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Momentos históricos do GP dos Estados Unidos

É inevitável falar da história da F1 sem mencionar os Estados Unidos. A sempre invocada falta de apreço do país pelo Mundial é uma meia-verdade, já que o GP local faz parte do calendário, com algumas interrupções aqui e ali, desde 1959. O GP dos EUA é rico em histórias, sobretudo para os pilotos brasileiros, como conta o GRANDE PREMIUM

Quando se analisa o calendário do Mundial de F1 desde seu nascimento, em 1950, é possível ver a bandeira norte-americana ali por conta da presença das 500 Milhas de Indianápolis. De fato, a icônica prova fez parte da F1 por 11 anos, até 1960, mas destoava do restante da competição pela configuração dos seus carros e só fazia parte do cronograma para dar ao campeonato um caráter mundial. O GP dos EUA, de fato, nasceu para a F1 a partir de 1959, quando começou uma história recheada de êxitos brasileiros. E de algumas boas curiosidades.

Entre as denominações GP dos EUA, GP dos EUA-Oeste e GP dos EUA-Leste, já foram realizadas nada menos que 54 provas do Mundial de F1 no país. Juntando todas as versões da prova, exceção feita, obviamente, à Indy 500, são três seus maiores vencedores: Ayrton Senna, Michael Schumacher e Lewis Hamilton, cada um com cinco conquistas. Ou seja, Lewis pode desempatar a fatura e ser o maior nome da história do GP dos EUA neste fim de semana, em Austin.

Além das histórias dessas três verdadeiras lendas da F1, o GRANDE PREMIUM listou outros tantos momentos marcantes que fizeram parte do GP dos EUA, evento que representou também o palco da primeira vitória de outros dois ícones brasileiros e viu o início da trajetória do mais jovem campeão do Mundial.

A primeira vitória brasileira na F1
 

Há pouco mais de 47 anos, mais precisamente em 4 de outubro de 1970, em Watkins Glen, que o Brasil teve a chance de ver a bandeira verde e amarela pela primeira vez no topo do pódio da F1. Emerson Fittipaldi assumia naquela oportunidade o posto de primeiro piloto da Lotus depois da trágica morte de Jochen Rindt no fim de semana do GP da Itália, em Monza. Emerson tomou a ponta da corrida na fase final ao superar o mexicano Pedro Rodríguez, da BRM, e abriu a trajetória de um dos países de maior sucesso na categoria. Foi a primeira de 101 vitórias já conquistadas pelo Brasil na F1.

Com a vitória em Watkins Glen, Emerson fazia história duas vezes: além de ser o primeiro brasileiro a vencer na F1, Fittipaldi também garantia a Rindt, seu antigo companheiro de equipe, o título de campeão mundial, o primeiro e único campeão póstumo da história do esporte. Quatro anos depois, na mesma Watkins Glen que o consagrou pela primeira vez como vencedor na F1, Fittipaldi sacramentava a conquista do bicampeonato mundial, já como piloto da poderosa McLaren.
 

A vez de Nelsão
 

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Quase dez anos depois da vitória de Emerson em Watkins Glen, outro brasileiro que viria a ser campeão mundial de F1 alcançava sua primeira vitória. No GP dos Estados Unidos-Oeste, de 1980, Nelson Piquet brilhou muito nas ruas de Long Beach, na Califórnia, e venceu sua primeira corrida no Mundial de F1. Foi uma vitória estrondosa do piloto da Brabham, que marcou a pole-position, liderou de ponta a ponta e ainda marcou a melhor volta daquela corrida. Foi o começo vencedor de trajetória de um dos principais pilotos daquela década e, por que não dizer, da própria F1 ao longo de sua história.

A conquista em Long Beach até hoje inspira gerações. Na temporada em que foi campeão da F-E em 2014/2015, o filho Nelsinho Piquet homenageou o pai e venceu na mesma pista onde Nelsão vencera 35 anos antes. E em sua jornada na F3 Brasil, entre 2014 e 2015, o caçula Pedro usa a mesma pintura eternizada pela Brabham-Cosworth BT-49 com o qual o patriarca Piquet brilhava na ‘Praia Grande’ da F1.
 

(Nelson Piquet venceu pela primeira vez na F1 no GP dos Estados Unidos-Oeste (Foto: Forix))

O desmaio do ‘Leão’
 

O GP dos Estados Unidos realizado pela primeira e única vez em Dallas foi um dos mais difíceis para os pilotos naquela temporada de 1984. Fazia um enorme calor em 8 de julho daquele ano. Isso exigiu tanto dos pilotos como também dos carros, e muitos não aguentaram a intensidade de um clima tão quente no Texas.

Para se ter uma ideia do calor, a direção de prova optou por antecipar o horário da largada para 11h locais. O que não adiantou muito, já que a temperatura ambiente ficou muito perto dos 50ºC. O calor era tanto que o asfalto chegou até a derreter em alguns trechos da pista. Alguns pilotos ameaçaram boicotar a disputa.

 

Nigel Mansell conquistou pela primeira vez a pole-position na F1. Mas ao longo da corrida, o ‘Leão’, então na Lotus, não resistiu à pressão imposta por Keke Rosberg e foi ultrapassado. O finlandês conquistava sua terceira vitória na carreira. Apenas oito carros chegaram ao fim. Sem combustível, Mansell desceu do carro e tentou empurrar a sua Lotus até cruzar a linha de chegada. Mas o calor era tão forte que o britânico não aguentou e desmaiou. Ainda assim, o ‘Leão’ conseguiu garantir um ponto ao completar aquela corrida em sexto lugar.

O GP dos EUA marcou pela primeira vez o icônico gesto de Ayrton Senna (Ayrton Senna)

Senna dá alegria ao Brasil após decepção na Copa
 

Comandada por Telê Santana na Copa do Mundo do México em 1986, a Seleção Brasileira não era tão brilhante como em 1982, mas ainda assim permitiu ao povo sonhar com a conquista do tetracampeonato. Que não veio depois da eliminação contra a França nos pênaltis. O sonho da nova taça do mundo ficava adiado para a Copa da Itália.

Mas Ayrton Senna tratou de dar um pouco de alegria ao povo brasileiro naquele fim de semana. O piloto da Lotus largou na pole e teve um bom carro em mãos para superar Jacques Laffite, da Ligier, e sair de Detroit com a vitória. De quebra, empunhou pela primeira vez a bandeira do Brasil ao conquistar a vitória, servindo como um alento depois de mais uma decepção do país com o futebol. Um gesto que tornou-se grande marca da carreira de Ayrton Senna na F1.

O incrível Jean Alesi
 

A F1 correu três vezes no circuito de rua de Phoenix, na não menos escaldante Arizona. Na pista apertada da cidade cravada no meio do deserto, Jean Alesi deu um show e impressionou não só Ayrton Senna, mas todo o mundo da F1. Em uma aparição brilhante, o então jovem piloto da Tyrrell liderou por um bom tempo o GP dos Estados Unidos de 1990, brigando diretamente pela vitória contra o brasileiro.

Alesi segurou Senna enquanto pode, aproveitando dos trechos travados do circuito urbano de Phoenix. O brasileiro estava na sua cola, cada vez maior no retrovisor. Mas o francês guiava com uma maturidade enorme, nem parecia que ele havia estreado em meados de 1989.

Depois de muito pressionar, Senna aproveitou a força do motor Honda e colocou por dentro, no fim da reta oposta, para ultrapassar Alesi, que deu o troco na apertada esquina de Phoenix na sequência. Era gigante a prova do descendente de sicilianos. Aí, duas voltas depois, Senna aproveitou que Alesi não negociou bem a ultrapassagem na Brabham de Gregor Foitek e conseguiu finalmente ultrapassar, fechando a porta para não ser mais surpreendido por Jean. Ayrton partiu para uma grande vitória, que abriria caminho para a conquista do tricampeonato.

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(Foto: Forix)

Minardi na primeira fila na F1? Aconteceu no GP dos EUA em 1990 (Pierluigi Martini com a Minardi em Phoenix (Foto: Forix))

Inacreditável Racing: a Minardi na primeira fila
 

Foi mesmo inacreditável. Pierluigi Martini, praticamente uma bandeira da Minardi, conquistou, naquele mesmo fim de semana do GP dos Estados Unidos de 1990, a única primeira fila da história da equipe. Em um treino classificatório marcado pelo imponderável, o italiano só ficou atrás do pole Gerhard Berger e bateu uma enormidade de nomes de peso. Para se ter ideia do quão louca foi a classificação, Senna, ‘Rei das Poles’, tinha conquistado só a quinta posição do grid, dividindo a terceira fila com Nelson Piquet.

Mas durou pouco a alegria na Minardi. Martini largou mal e despencou para sétimo lugar, recuperando em seguida duas posições. O italiano teve uma jornada difícil e, depois de chegar a andar em 11º, subiu um pouco na prova, mas terminou apenas em sétimo. A temporada 1990 começava razoavelmente bem pela Minardi pela classificação, mas era um resultado ilusório, já que o time de Faenza sequer chegou a pontuar naquele ano.

Schumacher entrega’vitória a Barrichello
 

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A década de 2000 foi emblemática para a F1 e também para a Ferrari quando se trata do GP dos Estados Unidos. Sonho antigo de Bernie Ecclestone, o Indianapolis Motor Speedway voltava a receber a F1 40 anos depois. Mas não se tratava necessariamente do circuito oval, mas sim de trechos do lendário ‘brickyard’ com um circuito misto construído no interior do oval. Schumacher aproveitou a grande fase da Ferrari e venceu cinco vezes entre 2000 e 2006.

Mas em 2002, a Ferrari estava vermelha de vergonha pelo escandaloso desfecho do GP da Áustria. Por isso, para tentar limpar a barra, Schumacher quis retribuir a ajuda recebida por Rubens Barrichello em Spielberg. Como algo friamente calculado, depois de dominar a corrida, o alemão emparelhou na grande reta dos boxes ao lado de Barrichello.

Por uma irrisória diferença de 0s011, Rubens cruzou a faixa de tijolos na frente para ser o último brasileiro a vencer uma edição do GP dos Estados Unidos. Foi a segunda menor diferença entre vencedor e segundo colocado na história da F1, superada apenas pelos 0s010 de frente de Peter Gethin para Ronnie Peterson no GP da Itália de 1971.
 

(Schumacher e Barrichello no GP dos EUA de 2002 (Foto: AFP))

Seis carros, apenas seis carros no GP da Vergonha, em 2005

Um GP histórico
 

Muitos afirmam que o episódio em questão arranhou a imagem da F1 nos Estados Unidos e tenha contribuído sobremaneira para a saída da categoria do país ao fim da década passada. Em 2005, a Ferrari, diferente dos outros anos, não tinha nem de longe o melhor carro. Mas tirou proveito de um inacreditável boicote para vencer novamente em Indianápolis com Schumacher.

Ocorre que os pneus da Michelin apresentaram problemas ao passar em alta velocidade no trecho do oval que levava à reta dos boxes, o que causava muita insegurança aos pilotos em razão da proximidade com o muro. Ralf Schumacher, por exemplo, destruiu seu Toyota nesse trecho e foi impedido de correr, sendo substituído por Ricardo Zonta.

As equipes clientes da Michelin, então, decidiram em conjunto pela saída da corrida tão logo após o cumprimento da volta de apresentação, incluindo o pole, Jarno Trulli. O que se viu depois disso foi uma imagem surreal. Debaixo de muitas vaias e protestos de quem pagou caro pelo ingresso, apenas seis carros — as Ferrari de Schumacher e Barrichello; as Jordan de Thiago Monteiro e Narain Karthikeyan; e as Minardi de Christijan Albers e Patrick Friesacher largaram e nessa ordem terminaram.

A F1 colecionava mais uma vergonha para sua lista nos anos 2000.

O debute do menino Sebastian
 

A mesma Indianápolis que viu nascer grandes lendas do esporte foi palco da estreia daquele que viria a ser o grande nome da F1 na década seguinte. Em 2007, Sebastian Vettel era o terceiro piloto da BMW Sauber e começava a se destacar pelo seu bom desempenho durante as sextas-feiras de treinos livres. Até que uma quase tragédia o colocou no grid do Mundial.

Robert Kubica bateu de forma muito forte durante o GP do Canadá. Sem condições de correr em Indianápolis, os comandados de Mario Thiessen não tiveram dúvidas: Vettel estava escalado para o GP dos Estados Unidos no lugar do polonês. E o menino alemão não fez feio, muito pelo contrário.

Com uma performance bem longe de comprometer, Vettel fez história ao cruzar a linha de chegada em oitavo lugar e ser, à época, o mais jovem piloto a pontuar na F1, com 19 anos, 11 meses e 14 dias. Depois de Seb, que virou tetracampeão mundial durante sua laureada passagem pela Red Bull, apenas Daniil Kvyat e Max Verstappen, este com 17 anos, cinco meses e 29 dias, superaram o recorde de precocidade de Vettel nos pontos na F1.
 

(Sebastian Vettel fez sua estreia na F1 no GP dos EUA, em 2007 (Foto: BMW AG))

O palco do tri de Hamilton
 

O ano era 2015, e a Mercedes já era a senhora suprema da F1 desde a temporada anterior. Lewis Hamilton e Nico Rosberg travavam feroz rivalidade. O britânico tinha chances de deixar o Texas com o tricampeonato, enquanto seu companheiro de equipe tentava esticar um pouco mais a disputa e se manter na briga. A prova foi o desfecho de um fim de semana atípico e marcado por um verdadeiro temporal, que prejudicou sobremaneira o cronograma do fim de semana no Circuito das Américas. Mas a cereja do bolo foi deliciosa. A corrida foi incrível.

Os fãs do esporte foram recompensados com um verdadeiro espetáculo protagonizado pelos pilotos, que mantiveram um ritmo eletrizante do início ao fim de uma prova que teve de tudo: pista úmida, estratégias distintas, entradas do safety-car e intervenções do safety-car virtual. Um corridaço.

Rosberg fez talvez sua grande prova naquela temporada e praticamente não deu chances ao rival. Mas diz o sábio que a corrida só acaba quando termina. E assim foi. Um crucial erro nas voltas finais da corrida, quando estava com a vantagem controlada perante Hamilton, permitiu ao companheiro de equipe fazer a ultrapassagem, assumir o primeiro lugar e conquistar o tri. O resultado deixou Lewis no mesmo patamar de lendas da F1 como Ayrton Senna, Jackie Stewart, Niki Lauda e Nelson Piquet e conquistou pela terceira vez o tricampeonato mundial, entrando de vez para o rol dos grandes do esporte.

Foi em Austin que Hamilton igualou lendas como Senna e Piquet e tornou-se tricampeão (Mercedes)

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