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Os maiores jejuns de vitórias na história da Fórmula 1

Na atual temporada da Fórmula 1, a Mercedes se vê em seu maior jejum de vitórias desde 2013, quando ficou nove corridas sem subir ao topo do pódio. Porém, essa não é a primeira vez e não só a equipe alemã entra nesta lista: o GRANDE PREMIUM lista as equipes que colecionaram a maior seca de vitórias na história da categoria

Max Verstappen superou Lewis Hamilton, que vive o maior jejum de vitórias da Mercedes desde 2013 (Foto: Mercedes)

Dizem que a vitória pode mover a cabeça de qualquer competidor, em qualquer esporte. Mas e a falta dela? Do que é capaz? Bom, após anos gloriosos, a Mercedes se encontra na mesma situação que uma vez já tivera — isso porque, depois do GP de Mônaco, a equipe alemã se vê na seca mais longa desde a temporada 2013, quando ficou nove corridas sem subir no lugar mais alto do pódio e no mesmo ano em que a rival austríaca foi tetracampeã de construtores.

Embora a Mercedes esteja em baixa, ela não é a única escuderia a beber desta traiçoeira fonte. Equipes mais tradicionais como Williams, históricas como a Lotus, Brabham e March, e outras de idas e vindas na Fórmula 1, como a Honda, também compartilharam de momentos como esse. Aqui, no GRANDE PREMIUM, eis a relação dos maiores jejuns de vitória na categoria.

Mercedes – 56 anos, 7 meses e 4 dias – 813 GPs

A Mercedes ficou em jejum de vitórias por longos 813 GPs (Foto: Reprodução)


O jejum atual de vitórias dos alemães é bem menor do que o intervalo de triunfos que eles já tiveram em sua história da Fórmula 1. Mas cabe sublinhar que, nestes 56 anos de seca, muito aconteceu com a equipe: fez sua estreia na categoria em 1954, no GP da França, onde o piloto Juan Manuel Fangio venceu a etapa e, mais tarde, ganharia mais três GPs. Assim, o argentino conquistou o Mundial de Pilotos do ano de estreia dos alemães.

No entanto, depois da tragédia em Le Mans no ano de 1955, o maior desastre da história do automobilismo, em que um grave acidente vitimou mais de 80 espectadores além do piloto francês Pierre Levegh, a Mercedes decidiu se retirar da F1. Sua última vitória, portanto, foi no GP da Itália do mesmo ano, mais uma vez, com Juan Manuel Fangio conquistando a nona vitória para a equipe.

Depois de um período como fornecedora de motores e uma longa parceria com a McLaren, a montadora alemã retornou para a categoria como equipe própria somente na temporada de 2010. No entanto, só viria a sentir novamente um gosto de vitória dois anos mais tarde, no GP da China de 2012, com Nico Rosberg. Encerrava-se, assim, um jejum de exatos 56 anos, sete meses e quatro dias.

Honda – 38 anos, 10 meses e 27 dias – 604 GPs

A Honda ficou em jejum de vitórias por longos 604 GPs (Foto: Reprodução)


A história da Honda também é de idas e vindas. Seu envolvimento na categoria começou na temporada de 1964, quando a montadora japonesa estreou com equipe própria. Com John Surtees, piloto britânico, a Honda conheceria sua segunda vitória no GP da Itália de 1967 – e a última, até então. Isso porque a marca se retiraria da principal categoria do automobilismo no ano posterior.

Como fornecedora de motores, a Honda fez história nos anos 1980 e início dos anos 1990 com títulos com a Williams e Nelson Piquet, e foi pilar decisivo da época de ouro da McLaren com títulos seguidos entre 1988 e 1991 com Ayrton Senna e Alain Prost.

Entre voltas como fornecedora de motores, no final de 2005, a Honda comprou a equipe BAR, sediada em Brackley, no Reino Unido, e renomeou sua nova subsidiária de Honda Racing.

A equipe veria seu terceiro triunfo, então: 38 anos, 10 meses e 27 dias mais tarde, Jenson Button subiu ao lugar mais alto no pódio do GP da Hungria de 2006 e conquistou a terceira e última vitória da Honda. Os japoneses não tiveram mais vitórias e, em 2008, mais uma vez, eles se retiraram da Fórmula 1 devido à crise financeira global.

Como equipe, a marca de Sakura não voltou mais, embora tenha regressado como fornecedora de motores na era híbrida com a McLaren, em 2015. Quatro anos depois do início de um segundo (e fracassado) casamento, os japoneses se uniram à Red Bull. Uma aliança bem mais vitoriosa neste ano que define a saída da gloriosa Honda da F1. De novo.

Lotus – 25 anos, 4 meses e 14 dias – 435 GPs

A Lotus ficou em jejum de vitórias por longos 435 GPs (Foto: Reprodução)


Para falar da Lotus, é preciso entender um pouco de sua história na Fórmula 1. Digamos que a ‘era clássica’ da equipe britânica começou em 1952, quando Colin Chapman fundou a Lotus Engineering Ltd. Mas ela só chegou à principal categoria do automobilismo em 1958. Dali em diante, a Lotus iria dominar a F1 por duas longas décadas – ganhou sete títulos de construtores e seis de pilotos entre 1963 e 1978.

A última vitória daquela Lotus, a original, foi no GP dos Estados Unidos de 1987, conquistada por Ayrton Senna. O brasileiro marcava a 79ª vitória da equipe na categoria. Desde então, a escuderia vivenciou grande decadência até fechar as portas no fim de 1994. A Lotus Cars, a marca, contudo, sobreviveu.

Em meio a um imbróglio que alcançou as esferas jurídicas com o uso do nome Lotus pelo empresário malaio Tony Fernandes, que assim batizou sua equipe, a Lotus Cars voltou a entrar no jogo da Fórmula 1.

A partir de 2011, a montadora voltou a se envolver como equipe e se associou à Renault para competir na temporada de 2011. No ano seguinte, depois de vencer a batalha contra Fernandes nos tribunais, conseguiu de volta o direito de usar o nome Lotus — a escuderia malaia foi rebatizada como Caterham. Daquela forma, a Lotus voltava oficialmente à F1 na temporada 2012.

E, assim, 25 anos, quatro meses e 14 dias depois do triunfo de Senna nas ruas de Detroit, a Lotus voltava ao topo do pódio do GP de Abu Dhabi de 2012, com Kimi Räikkönen conquistando a 80ª das 81 vitórias da equipe na Fórmula 1.

Renault – 20 anos e 10 dias – 326 GPs

A Renault ficou em jejum de vitórias por longos 326 GPs (Foto: Reprodução)


O início da Renault na Fórmula 1 foi em 1977. A montadora francesa entrou na categoria como equipe de fábrica e, desde então, já conseguiu pavimentar o caminho para vitórias na categoria, como no GP do Brasil de 1980, pelas mãos de René Arnoux.

Em 1983, a Renault começou a fornecer motores para outras equipes da categoria e, dois anos mais tarde, se retirou do esporte. Sua 15ª e última vitória, até então, foi com Alain Prost, conquistada no GP da Áustria de 1983.

Nos anos 1990, a Renault brilhou mesmo como fornecedora de motores e, ao lado da Williams, dominou o esporte durante boas temporadas daquela década.

Na década seguinte, os franceses voltaram como equipe de fábrica na F1 depois de efetuarem a compra da bicampeã Benetton. E foi com Fernando Alonso, no GP da Hungria de 2013, que a Renault encerraria um jejum de triunfos que já durava 20 anos e 10 dias desde a última vitória. Mais tarde, o mesmo e único espanhol se tornaria bicampeão do mundo com a Renault, sendo fundamental para levar a marca para a glória na F1 com os títulos do Mundial de Pilotos e de Construtores em 2005 e 2006.

Ligier – 14 anos, sete meses e 22 dias – 231 GPs

A Ligier ficou em jejum de vitórias por longos 231 GPs (Foto: Reprodução)


O período de jejum de vitórias da Ligier foi quase o tempo em que permaneceu na Fórmula 1, de 1976 a 1996. Isso porque, depois de sua chegada, passou por altos e baixos até o ano de 1980, em que ficou com o vice-campeonato. A seca de triunfos começou apenas em 1981, quando Jacques Lafitte conquistou a oitava e última vitória, até então, no GP do Canadá de 1981.

Em 1996, último ano da equipe da F1, a Ligier já estava pronta para ser vendida, mas a equipe seguiu em atividade.

E foi justamente no GP de Mônaco do mesmo ano, ou seja, 14 anos, sete meses e 22 dias depois, que acabaria o jejum de vitórias com Olivier Panis – sua primeira e única vitória na categoria. No fim daquela temporada, a gloriosa Ligier foi vendida para Alain Prost, que realizou o sonho de virar chefe de equipe na F1.

Williams – 7 anos, 6 meses e 19 dias – 132 GPs

A Williams ficou em jejum de vitórias por longos 132 GPs (Foto: Reprodução)


A Williams, uma das equipes mais tradicionais e vitoriosas da Fórmula 1, também já ficou sem o gostinho de vitórias. Chegou em 1977 na categoria e detinha o recorde de Mundial de Construtores, ao todo nove — todos conquistados entre 1980 e 1997 —, até os anos de ouro da rival Ferrari, de 1999 a 2004.

E foi justamente em 2004 que a equipe britânica conheceria o início de seu jejum de vitórias depois de Juan-Pablo Montoya vencer o GP do Brasil.

O lugar mais alto do pódio só seria visitado novamente pela Williams no GP da Espanha de 2012. Uma conquista que veio de forma surpreendente pelas mãos do venezuelano Pastor Maldonado. O sul-americano quebrou um jejum de sete anos, seis meses e 19 dias e conquistou sua única vitória na F1 e a 114ª dos britânicos.

March – 5 anos, 3 meses e 29 dias – 76 GPs

A March ficou em jejum de vitórias por 76 GPs (Foto: Reprodução)


A extinta March chegou à Fórmula 1 em 1970 e não fez tanto sucesso na categoria, mas colecionou bons momentos na Fórmula 2 e 3. Mas, a respeito da principal categoria, a equipe teve apenas uma vitória antes de entrar em um jejum de vitórias. Jackie Stewart conquistou o feito – e seu 12º na carreira – no GP da Espanha de 1970.

O ano de 1975 poderia ser o ano de afirmação da March na F1. Foi quando o italiano Vittorio Brambilla encerrou a seca de vitórias da equipe no GP da Áustria de 1975, mas esta acabou tornando-se sua única vitória na categoria.

Depois disso, a March passou por bons momentos, mas declinou no início da década de 80. Sua última temporada foi em 1992.

Cooper – 4 anos, 4 meses e 20 dias – 46 GPs

A Cooper ficou em jejum de vitórias por 46 GPs (Foto: Reprodução)


Outra equipe extinta da Fórmula 1 também ficou anos sem vitórias: a Cooper. Mas, ainda assim, teve momentos brilhantes: disputou 129 GPs e conquistou os títulos de 1959 e 1960 com o lendário piloto australiano Jack Brabham.

O jejum da equipe começou exatos dois anos depois, quando Bruce McLaren venceu o GP de Mônaco de 1962.

Dali em diante, exatos 4 anos, 4 meses e 20 dias se passaram para a Cooper voltar a sentir o gosto de uma vitória. John Surtees quebrou a seca ao vencer o GP do México de 1966, marcando o 15º e penúltimo triunfo da Cooper em sua trajetória na F1.

Tyrrell – 4 anos, 4 meses e 18 dias – 71 GPs

A Tyrrell ficou em jejum de vitórias por 71 GPs (Foto: Reprodução)


A Tyrrell é mais uma equipe desta lista que deixou de fazer parte do grid da Fórmula 1 há tempos. Depois de muito sucesso na década de 70 – quando ganhou três campeonatos e um campeonato de construtores com Jackie Stewart -, os britânicos viram o jejum começar a partir do GP de Mônaco de 1978, quando Patrick Depailler conquistou a 21ª vitória da Tyrrell e ser a última, até então.

A partir disto, a equipe fundada por Ken Tyrrell só viria a cor de uma vitória novamente quatro anos, quatro meses e 18 dias mais tarde, quando Michel Alboreto subiu ao lugar mais alto do pódio no GP de Las Vegas de 1982.

Brabham – 4 anos e 23 dias – 53 GPs

A Brabham ficou em jejum de vitórias por 53 GPs (Foto: Reprodução)


A última equipe dessa lista é a conhecida Brabham, que chegou à Fórmula 1 em 1961. Depois de anos gloriosos em que venceu em duas oportunidades o Campeonato de Construtores e de Pilotos em 1966 e 1967, os britânicos iriam se deparar com seu maior jejum de vitórias na categoria: Jack Brabham, que viria também a se aposentar em 1970, venceu a última vitória da equipe até então, no GP da África do Sul do mesmo ano.

A Brabham só voltaria a ver a cor de uma vitória em exatos quatro anos e 23 dias. E detalhe: no mesmo lugar. Carlos Reutemann, lendário piloto argentino que se foi na semana passada, acabou com a seca da equipe no GP da África do Sul de 1974, em Kyalami, local da primeira conquista do piloto de Santa Fe na Fórmula 1.

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