KTM aparece com filosofia off-road

A KTM decidiu seguir a mesma filosofia de formação de pilotos que tem nas categorias off-road e abre a temporada 2017 com uma estrutura completa no Mundial de Motovelocidade. Consolidada na Moto3, a marca austríaca estreia em Moto2 e MotoGP neste ano

Juliana Tesser, de São Paulo

 

Em um ano de poucas novidades no regulamento técnico e de muitas mudanças na composição das equipes, a chegada da KTM é mais uma evidência do bom momento da MotoGP. Consolidada na Moto3, a fábrica austríaca desembarca na classe rainha em 2017, trazendo na bagagem também um projeto de Moto2.

Inicialmente, a KTM havia decidido pela entrada na classe rainha, mas a filosofia de formação de pilotos da marca via um entrave neste projeto: a lacuna entre Moto3 e MotoGP.

Embora já existam registros de pilotos que saltaram a classe intermediária — como Jack Miller, por exemplo —, os austríacos decidiram fechar essa brecha e entrar na Moto2, ainda que isso signifique utilizar motor de uma construtora rival como a Honda.

No mês passado, durante a apresentação das motos para 2017, Pit Beirer, chefe da divisão esportiva da KTM, explicou que a ideia foi aplicar à motovelocidade a mesma filosofia já usada nas categorias off-road.

“Para nós, isto é um sonho que se torna realidade, porque em todas as nossas disciplinas — no rali, no motocross, no enduro —, nós temos apoiado jovens pilotos e seguido junto com eles, normalmente ou na maioria das vezes, por toda a carreira. Em dias bons, em dias ruins, em campeonatos”, disse Beirer. “Nas pistas, sempre foi um pouco triste”, seguiu. 

“Na Red Bull Rookies Cup, temos ajudado muitos jovens pilotos, aí vamos para a Moto3 e a partir daí perdemos o piloto. Então criamos primeiro o projeto da MotoGP — onde sabemos que precisaremos de pilotos top —, e perdê-los no caminho da Moto2 era, de certa forma, horrível”, comentou. “Nós fechamos essa brecha estando também na Moto2, então as nossas crianças podem ficar conosco, se tiveram sorte, por toda a carreira delas. É a razão principal de estarmos em todas as classes”, justificou.

KTM conquistou em 2017 seu 16º título seguido no Rali Dakar
(Foto: KTM)

 

Pelo histórico vitorioso da KTM, adotar a mesma filosofia em uma nova categoria é um tiro para lá de certeiro. Em 2017, por exemplo, a marca laranja conquistou seu 16º triunfo consecutivo no Rali Dakar, a maior e mais dura prova off-road do planeta.

Mas não é só isso. Desde que iniciou sua história nas corridas, ainda nos anos 50, a KTM já conquistou mais de 250 títulos mundiais. Com Tony Cairoli, por exemplo, a fábrica laranja faturou o Mundial de Motocross em oito oportunidades. Em 2016, com Ryan Dungey, conquistou o segundo título — consecutivo — na divisão principal do Mundial de Supercross.

Nas pistas, o sucesso não é menor. Desde a criação da Moto3, que substituiu a hoje extinta 125cc a partir de 2012, a KTM cedeu apenas um título à Honda, tendo conquistado o Mundial em quatro das cinco tentativas. No total, são 50 vitórias da RC250GP na classe de entrada do Mundial de Motovelocidade.

Com tal histórico, ninguém espera que a KTM falhe em suas novas aventuras. A marca de Mattighofen citou a Suzuki como exemplo e estreou exibindo um ritmo não muito diferente daquele mostrado pela rival japonesa em seu primeiro teste na pré-temporada.

A KTM fechou a bateria de Sepang com Pol Espargaró em 21º, 1s970 atrás do líder Maverick Viñales. Em 2015, a Suzuki saiu da Malásia com Aleix Espargaró em décimo, 1s619 atrás do líder. E, vale lembrar, a fábrica japonesa já tinha experiência na MotoGP.

Na Moto2, a adaptação também foi rápida, com Miguel Oliveira — o mais experiente da dupla no que diz respeito à classe intermediária — elogiando a nova moto e sem apontar maiores diferenças com a Kalex que usou no ano passado.

Amparada pela Red Bull e com o rótulo de maior fábrica de motos da Europa, a KTM tem dinheiro e experiência o bastante para dar certo em todas as categorias. E sem muita demora.

A fábrica laranja já deixou claro que gosta mesmo de vencer as rivais japonesas.

KTM também é uma grande força no motocross
(Foto: KTM)