Siga-nos

10+

Os azares de Bottas

Uns chamam de azar, outros chamam de incompetência. Independente do termo que você preferir, há de concordar que Valtteri Bottas vive fase incrivelmente zicada. Recordamos dez casos de azar

Valtteri Bottas, Mercedes, GP da Espanha 2020,
Valtteri Bottas não anda com muitos motivos para celebrar na F1 (Foto: Mercedes)

É difícil falar de azar e sorte no esporte. Afinal, o que chamamos através dessas palavras pode muito bem ser apenas preparação melhor ou pior antes de uma disputa. Só que um piloto da Fórmula 1 anda tão zicado que já começa a desafiar essa noção: Valtteri Bottas voltou a ver um bom resultado escapar por conta de uma situação que não estava sob seu controle.

Isso ficou bem claro no GP de Mônaco. Bottas estava encaminhando um segundo lugar na prova icônica, isso até um defeito altamente inusitado na porca do pneu dianteiro esquerdo forçar o abandono. É o segundo do finlandês em 2021, que já vê as esperanças de um novo título no seu provável último ano de Mercedes desmoronando.

A deixa é perfeita para recapitular o azar de Bottas. Este existe desde o começo da jornada na F1, ainda pela Williams, mas alcançou um patamar inacreditável de 2018 para cá. Pois o GRANDE PREMIUM aproveita o 10+ desta semana para recordar dez vezes em que tudo deu errado para Valtteri.

Valtteri Bottas, Mercedes, GP dos 70 Anos,
Valtteri Bottas sofre com azar na Fórmula 1 (Foto: Mercedes)

GP do Brasil de 14 – Cinto se solta sozinho

2014 esteve longe de ser um ano ruim para Bottas, que conseguiu diversos pódios com uma Williams renascida. Ainda assim, nem tudo foi perfeito. Que o diga o GP do Brasil, quando um problema bizarro arruinou as chances de um bom resultado.

Bottas começou a corrida em quarto, acompanhando o ritmo de Felipe Massa, companheiro de equipe. O finlandês podia tranquilamente usar a estratégia para fazer uma ultrapassagem, mas tudo deu errado: por um motivo que nunca ficou muito claro, Valtteri veio para o primeiro pit-stop com o cinto de segurança solto. Foram necessários quase 30s para reafivelar o equipamento, jogando o piloto para fora da zona de pontos. Ao fim do dia, um decepcionante décimo lugar, isso enquanto Massa assegurava mais um banho de champanhe.

GP da Bélgica de 2015 – Pneus misturados em pit-stop da Williams

É difícil imaginar, mas já houve uma época em que a Williams brigava por pódio. A equipe veio embalada para Spa-Francorchamps, com características que favoreciam o carro britânico. Bottas largou em terceiro e tinha tudo para conseguir um novo pódio.

Nesse caso, Bottas começou já dando um tiro no próprio pé: uma largada ruim o jogou para sexto. Só que nada é tão ruim que não possa piorar, e a Williams deixou isso bem claro. No pit-stop, a equipe colocou três pneus macios e um médio no carro. Era algo que, além de não fazer sentido nenhum, infringia o regulamento. O finlandês precisou cumprir um drive-through e terminou em nono. Romain Grosjean, originalmente bem atrás do finlandês, conseguiu o pódio.

GP da Rússia de 2015 – Pódio certo, isso até um outro finlandês se meter

O GP da Rússia de 2015 começou com abandono de Nico Rosberg, abrindo uma vaga extra no pódio. Sebastian Vettel se consolidou em segundo, com Sergio Pérez tentando segurar o terceiro lugar. Logo atrás, Bottas e Kimi Räikkönen vinha com pneus mais novos.

Os finlandeses passaram o mexicano na penúltima volta, com Valtteri encaminhando o pódio. Kimi ainda tinha alguma esperança, mas teria de ousar. Eis que a ousadia do ferrarista virou barbeiragem na última volta, quando uma tentativa desajeitada de ultrapassagem terminou com acidente entre os dois. Räikkönen ainda salvou um oitavo lugar, com Bottas nem vendo a bandeira quadriculada.

Valtteri Bottas vê oportunidades escapando desde os dias da Williams (Foto: Reprodução)

GP da China de 2018 – Entrada do safety-car tira vitória certa

Bottas trocou a Williams pela Mercedes em 2017, mas não conseguiu se livrar dos momentos de azar. Depois de um primeiro ano surpreendentemente bom pela equipe prateada, o segundo seria uma incrível maré de azar. Isso começou a ficar claro no GP da China, o terceiro do ano.

Bottas vinha em disputa franca com Vettel pela vitória, acertando na estratégia para tomar a liderança na volta 27. Eis que um safety-car foi necessário na 30 por conta de um acidente entre Pierre Gasly e Brendon Hartley. A Mercedes não chamou seus pilotos para os boxes, assim como a Ferrari. Só que a Red Bull chamou: Daniel Ricciardo e Max Verstappen teria borracha nova na segunda metade do GP. Fez toda a diferença: o australiano engoliu todo mundo, tirando uma vitória aparentemente certa de Bottas. Fica o aviso: não foi a última vez que isso aconteceu no ano.

GP do Azerbaijão de 2018 – Pneu furado acaba com sonho da vitória

Chegamos agora num momento que pode muito bem ser visto como o divisor de águas na carreira de Bottas. O GP do Azerbaijão tinha ainda expectativa de briga aberta entre a dupla da Mercedes e a dupla da Ferrari pelo título, com Bottas aparentemente capaz de capitalizar em cima disso. A sorte também estava do lado do finlandês, que contou com um safety-car na hora certa em Baku para subir de terceiro para primeiro, com a vitória aparentemente encaminhada.

Eis que, na volta 48 de 51, Bottas sofre o cúmulo do azar. O finlandês passou por cima de detritos do icônico acidente entre Ricciardo e Verstappen, que causou o safety-car, e furou o pneu. O finlandês nem terminou a corrida, vencida por Hamilton. Tivesse vencido, Valtteri sairia da pista de rua como líder do Mundial. Com o abandono, saiu em quarto e destinado a ser o escudeiro de Hamilton na sequência do ano.

2018 foi um ano particularmente frustrante para Bottas (Foto: Mercedes)

GP da Inglaterra de 2020 – Pneu furado no fim, queda para fora do top-10

O GP da Inglaterra de 2020 entrou para a história como a corrida que Hamilton venceu com apenas três pneus. Só que esse é apenas um lado da história: Bottas também sofreu um furo, mas com desfecho muito diferente.

Bottas já tinha encaminhado o segundo lugar quando sofreu um furo de pneu na antepenúltima volta. Isso significa que, ao contrário de Hamilton, precisou fazer um pit-stop. A perda de tempo foi enorme e o jogou para fora da zona de pontos, em 11°. Lewis, por sua vez, só encarou tal problema no último giro e não precisou passar pelos pits. Resultado: vitória e 25 pontos, fundamentais em um momento ainda incerto da briga pelo título, que já virava sonho distante para Bottas.

GP da Emília-Romanha de 2020 – Detritos no carro; VSC na hora errada

Bottas foi para Ímola ainda com chances matemáticas de título, mas já se sabia que era apenas questão de tempo até Hamilton carimbar o hepta. Ainda assim, o finlandês tentava recuperar sua honra com vitórias ocasionais. A pole-position em Ímola, aliada à liderança nas primeiras voltas, era um bom sinal.

Acontece que, ainda na fase inicial da prova, um detrito da Ferrari de Vettel ficou preso no carro de Bottas, fazendo o carro sair de frente. A perda de ritmo foi notória, mas a posição de pista dava esperança de triunfo contra Hamilton. Até que Esteban Ocon quebrou e forçou um safety-car virtual, logo quando o britânico adiava seu pit-stop. Não deu outra: Lewis passou pelo pit-lane perdendo tempo mínimo e voltando à frente de Valtteri. A vitória tinha escapado mais uma vez.

O 2021 de Bottas começou com novos problemas no Bahrein (Foto: Mercedes)

GP de Sakhir de 2020 – Pit-stop horrível em Sakhir, parte 1

O GP de Sakhir de 2020, o do anel externo, seria marcado pela disputa entre Bottas e George Russell, substituto de Hamilton, com Covid-19. Poderia ser uma vitória fácil do finlandês, que teria como rival um piloto que nem conhecia muito bem o carro da Mercedes.

Bottas fez a pole, mas largou mal. Russell não teve dificuldades para virar líder e controlar a corrida. Bottas seguiu por perto e tentava dar um jeito de atacar o rival. Eis que Jack Aitken bate e o safety-car é acionado. Nos boxes, a Mercedes mistura os pneus e acaba devolvendo Bottas para a pista com compostos gastos. Russell teria ainda mais azar, já que também teve parada ruim e ainda sofreu um furo de pneu. Foi um dia amargo para todos na Mercedes, com o azar de Valtteri se espalhando pela equipe.

GP do Bahrein de 2021 – Pit-stop horrível em Sakhir, parte 2

No fim das contas, um raio pode mesmo cair duas vezes no mesmo lugar. Alguns meses depois, já na temporada 2021, a F1 estava novamente em Sakhir. Era uma nova oportunidade para Bottas, que queria abrir o ano com o pé direito. Brigar pela vitória, ou pelo menos atrapalhar a Red Bull, seria um bom começo.

Bottas até tinha ritmo para acompanhar Hamilton e Verstappen, mas tudo deu errado na altura do segundo pit-stop. O pneu dianteiro esquerdo, sempre ele, demorou muito para sair e levou a uma parada de 10s9. Pelo rádio, a frustração se evidenciou: Valtteri pediu que a Mercedes fizesse uma estratégia diferente para compensar o tempo perdido. Não rolou: em uma corrida sem intervenções do safety-car, o #77 não tinha como brigar pela vitória. E, após a bandeira quadriculada, veio a reclamação de que, sem o pit lento, seria possível intervir na luta de Lewis e Max.

GP de Mônaco de 2021 – Pneu preso no pit-stop

Essa está bem fresca na memória. Bottas era o segundo colocado e, apesar de não ser tão rápido quanto Verstappen, mantinha proximidade a ponto de sonhar com um undercut. Ou seja, parar antes para tentar ganhar posição, inteligente em uma pista de ultrapassagens quase impossíveis.

A estratégia não era ruim, assim como Valtteri não estava em uma atuação ruim. Só que alguma intervenção divina quis acabar com (mais uma) corrida do finlandês: no pit-stop, um problema inusitado na porca do pneu dianteiro esquerdo (novamente!) impediu a Mercedes de trocar os compostos do carro. Não era questão de uma parada lenta, mas, sim, de não conseguir tirar tal pneu de jeito nenhum. No momento em que este texto é escrito, o pneu macio segue preso no carro, mas agora na fábrica de Brackley.

© 1995 - 2020 - GrandePremio.com.br - Todos os direitos Reservados.

Connect