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As vitórias importantes da Honda na F1

Grandes conquistas e pontos de virada: relembre (ou conheça) dez vitórias que marcaram a trajetória dos japoneses na categoria

Saiu a zica. Após um recomeço conturbado na Fórmula 1, a Honda se reencontrou na nova parceria com a Red Bull e já acumula duas vitórias na temporada 2019 da categoria, ambas com Max Verstappen. Pode parecer pouco perto do domínio da Mercedes, mas a marca é importantíssima quando lembramos dos resultados dos japoneses, que tiveram muito sucesso principalmente nos anos 1980 e 1990.

Aproveitando o gancho, o GRANDE PREMIUM reúne aqui dez vitórias importantes da Honda na história da F1. Não é, necessariamente, uma análise pela dificuldade dessas conquistas, mas sim do peso que elas tiveram para a construção da trajetória vitoriosa da fabricante.

São conquistas que começam ainda nos anos 1960, quando a Honda teve a sua primeira equipe de fábrica na Fórmula 1, passam pelas vitórias de Nelson Piquet e Ayrton Senna na década de 80 e culminam nos resultados mais recentes

Ginther na primeira vitória da Honda na história

1- GP do México de 1965

A Honda teve um início meteórico. Fundada  em 1946 por Soichiro Honda em um Japão arrasado pela Segunda Guerra Mundial, a empresa começou fabricando bicicletas motorizadas. O primeiro carro de produção, a picape T360, seria lançada em junho de 1963 – época na qual já estava em desenvolvimento um projeto para a F1. A equipe estreou na maior categoria do automobilismo mundial em seguida, no GP da Alemanha de 1964. 

Foram apenas três corridas no primeiro ano, com o projeto sendo expandido para mais GPs e dois carros em 1965. Foi então no GP do México daquele ano, com o norte-americano Richie Ginther, que a Honda venceria a primeira corrida na categoria. A prova, realizada no autódromo que, depois, seria batizado de Hermanos Rodriguez, teve os abandonos dos favoritos Jm Clark (Lotus) e Graham Hill (BRM) por problemas no motor, enquanto Jackie Stewart teve problemas na embreagem de seu BRM – o que deixou o caminho aberto para Ginther liderar a corrida após superar Dan Gurney (Brabham). 

Infelizmente aquela também foi a última corrida da F1 com motores de 1,5l. A partir de 1966 a categoria passou a usar motores de 3l. Os japoneses desenvolveram um novo motor, com o qual venceriam em mais uma vez em 1967, mas os novos carros nunca tiveram muita confiabilidade, abandonando as corridas de forma constante. 

A Honda largaria a categoria pela primeira vez ao final de 1968, após a morte do piloto Jo Schlesser em um de seus carros e com a necessidade de reunir esforços em expandir a presença no mercado norte-americano – o que, com o tempo, se revelaria uma aposta lucrativa.

Keke Rosberg com o carro que abriu a fase vitoriosa da parceria Williams-Honda

2 – GP de Dallas de 1984

Em 1983, a Honda retornou à F1 como fornecedora de motores – inicialmente com a pequena Spirit, depois com uma união mais duradoura com a Williams. Aquele era um momento-chave na categoria: os motores turbo se consolidavam e as tradicionais equipes (Brabham, McLaren, Ferrari e Lotus, além da própria Williams) estavam à procura de fornecedores dentro da nova configuração. 

As usinas 1,5l V6 turbo japonesas entrearam nos carros de Frank Williams e Patrick Head na última etapa de 1983 – e já no 9º GP do ano seguinte, nos EUA, a parceria conquistava o lugar mais alto do pódio. 

Disputada nas ruas de Dallas, a prova foi marcada pelo extremo calor e por problemas de organização – alguns pilotos, incluindo Niki Lauda, chegaram a ensaiar um boicote. A corrida aconteceu, claro, e teve vários acidentes e quebras. No final, Keke Rosberg ficou no lugar mais alto do pódio – o que deu início a uma fase muito vitoriosa para a Honda.

Senna e Piquet dividindo o pódio em Jacarepaguá, 1986

3 – GP do Brasil de 1986

Quando 1986 começou, a união Williams-Honda estava quase em seu auge – e o GP do Brasil, etapa de abertura da temporada, chegou para colocar a Honda, pela primeira vez em sua história, como favorita ao título.

Nelson Piquet, estreante no time, largou em segundo (atrás da Lotus-Renault de Ayrton Senna), assumiu a liderança no terceiro giro e foi dominante naquele domingo. Senna acabou o GP carioca 34 segundos atrás do outro brasileiro, tamanho o desempenho avassalador da Williams. E o resultado poderia ser ainda melhor: Nigel Mansell, na segunda FW11, largou em terceiro, mas rodou logo na primeira volta, abandonando em seguida. 

Aquele ano tinha tudo para ser mágico para ingleses e japoneses, mas não foi bem assim. O acidente de carro sofrido por Frank Williams – que o deixaria tetraplégico – e o racha no time atrapalharam os planos. No final, na loteria do GP da Austrália, o título do Mundial de Pilotos acabaria nas mãos de Alain Prost, então na McLaren. Para a Williams-Honda sobrou o Mundial de Construtores, o primeiro título dos japoneses.

O McLaren-Honda MP4/4 era o carro a ser batido em 1988

4 – GP do Brasil de 1988

O título de pilotos finalmente chegaria em 1987, com Nelson Piquet. No mesmo ano, os japoneses passaram a fornecer motores para a Lotus, iniciando uma frutífera parceria com Ayrton Senna. Em 1988, ambos – Honda e Senna – foram para a McLaren. Era o começo de uma época de ouro.

No GP do Brasil, a abertura da temporada, parecia haver uma divisão mais igualitária de forças. Senna, o rei das classificações, fez a pole, seguido por um surpreendente Nigel Mansell em uma Williams-Judd com motor V8 aspirado. Prost fez o terceiro tempo, à frente de uma aparentemente forte Ferrari de Gehard Berger. Fechando o top-5 estava Piquet, estreando pela Lotus também equipada com motores Honda. 

Na prática, a corrida foi um domínio completo de Prost. Facilitado com problemas mecânicos de Senna, que teve que recorrer ao carro reserva, o francês liderou todas as voltas do GP – e venceu a corrida. O domínio só não foi maior porque Senna, que partiu de último e estava fazendo uma corrida de recuperação incrível, foi desclassificado justamente por ter trocado de carro após a bandeira verde da volta de apresentação, uma manobra ilegal pelo regulamento. 

5 – GP do Japão de 1988

Após a abertura, o campeonato de 1988 foi um passeio da McLaren-Honda. Senna e Prost monopolizaram a disputa pelo título, deixando a vitória escapar apenas no GP da Itália – quando, já no trecho final da prova, Senna e Jean-Louis Schlesser (em sua única corrida pela Williams) colidiram, abrindo o caminho para uma dobradinha da Ferrari em casa. 

O ano quase perfeito foi concluído no GP do Japão, penúltima etapa de 1988, quando o brasileiro conquistou o primeiro título mundial. A Honda, em casa, mostrava que não tinha espaço para mais ninguém. 

6 – GP do Brasil de 1991

Com Senna, a McLaren-Honda venceria os títulos de 1990. Em 1991 o domínio do time não era tão grande – os japoneses apostaram em motores V12, mais potentes e beberrões, enquanto a Williams surgia com a primeira versão daquele que, mais tarde, seria o “carro de outro planeta”. 

Por isso, a primeira parte da temporada de 91 foi importantíssima nas pretensões de título do brasileiro, antes do crescimento da Williams-Renault. Ayrton venceu os primeiros quatro GPs, com a corrida em São Paulo se tornando marcante – foi aquela do grande esforço do futuro tricampeão para vencer com apenas a sexta marcha. 

Esse foi o ápice da quase simbiose entre a homem-máquina formada por Senna, Honda e McLaren. 

7- GP da Austrália de 1992

O ano de 1992 foi marcado por uma recessão mundial, algo que fez com que a Honda se retirasse da categoria no final daquela temporada. A última vitória veio exatamente no último GP, na Austrália. Mas não foi com Ayrton Senna.

Nigel Mansell já era campeão – com quase o dobro de pontos do vice, o companheiro Riccardo Patrese. Ainda assim, o clima foi nada amistoso: Senna colidiu com o inglês ao tentar ultrapassá-lo na volta 18, com ambos abandonando. Patrese teve o motor quebrado no 50º giro, abrindo caminho para a liderança (e a vitória) de Gerhard Berger. 

Acabava ali a era de ouro dos japoneses. 

Damon Hill com o belo Jordan-Mugen-Honda de 1998

8 – GP da Bélgica de 1998

Oficialmente, a Honda abandonou a Fórmula 1 – ainda assim, a fabricante continuou na categoria de forma indireta, por motores preparados pela independente Mugen Motorsport.

Fundada por Hirotoshi Honda, filho de Soichiro, a empresa forneceu motores para algumas equipes nos 90, alcançando o ápice do sucesso na parceria com a equipe fundada por Eddie Jordan. A Jordan-Mugen-Honda conquistou a primeira vitória com Damon Hill no acidentado GP da Bélgica de 1998, aquele da famosa batida na primeira volta e da pista extremamente molhada.

A equipe venceria mais duas corridas em 99, com Heinz-Harald Frentzen. Na prática, os bons resultados de Hill abriram as portas para a Honda reativar o projeto “de fábrica” na F1.

Depois de quase 40 anos, a Honda voltava a vencer enquanto equipe

9 – GP da Hungria de 2006

O caminho para a primeira vitória após o retorno à categoria máxima do automobilismo foi árduo. A ideia inicial dos japoneses era ter uma equipe própria, criada do zero, algo que acabou descartado após a morte do projetista Harvey Postlethwaite, que liderava o projeto. A partir de 2000, a Honda se tornou a fornecedora oficial da BAR. 

A primeira vitória só veio em 2006, após os japoneses comprarem a parceira e a renomearem de Honda Racing F1 Team. Foi no GP da Hungria, quando Jenson Button superou o “molha-seca” da pista para vencer com 30s de vantagem para a McLaren de Pedro de la Rosa – Kimi Räikkönen (na outra McLaren) e Fernando Alonso (na Renault) a errarem e baterem. 

Aquela foi a primeira vitória de um motor Honda em quase 14 anos – ou após sete temporadas, considerando as usinas com a marca da Mugen. Também foi a primeira vitória da Honda enquanto construtora em quase quatro décadas.

Paradoxalmente, seria também a única conquista da Honda nessa segunda passagem pela F1. O time abandonou o projeto ao final de 2008, após mais uma crise mundial. Já com motores Mercedes e renomeada Brawn GP, a equipe foi a campeã de Pilotos e Construtores em 2009 – e, depois, se transformaria na dominante Mercedes dos dias atuais.

Com Verstappen e a Red Bull, a Honda conquistou a primeira vitória na nova era turbo da F1

10 – GP da Áustria de 2019

Ver que a sua ex-equipe conquistou seis títulos mundiais de equipes e pilotos é, por si só, extremamente frustrante. Ainda assim, a Honda se esforçou para piorar ainda mais a situação: após a introdução dos motores V6 turbo híbridos em 2014, os japoneses retornaram à categoria em 2015, com a McLaren. A parceria, com histórico vencedor, chegou a ganhar contornos de vexame, com Fernando Alonso e o próprio time reclamando publicamente das unidades de potência.

O casamento foi rompido ao final de 2017, com a Honda fazendo uma espécie de laboratório com a Toro Rosso em 2018. Aprovada no “vestibular”, os japoneses foram promovidos a fornecedores da Red Bull, a equipe-mãe do projeto austríaco, em uma tacada que levantava dúvidas sobre o seu sucesso no curto prazo.

As dúvidas acabaram rapidamente – e culminaram com a vitória surpreendente de Max Verstappen no GP da Austrália. A corrida foi quase que amplamente dominada por Charles Leclerc, da Ferrari, mas o holandês cresceu no trecho final e, nas últimas voltas, ultrapassou o monegasco para vencer a prova. 

Esse foi apenas o começo: duas provas depois, no GP da Alemanha, Verstappen venceu uma corrida molhada – mostrando que Honda e chuva, de alguma forma, se dão muito bem. 

O GP da Austrália foi, claramente, um novo ponto de virada na história dos japoneses na F1. Resta saber se teremos mais títulos no futuro.

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