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Momentos inesquecíveis da história recente do GP da Bélgica

Circuito preferido de nove entre dez pilotos do grid da F1, Spa-Francorchamps tem em sua história cenas que não saem do imaginário do fã do automobilismo. Só para ficar nos últimos 30 anos, o GRANDE PREMIUM listou dez grandes momentos. Em muitos deles, Michael Schumacher foi o grande protagonista

O GP da Bélgica é, sem dúvidas, um dos momentos mais aguardados de cada temporada da F1. Nos últimos anos, a prova em Spa-Francorchamps representa o retorno das férias de verão na Europa, e o fim da longa espera traz muita ansiedade para os pilotos, equipes e os fãs do esporte a motor. O circuito povoa o imaginário dos amantes das corridas por toda sua variedade de curvas, sendo a principal delas a lendária Eau Rouge. O clima sempre instável também é uma das grandes marcas da prova, que registrou momentos inesquecíveis.

A seção 10+ do GRANDE PREMIUM relembra, nesta segunda-feira (28), alguns registros históricos do GP da Bélgica nos últimos 30 anos. A ideia inicial era citar dez grandes momentos, mas quando se trata de F1 em Spa-Francorchamps, é impossível limitar a tal número sem deixar fora outros acontecimentos igualmente marcantes. Por isso, além dos habituais dez tópicos, reservamos outros dois ‘bonus tracks’.

Grande parte desses momentos é protagonizada pelo maior vencedor do GP da Bélgica, o maior campeão de todos os tempos na F1, Michael Schumacher, com seis vitórias em Spa-Francorchamps. Foi lá, por exemplo, que o alemão estreou na F1, venceu pela primeira vez, quase ‘saiu na mão’ com David Coulthard, garantiu o heptacampeonato e também completou 300 corridas. Um verdadeiro símbolo do GP da Bélgica em todos os sentidos.

Mas há outros tantos marcos do GP da Bélgica além daqueles que tiveram em Schumacher seu maior protagonista. A seguir, viaje pelo tempo e relembre alguns dos momentos históricos dos últimos 30 anos em Spa-Francorchamps.

Giancarlo Fisichella fez história com a Force India em 2009: primeira pole e primeiro pódio da equipe na F1 (Giancarlo Fisichella comemora a primeira pole da Force India na F1 (Foto: Force India))

10) A única pole (até agora) da Force India
 

Desde o ano passado, a Force India se consolidou como a quarta força da F1, superando equipes consagradas e cheias de história como Williams e McLaren. Mas mesmo no patamar atual, uma pole-position seria encarada como um acontecimento completamente atípico. Em 2009, no segundo ano do time de Silverstone no Mundial, a posição de honra lograda por Giancarlo Fisichella em Spa foi uma grande zebra, das maiores daquele ano totalmente fora da curva.

Naquela temporada, a Force India começava a crescer, mas ainda era uma equipe do meio para o fim do grid. Mas o time tinha como trunfo o poderoso motor Mercedes, o mesmo que equipava os carros da Brawn, a grande campeã de 2009. E foi muito por conta do motor Mercedes que Fisichella garantiu aquela que é, até hoje, a única pole da história da Force India.

Na corrida anterior a Spa, Fisico largou apenas em 16º no GP da Europa, em Nürburgring. Adrian Sutil foi apenas um pouco melhor e se posicionou em 12º no grid. Mas tudo foi muito diferente na classificação em Spa-Francorchamps. Fisichella bateu o compatriota Jarno Trulli, com uma Toyota que andou muito bem naquele ano, por apenas 0s087.

Na corrida, no entanto, valeu mais a tradição da Ferrari e o grande desempenho de Kimi Räikkönen em Spa. O finlandês largou em sexto, mas logo na primeira volta estava em segundo. Após a saída do safety-car na quinta volta, passou Fisichella. O italiano ficou perto a corrida toda, mas não conseguiu passar, terminando em segundo. Foi um feito e tanto para Räikkönen num ano muito ruim da Ferrari. Mas não foi maior que a façanha de Fisichella, que após faturar o primeiro pódio da Force India, foi contratado pela escuderia de Maranello para fazer as últimas corridas daquele ano, ocupando o carro que era de Felipe Massa.

9) A última vitória de Damon Hill na F1
 

O caótico GP da Bélgica de 1998 — que vai ser citado em outros tópicos a seguir — teve um desfecho tão inesperado quanto seu início. Debaixo de um aguaceiro, algo até comum em Spa-Francorchamps, apenas cinco pilotos dentre os 22 que largaram terminaram na mesma volta do vencedor. Muitos ficaram pelo caminho, como Rubens Barrichello, Mika Häkkinen e Michael Schumacher.

Damon Hill teve um grande fim de semana com a Jordan em Spa-Francorchamps. O britânico, já consagrado como campeão do mundo, vivia um bom momento no fim da sua carreira na F1. Terceiro no grid de largada, foi um dos poucos pilotos a escapar da confusão na acidentada primeira volta. Quando a prova foi restabelecida, Michael Schumacher tomou a ponta e por lá seguiu até o acidente com David Coulthard.

Aí o caminho ficou livre para Hill, que vinha em segundo, retomar a liderança. Ou seja, foi uma conquista coroada de mérito. E de quebra, a conquista foi ainda mais marcante porque Ralf Schumacher veio logo em seguida, subindo para segundo, resultado que consolidou a única dobradinha da Jordan na F1. Jean Alesi completou o improvável pódio, enquanto Heinz-Harald Frentzen, da Williams, e Pedro Paulo Diniz, então na Arrows, em quinto lugar.

A última vitória de Damon Hill também foi a primeira da Jordan na F1

8) O primeiro ato da lenda
 

A história é famosa, conhecida, mas sempre vale ser lembrada. A prisão de Bertrand Gachot por conta de uma briga com um taxista em Londres abriu uma vaga na Jordan, equipe que fazia um trabalho bem decente no seu ano de estreia na F1, em 1991. Eddie Jordan teve de correr atrás de um substituto quando Willi Weber fez contato para encaixar seu pupilo, Michael Schumacher, então piloto da Sauber-Mercedes no Mundial de Marcas.

O contato deu certo e, em 25 de agosto daquele ano, o jovem queixudo alemão fez sua estreia com o carro #32 verde da Jordan. Schumacher conseguiu um impactante sétimo lugar no grid de largada, enquanto seu companheiro de equipe, Andrea de Cesaris, foi só o 11º.

Sua corrida durou apenas uma volta, culpa de um problema de embreagem. Mas todos puderam conhecer de perto o potencial de Michael Schumacher. Na corrida seguinte, em Monza, graças a um acordo envolvendo Flavio Briatore e a Mercedes, a Benetton sacou Roberto Pupo Moreno e efetivou o alemão como titular. Daí em diante, o resto é história.
 

Há 25 anos, Schumacher vencia sua primeira corrida na F1 (Schumacher e o GP da Bélgica: um caso de amor e muitas vitórias (Foto: AFP))

7) 1/91
 

Quase um ano depois da estreia, na mesma Spa-Francorchamps onde debutou, Schumacher conquistou a primeira das suas 91 vitórias no Mundial de F1. Foi uma vitória histórica porque foi o último triunfo de um piloto guiando um carro com câmbio manual.

O alemão chegou a Spa depois de um ano de experiência travando uma boa disputa com Ayrton Senna pelo terceiro lugar do Mundial. Nigel Mansell já havia conquistado de forma antecipada o título daquele ano. Com o FW14b, o ‘carro de outro planeta’, Riccardo Patrese parecia fadado ao vice-campeonato, restando a briga pelo último lugar do top-3 entre o campeão do ano anterior e a nova sensação do esporte.

Senna tinha um ano particularmente difícil com a McLaren, que vivia seu último ano de um casamento bem-sucedido com a Honda, mas que via a Williams ser muito superior em todo o campeonato. Ainda assim, Ayrton tirava leite de pedra, como nas vitórias em Mônaco e Hungaroring. Mas o Benetton-Cosworth B192 era um pacote muito melhor que o McLaren-Honda MP4/7A. Faltava mesmo era uma vitória ao intrépido Michael Schumacher. E ela veio finalmente em Spa.

Com Mansell na pole, Senna em segundo, Schumacher em terceiro e Patrese em quarto, a prova começou com pista seca, mas logo a chuva deu as caras em Spa, embaralhando a disputa. Foi justamente a estratégia definida pelos pilotos em decorrência da pista molhada que acabou determinando a vitória de Schumacher. Senna acreditou que a chuva duraria pouco tempo e arriscou ao ficar na pista com pneus slicks, mas a tática não deu certo. Schumacher antecipou sua parada e levou vantagem, sobretudo em relação à dupla da Williams. Aí foi o ‘pulo do gato’.

Na 34ª volta, Schumacher assumia a liderança, depois de Mansell e Patrese terem feito seus respectivos pit-stops. Mas a vantagem construída pelo alemão era tão consistente que nem mesmo o ‘carro do outro planeta’ foi capaz de detê-lo. Schumacher conquistava assim, na mais desafiadora pista do Mundial, o primeiro de inúmeros triunfos na sua laureada carreira.

 

6) O olé de Häkkinen em Schumacher
 

A única vez em que Mika Häkkinen venceu o GP da Bélgica foi em 2000. A vitória lograda pelo finlandês, o melhor piloto da F1 no fim dos anos 1990 e bicampeão do mundo, se tornou maiúscula pela forma como fez a ultrapassagem sobre Michael Schumacher. Uma imagem que entrou para a história de Spa-Francorchamps.

Häkkinen largou na pole-position naquela corrida, mas como a pista estava ainda bem úmida em razão da chuva que havia dado as caras pouco antes da largada, cometeu um erro que culminou com a ultrapassagem de Schumacher. Mas o finlandês sempre esteve próximo do seu grande rival naquela época.

 

Durante a volta 40, na grande reta Kemmel, Mika tentou ultrapassar a Ferrari, mas Schumacher conseguiu se defender bem. Mas ainda restavam quatro voltas para o fim da corrida. No mesmo trecho, no giro seguinte, Häkkinen deu um golpe de mestre. Com direito a finta, o nórdico fez a Eau Rouge de forma perfeita, calculou o melhor momento, aproveitou a ultrapassagem de Schumacher sobre Ricardo Zonta, colocou por dentro da BAR do piloto brasileiro e superou os dois de uma vez só.

“Foi um grande risco, mas calculado. Naquela altura, fazer a Eau Rouge com o pé embaixo não era para cardíacos. Era muito difícil, e qualquer erro resulta em um grande acidente. E a pista ainda estava molhada fora do traçado, por isso sabia que teria de ser milimetricamente perfeito”, descreveu. De fato, Häkkinen alcançou a perfeição naquela manobra, por isso saiu de Spa-Francorchamps como grande vencedor.

5) O strike do ‘Maníaco da Primeira Volta’
 

Algumas largadas em Spa-Francorchamps foram bastante confusas. A La Source, a primeira e mais fechada curva do circuito, costuma ser palco de alguns acidentes, e foi o que aconteceu em 2012. Uma fortíssima batida provocada por Romain Grosjean, então na Lotus, marcou o GP da Bélgica daquele ano. Por muita sorte, nenhum dos envolvidos se feriu com maior gravidade.

O grid de largada tinha Jenson Button na pole e as Sauber de Kamui Kobayashi e Sergio Pérez em destaque, largando em segundo e em quarto, respectivamente. Grosjean era o oitavo lugar no grid.

Mas o franco-suíço cometeu uma grande barbeiragem e não conseguiu frear sua Lotus preta e dourada e provocou um strike: acertou de uma só vez a McLaren de Lewis Hamilton, as duas Sauber e também atingiu a Ferrari de Fernando Alonso. Um dos pneus traseiros da Lotus passou muito perto da cabeça do bicampeão do mundo.

O acidente levou a FIA a aplicar uma suspensão de uma corrida a Romain, que foi substituído por Jérôme D’Ambrosio no GP da Itália. Aquele episódio, como outros ocorridos em 2011 e 2012, levou Grosjean a ser apelidado como o ‘Maníaco da Primeira Volta’.
 

((Foto: Red Bull Content Pool))

4) O anjo da guarda
 

Durante uma sessão de treinos livres do GP da Bélgica de 1992, Érik Comas destruiu sua Ligier ao bater muito forte na saída da curva Blanchimont. Seu carro azul e branco ficou atravessado na pista, num trecho bastante perigoso. Ayrton Senna passava pela curva e não teve dúvidas: parou seu carro poucos metros dali, desceu e correu em direção ao carro do francês.

Ao perceber o vazamento de combustível e que Comas estava desacordado, Senna desligou a ignição para evitar um risco de explosão.

Comas sempre relembra o ato heroico de Senna e diz que a atitude do brasileiro salvou sua vida. O francês, no entanto, só lamenta por não ter conseguido retribuir ao ato de Ayrton. No fatídico 1º de maio de 1994, Comas, que naquele ano estava na Larrousse, parou seu carro perto da curva Tamburello com a intenção de descer e ajudar no resgate do tricampeão, mas foi impedido de deixar o cockpit.

Érik foi o piloto que mais de perto viu o resgate de Senna. Em choque, o piloto sequer conseguiu voltar à corrida.

Anos depois, o ato de Senna foi resgatado por uma campanha comercial por parte de uma seguradora, que trouxe um depoimento emocionado de Comas relembrando o brasileiro.
 

Barrichello brilhou em 1994 com a primeira pole da carreira em Spa (AFP)

3) Barrichello faz o brasileiro voltar a sorrir
 

Jovem e muito promissor, Rubens Barrichello acabou levando sob seus ombros a responsabilidade de representar o Brasil na F1 depois da trágica morte de Ayrton Senna em 1994. O então piloto da Jordan fazia uma temporada bem decente naquele ano, sobretudo depois de conquistar um quarto lugar em Interlagos e o pódio em Aida, no GP do Pacífico. Mas seu ano tornou-se muito difícil depois do grave acidente sofrido na sexta-feira de treinos livres em Ímola e, depois, com a morte do ídolo e grande referência, Ayrton.

Por isso, o fim de semana do GP da Bélgica lhe serviu como um alento. Naquela época, os treinos classificatórios eram realizados em dois dias: uma sessão na sexta-feira e outra no sábado. Debaixo de muita chuva, Barrichello garantiu o melhor tempo de sexta-feira ao anotar 2min21s163. O segundo colocado era Schumacher, que despontava para a conquista do seu primeiro título, 0s331 atrás.

A expectativa então estava no sábado. Mas o dia que antecedeu a prova teve ainda mais chuva que a sexta-feira, de modo que quase nenhum piloto conseguiu melhorar seu tempo. No fim, Schumacher ainda arriscou uma tentativa, mas não foi bem-sucedido. Grande festa nos boxes da Jordan. Além de Barrichello, a equipe irlandesa também conquistava sua primeira pole. Foi a primeira grande alegria do Brasil na F1 após a morte de Ayrton Senna.

Na corrida, realizada com pista seca, a realidade mostrou que a Jordan-Hart de Barrichello estava muito aquém dos rivais mais competitivos. Ainda assim, Rubens conseguiu se manter entre os primeiros colocados quase que por toda a primeira metade da corrida. Na 19ª volta, o piloto rodou e abandonou a disputa. Ainda assim, aquele fim de semana entrou para a história da sua carreira.

2) Big One na F1

O termo acima é muito usado para nomear os acidentes múltiplos que costumam acontecer na Nascar. E foi assim mesmo, nos moldes do que acontece na categoria americana, que um Big One marcou o início do caótico e encharcado GP da Bélgica de 1998 e impressiona até hoje.

Após a passagem pela La Source, Mika Häkkinen conseguiu se manter na frente após largar na pole, seguido por Jacques Villeneuve. Foram poucos os pilotos a escaparem ilesos da batida. Daí em diante, nomes como Michael Schumacher, David Coulthard, Eddie Irvine e Rubens Barrichello estiveram entre os envolvidos e ficaram para trás numa nuvem de água, fumaça e inúmeros detritos na pista.

Tudo começou com a rodada da McLaren de Coulthard. A péssima visibilidade fez com que vários carros se acertassem uns aos outros. Com o impacto das múltiplas batidas, várias rodas se desprenderam e voaram, mas, com muita sorte, não acertaram ninguém.

Duelo histórico com Hill marcou uma das maiores vitórias da carreira de Schumacher (AFP)

1) A ‘remontada’ histórica de Schumacher
 

A mesma Spa-Francorchamps que foi palco da estreia e da primeira vitória foi palco da consolidação de Michael Schumacher no rol dos grandes pilotos da F1. Com uma performance incrível depois de sair da metade final do grid, o alemão deu um verdadeiro show de pilotagem e mostrou ao mundo que estava prestes mesmo a se tornar um dos maiores da história.

Schumacher vivia uma grande temporada e tinha no seu Benetton-Renault um carro perfeito. Mas o alemão viveu um sábado muito ruim durante o treino classificatório e não conseguiu mais do que o 16º lugar no grid de largada. Foi uma classificação bastante atípica para a época por conta da chuva em Spa, com a Ferrari dominando a primeira fila com Gerhard Berger e Jean Alesi, Mika Häkkinen em terceiro e Johnny Herbert, companheiro de equipe de Schumacher na Benetton, em quarto. Damon Hill partiu da oitava colocação.

Sem chuva no início da prova, Herbert assumiu a liderança no início, enquanto Schumacher pulava de 16º para quinto lugar a partir do sexto giro. Ao passo em que a pista ficava molhada, muitos pilotos foram para os boxes para colocar pneus de chuva, mas Schumacher continuou na pista com os slicks.

Foi em tais condições que Schumacher assumiu a liderança na volta 16. O alemão travou grande disputa com Damon Hill, seu grande rival naquela época. Detalhe: a Williams de Hill estava calçada com pneus de chuva, que eram mesmo os mais adequados para a situação. Mas Schumacher praticamente humilhou o rival, se arriscou no molhado com pneus para pista seca e impôs seu notável talento. Quando a chuva cessou e Hill teve de voltar aos boxes para fazer novo pit-stop, Schumacher assumiu de vez a liderança da corrida.

Daí em diante, foi só levar no braço o carro para vencer a prova com vantagem de mais de 19s para Hill, segundo colocado. A grande vitória ajudou Schumacher a abrir 15 pontos de vantagem para o britânico e pavimentar o caminho rumo ao bicampeonato mundial. Um triunfo para a história.
 

(Foto: F1/Twitter)

Bonus tracks
 

A treta de Spa
 

O GP da Bélgica de 1998 quase reservou cenas de pugilato. Depois de uma nova largada após o ‘Big One’, Schumacher assumiu a ponta ao ultrapassar Damon Hill e parecia seguir firme para mais uma vitória em Spa-Francorchamps debaixo de muita chuva.

No entanto, na volta 24, Schumacher tinha de passar David Coulthard, retardatário com sua McLaren. Pouco antes, Jean Todt, então chefe da Ferrari, pressionava a McLaren no pit-lane para que o piloto abrisse passagem ao alemão. Só que ninguém esperava o que viria acontecer segundos depois.

Atrapalhado pela falta de visibilidade e pelo spray que saía do carro do escocês, Schumacher não conseguiu perceber o quanto Coulthard estava mais lento e acertou em cheio a McLaren.

Os dois pilotos conseguiram chegar aos boxes. Schumacher, muito irritado, foi aos boxes tirar satisfações com Coulthard e quis partir para a briga. Mas a turma do deixa disso, sempre providencial nessas horas, evitou um confronto entre os dois.

O estopim da rivalidade Hamilton-Rosberg

A partir de 2014, com a adoção da nova ‘Era Turbo’ pela F1, a Mercedes tomou a dianteira outrora ocupada pela Red Bull e dominou o Mundial. Por consequência, seus dois pilotos se viram como protagonistas do grid: de um lado, o badalado Lewis Hamilton; do outro, um discreto, contido, porém bastante talentoso e subestimado Nico Rosberg.

Mas diferente do que a Ferrari costuma fazer, a Mercedes não limitou seus pilotos ao papel de primeiro e segundo, liberando-os para disputar de forma franca na pista. Com o melhor carro do grid e desempenhos parecidos, era inevitável que cedo ou tarde os dois tivessem um duro confronto na pista. E foi o que aconteceu em 24 de agosto daquela temporada.

Rosberg conquistou a pole, mas na hora de largar, tracionou mal e permitiu que Hamilton fizesse a ultrapassagem ainda na La Source. Lewis seguiu na liderança até a abertura da terceira volta, quando o alemão abriu o ataque contra o colega de Mercedes. Nico tirou do lado de fora na Les Combes, mas o britânico tentou defender. Na segunda perna, a asa dianteira tocou no pneu traseiro esquerdo de Hamilton, causando o furo. Mais tarde, Lewis abandonaria a corrida. Rosberg terminou em segundo, com Daniel Ricciardo comemorando uma inesperada vitória.

O episódio deflagrou de vez a tensão dentro dos boxes da Mercedes. Se as disputas na pista fizeram com que a amizade dos tempo de kart esfriasse, o GP da Bélgica distanciou de vez Hamilton e Rosberg. A equipe prateada, mesmo dominando a F1 e conquistando todos os títulos desde então até o ano passado, viveu uma guerra fria nos bastidores, algo que só foi encerrado depois que Nico conquistou seu título mundial em 2016 e, cinco dias depois, surpreendeu o mundo ao anunciar sua aposentadoria do esporte.

A batalha entre Hamilton e Rosberg começou pra valer no GP da Bélgica de 2014

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