stroll). Tal como em 2017, o jovem corre mais contra as palavras que o atingem do que contra os rivais.

#35 Sergey Sirotkin

Nascimento: 27 de agosto de 1995, Moscou, Rússia (22 anos)
Estreante na F1

O grande alvo da F1 em 2018. Sergey Sirotkin estreia na principal categoria do mundo do automobilismo sem grandes resultados na carreira, mas com muito dinheiro de patrocinador envolvido. E isso, por si só, colocaria toda a pressão possível sobre seus ombros.

Mas piora: Robert Kubica tinha contrato assinado para ser titular da Williams, em volta triunfal à F1. O dinheiro russo impediu esse retorno que a maior parte dos fãs gostaria de ver, enquanto expõe Sirotkin como, quase, o 'ladrão' da vaga.

Ele terá muita torcida contra e um carro que dificilmente entregará resultados, independentemente do talento que o piloto demonstre. Mas, fatalmente, qualquer tropeço, seja uma batida, uma escapada, um toque em rival, jogará mais contra Sirotkin do que contra qualquer outro piloto do grid. A única maneira do russo se safar das críticas é conquistar grandes resultados de cara - de preferência, indo melhor do que Lance Stroll. 

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É bem verdade que a Renault deu um salto de rendimento de 2016 para 2017, mas isso não significa pressão menor em 2018. Na nova temporada, os franceses chegam com a tarefa de seguir traçando uma curva crescente – curva essa que, seguindo os ambiciosos planos dos gauleses, deve levar a títulos em questão de dois ou três anos. Para seguir no caminho certo, o jeito parece ser um só: brigar por pódios na nova temporada.

O caminho dos pódios é possível de ser percorrido, mas exige a solução de problemas de longa data. O motor Renault precisa de mais rendimento e confiabilidade, questões que estão sem solução desde a introdução dos V6 Turbo em 2014. A evolução é inquestionável, mas a distância para Mercedes e Ferrari ainda é um verdadeiro incômodo.

Dentre estes dois problemas, a Renault já elegeu a confiabilidade como prioridade. Foi justamente a tendência a quebras que colocou os franceses em apuros no fim de 2017, quando até mesmo terminar em sexto no Mundial de Construtores chegou a parecer tarefa árdua.

Se é ruim pensar que a Renault ainda precisa comer muito feijão com arroz em 2018, a boa notícia é que nada é impossível ou mesmo improvável. A montadora francesa nunca teve timidez para gastar dinheiro na F1 e dá pinta de ter construído uma base sólida de dirigentes, engenheiros e pilotos.

Sede: Enstone, Inglaterra 
Carro: R.S.18
Motor: Renault
Chefe de equipe: Cyril Abiteboul
Diretor-técnico: Bob Bell
Pilotos de testes: Artem Markelov, Jack Aitken
Em 2017: 6ª colocada (57 pontos)
Melhor resultado: Campeã Mundial de Construtores (2005, 2006)
Melhor tempo em Barcelona: 1min18s092 (Carlos Sainz Jr., 5º, pneus hipermacios)

#27 Nico Hülkenberg

Nascimento: 19 de agosto de 1987, Emmerich, Alemanha (30 anos)
135 GPs disputados
1 pole-position
2 voltas mais rápidas
405 pontos
Melhor resultado: Nono colocado no Mundial de Pilotos em 2014 e 2016
Em 2017: Décimo colocado (43 pontos)

Uma das zoações mais tradicionais da F1 pode chegar ao fim em 2018. É difícil acreditar que Nico Hülkenberg, em evolução ao lado da Renault, não consiga o tão sonhado pódio. O talento nunca foi dúvida – ninguém ganha as 24 Horas de Le Mans só por sorte –, mas sempre pareceu faltar a chance certa. Se os bons resultados de 2017 servem de indicativo, a impressão é de que 2018 pode realmente ser um divisor de águas na carreira de Hülk.

Isso porque 2017 já contou com mais pontos positivos do que negativos. Apesar de abandonar mais corridas do que o bom senso indicaria – sete, recorde em um único ano para o alemão –, os bons resultados vieram. Foram quatro sextos lugares, algo muito bom para alguém que nem pilota pela melhor equipe do pelotão intermediário.

#55 Carlos Sainz

Nascimento: 1º de setembro de 1994, Madri, Espanha (23 anos)
40 GPs disputados
118 pontos
Melhor resultado: Nono lugar no Mundial de Pilotos em 2017
Em 2017: Nono lugar (54 pontos)

Se no começo de 2017 Carlos Sainz Jr. era um bom piloto, mas sem perspectiva de promoção para uma equipe melhor. Como o mundo deu voltas: contratado a peso de outro no segundo semestre, Carlos passou a ser peça importante de uma equipe que dá toda pinta de que pode surpreender.

Isso porque, ao contrário da Toro Rosso, a Renault é uma equipe do pelotão intermediário com perspectiva de evolução. Sainz também – é um piloto que já rende bem, mas que tem plenas condições de superar Hülkenberg para ser o grande destaque da dupla. Se sem conhecer direito o R.S.17 o espanhol já fez um belo trabalho ao acompanhar o alemão, imagina testando o R.S.18 desde o começo?

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Nascida em 2006 tendo como origem da lendária Minardi, a Toro Rosso foi concebida para ser a equipe B da Red Bull, uma espécie de laboratório da matriz taurina. Contudo, no 13º ano da sua história, a escuderia baseada na cidade italiana de Faenza terá pela frente uma temporada diferente e singular. Pela primeira vez, a Toro Rosso vai ser a equipe oficial (e única) de uma fornecedora de motor na F1. No caso, a Honda, que ganhou sobrevida no Mundial depois de três anos de fracasso retumbante ao lado da McLaren. 

É bem verdade que o papel de laboratório da Red Bull continua neste ano, com a matriz avaliando até que ponto vai valer a pena fazer a migração dos motores Renault para os Honda a partir da próxima temporada. Por isso, um bom desempenho da unidade de potência nipônica nos novos STR13 é fundamental. 

Tudo o que se espera é que o novo motor RA618H seja ao menos mais confiável que as versões anteriores construídas em Sakura. Ao menos nos testes de pré-temporada, a primeira impressão foi bastante positiva, com problemas apenas pontuais. Os novatos Pierre Gasly e Brendon Hartley puderam trabalhar bem nos testes de inverno e acumularam boa quilometragem, o que é sempre um bom sinal nesta fase prévia do campeonato. Se o bom desempenho se cumprir a partir da Austrália, dá para esperar coisas boas dos comandados de Franz Tost.

Sedes: Faenza, Itália
Carro: STR13
Motor: Honda RA618H
Chefe de equipe: Franz Tost
Diretor-técnico: James Key
Em 2017: Sétima no Mundial de Construtores (53 pontos)
Melhor resultado: oitava no Mundial de Pilotos; sexta no Mundial de Construtores
Melhor tempo em Barcelona: 1min18s363 (Pierre Gasly, 7º, pneus ultramacios)

 

#10 Pierre Gasly

Nascimento: 7 de fevereiro de 1996, Rouen, França (22 anos)
5 GPs disputados
Melhor resultado
21º em 2017
Em 2017: 21º (sem pontos)

A transferência de Carlos Sainz para a Renault e a dispensa de Daniil Kvyat levou a Toro Rosso à natural ascensão de Pierre Gasly ao posto de titular. A ideia de efetivar o francês em 2018 foi antecipada para as últimas provas do ano passado após a boa campanha do jovem, último campeão da GP2 antes da mudança de nome, na sempre forte Superformula no Japão. Mais um talento forjado em terras gaulesas que chega à F1 depois de Romain Grosjean e Esteban Ocon.

Mas a missão do menino Pierre não é das mais fáceis. Ainda bastante jovem, o piloto vai ter de lidar com os desafios de ajudar no desenvolvimento do carro ao longo do ano, além da incerteza que ainda paira sobre a performance sobre o motor Honda. Outro fator que talvez possa pesar a Gasly é a sempre cruel pressão imposta pela Red Bull por resultados, o que já tirou da F1 tantos pilotos que chegaram a mostrar algum potencial, como Sébastien Buemi, Sébastien Bourdais, Jaime Alguersuari e, por fim, o próprio Kvyat.

#28 Brendon Hartley

Nascimento: 10 de novembro de 1989, Palmerston North, Nova Zelândia (28 anos)
4 GPs disputados
Em 2017: 23º (sem pontos)

É raro um piloto, nos dias atuais, chegar à F1 depois de um histórico vencedor em uma categoria top do automobilismo mundial. Talvez o exemplo mais recente, ou nem tão recente assim, seja o de Alex Zanardi, que em 1999 voltou ao Mundial pela Williams depois de ser bicampeão da Cart com a Ganassi nos Estados Unidos. Quase 20 anos depois, Brendo Hartley aportou na F1 com o status de bicampeão do Mundial de Endurance e vencedor das 24h de Le Mans. Um currículo para poucos.

A pouca experiência de Hartley nos carros de F1 fez com que a Toro Rosso antecipasse a sua confirmação como titular, feita no fim da temporada passada. Tudo para dar ao bom neozelandês todo o tempo para se readaptar aos monopostos. Nas quatro corridas em que disputou, pouco pode fazer em razão de problemas no motor Renault.

Mas em 2018, durante os testes de inverno em Barcelona, Brendon fez bom trabalho e percorreu exatos 1.722 km com o novo carro da Toro Rosso. Agora é questão de voltar a pegar ritmo de corrida nos monopostos para mostrar na F1 o mesmo talento apresentado no endurance. 

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A Haas abre o ano com alguma expectativa de evolução. A equipe de Gene Haas, que desde a estreia em 2016 se acostumou a trazer resultados honestos, tem cacife para ganhar terreno no pelotão intermediário da F1. E é assim, com expectativas dentro da realidade de uma esquadra de modestos recursos financeiros, que os americanos devem encarar 2018: dando sinais de evolução aqui e ali, mas não esperando nada muito grandioso.

Isso porque, via de regra, a Haas ainda não tem carro para pontuar toda hora. Romain Grosjean e Kevin Magnussen precisaram se virar com um bólido que, apesar de ter bons momentos, causou dores de cabeça em 2017. Se a palavra de ordem na escuderia foi manter as peças, como esperar algo tão diferente em 2018?

Mas manter não é ruim. Com uma boa dupla de pilotos e um trabalho bem feitinho, a Haas segue trilhando um caminho que foi desenhado desde o começo. Dar um passo de cada vez não pode ser visto com maus olhos. E a performance da pré-temporada mostrou isso. Depois de falhas de confiabilidade na primeira semana, o time se acertou e apresentou um ritmo sólido nos quatro dias finais. Pode surpreender. 

Sede: Kannapolis (EUA), Banbury (Inglaterra) 
Carro: VF-18
Motor: Ferrari
Chefe de equipe: Guenther Steiner
Diretor-técnico: Rob Taylor, Ben Agathangelou
Pilotos de testes: Santino Ferrucci, Arjun Maini
Em 2017: 8ª colocada (47 pontos)
Melhor resultado: 8ª colocação (2016, 2017)
Melhor tempo em Barcelona: 1min18s360 (Kevin Magnussen, 6º, pneus supermacios)

#8 Romain Grosjean

Nascimento: 17 de abril de 1986, Genebra, Suíça (31 anos)
122 GPs disputados
10 pódios
1 volta mais rápida
344 pontos
Melhor resultado: Sétimo colocado no Mundial de Pilotos em 2013
Em 2017: 13º (28 pontos)

O franco-suíço é um bom piloto, mas que vem sofrendo para emplacar grandes resultados na F1. Depois de um belo 2013 com a Lotus, Grosjean passou a sofrer com equipes intermediárias, apesar de fazer trabalhos dignos. Em 2018, a história há de ser parecida: boas performances aqui e ali, mas a expectativa não é de um ano marcante.

Isso porque Grosjean se acostumou a ter corridas boas e ruins. Num dia o piloto está brigando pelo sexto lugar, noutro está brigando com a dupla da Sauber e reclamando dos freios do carro.

Mas isso não significa que Grosjean é um problema na Haas. Depois de conseguir um ótimo quinto lugar no GP do Bahrein de 2016, ficou claro que o francês casou bem com os americanos. Mesmo assim, a expectativa de ver Romain fazendo a diferença ao longo prazo parece ter ficado no passado. 2018 é mais do que hora para calar os críticos nesse sentido.

#20 Kevin Magnussen

Nascimento: 5 de outubro de 1992, Roskilde, Dinamarca (25 anos)
60 GPs disputados
1 pódio
81 pontos
Melhor resultado: 11º colocado no Mundial de Pilotos em 2014
Em 2017: 14º (19 pontos)

Um piloto que é um verdadeiro mistério. Kevin tem talento e já fez boas apresentações, mas sofre ainda mais do que Grosjean para fazer boas temporadas. Depois de ser trocado por Fernando Alonso na McLaren, Magnussen parece ter dificuldades para reencontrar o caminho certo. Na Haas, em 2017, foram apenas cinco corridas na zona de pontos contra oito de Romain.

Aos 25 anos, é mais do que hora para Magnussen apagar essa imagem negativa. Não para chamar a atenção de uma equipe maior – algo que dificilmente vai acontecer –, mas para realmente mostrar que merece estar na F1. Com uma sorte um pouco melhor, isso vai acontecer. Quem sabe até mesmo em 2018. Enquanto isso, vamos esperar. Mas talvez sentados.

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Hora de cumprir as promessas. Trocar o motor de Honda para Renault terá que se provar a aposta certeira, após um ano em que tantas críticas forçaram o rompimento de contrato com os japoneses. Se não brigar, ao menos, pela quarta colocação, terá estampado o selo de decepção.

A expectativa foi criada pela própria McLaren: desde a separação com a Honda, em setembro de 2017, foram meses de entrevistas nas quais tanto os dirigentes, como os pilotos, afirmaram que a melhora viria naturalmente, e que seria possível sonhar com a volta das vitórias e pódios.

Porém, nos testes de pré-temporada em Barcelona, a equipe foi a que menos completou voltas e as falhas foram constantes: quebras, problemas no motor... A lista foi variada, mas longa para um período tão curto de testes. Além disso, as discussões com a Renault já começaram com a revelação de que o chassi não comporta com perfeição o motor fornecido pelos franceses – e que só a partir de 2020 a McLaren vai poder ‘palpitar’ na produção da parceira.

O objetivo do time que vestirá mamão-papaia é claro: voltar aos tempos de glória. Não há indicação de que isso ocorrerá por enquanto, porém, além do talento de Fernando Alonso. Material humano o time tem, agora é entregar material físico do mesmo nível.

Sede: Woking, Inglaterra
Carro: MCL33
Motor: Renault
Chefe de equipe: Zak Brown
Diretor-técnico: Tim Goss
Piloto reserva: Lando Norris
Melhor resultado: 12 títulos de Pilotos; 8 títulos de Construtores
Em 2017: 9° lugar no Mundial de Construtores (30 pontos)

#14 Fernando Alonso

Nascimento: 29 de julho de 1981, Oviedo, Espanha (36 anos)
291 GPs
32 vitórias
97 pódios
23 voltas mais rápidas
1849 pontos
Melhor resultado: campeão em 2005 e 2006
Em 2017: 15° colocado (17 pontos)

Tal como a equipe pela qual corre, Fernando Alonso precisa provar que suas opções são as corretas. Se renovou com a McLaren por confiar que o carro seria mais competitivo, não pode, caso isso não se concretize, culpar apenas a equipe: terá de assumir a responsabilidade. Se não voltar ao menos ao pódio, frustrará o time, seus fãs e, mais importante, a si mesmo.

Seu problema principal é que tamanho talento vem junto com a pressão. São 11 anos com todos os especialistas afirmando que ele é um dos dois ou três melhores pilotos, mas os seus rivais, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, empilharam quatro títulos cada nesse intervalo, contra zero do espanhol.

Alonso terá uma temporada, 21 corridas, para acabar com o discurso do "azar". Aliás, ele ainda pode acabar com essa fama em Le Mans, no WEC... Opções ele criou, existem. Mas é na pista que ele precisa entregar resultados. Não é possível mais adiar.

#2 Stoffel Vandoorne

Nascimento: 26 de março de 1992, Kortrijk, Bélgica (25 anos)
20 GPs
14 pontos
Melhor resultado: 16° colocado em 2017
Em 2017: 16° colocado (13 pontos)

Dentro de uma equipe tão pressionada, Stoffel Vandoorne consegue se isolar razoavelmente desta situação. Em sua segunda temporada completa, possui ao lado um piloto com tamanha responsabilidade de resultados positivos que qualquer evolução própria será vista como lucro – e, em caso de estabilidade, se culpar o carro não será tão julgado quanto Fernando Alonso.

Se o carro render, Vandoorne deve ficar atrás de Alonso. Se a McLaren ficar entre as quatro ou cinco primeiras, dificilmente avançaria da nona ou da décima posição. E ninguém julgaria o belga de forma negativa. Isso pode ser positivo para sua evolução, para que entregue resultados ainda melhores do que os dois sétimos lugares que conseguiu em 2017.

Se o carro continuar fraco, Vandoorne não terá culpa, ainda mais se, tal como no último ano, mantiver pontuação próxima ao do companheiro de equipe. A única pressão que pode receber é caso fique não só muito atrás de Alonso, como também não vencer ab riga com pilotos da Williams e Haas, por exemplo. É difícil, mas pode acontecer.

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2018 representa uma nova fase para a Sauber, agora tendo a charmosa Alfa Romeo como parceira. Mas quem espera vida nova está diante de uma decepção: a equipe tem tudo para seguir com desempenho semelhante ao de 2017, mas agora com tons de vermelho e branco no carro. Sem expectativa de grandes saltos de desempenho, os suíços voltam a ser favoritos à lanterna.

Mas seria injusto afirmar que a situação não é ao mesmo um pouco mais favorável para a equipe. Depois de andar com o motor desatualizado em 2017, 2018 reserva atualizações frequentes com o que a Ferrari tem de melhor a oferecer. Além disso, a maior quantidade de dinheiro em caixa pode permitir um melhor desenvolvimento do chassi.

Isso tudo se refletiu na pré-temporada. Apesar de a Sauber não ter chocado ninguém com a performance, a impressão que fica não é horrenda. Mesmo que o C37 seja o pior carro do grid – provável –, não é uma carroça. Na verdade, pode ser um modelo capaz de render brigas com o pelotão intermediário em algumas ocasiões. Já seria um primeiro passo para uma escuderia que sofre para reencontrar um rumo.

Sede: Hinwil, Suíça
Carro: C37
Motor: Ferrari
Chefe de equipe: Frédéric Vasseur
Diretor-técnico: Jörg Zander
Pilotos de testes: Antonio Giovinazzi, Tatiana Calderón 
Em 2017: 10ª colocada (cinco pontos)
Melhor resultado: 4º no Mundial de Construtores (2001)
Melhor tempo em Barcelona: 1min19s118 (15º, Charles Leclerc, hipermacios)

#9 Marcus Ericsson

Nascimento: 2 de setembro de 1990, Kumla, Suécia (28 anos)
56 GPs disputados
9 pontos
Melhor resultado: 18º lugar em 2015
Em 2017: 20º (sem pontos)

A origem do universo, os buracos negros, o sexo dos anjos. Nada disso é mais misterioso do que a permanência de Marcus Ericsson na F1 após quatro anos de virtualmente nenhum serviço prestado. O sueco mais criticado do mundo do automobilismo abre 2018 com a mesma missão das temporadas anteriores – mostrar qualquer indicativo de que merece estar no grid.

É bem verdade que, salvo 2015, Ericsson sempre pilotou os piores carros da F1 – Caterham e Sauber afundada em crise. Mas as derrotas frequentes em disputas com companheiros de equipe indicam que algo não está certo. É difícil defender alguém que, em 76 tentativas, não conseguiu uma única corrida de verdadeiro brilho. Até aqui, é o apoio dos novos donos da equipe suíça que realmente banca Marcus.

Mas talvez nem tudo esteja perdido. Talvez o C37 seja um ótimo carro para Ericsson, que pode ajudar a conseguir resultados. Mas, olha, está difícil acreditar nisso.

#16 Charles Leclerc

Nascimento: 16 de outubro de 1997, Monte-Carlo, Mônaco (20 anos)
Estreante na F1

Mesmo sendo um piloto de potencial, é difícil acreditar que Charles Leclerc tenha um 2018 tranquilo na F1. O monegasco vai atravessar o árduo processo de adaptação aos novos carros – e isso por uma equipe que não dá condições ideais. Mesmo assim, o novo grande nome da Ferrari é uma aposta de respeito: se as coisas derem certo, Charles pode inverter papéis e ser o responsável pelos melhores resultados da escuderia.

Essa afirmação se baseia na temporada 2017 de Leclerc na F2. Mesmo estreando, o piloto mostrou que sabe se adaptar rapidamente e empilhou vitórias. O resultado foi uma temporada bastante acima da média e sem briga de verdade pelo título.

Caso 2018 tenha rumo parecido, Leclerc pode virar frequentador da zona de pontos. Se o bom Pascal Wehrlein ficou no top-10 duas vezes em 2017, dá para esperar que o novo titular faça um trabalho ao menos tão bom quanto. Fazendo a lição de casa em Hinwil, Charles abre novas portas rumo ao futuro brilhante.