Volta por cima

A vitória de Helio Castroneves nas 500 Milhas de Indianápolis de 2009 foi histórica. Pouco tempo após ser absolvido de um processo em que era acusado de evasão de divisas, o brasileiro teve o que chamou de "melhor dia da carreira"

Gabriel Curty, de São Paulo
A carreira de Helio Castroneves é cheia de momentos gloriosos, mas aquele 24 de maio de 2009 é considerado, por ele mesmo, como o seu grande dia. Poucos meses após ter vivido uma delicada situação pessoal, o brasileiro foi ao IMS e também se recuperou de um começo de temporada que não era muito bom, vencendo pela terceira vez as 500 Milhas de Indianápolis.
 
Para entender o tamanho do feito de Helio e a importância que isso teve na época, é preciso voltar aos fatos. Em 17 de abril de 2009, Castroneves era absolvido de um processo em que foi acusado de evasão de divisas e sonegação fiscal nos EUA. 
 
Aquele processo foi especialmente doloroso para Castroneves. Proibido de deixar os EUA e correndo o risco de pegar seis anos de prisão, o piloto acabou sendo afetado nas pistas, não podendo disputar a etapa de abertura da temporada daquele ano em São Petersburgo.
Helio Castroneves venceu após um período dos mais difíceis de sua vida
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Livre dos problemas extra-pista, Castroneves partiu para Long Beach, para a disputa da segunda prova do campeonato. O desempenho do paulista na pista californiana não foi dos melhores, fechando a etapa em sétimo. Na terceira prova, no Kansas, uma boa exibição e o segundo lugar.
 
No entanto, foi em Indianápolis que o jogo realmente virou e que Castroneves voltou a ser manchete por seus grandes feitos na pista. Especialista no IMS e, até então, com dois anéis da principal prova do automobilismo norte-americano, o brasileiro quis ainda mais e já saiu de cara cravando a pole, algo que ficou bem longe de conseguir nos dois triunfos anteriores.
 
A ansiedade do brasileiro para mostrar serviço era tamanha que Helio começou a prova com uma largada falsa. Depois, teve de lidar com praticamente uma terceira largada, já que marco Andretti e Mario Moraes logo se acertaram.
A volta do Homem-Aranha no IMS em 2009
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O primeiro quarto da prova tinha Castroneves, Ryan Briscoe, Dario Franchitti, Tony Kanaan, Scott Dixon e Graham Rahal na ponta. O último deles saiu rapidinho dessa disputa ao encher o carro no muro.
 
Briscoe saiu da briga após a segunda janela de pit-stops, ficando muito lento na hora da relargada e tendo problemas com os pneus. Ali, quatro pilotos seguiam com boa vantagem.
 
Na sequência, Kanaan teve uma quebra na parte traseira do carro e foi jogado no muro, imediatamente deixando a disputa e causando imensa preocupação em sua companheira Danica Patrick, que vinha em sexto. Depois, foi Franchitti que teve a prova estragada pela Ganassi, que deixou a mangueira presa no carro.
Uma cena marcante de Helio com os mecânicos da Penske
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Os dois maiores adversários de Helio naquele final, porém, seriam Dan Wheldon e Danica Patrick. Os dois foram aparecer após uma rodada de paradas ali na volta 160. Mesmo assim, a dupla não chegou a ser, de fato, uma grande ameaça.
 
Com Danica e Wheldon basicamente se segurando, Helio partiu para sua terceira vitória nas 500 Milhas – ele foi o primeiro não-estadunidense a atingir essa marca, igualada em 2012 por Franchitti.
 
O Homem-Aranha estava de volta escalando o alambrado do IMS e mostrando que ainda tinha muita lenha para queimar dentro das pistas na Indy.
A terceira vez de Helio no IMS
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