Indy Lights se assemelha à GP2 e começa com pequena perspectiva de ser de fato categoria de acesso

Assim como a F1, a Indy tem sido muito pouco receptiva ao campeonato que vem logo abaixo. Neste ano, apenas o campeão Spencer Pigot conseguiu se arranjar

Gabriel Curty, de São Paulo

Se a GP2 já não é nem de perto uma enorme porta de entrada para a F1, algo parecido, ainda que em menor escala, acontece na Indy Lights em relação à Indy. Para 2016, por exemplo, o último campeão da categoria de acesso, Spencer Pigot, só conseguiu garantir presença em três provas da temporada, todas ocupando o segundo carro da RLL, ao lado de Graham Rahal.

É bem verdade que os campeões da Lights ainda vêm, com exceção feita a Pigot, arrumando espaço na Indy, mas o grande interesse dos pilotos europeus pela categoria acaba minando o ingresso de outros talentos da ‘segunda divisão’. Nos últimos dois anos, por exemplo, além do campeão Gabby Chaves, o único que subiu para a Indy foi Max Chilton que, convenhamos, não está na Ganassi pelo que fez – ou deixou de fazer – na Lights, onde foi apenas quinto colocado.

Importantes pilotos já fizeram história na Lights e conquistaram o título da categoria. Nessa lista aparecem nomes como Paul Tracy, Bryan Herta, Tony Kanaan, Cristiano da Matta, Oriol Servià, Scott Dixon, AJ Foyt IV, Thiago Medeiros, Rapha Matos, JR Hildebrand, Josef Newgarden e Tristan Vautier.

O grid de 2016 apresenta alguns nomes já conhecidos pelo público mais aficionado por automobilismo e chama a atenção pela quantidade de estrangeiros. Ao todo, dos 16 pilotos, apenas seis são norte-americanos e três são canadenses. Porto Rico, Emirados Árabes, Colômbia, Uruguai, Suécia, Inglaterra e Brasil – com André Negrão – possuem um representante cada na lista inicial da categoria

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulista de 23 anos, Negrão é um dos nomes mais conhecidos do grid provisório da Lights. Com quatro anos de World Series e outros dois de GP2, o brasileiro aparece ao lado de Santiago Urrutia e RC Enerson no plantel inicial da Schmidt Peterson, time fortíssimo da categoria e que impressionou nos testes da pré-temporada.

Com apenas 19 anos, Urrutia é uma enorme promessa do automobilismo uruguaio. Após um 2014 bastante apagado tentando correr de GP3 com a Koiranen, o sul-americano foi para os Estados Unidos e se encontrou. Na forte Pelfrey, Urrutia passou por cima dos oponentes e sagrou-se campeão da Pro Mazda – a terceira divisão. 

O terceiro membro da equipe também tem 19 anos: trata-se do meteórico RC Enerson. Muito rápido e com extrema maturidade para a idade que tem, Enerson impressionou sonhando com o título e terminando na quarta colocação em seu primeiro ano de Lights. O desempenho foi ótimo, especialmente se levarmos em conta que o garoto não disputou a Pro Mazda, e sim subiu diretamente da USF2000 – quarta divisão – para a Lights após o vice-campeonato em 2014. 

Após o título da Pro Mazda em 2015 com Urrutia, a Pelfrey resolveu tentar a sorte na Lights. Para o ingresso, o time começa apostando em dois nomes com certa bagagem na categoria: Juan Piedrahita e Scott Hargrove.

André Negrão é o único brasileiro na Indy Lights em 2016
Divulgação

Colombiano de 23 anos, Piedrahita ainda não disse ao que veio no automobilismo norte-americano. Sempre no pelotão intermediário, o sul-americano tem como melhor resultado o sétimo lugar geral nas três categorias que disputou nos EUA: USF2000, Pro Mazda e Indy Lights. Sem nenhuma vitória, não deve ser tratado como real postulante ao título.

Campeão da USF2000 em 2013 e vice da Pro Mazda em 2014, Hargrove ainda carece de maiores oportunidades na Lights. Em 2015, por exemplo, o canadense só fez a rodada dupla de São Petersburgo – e foi muito bem. Para 2016, por enquanto, o plano é o mesmo.

Por toda sua representatividade no automobilismo norte-americano, a Andretti não pode ser descartada também na Lights. Mesclando bagagem e juventude, o time abre o ano com Dean Stoneman, Dalton Kellett e Shelby Blackstock.

Um dos mais experientes do grid, Stoneman é britânico e tem 25 anos. Vice-campeão da GP3 em 2014, o piloto teve uma temporada 2015 não mais que mediana na World Series, fechando em sexto. 

Dean Stoneman superou um câncer e voltou às corridas, agora nos EUA
Divulgação

Blackstock é ainda mais velho que Stoneman – tem 26 – e uma quilometragem bem razoável nas categorias de base da Indy. Terceiro colocado na Pro Mazda em 2013, o piloto de Nashville teve um ano de estreia mediano na Lights. Décimo no geral, Blackstock subiu ao pódio na corrida 1 em Mid-Ohio.

Kellett, com 22 anos, é o mais novo do trio. O canadense é, também, quem menos tem resultados expressivos no time. Apagado em seus dois anos de USF2000, Kellett conseguiu a promoção para a Pro Mazda, mas lá fez apenas dois pódios em dois campeonatos e não superou um décimo lugar na classificação final tanto em 2013 quanto em 2014.

A Belardi chega em 2016 com um piloto experiente de Lights e outro que, de certa forma, impressionou em 2015 ao ganhar a F3 Europeia. O primeiro deles é Zach Veach, americano de 21 anos que teve performance bem interessante no campeonato de 2014 e fechou em terceiro, brigando pelo caneco.

O segundo é Felix Rosenqvist. Muito contestado nos primeiros três anos de F3 Europeia, o sueco passou por cima dos rivais em 2015 e venceu o título. Duas vezes vencedor do GP de Macau, o piloto de 24 anos pode aprontar em seu ano de calouro na Lights.

Outro time importante do grid é a Carlin, que teve em Ed Jones o líder de grande parte da temporada 2015 da Lights. O piloto dos Emirados Árabes, aliás, segue com o time, ao lado de Félix Serrallés, de Porto Rico, e do promissor Neil Alberico.

Aos 21 anos, Jones é um dos grandes favoritos ao título da Lights. Com passagem pela F3 Europeia, o piloto precisa recuperar os bons resultados nos EUA. Em 2015, após vencer as primeiras três corridas, Jones estacionou e foi gradativamente caindo na classificação até terminar em terceiro.

Alberico é um pouco mais velho, tem 23 anos. Com dois anos de USF2000 e dois anos de Pro Mazda, o californiano é um cara que merece atenção. Vice-campeão em ambas as categorias, Alberico chega em boa fase e em um bom time.

Também com 23 anos, Serrallés já provou várias vezes ser um bom piloto. 11º e 12º em seus dois anos de F3 Europeia, o porto-riquenho precisa começar a oscilar menos. Em 2015, por exemplo, até prova Serrallés venceu, mas não conseguiu a regularidade suficiente para ser mais do que sétimo na classificação final da Lights.

A Juncos vai de Kyle Kaiser e Zachary Claman DeMelo. Americano de 20 anos, Kaiser ainda tenta a afirmação nas categorias de base da Indy. Sexto na Pro Mazda em 2014 e sexto na Lights em 2015, o próximo passo natural para o piloto do #18 é ganhar uma corrida.

Parceiro de Kaiser, DeMelo é um novato no automobilismo norte-americano de monopostos. Com apenas 17 anos, o canadense disputou corridas da F-Renault em 2015 após por anos correr de kart nos principais campeonatos do mundo.

Quem fecha o grid da categoria é Davey Hamilton Jr, piloto norte-americano do Idaho que, aos 19 anos, parte para seu primeiro ano nas categorias de base da Indy defendendo a McCormack na Lights. 

A Lights terá 18 etapas na temporada, começando os trabalhos neste fim de semana em St. Pete e se encerrando em Laguna Seca em 10 e 11 de setembro.