Indy mantém pontuação dobrada e reforça segurança para evitar novo acidente fatal

A morte de Justin Wilson fez com que a Indy corresse desesperada para tratar do que de mais perigoso podia encontrar nas carenagens dos carros e kits aerodinâmicos. Na pista, a decisão em Sonoma segue valendo duas vezes mais

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

Um ano se passou desde que a Indy introduziu os kits aerodinâmicos. Durante a temporada 2015, várias foram as mudanças feitas tentando encontrar um denominador comum entre segurança e desempenho — especialmente segurança. Quando a perna dos ovais apareceu, ficou claro que os kits eram perigosos. Para a temporada 2016, as principais mudanças no regulamento não fogem da realidade colocada pelos kits.

Em termos de segurança, uma das principais mudanças consiste em coberturas de zylon — um polímero sintético com durabilidade elástica em partes da asa e nas rodas, lugares que se desprendem e podem atingir outros pilotos com mais facilidade. A elasticidade do zylon não dificulta que os destroços se choquem contra alguém, mas diminuem um possível impacto. O zylon será aplicado nas asas traseiras em todas as provas, além das dianteiras nas corridas disputadas nos superovais.

Além disso, outra mudança consiste na instalação de uma peça nas asas traseiras visando diminuir a velocidade dos carros quando rodarem ou baterem nos superovais. Atualizado, o ECU evitará que o carro se mova nos pits caso o câmbio não esteja em neutro.

Scott Dixon relembra Justin Wilson na cerimônia de encerramento da Indy em 2015
Chris Jones/IndyCar

"Melhorar a segurança de todos é um objetivo contínuo. Mas precisamos fazer isso sem criar mais bandeiras amarelas e evitando o máximo possível de detritos. Temos grande apoio de nossos parceiros para melhorar a segurança, gostaria de agradecer Chevrolet, Honda e Dallara por sua participação e esforço ao trabalhar juntos para implementar a mudança", falou na ocasião do anúncio Will Phillips, vice-presidente de tecnologia da Indy.

É evidente que as mudanças vêm na esteira do acidente fatal de Justin Wilson nas 500 Milhas de Pocono do ano passado. O inglês foi acertado na cabeça por um detrito do carro de Sage Karam, que batera um pouco à frente.

Outra mudança importante, essa direta nos kits aerodinâmicos, deixou uma das montadoras envolvidas na Indy possessa. A organização permitiu que a Honda trabalhasse unilateralmente para cortar a diferença aerodinâmica que apresentou para a Chevrolet no ano passado. Com a permissão do chamado 9.3, Mark Miles deu a chance para a Honda acabar com sua defasagem.

"A Honda pediu à Indy que fosse liberada para fazer algumas mudanças que não estavam indicadas no regulamento 9.2 para o ano que vem. A intenção é evoluir em algumas áreas em que a Chevrolet claramente ficou à frente. Não tinha como negar. Você pode argumentar contrariamente falando de vitórias, pontos e voltas mais rápidas, mas o que nós queremos ver é o quanto esses kits são ou não competitivos em todos os aspectos. Pegamos então um carro de cada montadora e colocamos em uma análise detalhada, vendo as reais diferenças", falou Miles.

Não foi o suficiente para a Chevrolet – vencedora com sobras do campeonato de montadoras de 2015 com 1645 pontos contra 1179 da Honda - engolir calada o que considerou uma afronta. "As montadoras receberam o mesmo regulamento e as mesmas oportunidades. Fico muito orgulhoso do trabalho dos nossos engenheiros e parceiros, é muito bom ver nossos carros sempre no topo. Já existem regras que permitem algumas evoluções nos kits, então nós estamos desapontados com a decisão da Indy. Vamos seguir 100% focados em dar o melhor para os nossos times", falou o vice-presidente Jim Campbell.

Um esclarecimento da regra estipula que todos os carros que utilizam o kit aerodinâmico da Honda devem incluir a linha de centro de vime no chassi; os da Chevrolet, não. 

Há mudanças de mesmo grau para ambas, também, com aumento do turbo para os motores V6 biturbo 2.2 L quando o push-to-pass for acionado em circuitos mistos e de rua: vai de 160 para 165 kPa, aumentando em cerca de 20 cv. Chevrolet e Honda ainda precisarão fazer uso do combustível Sunoca E85R em 2016, com a retirada de um aditivo (o HiTEC 6590) antes permitido só para a Chevrolet.

Outra mudança nos aerokits está nas especificações de alguns ovais. Phoenix, que volta ao calendário depois de 11 anos, vai ter a mesma especificação que Iowa, por exemplo. Enquanto isso, Indianápolis e Pocono recebem a mesma configuração que o Texas recebeu no ano passado.

"Phoenix vai ter a mesma especificação que Iowa; Indianápolis e Pocono terão a mesma configuração aerodinâmica que em 2015 com a adição de uma proteção nas asas traseiras que foram implementadas no Texas, assim como placas e abas móveis; No Texas, além das placas e abas móveis na asa traseira também terá um aumento no downforce disponível; Iowa terá uma diminuição no downforce disponível por conta de uma redução no ângulo da asa traseira", explicou a categoria em comunicado oficial divulgado no último mês de novembro.

Se liguem, equipes

 

O peso mínimo dos carros também sofreu uma alteração: foi aumentado para acomodar melhoras de segurança, incluindo o corpo de trabalho adicional do Sistema de Gerenciamento de Energia na Suspensão nas Rodas/Asa (SWEMS). O peso máximo do carro vai aumentar em 4,5 kg para agora até 730 kg  nos ovais e mistos curtos, enquanto nos superovais será de um total de 716 kg.

Especificamente para as equipes, o limite de velocidade nos pits em todos os ovais passará para 80 km/h outra iniciativa de segurança da organização. E durante finais de semana de corrida os times serão permitidos a levar consigo um jogo de pneus designado inicialmente para o promoter day para a sessão de treinos seguinte, mas os compostos em questão devem ser devolvidos após esta sessão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pontuação

 

Competitivamente, a grande mudança diz respeito a pontuações. Não adiantou Juan Pablo Montoya chorar ou acender vela depois de perder o campenato para Scott Dixon na vitória do neozelandês na última corrida do ano. O colombiano pode chorar e espernear que a Indy mantém a pontuação dobrada para as mesmas duas corridas: as 500 Milhas de Indianápolis e o encerramento da temporada, o GP de Sonoma.

Em 2014, o regulamento colocou os pontos duplos para as corridas da chamada "tríplice coroa", mas modificou para o ano seguinte e preferiu a manutenção. Os vencedores destas duas provas carregarão consigo 100 pontos na classificação do campeonato. Quem se der melhor no Pole Day da Indy 500 vai embolsar 42 tentos.

É precisamente isso: tudo dobrado. Quem vencer uma destas duas provas prova fica com 100 tentos em vez dos 50 convencionais — contra 80 do segundo colocado e assim até que o 33º some dez pontos. O sistema de pontos da classificação da Indy 500 será dada com base no último dia. O pole recebe 42 pontos, o segundo colocado ganha 40, até que o 33º classificado receba um ponto.

Atenção, novatos

 

Mais mudança anunciada foi nos testes para novatos na Indy 500. Uma no peso mínimo permitido em todo o conjunto do carro aumentou por questões de segurança; outra na mudança do sistema do teste de orientação. Serão três fases às quais os pilotos deverão passar: dez voltas entre 335 km/h a 346 km/h; depois 15 voltas entre 346 km/h e 354 km/h; e, por fim, 15 voltas acima de 354 km/h. Cada fase com um aumento de 8 km/h em relação a 2015.