Às moscas

A edição de 1916 das 500 Milhas de Indianápolis foi absurdamente esvaziada. Disputada no meio da Primeira Guerra Mundial, a prova teve tamanho reduzido e o menor grid da história

Gabriel Curty, de São Paulo
Nem todas as 99 edições das 500 Milhas de Indianápolis têm histórias gloriosas para contar. Porém, fatos marcantes não faltam nesses mais de 100 anos no IMS e a prova de 1916 é uma que ficou para sempre, mais para o mal que para o bem para os fãs de automobilismo.
 
Bem no meio da Primeira Guerra Mundial, a sexta edição da Indy 500 teve o menor grid na história da prova, com apenas 21 carros. Mesmo assim, oito estrangeiros se aventuraram no IMS, um número bastante elevado para a época e para o pequeno contingente do grid de largada.
 
Existe a lenda que diz que a sexta Indy 500 teve seu número de voltas reduzido para 120 giros, mas está é uma meia verdade. Preocupados com o interesse baixo do público nos anos anteriores de prova, os organizadores acharam por bem reduzir o caráter quase que de endurance que as 500 Milhas de Indianápolis tinham. Para se ter uma ideia de como a corrida se arrastava no passado, apesar das 120 voltas, a prova foi completada pelo vencedor em 3h34min16s990, duração maior que a costumeira nos anos modernos de prova.
Dario Resta com o Sunbeam #17
Reprodução
A prova também foi marcada negativamente por ter sido a última antes da definitiva paralisação para a Primeira Guerra. Depois da edição que em 2016 completa 100 anos, foram dois anos sem que a Indy 500 fosse realizada, voltando a acontecer em 1919.
 
Aliás, o fraquíssimo grid com apenas 21 carros poderia ter sido ainda mais curto. Já sabendo que a guerra iria afastar os pilotos, os proprietários do IMS resolveram colocar sete carros no grid. Melhorou, é claro, mas não serviu para tirar a prova do topo no ranking de edição mais esvaziada da Indy 500.
 
O norte-americano Johnny Aitken largou na pole-position, mas de lá rapidamente saiu. Logo na largada, Eddie Rickenbacker pulou na frente e já começou a abrir na dianteira, também, porém, por pouco tempo. Com problemas na barra de direção, o americano abandonou apenas nove voltas após a largada.
A largada da Indy 500 em 1916
Indy Star
Com a saída de Rickenbacker da prova, Aitken retomava a dianteira. O norte-americano, desta vez, conseguiu segurar a ponta por mais tempo e completou oito giros no primeiro lugar. 
 
Aitken foi superado por Dario Resta na volta 17 e, dali para frente, ninguém mais conseguiu tirar o inglês da dianteira. Liderando 103 das 120 voltas, Resta marchou para uma vitória fácil nas 500 Milhas de Indianápolis.
 
Aquela foi a quarta vitória estrangeira consecutiva na Indy 500, com Resta seguindo os passos dos franceses Jules Goux e René Thomas e do italiano Ralph DePalma.
Dario Resta
Getty Images