Siga-nos

10+

Os pilotos de Max Mosley na March

Durante oito anos, Max Mosley, morto no começo da última semana, foi um dos responsáveis pela March e supervisionou momentos importantes do grid

Vittorio Brambilla na mais tradicional pintura da March (Foto: Pinterest)

Max Mosley morreu no começo desta semana. O ex-presidente da FIA tinha 81 anos, uma história fascinante e participação extremamente importante na profissionalização e mercantilização que a Fórmula 1 deu a partir dos anos 1970. Grande parceiro de Bernie Ecclestone na criação da FOCA, versão inicial do que hoje é a FOM, foi escudeiro do antigo chefão da categoria ao peitar circuitos e a própria FIA, antes de sua chegada à cadeira máxima, no começo dos anos 1990.

Conheça o canal do Grande Prêmio no YouTube! Clique aqui.
Siga o Grande Prêmio no Twitter e no Instagram!
10+: Os azares de Bottas

Piloto quando jovem, Mosley tentou a vida na pista, mas entendeu que entendia melhor das coisas no pit-lane e nos escritórios. Assim, em 1969, foi um dos fundadores da March. Ao lado de Alan Rees, Graham Coaker e Robin Herd, era Mosley quem tratava dos negócios e fez a March crescer bastante naqueles primeiros anos. Como equipe própria e fornecedora de chassis, a March foi parte importante do grid e expandiu para a F2, F3, Indy e IMSA SportsCar.

Entre a entrada no grid da F1, em 1970, e a saída de Mosley, em 1977, para cuidar de vez de assuntos da FOCA, o inglês foi parte de tudo que se passava ali naqueles carros alaranjados. O GRANDE PREMIUM aproveita para destacar agora os dez principais pilotos de Mosley em seus anos de chefe da Fórmula 1.

Chris Amon na temporada de estreia da March (Foto: Pinterest)

Chris Amon

É história famosa de que a carreira de Chris Amon, um piloto considerado dos mais talentosos de sua geração, foi esquisita e incomum. O neozelandês saiu da Ferrari para ser o cara da March na temporada de estreia, em 1970, e foi muito bem: fez três pódios e seis top-5. Tinha tudo para ser o nome do futuro, mas brigou com Mosley e Herd no fim do ano após tomar um bom e velho calote. Amon parecia destinado a vencer o GP dos EUA em Watkins Glen, mas sofreu um furo de pneu perto do fim. Quase voltou mais tarde, mas os fortes patrocínios de outro membro desta lista, Jarier, fizeram com que a vaga de 1973 ficasse com o francês.

Aqui, cabe uma explicação. Mario Andretti guiou numa espécie de equipe auxiliar da March em algumas corridas de 1970 e chegou até a um pódio. Mas vai ficar fora da lista por não ter feito parte da equipe oficial ou vencido corridas.

Ronnie Peterson levou a March à vitória na F1 (Foto: Pinterest)

Ronnie Peterson

O ‘Super Sueco’ talvez tenha sido o maior piloto da história da March. Campeão da F2 Europeia – e vice na F2 Inglesa – pela equipe, estreou na F1 e sempre entregou muito ao longo de mais de uma passagem no time inglês. Dos 11 pódios da primeira fase da March, sete são de Peterson. E uma das duas vitórias: o GP da Itália de 1976.

Niki Lauda pela March em Mônaco 1972 (Foto: Pinterest)

Niki Lauda

Lauda é um tricampeão mundial e dos maiores pilotos de todos os tempos. É muito grande na história da F1 durante e depois da vida de piloto, mas não foi dos maiores nomes da March. A equipe serviu de porta de entrada primeiro na F2 e depois na F1, onde disputou a temporada completa, mas sem brilho, em 1972. Mas Lauda não seria negado. No ano seguinte, descolou vaga na BMR e, em 1974, chegou à Ferrari. O resto é história.

Jean-Pierre Jarier foi campeão de F2 com a March em 1973 (Foto: Pinterest)

Jean-Pierre Jarier

Jarier foi um dos quatro campeões da March na Fórmula 2 durante os anos 1970, mas um de apenas dois a andar também na mesma equipe na F1 – o outro foi Peterson. E tudo isso numa temporada só: 1973. É verdade que foi um ano trágico para a March e Jarier completou só a última corrida do campeonato, mas o domínio total confirmou a tendência de que a March era a equipe para se estar na F2. No ano seguintes, Patrick Depailler e Hans-Joachim Stuck seriam campeão e vice. A March seguiu na categoria voltaria a vencer anos mais tarde.

O desespero de David Purley em meio ao acidente fatal de Roger Williamson (Foto: Pinterest)

Roger Williamson-David Purley

Estes dois entram juntos, porque a imagem de ambos sempre serão associadas, sobretudo na Fórmula 1. São os protagonistas de um dos momentos mais tristes que o esporte já protagonizou. Williamson defendia a March oficial pela segunda vez em 1973, enquanto Purley guiava um chassi da March pela pequena LEC. No GP da Holanda, em Zandvoort, Williamson sofreu acidente e parou com o carro de ponta-cabeça e em chamas. Purley vinha logo atrás e viu o que aconteceu, parou o carro para tentar ajudar. Tentou alertar outros pilotos, mas ninguém entendeu do que se tratava – como o bólido de Purley estava distante do acidente, os pilotos acharam que era seu carro que pegava fogo e, assim, tudo estava em segurança. Como os fiscais não tinham roupas protetoras de fogo, Purley corria para buscar o extintor e tentar apagar o incêndio, bem como virar o carro com as próprias mãos. Não funcionou. Williamson morreu, vítima de asfixia causada pela fumaça inalada.

Hans-Joachim Stuck teve longa história na March (Foto: Pinterest)

Hans-Joachim Stuck

Vencedor das 24 Horas de Le Mans, campeão do DTM e afins, Stuck teve grande carreira e deu seus pulos também na F1. Apesar de não vencer corridas, fez pódios com a Brabham da Era Bernie Ecclestone e mostrou que se tratava de enorme talento. Mas foi pela March, em 1974, que chegou ao grid. Ao todo, defendeu a equipe por três temporadas e meia nas quais, apesar de não conseguir pódio e vitória, como Brambilla e Peterson, fez mais top-5 que ambos: cinco contra três do italiano e um do sueco, no período.

Vittorio Brambilla conquistou a primeira vitória da March em 1975 (Foto: Wikipédia)

Vittorio Brambilla

Peterson é o maior nome da March, mas também viveu grandes momentos na Lotus e na Tyrrell. Brambilla, por outro lado, tem na March seus maiores sucessos. O italiano foi o responsável pela primeira vitória da equipe March oficial, no GP da Áustria de 1975, embora a corrida também tenha sido de choro pela morte de Mark Donohue, piloto da Penske e vencedor da Indy 500 de 1972 – que utilizava chassi da March. Donohue morreu só foi para o hospital no dia seguinte do acidente, do qual parecia ter saído incólume, mas os destroços da batida mataram também um fiscal. No fim das contas, é uma corrida lembrada mais por tragédia que por júbilo.

Lella Lombardi foi a única pilota a pontuar na F1 (Foto: W Series)

Lella Lombardi

Apesar das vitórias, dos chassis e do tempo de casa, um dos feitos mais celebrados e famosos da primeira fase da March veio no GP da Espanha de 1975. Foi lá, no antigo Circuito de Montjuïc, que veio o único ponto da história de uma pilota na F1. Lombardi chegou após ano competitivo na F5000 e seria titular ao longo do campeonato, ao lado de Brambilla, após as duas etapas sul-americanas. Logo na segunda corrida, a italiana resistiu numa prova problemática e fechou na sexta colocação. Naquela época, o sexto posto era o primeiro que valia ponto. Também foi uma corrida trágica. Após um acidente que envolveu Ralf Stommelen, vítima de uma asa dianteira quebrada, e o brasileiro José Carlos Pace, pego no meio do caminho. O carro de Stommelen voou em direção à arquibancada e matou quatro espectadores.

O acidente fez com que a corrida fosse interrompida na volta 29 e valeu somente metade da pontuação total. Lella Lombardi, então, entrou para a história com 0.5 tento anotado. Ainda em 1975, quase voltou a pontuar: ficou com a sétima posição na Alemanha.

Alex Dias Ribeiro foi piloto da March naquele fim da Era Mosley (Foto: Devianart)

Alex Dias Ribeiro

A relação de Ribeiro e Mosley era nada menos que terrível. O ex-piloto brasileiro credita o dirigente como “o homem que mais odiou na vida” e que “matou os sonhos e a carreira na F1”. Foi para não estourar com Mosley, inclusive, que Ribeiro começou um certo diário que, anos mais tarde, renderia o livro ‘Mais que Vencedor’. Ribeiro tinha um apelido para o chefe: Mac Mouse. Ribeiro defendeu a March na F2 e na temporada 1977 da F1, quando a crise já sucumbia a equipe de Bicester.

A vitória de Jackie Stewart no GP da Espanha de 1970 com as chamas ao fundo (Foto: Pinterest)

Jackie Stewart

O tricampeão mundial vem para o fim da fila porque ele jamais foi piloto da March, enquanto equipe oficial. O escocês, porém, foi o responsável pela primeira vitória do chassi da March, no GP da Espanha de 1970, pela Tyrrell, no que seria a última vitória de uma equipe com chassi comprado de outra na F1. A vitória de Stewart veio com fotografias belíssimas causadas pelo acidente – e incêndio – entre Jacky Ickx e Jackie Oliver, onde nenhum dos dois se feriu gravemente.

© 1995 - 2020 - GrandePremio.com.br - Todos os direitos Reservados.

Connect