Por um triz

A história das 500 Milhas de Indianápolis está repleta de viradas nas voltas finais. Alguns dos pilotos derrotados até hoje seguem sem triunfos no IMS

Gabriel Curty, de São Paulo
A Indy 500 tem um histórico grande de viradas nas voltas finais em suas 99 edições. Nessa lista dos que perderam a vitória nos últimos giros aparecem vários nomes consagrados no IMS, mas também aqueles que triunfariam pela primeira vez e até hoje não beberam o leite da vitória após a linha final.
 
A grande maioria das viradas épicas no IMS aconteceu nos últimos anos, especialmente pelo equilíbrio dos carros. Na lista, um dos maiores azarados, digamos assim, é Marco Andretti. 
 
O norte-americano sempre foi uma grande promessa do automobilismo norte-americano e, até hoje, não virou realidade. No IMS, Marco é regularmente muito veloz e já esteve perto da vitória em quatro oportunidades.
 
A maior delas, logicamente, foi a de 2006. Marco liderava a corrida até a última reta, quando Sam Hornish Jr. colocou de lado e cruzou a linha final 0s063 na frente. Nas demais ocasiões – 2008, 2010 e 2014 –, Marco esteve um pouco mais distante do triunfo, mas foi ao pódio em todas elas, sempre próximo dos vencedores.
Marco Andretti bateu na trave contra Sam Hornish
Open Wheels
Outro “zicado” de respeito é o canadense Scott Goodyear. Um dos bons nomes nos anos 1990, o piloto tem motivos de sobra para lamentar muito o fato de nunca ter vencido a Indy 500. Em 1992, Goodyear perdeu a vitória na chegada mais apertada de todos os tempos no IMS, cruzando 0s043 atrás de Al Unser Jr.
 
Não bastasse isso, Scott tornou a ter uma chance clara de vitória cinco anos mais tarde. Daquela vez, porém, uma polêmica bandeira amarela no fim conteve suas investidas e garantiu a segunda vitória do holandês Arie Luyendyk.
 
Carlos Muñoz é um nome que também consta na lista dos que quase venceram e, até hoje, seguem sem terem triunfado nas 500 Milhas de Indianápolis. O colombiano ainda é jovem e tem talento para um dia vencer, mas já tem duas oportunidades para lamentar.
 
A primeira foi em 2013, ainda como calouro. Na oportunidade, Muñoz chocou o IMS ao garantir a segunda colocação no grid de largada e, na corrida, fez muito bonito, liderando 12 voltas e cruzando a linha final apenas 0s116 atrás de Tony Kanaan, naquela que foi a edição com maior número de trocas na liderança e de líderes diferentes. 
 
Em 2014, mais um final de prova alucinante e, novamente, menos de 1s separou o sul-americano do triunfo. Desta vez, porém, Muñoz foi quarto, com Ryan Hunter-Reay, HelioCastroneves e Andretti na frente.
Carlos Muñoz perdeu no detalhe para Tony Kanaan
IndyCar
Paul Tracy é mais um que tem de constar nesta lista. O canadense fez ótima prova em 2002 e foi cortando a diferença para Castroneves até colocar de lado no brasileiro. No momento em que tentava a ultrapassagem, Laurent Rédon e Buddy Lazier bateram e forçaram a bandeira amarela, deixando no ar a dúvida sobre quem estava na frente.
 
Tracy não teve dúvidas e vibrou muito pelo rádio, mas rapidamente foi contido pela equipe, que via no resultado oficial a vitória de Castroneves.
 
Poucas derrotas no fim foram tão doloridas quanto as de Robby Gordon, JR Hildebrand, Davy Jones e Will Power. As de Power e Jones foram por diferenças de milésimos, Jones em 1996 perdendo para Lazier, Power em 2015, vendo Juan Pablo Montoya vencer.
 
A de Gordon aconteceu em 1999. Com um carro chamativo, Robby liderava com folgas a corrida e parecia ter tudo para vencer quando, na penúltima volta, ficou totalmente sem combustível e teve de fazer uma parada que não estava programada, o que impulsionou o sueco Kenny Bräck ao lugar mais alto do pódio.
A briga entre Castroneves e Tracy
Reprodução
E o que dizer, então, de Hildebrand? Em sua estreia no oval mais famoso do mundo, o norte-americano liderava a prova com boa vantagem quando, na última curva, perdeu o controle e foi para o muro. A prova caía de forma inacreditável no colo de Dan Wheldon.
 
O brasileiro que mais merece um lugar nessa lista é Vitor Meira. Piloto cheio de experiência na categoria norte-americana e bons resultados, o brasiliense ficou bem perto da glória em 2005 e 2008, duas provas em que chegou na segunda colocação.
 
Danica Patrick também não poderia faltar. Em 2005, na sua corrida de novata em Indianápolis, a americana foi a grande sensação: largou em quarto, liderou 19 voltas e só foi perder a dianteira na volta 192, sendo superada por Wheldon. Quatro anos depois, Danica foi ainda melhor no resultado final, cruzando a linha de chegada em terceiro e conquistando um histórico pódio.
JR Hildebrand chegou com o carro arrebentado no fim
Getty Images