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Capacete de Lewis Hamilton: OK

Hexacampeão mundial de F1 sempre fez questão de prestar homenagens no casco e, para temporada atrapalhada pelo coronavírus, havia deixado de lado as cores de Senna ou o vermelho da temporada passada e adotado um surpreendente roxo metálico

O carro estava OK, o piloto estava OK e, não menos importante, o capacete também estava OK. Sem pensar propriamente na hoje musicada frase, Lewis Hamilton aguardava ansioso a Fórmula 1 2020, que ainda poderá lhe render o heptacampeonato mundial. A Mercedes exibiu sua velha confiabilidade e velocidade nos testes do último mês de fevereiro, o britânico demonstrou o auge da sua forma física e técnica e o capacete… Esse passou por uma mudança surpreendente na temporada atrapalhada pelo coronavírus.

Ao longo da sua carreira no automobilismo, e lá se vão 13 só de F1, Hamilton mudou diversas vezes o layout daquela que talvez seja a principal identidade visual do piloto. A expressão do próprio rosto para quem assiste às corridas foi do amarelo com as listras verde e azul em homenagem ao ídolo Ayrton Senna ao um desenho arrojado, com setas que saem dos olhos e o Cristo Redentor na parte de trás, entre outros detalhes gráficos. Para este ano, os elementos gerais ficaram, mas ganharam a cor roxa.

Em entrevista ao Paddockast #49, do GRANDE PRÊMIO, o designer brasileiro Raí Caldato, que trabalha nos vários desenhos do capacete do piloto desde 2017, disse que a escolha tem um lado místico, ligado mesmo ao lado espiritual, que pode trazer sorte na temporada em que o inglês pode igualar o recorde de títulos de Michael Schumacher. Como se esse motivo já não fosse o bastante, o #44 ainda tem na garagem um superesportivo Pagani Zonda exatamente na cor roxo metálico.

A seguir, o 10+ relembre alguns desenhos marcantes dos capacetes de Hamilton:

Tempos de kart

Hamilton nunca escondeu sua verdadeira idolatria por Senna. O jovem piloto, que dava seus primeiros passos no kart, tinha 9 anos quando perdeu aquele que considerava seu herói. Em 1995, um ano após a morte do tricampeão, o menino venceu as adversidades financeiras, o preconceito, os adversários das pistas e foi campeão britânico de kart. O capacete? Com o fundo amarelo e as conhecidas linhas em verde e azul, um pouco mais acima e abaixo da linha dos olhos que o modelo original. Havia também um listra diagonal em vermelho e na parte do queixo.

“Este sou eu quando tinha 10 anos, depois de ganhar meu primeiro campeonato British Cadet. O sonho era tão grande, o fogo queimando em meu coração e em meu espírito. Estava determinado a nunca deixar nada me atrapalhar, assim como meu pai que permitiu que isso fosse possível”, escreveu Hamilton em uma postagem.
(Reprodução/Instagram/@lewishamilton)

Até a F1

Pupilo da McLaren desde cedo, ele seguiu com a mesma base gráfica do capacete até a sua chegada à F1, no próprio time de Woking. Nesse período, passou por Fórmula Renault, Fórmula 3 e GP2 sempre com a pintura icônica do ídolo Senna. Ao chegar para valer na McLaren, o campeão da última categoria de acesso modernizou as linhas do capacete. Acabou com a linha diagonal em vermelho e trouxe a cor para mais perto da viseira. Naquela altura, espaços para patrocinadores também já não faltavam.

O carinho demonstrado por Senna rapidamente cativou inúmeros brasileiros logo em sua temporada de estreia, em 2007. Mas, no ano seguinte, a briga pelo título era contra Felipe Massa. O inglês levou a melhor com direito a uma reviravolta nos segundos finais da última volta e nem assim teve a antipatia de grande parte do público. Outras tantas homenagens ao tricampeão foram carregadas por Hamilton nas seguintes provas em Interlagos.
(Reprodução/Instagram/@mclaren)

Novos ares, novo capacete

Depois de seis anos na McLaren, Hamilton decidiu buscar novos rumos para a sua carreira e trocou o conforto da equipe na qual havia sido criado por um desafio na Mercedes. Em 2013, o piloto decidiu mudar para valer a pintura do seu capacete. De cara, mais um amarelo mais fechado, sério, que tomava até o topo que então era branco. A testeira acabou dando o tom mais agressivo com a cor preta da empresa de bebida energética Monster. O vermelho se confundiu com o verde e azul nas laterais.

Curiosamente, o capacete do seu então companheiro de equipe, Nico Rosberg, — mais tarde ex-melhor amigo de infância, rival e amigo de novo — que estava na equipe desde 2010, também era amarelo, mas com tom mais florescente. A identificação de um e de outro era fácil, em meio ao destaque do prateado do carro.
(Reprodução/Instagram/@MercedesAMGF1)

Todo preto

Quem passa os olhos pelas redes sociais pode perceber que Hamilton adora esportes radicais. Nos que envolvem capacete propriamente dito, e não estão relacionados com a F1, ele adota um modelo todo preto. A razão mais fácil para compreender isso é não colocar os patrocinadores em conflito, o que seria uma razão até sensata por parte de todo o staff de um piloto que vira e mexe salta de paraquedas, esquia ou anda de moto por exemplo.

Mas quem já imaginou o #44 com um capacete predominante preto na F1 pode estar muito enganado. O piloto já declarou que não gosta da cor e, segundo Caldato, em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, disse que até houve um pedido para a Monster adotar o fundo branco em sua logomarca. Nada feito. As latinhas da empresa são em geral pretas, mas há pelo menos um sabor na cor branca.
(Reprodução/Instagram/@lewishamilton)

Homenagem ao seu país

Mas nem só de homenagens ao Brasil e a Senna são marcados os mais destacados capacetes de Hamilton. Também tem homenagem para a sua Grã-Bretanha. Ainda de McLaren, em 2008, o piloto fez a festa da torcida e venceu pela primeira vez em Silverstone. Por diferentes razões, a coisa demorou a dar certo novamente por lá. Foi então que de 2014 a 2019, já de Mercedes, ele enfileirou cinco vitórias e ultrapassou o francês Alain Prost como o maior vencedor naquele que é um dos templos da velocidade.

A homenagem com a bandeira britânica desenhada no topo do capacete em si aconteceu em 2019. Ao final do ano, surpreendentemente, Hamilton não recebeu da Rainha Elizabeth II o título de nobreza assim como Frank Williams, Jackie Steward, Stirling Moss e outros por carregarem a bandeira britânica em seus feitos no esporte a motor. Hamilton já foi condecorado com a medalha da ordem do Império Britânico mas, talvez, por morar em Mônaco e assim não pagar impostos ao Palácio de Buckingham não possa ser reconhecido como Sir.
(Reprodução/Instagram/@lewishamilton)

O Brasil é penta

Pentacampeão no GP do México, Hamilton chegou para a prova seguinte, justamente o GP do Brasil de 2018, com a quinta estrela gravada na lateral do seu capacete. Em detalhes, era possível ver os anos das conquistas (2008, 2014, 2015, 2017 e 2018). Em 2019, ele conquistou o seu sexto título, o quinto pela Mercedes.

Além das conhecidas referências ao país que adotou no automobilismo, com direito ao Cristo Redentor enrolado na bandeira, o inglês, que bateu Sebastian Vettel no desempate pelo quinto título, ainda tinha a espuma do capacete em verde. O que seria um mero detalhe chamou a atenção como mais uma homenagem a Senna. Mas a sequência de capacetes diferenciados não parou por aí…
(Divulgação/Instagram/@MercedesAMGF1)

Medalha de ouro

…Logo no GP seguinte, em Abu Dhabi, ainda em 2018, o inglês levou para o ouro para o deserto. Além das cinco estrelas, essas agora mais escuras, o capacete manteve as linhas e ganhou um tom dourado e metálico. O brilho foi realçado na prova noturna, que terminou com vitória do #44.

Ao final da corrida, ele, Vettel e Fernando Alonso, que fazia sua despedida da F1, fizeram zerinhos sincronizados depois da linha de chegada para a festa do público presente.
(Reprodução/Instagram/@lewishamilton)

Vermelho sangue

Hamilton até tentou esconder, mas bastou comprar uma aeronave vermelha em 2013 que não deu mais para negar. Embora a cor no automobilismo seja extremamente ligada à Ferrari, o piloto adoro o vermelho e não se incomodou em mostrar ao mundo o seu chamativo o jato Bombardier CL-600, na época avaliado em 20 milhões de libras. Por mais que tentasse desviar do vermelho nos últimos, claro, por respeito à Mercedes, já não era sem tempo um tom mais agressivo que traduzisse a sua pilotagem.

A base permaneceu em branco e foi coberta com asas suas asas e topo, agora na cor vermelha – esse último, aliás, foi coroado com o símbolo de campeão mundial ao final do GP dos EUA. Os elementos gráficos são simples e ganham acabamento com as linhas da testeira em formatos pontiagudos.
(Reprodução/Instagram/@lewishamilton)

Homenagem ao amigo

No primeiro GP após a morte de Niki Lauda, a F1 ainda estava inteiramente impactada. Nem o glamour das ruas de Mônaco livravam a cara de tristeza dos pilotos e das equipes, principalmente, da Mercedes, por onde o austríaco trabalhava como presidente não-executivo desde 2012. Mais do que isso, o tricampeão foi o tutor, o conselheiro e amigo de Hamilton no projeto de reconduzir a Mercedes às vitórias.

Nada mais justo então que Hamilton utilizar o último modelo do capacete de Lauda — Vettel fez o mesmo, mas com casco de outra época da carreira do ex-piloto. O design privilegiava o vermelho, com a letra “L” estilizada em branco. “Lutei com o espírito do Niki. Sei que ele está olhando para baixo e tirando seu boné”, disse Hamilton após a vitória nas ruas do principado.
(Reprodução/Instagram/@lewishamilton)

Roxo!

O layout pode nem ter mudado tanto assim, mas a cor surpreendeu muita gente. Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Caldato contou que começou a trabalhar com as opções mais padronizadas da paleta de cores do capacete de Hamilton. Não mudaria tanto assim do vermelho, com fundo branco, um pouco mais de amarelo aqui… Nada disso. De uma hora para a outra, o inglês pediu ao seu staff uma experiência totalmente nova.

Lá foi então Caldato redesenhar o capacete do piloto e de cara mandou uma opção roxa. A lembrança veio das roupas roxas, tons lilás que o piloto usa nas redes sociais e, principalmente, um Pagani Zonda em roxo metálico. O superesportivo é um dos queridinhos da garagem de Hamilton. O capacete foi utilizado por enquanto apenas nos testes de pré-temporada em Barcelona, na Espanha.
(Reprodução/Instagram/@lewishamilton)

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