Legião estrangeira

São muitos os estrangeiros com grandes histórias nas 500 Milhas de Indianápolis. Os forasteiros vencedores, ao contrário do que muita gente pensa, começaram a marcar presença no longínquo ano de 1913

Gabriel Curty, de São Paulo
A Indy 500 é o sonho de consumo de praticamente todos os pilotos norte-americanos. Isso, porém, não quer dizer que estrangeiros não tenham vez na principal prova do automobilismo dos EUA. Muito pelo contrário: das 99 edições, 26 foram vencidas por forasteiros, um número bem considerável.
 
O sucesso dos estrangeiros se iniciou quase que quando a Indy 500 começou a ser disputada. Logo na terceira edição, no longínquo ano de 1913, o francês Jules Goux levou a melhor em uma prova que durou inacreditáveis 6 horas e 35 minutos. 
 
No ano seguinte, foi a vez de seu compatriota René Thomas despachar os donos da casa e vencer com o chassi Delage, em prova marcada pelo primeiro pódio totalmente de estrangeiros, com o belga Arthur Duray em segundo e o também francês Albert Guyot em terceiro.
Jules Goux, em 1913, foi o primeiro europeu a vencer a Indy 500
Jalopnik
Em 1915 saiu a primeira e até agora única vitória italiana no oval mais famoso do mundo. Ralph DePalma, impulsionado por chassi e motor Mercedes, cruzou a linha final na frente dos rivais. No ano seguinte, o britânico Dario Resta saiu vitorioso, abrindo caminho para outras sete vitórias do Reino Unido na Indy 500, marca inferior apenas ao número de triunfos americanos.
 
Após a vitória do francês Gaston Chevrolet, em 1920, a participação estrangeira na Indy 500 ficou bastante reduzida. Com participações esporádicas de argentinos, britânicos e italianos, os americanos estabeleceram um grande domínio, o que gerou um jejum de 45 anos sem vitórias de estrangeiros na prova. Quem acabou com a supremacia foi Jim Clark, em 1965, ganhando com a Lotus. No ano seguinte, Graham Hill repetiu o feito do compatriota, desta vez com a Lola.
Gaston Chevrolet levou o #4 à vitória em 1920
Divulgação/Pinterest
Não dá para falar em estrangeiros de sucesso nas 500 Milhas de Indianápolis e ignorar os pilotos brasileiros. Com sete vitórias, o Brasil aparece logo atrás do Reino Unido, com todos os triunfos acontecendo em um espaço de apenas 24 anos.
 
Quem abriu o caminho para o sucesso brasileiro no IMS foi Emerson Fittipaldi. Após gloriosa trajetória na F1, o paulista se aventurou na Indy e não tem do que reclamar. Em 1989 veio o primeiro triunfo de Emerson, feito que ele mesmo conseguiu repetir quatro anos mais tarde. Em ambas as oportunidades, Fittipaldi vestia as cores da Penske.
 
A Indy 500 chegou ao século XXI e de cara viu Helio Castroneves fazer história. Vencendo em 2001 e 2002, o brasileiro foi o primeiro - e até hoje único - estrangeiro a triunfar de forma consecutiva no IMS. Aliás, mesmo para os americanos esta marca é complicada de ser atingida. Até hoje, apenas Wilbur Shaw, Mauri Rose, Bill Vukovich e Al Unser Sr. venceram duas 500 Milhas de Indianápolis seguidas.
 
A trinca de vitórias seguidas brasileiras aconteceu em 2003, com Gil de Ferran provando todo seu talento. Castroneves novamente, em 2009, e Tony Kanaan, de forma incrível com a KV em 2013, também beberam o leite do primeiro lugar na Indy 500.
Castroneves escala para comemorar a vitória em 2002
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Atrás de Reino Unido, Brasil e França, dois países aparecem empatados com duas vitórias cada. Aliás, ambos dependendo de apenas um piloto para chegar aos tentos: Arie Luyendyk, pela Holanda e Juan Pablo Montoya, pela Colômbia.
 
Ao lado da Itália, na rabeira da lista, outras três nações aparecem com um triunfo cada no IMS. São elas: Canadá, com Jacques Villeneuve em 1995, Suécia, com Kenny Bräck em 1999 e Nova Zelândia, com Scott Dixon em 2008.
 
 
 
Scott Dixon beijou o Borg-Warner em 2008
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