Castroneves vem para afastar ano sem vitórias: "Quero ganhar tudo que não ganhei em 2015"

Após um ano sem ir ao lugar mais alto do pódio, Helio Castroneves entra na temporada da 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis com disposição para dar a volta por cima

Gabriel Curty, de São Paulo

40 anos, 29 vitórias e chamando a atenção no automobilismo norte-americano desde 1996 – quando fez seu primeiro campeonato na Indy Lights –, Helio Castroneves é um dos pilotos mais respeitados e vitoriosos do grid da Indy. Porém, idade e histórico em nada alteram os planos do paulista que, após uma temporada sem triunfos, entra no ano da 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis com muita sede de vitórias.

Ao GRANDE PREMIUM, Castroneves comentou que espera muito da Penske em 2016, mas ressaltou a alta competitividade da Indy.

Helio Castroneves vai com tudo para a temporada 2016 da Indy
Foto: IndyCar

“As expectativas são muito boas. Fizemos a nossa lição de casa durante a pré-temporada e nos testes a gente mostrou que está bem forte. A Indy é uma categoria muito competitiva e tem muita gente em condições de vencer, mas estarei na pista para sair vitorioso e para ser bem competitivo”, diz.

O brasileiro novamente mostrou-se completamente focado na categoria e disposto a vencer ainda mais. Segundo Castroneves, a meta para 2016 é ganhar tudo o que não conseguiu em 2015, quando acabou sem vitórias e no quinto lugar geral.

“Quero ganhar tudo que não ganhei no ano passado. Eu vivo um momento importante da minha carreira. Estou no melhor da minha forma física e mental, continuo competitivo e com garra de moleque de 15 anos. Então, em 2016, será como sempre foi: vou entrar em todas as corridas para ganhar. E digo uma coisa: se um dia eu entrar na pista sem essa garra para vencer, aí será um sinal de que o ciclo acabou. Mas, por enquanto – e acho que pelo menos pelos próximos dez anos –, seguirei na mesma pegada”, afirma.

Perguntado sobre quão especial vai ser estar no grid da 100ª edição da principal prova do calendário da Indy, o três vezes vencedor deixou bem claras as suas intenções.

“Especial, especial, especial e especial. Quatro vezes Especial. Quatro Indy 500. Quatro anéis”, responde.

O paulista mostrou que buscar a quarta conquista nas 500 Milhas de Indianápolis é seu objetivo, mas explicou que ainda não saberia medir o quão importante seria vencer a 100ª edição da prova.

“Depois de vencer eu juro que conto. Obviamente que todas foram especiais. Na primeira era minha estreia, na segunda era aquela coisa de vencer duas seguidas e a de 2009, depois de tudo, foi algo que nem dá para explicar. Mas uma quarta vitória seria demais e é o meu objetivo."

Os testes de pré-temporada da Indy aconteceram em Phoenix, pista que estava longe do calendário da Indy desde 2005. Assim, para Castroneves, ficou difícil medir quão perto de um acerto ideal a Penske está, especialmente pela variação na temperatura que a pista vai sofrer nos próximos dias.

“Se você pensar que a gente não corria em Phoenix desde 2005, tudo aquilo que a gente sabia em termos de acerto e condições de pista não serviu muito de referência por causa das mudanças na categoria durante esse tempo. A minha dúvida é saber como o carro se comportará na corrida de abril, com uma temperatura muito mais quente do que nos testes, que foram realizados ainda no inverno. Mas, de modo geral, acho que a Penske conseguiu chegar num acerto muito eficiente”, diz.

O piloto do #3 gostou do que viu na pista de Phoenix no primeiro passo do retorno da categoria ao Arizona e imagina uma grande corrida em abril.

“Os testes foram ótimos. Rodamos abaixo de 19s, que era o recorde anterior e, nos testes coletivos, a gente andou muito próximo. Tenho certeza que para o público será uma corrida de tirar o fôlego. Para gente também”, fala.

Especial, especial, especial e especial. Quatro vezes Especial. Quatro Indy 500. Quatro anéis
Helio Castroneves sobre estar no grid da 100ª edição da Indy 500 e poder vencer pela 4ª vez

O brasileiro aposta na reação da Honda em 2016 e, desta forma, em um campeonato ainda mais embolado e emocionante.

“Sim, sem dúvida, acho que vão evoluir, aqui não tem ninguém bobinho. Todo mundo trabalhou forte na pré-temporada e com a Honda não foi diferente. Vai ser legal, quem ganha com isso é o fã, que terá um campeonato melhor ainda”, declara.

Castroneves previu mais um campeonato bastante duro na Indy e comentou que a disputa pode acabar se estendendo a mais times do que apenas Penske, Ganassi, Andretti e a emergente Carpenter.

“Na lista eu colocaria ainda a RLL, a KV e a Schmidt Peterson, pelo menos. Obviamente que eu quero que a Penske lidere essa turma toda, mas a coisa vai ficar embolada”, analisa.

Para Helio Castroneves, 2016 será um grande ano para Simon Pagenaud
(Foto: IndyCar)

Particularmente sobre a Carpenter, o experiente piloto rasgou elogios a Ed Carpenter e Josef Newgarden, mas não soube dizer se, por enquanto, o time já é o grande candidato ao posto de quarta força da categoria.

“O Ed é um dono de equipe muito competente, além de ser um grande piloto. O Newgarden é um grande talento. Então, é a fome com a vontade de comer. Não sei dizer qual seria essa posição, mas que a equipe e os caras estão na parada, isso é sem dúvida uma verdade”, explica.

Por fim, o brasileiro ainda falou sobre Simon Pagenaud, companheiro de equipe que teve um primeiro ano bem conturbado pela Penske. Para Castroneves, 2016 será o ano em que Pagenaud provará seu valor.

“Cara, esse francês é tão rápido que acho que foram apenas coisinhas que atrapalharam e não problema de adaptação. Escreve aí, o francês vem com tudo”, completa Helio.