A década da Ducati

No último dia 23, a Ducati deu o pontapé inicial na década de 2020 ao apresentar a GP20. No 10+ desta terça-feira (28), o GRANDE PREMIUM olha para trás e revisita as Desmosedici dos anos 10

Juliana Tesser, de São Paulo

2020 marca o início de uma nova década. E, muito embora o regulamento técnico da MotoGP não tenha lá grandes novidades, a Desmosedici GP20 certamente vai ficar marcada na história da Ducati, não só por ter inaugurado a temporada de apresentações da classe rainha do Mundial de Motovelocidade, mas especialmente por, junto com os anos 20, renovar a esperança de Bolonha de recuperar um título que não vem desde 2007, ainda nos tempos de Casey Stoner.

Embora o jejum já se faça bastante longo, é fato notório que a Ducati deu um importante passo à frente na década passada, especialmente sob a regência de Gigi Dall’Igna, que assumiu o posto de Berhard Gobmeier na Ducati Corse logo após o fim da temporada 2013.

O azar da Ducati, porém, tem nome e sobrenome: Marc Márquez. Com o #93 ― aparentemente ― eternamente em forma, a escuderia vermelha ainda não conseguiu fazer frente ao domínio espanhol, mas tem tentado de múltiplas formas. Além de investir na evolução da moto, a casa de Borgo Panigale também abriu a carteira com material humano.

Depois do fracasso com Valentino Rossi no início da década passada, a Ducati investiu pesado com Jorge Lorenzo, mas, ainda que em menor grau do que aconteceu com o #46, o projeto não deu lá tão certo. Faltou paciência ― dos dois lados, diga-se ― e o ‘barco’ naufragou precocemente.

Andrea Dovizioso, por outro lado, nunca se negou a colocar a mão na massa. Escolhido para suceder Rossi, o #4 se empenhou fortemente é uma das chaves para o crescimento da Ducati.

Embora a velocidade seja a marca da Ducati ― ainda que a Honda tenha se aproximado em 2019 ―, também é fato notório que a performance de curva segue sendo o calcanhar de Aquiles da Desmosedici. E, justamente por isso, os italianos vão colocar na pista um chassi completamente novo neste ano.

Nova arma da casa de Bolonha, a GP20 conta com motor 90° V4 com capacidade de 1000cc. A potência máxima supera os 250 HP e a velocidade máxima fica acima dos 350 km/h.

Com a GP20 pronta para ir para a pista no início de fevereiro para os testes da pré-temporada, em Sepang, o GRANDE PREMIUM dá uma olhada na década passada e relembra as Desmosedici dos anos 10.

A GP20 é a arma mais recente da Ducati na MotoGP
(Foto: Ducati)

GP10

 

A Desmosedici de 2010 marcou dos motores big bang na Ducati depois de os screamer terem reinado na era das 800cc. Além do chassi de fibra de carbono, a GP10 também tinha braço oscilante confeccionado no mesmo material.

Pilotos: Casey Stoner e Nicky Hayden

Motor: Big Bang V4 90° com 800cc de capacidade

Chassi: Fibra de carbono

Vitórias: Stoner: 3 | Hayden: 0  3

Pódios: Stoner: 9 | Hayden: 1 10

 

Screamer

Big Bang

- Um motor de ronco agudo e frenético
- Entrega de potência é mais agressiva, o que torna a moto mais selvagem
- Os cilindros explodem um por um
- O ronco do Big Bang é mais sólido
- É um motor mais doce, mas isso impacta na potência, que é ligeiramente menor
- Os cilindros explodem de dois em dois

 

A GP10 marcou a volta do motor big bang
(Foto: Ducati)

GP11

 

A máquina de 2011 foi marcante para a Ducati, já que marcou a saída de Casey Stoner e a chegada de Valentino Rossi. Os resultados, porém, ficaram longe da badalação pela contratação do italiano.

Assim como todos os outros parceiros de Stoner, Rossi teve dificuldades com a moto. O italiano e Hayden se queixavam da frente da moto e culpavam o chassi de fibra de carbono. A Ducati, então acabou criando uma GP11.1 e, mais tarde, uma nova versão, onde substituía o chassi de carbono por um quadro de alumínio. 

Pilotos: Valentino Rossi e Nicky Hayden

Motor: Big Bang V4 90° com 799cc de capacidade

Chassi: Fibra de carbono

Vitórias: Rossi: 0 | Hayden: 0 0

Pódios: Rossi: 1 | Hayden: 1 2

A GP11 marcou a chegada de Valentino Rossi à Ducati
(Foto: Ducati)

GP12

 

Depois dos problemas de 2011, a Ducati manteve o chassi de alumínio, mas precisou fazer uma série de outras mudanças na moto, como, por exemplo, na suspensão traseira. Os resultados até melhoraram, mas não foram nada impressionantes. Assim, Rossi fez as malas e voltou para a Yamaha, onde segue até hoje.

Pilotos: Valentino Rossi e Nicky Hayden

Motor: Big Bang V4 90° com 800cc de capacidade

Chassi: Alumínio

Vitórias: Rossi: 0 | Hayden: 0  0

Pódios: Rossi: 2 | Hayden: 0 2

A Desmosedici não conseguiu uma grande evolução em 2012
(Foto: Ducati)

GP13

 

A Ducati seguiu empenhada em mudar a sorte da Desmosedici, trazendo várias versões diferentes de chassi ao longo do ano. A ausência de pódios, porém, deixou clara a necessidade de mudança, o que levou a contratação de Gigi Dall’Igna. 

Pilotos: Andrea Dovizioso e Nicky Hayden

Motor: Big Bang V4 90° com 1000cc de capacidade

Chassi: Alumínio

Vitórias: Dovizioso: 0 | Hayden: 0  0

Pódios: Dovizioso: 0 | Hayden: 0  0

2013 foi o ano da chegada de Andrea Dovizioso
(Foto: Ducati)

GP14

 

A Desmosedici de 2014 era visualmente diferente de sua antecessora. Mas foi uma opção regulamentar que pavimentou o caminho para o futuro: a Ducati seguiu o regulamento Aberto, o que lhe deu mais opções de desenvolvimento.

Pilotos: Andrea Dovizioso e Cal Crutchlow

Motor: Big Bang V4 90° com 1000cc de capacidade

Chassi: Alumínio

Vitórias: Dovizioso: 0 | Crutchlow: 0  0

Pódios: Dovizioso: 2 | Crutchlow: 1  3

Cal Crutchlow também teve uma breve experiência na Ducati
(Foto: Ducati)

GP15

 

O trabalho como chassi não eliminou as dificuldades com a dianteira da moto, o que levou os engenheiros a olharem também para o motor. A GP15, então, ganhou um propulsor mais compacto, alterando a distribuição de peso. A moto era, também, visivelmente menor do que suas antecessoras.

Pilotos: Andrea Dovizioso e Andrea Iannone

Motor: Big Bang V4 90° com 1000cc de capacidade

Chassi: Liga de alumínio twin-spar

Vitórias: Dovizioso: 0 | Iannone: 0  0

Pódios: Dovizioso: 5 | Iannone: 3  8

A GP15 visivelmente menor do que suas antecessoras
(Foto: Ducati)

GP16

 

A moto de 2016 chegou como uma evolução de sua antecessora. O chassi foi, novamente, modificado, assim como a carenagem, com as asas ganhando ainda mais destaque. Foi essa moto, aliás, que fez a Ducati fazer as pazes com a vitória, ainda que longe de ameaçar Honda e Yamaha.

Pilotos: Andrea Dovizioso e Andrea Iannone

Motor: Big Bang V4 90° com 1000cc de capacidade

Chassi: Liga de alumínio twin-spar

Vitórias: Dovizioso: 1 | Iannone: 1 ↠ 2

Pódios: Dovizioso: 5 | Iannone: 4 ↠ 9

2016 foi o ano em que a Ducati fazer as pazes com a vitória
(Foto: Ducati)

GP17

 

A GP17, certamente, merece um lugar de destaque na história da Ducati: afinal, foi ela que devolveu a fabrica de Bolonha à briga pelo título. Evolução da moto de 2016, a Desmosedici precisou lidar com o veto às asas, mas os engenheiros trabalharam bem para manter o downforce na dianteira.

Pilotos: Andrea Dovizioso e Jorge Lorenzo

Motor: Big Bang V4 90° com 1000cc de capacidade

Chassi: Liga de alumínio twin-spar

Vitórias: Dovizioso: 6 | Lorenzo: 0  6

Pódios: Dovizioso: 8 | Lorenzo: 3  11

A GP17 merece um lugar de destaque na história da Ducati
(Foto: Ducati)

GP18

 

A casa de Bolonha seguiu a linha da evolução e a GP18 chegou a ser chamada de ‘a melhor Ducati’. Afinal, fazia tempo que o time vermelho não vencia tantas corridas.;

Pilotos: Andrea Dovizioso e Jorge Lorenzo

Motor: Big Bang V4 90° com 1000cc de capacidade

Chassi: Liga de alumínio twin-spar

Vitórias: Dovizioso: 4 | Lorenzo: 3  7

Pódios: Dovizioso: 9 | Lorenzo: 4  13

Aventura com Jorge Lorenzo terminou de forma precoce
(Foto: Ducati)

GP19

 

A GP19 seguiu a linha recente da Ducati, melhorando aquilo que funcionou com suas antecessoras. Desta vez, porém, o motor da Desmosedici não se destacava tão mais em comparação com as rivais, já que a Honda deu um importante passo em termos de potência. Ainda assim, foi Marc Márquez quem fez mesmo a diferença. O #93 deu à fábrica da asa dourada o título do Mundial de Equipes, ainda que tenha pontuado quase que sozinho. 

Pilotos: Andrea Dovizioso e Danilo Petrucci

Motor: Big Bang V4 90° com 1000cc de capacidade

Chassi: Liga de alumínio twin-spar

Vitórias: Dovizioso: 2 | Petrucci: 1  3

Pódios: Dovizioso: 9 | Petrucci: 3 ↠ 12

GP19 perdeu enorme superioridade de motor por conta do avanço da Honda
(Foto: Ducati)