Moto3 tem novos pilotos e volta do nome Simoncelli

Categoria de entrada do Mundial de Motovelocidade, a Moto3 terá em 2017 muitas caras novas, a estreia da equipe comandada por Paolo Simoncelli e algumas pontuais alterações em seu regulamento técnico

Juliana Tesser, de São Paulo

Em um ano onde as mudanças de regulamento aparecem apenas como pano de fundo, a Moto3 segue a tendência de estabilidade — salvo algumas exceções —, com a composição do grid como maior atrativo. 2017 verá muitas novas caras, inclusive nos boxes, com a volta do nome Simoncelli.

Do lado das regras, o certame seguiu as irmãs maiores com o veto às asas aerodinâmicas — algo que, assim como na Moto2, entrou em prática já no ano passado — e a obrigatoriedade do uso de sensores nos pneus. Além disso, 2017 também traz outras modificações pontuais.

A mudança mais significativa, entretanto, diz respeito à forma como as equipes conseguem seus motores. Agora, as fábricas deixam de vender os propulsores e passam a alugá-los.

Nos últimos dois anos, os times podiam comprar seis motores por piloto por um preço fixo. As equipes, então, tinham a opção de usá-los no ano seguinte como motores de testes ou vendê-los a campeonatos nacionais.

O sistema, no entanto, não agradava as fábricas, já que havia a preocupação de proteger a tecnologia proprietária. 

A partir deste ano, os times passam a adquirir o ‘Pacote de Aluguel de Motor da Moto3’, que tem um custo de € 60 mil (cerca de R$ 197,7 mil), o mesmo preço praticado até então. Esse pacote, porém, é um pouco mais completo. Além dos seis motores, os times levam dois sistemas de aceleração e mais dois câmbios completos. Antes, os câmbios eram vendidos de forma separada.

Inicialmente, a mudança pode parecer injusta para as equipes, já que são elas que ficam sem os motores para vender e/ou usar, mas a Dorna, promotora do Mundial, subsidia o custo dos pacotes de motor, que alivia a conta dos times.

As fábricas, por sua vez, além de terem sua tecnologia mais protegida, também podem fazer economia, já que a entrega parcelada dos motores permite que estes sejam recondicionados.

Agora, os construtores têm de entregar dois motores por piloto na primeira corrida do ano. Depois, um cronograma estabelecido pelo diretor-técnico do Mundial, Danny Aldridge, determina as substituições, que são feitas ao mesmo tempo para todos os times.

Arón Canet também se destacou nos testes da pré-temporada
(Foto: Estrella Galicia 0,0)

 

A Moto3 conta também com o chamado ‘Sistema de alocação aleatória de motores’, o que significa que as unidades são distribuídas pela organização. Assim, ainda que um propulsor seja recondicionado, ele dificilmente retorna a seu antigo ‘proprietário’.

Outra mudança regulamentar diz respeito às câmaras on-board. Com a popularização do recurso, alguns pilotos saiam prejudicados por conta do aumento de peso nas motos. Assim, o Mundial determinou que aqueles que não carregam câmeras devem usar lastro para compensar.

No que diz respeito aos construtores, o equilíbrio permanece entre Honda e KTM, com a fábrica japonesa levando pequena vantagem. Embora a marca austríaca seja a campeã vigente, a rival do Japão conseguiu aumentar seu número de clientes e vai atender 15 dos 31 pilotos da categoria, quatro a mais do que no ano passado.

A KTM, por sua vez, vai fornecer a RC250GP para dez competidores, três a menos do que na temporada anterior. Quem mais perdeu, no entanto, foi a Mahindra, que das oito motos do ano passado, terá apenas quatro em 2017. A Peugeot segue com dois pilotos.

Em relação aos participantes, são 31 pilotos, sete deles estreantes. A lista de novatos, aliás, mostra a qualidade das séries de formação europeias.

Patrik Pulkkinen e Ayumu Sasaki, passaram pela Red Bull Rookies Cup; Tony Arbolino, chega do Mundial Júnior de Moto3; Kaito Toba, foi campeão da Asia Talent Cup em 2014 e também passou pela Red Bull Rookies Cup; Nakarin Atiratphuvapat, vem da Asia Talent Cup; Marco Bezzecchi, campeão do CIV (Campeonato Italiano de Velocidade) de Moto3 em 2015; e Enzo Boulom, também passou pela Rookies Cup e chega da disputa do CEV.

Mas talvez o nome de maior destaque a surgir no grid da Moto3 seja mesmo o de Paolo Simoncelli. Pai de Marco, o italiano volta ao paddock do Mundial de Motovelocidade pouco mais de cinco anos após a morte do filho em um trágico acidente no GP da Malásia de MotoGP para alçar novos voos com a Sic58 Squadra Corse, a equipe que comandava no CIV.

Do lado do favoritismo, Red Bull KTM Ajo, Estrella Galicia 0,0 e VR46 aparecem em destaque, mas a Ongetta vem com uma adição importante a seus quadros: Romano Fenati.

Dispensado do time de Valentino Rossi por indisciplina em meados do ano passado, o italiano retorna preenchendo a vaga que foi de Niccolò Antonelli, que passou para a escuderia de Aki Ajo para ocupar o espaço deixado pelo campeão Brad Binder.

Assim como acontece todos os anos, a Moto3 mais uma vez promete uma disputa eletrizante, agora cheia de novos rostos para se misturarem com os velhos conhecidos da categoria.