Indy parte para temporada 2017 de 'Todos contra Penske'

A supremacia do time de Roger Penske tem tudo para ficar ainda maior na temporada 2017 com a mudança da Ganassi para a Honda, o congelamento de kits aerodinâmicos e a chegada de Josef Newgarden

Gabriel Curty, de São Paulo

A temporada 2017 da Indy começa neste final de semana em São Petersburgo. A pista de rua da Flórida vai novamente abrir os trabalhos do campeonato que, neste ano, conta com 17 etapas, uma a mais que em 2016.

Se no ano passado o calendário sofreu alterações consideráveis, a história não se repetiu para 2017. Todas as 16 etapas foram mantidas, com a única grande novidade ficando por conta do regresso do oval de Gateway, marcado para o final de agosto. Além disso, houve uma pequena mexida de datas que jogou Phoenix para o fim de abril, ficando entre Alabama e o GP de Indianápolis.

O regulamento vem com algumas novidades, a maior delas, sem dúvida, no que diz respeito à aerodinâmica. Por conta da discrepância entre Honda e Chevrolet, a Indy resolveu congelar os kits em 2017, preparando a categoria para uma padronização em 2018. Assim, o desenvolvimento das montadoras neste ano se reduz ao motor.

No grid da temporada, a maior novidade é negativa, ficando por conta da saída da KV. Enquanto isso, Ganassi e Foyt trocaram suas fornecedoras, com a primeira indo para a Honda e a segunda migrando para a Chevrolet. Desta forma, os americanos fazem os motores de Penske, Carpenter e Foyt, enquanto os japoneses cuidam de Ganassi, Andretti, Schmidt Peterson, Dale Coyne e RLL.

A KV é a grande baixa do grid da Indy em 2017
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Depois de perder o título de 2015 para um inspirado Scott Dixon, a Penske voltou com tudo em 2016 e dominou completamente o campeonato. Sem dar margens a qualquer tipo de surpresa, garantiu as três primeiras colocações na classificação final, com Simon Pagenaud levando o caneco inédito.
 
Buscando ainda mais, o time abriu mão da experiência de Juan Pablo Montoya – que teve um desempenho muito fraco em 2016 – e resolveu apostar na juventude de Josef Newgarden, o nome do momento na Indy. Assim, a Penske terá em sua equipe os quatro primeiros colocados na última temporada e promete, cada vez mais, ficar com o posto de equipe a ser batida.
Simon Pagenaud foi campeão em seu segundo ano de Penske
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Time que passou mais perto de incomodar a Penske em 2016, a Carpenter perdeu sua grande estrela. Com a saída de Newgarden, o time agora aposta suas fichas no retorno de JR Hildebrand, aquele mesmo, eternamente lembrado por ter perdido uma Indy 500 na última curva.
 
Hildebrand, apesar da fama, é um bom piloto e que merecia voltar ao grid da categoria de forma integral. Resta saber se JR tem a qualidade necessária para manter um time de estrutura mediana no topo da Indy. No outro carro, Ed Carpenter segue correndo em ovais, enquanto o garoto Spencer Pigot foi mantido para os mistos e circuitos de rua.
 
Gigante que jamais pode ser descartada, a Ganassi aposta na mudança para a Honda como grande trunfo para se recuperar de um 2016 para lá de apagado. O time dos veteranos Dixon e Tony Kanaan manteve também os contestados Charlie Kimball e Max Chilton.
Tony Kanaan é um dos líderes da Ganassi
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Melhor time da Honda nos últimos dois anos, a RLL parece ser a grande companheira da Carpenter em um pelotão entre o intermediário e o das equipes poderosas. Piloto da família e cada vez mais consolidado, Graham Rahal neste ano terá a companhia do veterano Oriol Servià em pelo menos três provas. 

Outra equipe grande que não fez um bom 2016, a Andretti vai precisar entrar na nova temporada mordida. Agora, o cenário é ainda mais delicado, com a Ganassi possivelmente tomando o protagonismo dentro das organizações Honda. A Andretti mexeu em seu time, trocando Carlos Muñoz – o melhor piloto da esquadra em 2016 – e fechando com Takuma Sato, que estará ao lado de Alexander Rossi, Ryan Hunter-Reay e Marco Andretti.
 
A Schmidt Peterson vem na sequência como um típico time de meio de grid de 2016. Cheia de altos e baixos, a equipe teve momentos gloriosos como as poles de James Hinchcliffe e Mikhail Aleshin na Indy 500 e no Texas, mas passou a maior parte do ano se contentando apenas com top-10. Apostando alto no entrosamento de pilotos, mecânicos e engenheiros, a SPM pode alçar voos mais altos em 2017.
James Hinchcliffe viveu um momento mágico ao cravar a pole na Indy 500 de 2016
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A expectativa de crescimento na Foyt para 2017 é altíssima. Com mudança no quadro de engenheiros, troca da Honda pela Chevrolet e acerto com uma dupla de pilotos bem forte, a equipe tem tudo para sair do fundo do grid. Para este ano, Muñoz e Conor Daly foram os eleitos para comandar a reação.
 
Historicamente o pior time do grid, a Dale Coyne não tem perspectivas tão promissoras em seu horizonte. A grande novidade da equipe para a temporada está na dupla de pilotos. Mesclando muita experiência e juventude, a Dale Coyne terá o ex-KV Sébastien Bourdais e o campeão da Indy Lights Ed Jones.
 
Somando o congelamento de kits ao provável domínio total da Penske, a Indy vai precisar ao menos de corridas bem agitadas, como foram as da segunda metade de 2016, para seguir recuperando os índices de audiência e, principalmente, de arquibancadas lotadas, como foi o caso de Long Beach, Elkhart Lake, Indianápolis e Watkins Glen no último campeonato. Outro ponto que deve ajudar bastante a categoria é a disputa interna no time de Roger Penske, com quatro pilotos do primeiro escalão se enfrentando pelo caneco.