Em temporada de corrida histórica, Indy muda pouco e apresenta favoritos de sempre

Os quartetos de Penske e Ganassi devem protagonizar as disputas, mas terão concorrência da Carpenter e da Andretti. A temporada de 16 etapas marca a prova 100 em Indianápolis

Gabriel Curty, de São Paulo

A temporada 2016 da Indy começa neste fim de semana naquele que já se tornou o palco oficial de estreia da categoria. O circuito de São Petersburgo vai abrir os trabalhos do campeonato que terá 16 corridas e encerrará a disputa em Sonoma, em 18 de setembro.

O calendário da Indy sofreu consideráveis mudanças em relação a 2015: Phoenix, Boston e Elkhart Lake aparecem no programa da categoria, enquanto os ovais de Fontana – que sofreu com o péssimo público – e de Milwaukee, além da pista de Nova Orleans – que ficou marcada por uma corrida bizarra e chuvosa vencida por James Hinchcliffe – deixam o itinerário.

O regulamento sofreu poucas alterações. A contestadíssima pontuação dobrada em Sonoma está mantida, bem como nas 500 Milhas de Indianápolis, que vai realizar sua 100ª edição. As mudanças mais importantes estão nos kits: a Indy se mexeu e tentou trocar alguns pontos de seus carros, colocando zylon nas asas e rodas para evitar que se soltem. Os carros também receberam peças que visam diminuir a velocidade em rodadas ou batidas nos superovais.

Outra mudança incomodou muito a Chevrolet: a Indy abriu uma brecha no regulamento e deixou a Honda mexer em diversos pontos de seus kits aerodinâmicos, buscando equiparar suas montadoras. Ao menos em Phoenix, os norte-americanos seguiram consideravelmente na frente dos japoneses.

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Shawn Gritzmacher/IndyCar

No grid da temporada, a Chevrolet vai fornecer kits e motores para quatro equipes: Penske, Ganassi, Carpenter e KV. A Honda, por sua vez, fica responsável por cinco: Andretti, RLL, Schmidt Peterson, Foyt e Dale Coyne.

O título de 2015 pode até ter escapado na corrida final, mas o rendimento da Penske assombrou. Líder da maioria das sessões e contando com ótimos acertos, kit e motor, o time naturalmente se credencia ao caneco em 2016. Em Phoenix, a equipe liderou três dos quatro testes, colocando seu quarteto inteiro dentro do top-10 nos tempos combinados.

A principal favorita ao título manteve seu quarteto – prática, aliás, repetida por boa parte do grid que, em 2015, sofreu várias alterações. Desta forma, Juan Pablo Montoya, Will Power, Simon Pagenaud e Helio Castroneves permanecem no time.

Ao lado da Penske, aparece a Ganassi. Também impulsionada pelos motores Chevrolet e embalada por um improvável título de Scott Dixon, a equipe manteve, além do neozelandês, Tony Kanaan e Charlie Kimball. Quem chega para a quarta vaga é o ex-F1 Max Chilton, que passou sem tanto brilho pela Indy Lights na última temporada.

Um dos destaques de 2015 ainda sob a alcunha de CFH – com a fusão com a Fisher –, a Carpenter volta a ficar só, mas prometendo brigar muito pelo topo da categoria e atrapalhar a vida das chamadas gigantes. Chefe do time, Ed permanece apenas nas provas em ovais, com o time ainda precisando anunciar quem será o companheiro do excepcional Josef Newgarden nos circuitos mistos e de rua.

A quarta equipe que deve brigar pelo título em 2016 é a Andretti. Melhor da Honda, o time da família Andretti viu em Marco uma esperança de sucesso em um futuro próximo após ótimas exibições em Phoenix. Além do #27, Ryan Hunter-Reay e Carlos Muñoz também foram mantidos no esquadrão. A grande novidade é mais um ex-F1, no caso Alexander Rossi, que chega à categoria pela parceria entre Andretti e Bryan Herta.

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Shawn Gritzmacher/IndyCar

A RLL não pode ficar sem um destaque. O time que tanto prometia para 2015 cumpriu e viu em um totalmente transformado Graham Rahal a chance real de lutar pelo título. A equipe foi de forma disparada quem mais se destacou pela Honda no ano passado e, para tentar repetir o sucesso, segue com Graham no carro #15 e conta com o campeão da Lights, Spencer Pigot, na abertura do campeonato e nas duas corridas em Indianápolis.

Outro time que conta com o fornecimento da Chevrolet é a KV. A equipe de Jimmy Vasser vem com uma grande mudança: apenas um carro. O escolhido para guiar o #11 foi Sébastien Bourdais, veterano que venceu duas provas pela KV em 2015.

A dupla de pilotos da Schmidt Peterson compartilha de uma coincidência nada agradável: ambos perderam praticamente a temporada 2015 inteira por causa de acidentes. O russo Mikhail Aleshin se lesionou seriamente durante os testes em Fontana em 2014 e só voltou na decisão de 2015 em Sonoma. James Hinchcliffe, por sua vez, sofreu grave acidente nos treinos livres para as 500 Milhas de Indianápolis e volta após delicada recuperação.

A Foyt é mais uma equipe que resolveu não mexer em sua escalação para 2016. A dupla dos números invertidos segue igual e busca acabar com o jejum de vitórias que já perdura desde 2013, quando Takuma Sato triunfou em Long Beach. O japonês segue no #14 e Jack Hawksworth continua no #41.

Fechando o grid de 2016 vem a Dale Coyne. Pior equipe de 2015, o time mexeu no grupo de engenheiros, de mecânicos além, é claro, de pilotos. Conor Daly – que substituiu Hinchcliffe nos circuitos mistos e de rua em 2015 na SPM – foi o primeiro a assinar. Perto dos testes em Phoenix, o time confirmou também Luca Filippi – que disputava também provas apenas em mistos e de rua na CFH.

Com um grid repleto de bons pilotos e bons times, a expectativa é de que a Indy, 20 anos após a separação entre Cart e IRL, veja uma equilibrada disputa, ainda que aponte quatro favoritos. Em 2015, por exemplo, sete equipes venceram, com nove pilotos distintos indo ao lugar mais alto do pódio – apenas Penske e Andretti tiveram dois pilotos ganhando.