As melhores corridas da F1 que você não conhece

A história da F1 traz corridas excelentes, mas que já são manjadas. No 10+ dessa semana, o GP* separa dez corridas cujos resultados você provavelmente não sabe. Perfeito para ver e descobrir, não?

Vitor Fazio, de Berlim

A pandemia e a consequente suspensão da temporada da Fórmula 1 virou o momento perfeito para rever corridas antigas. As reprises vieram aos montes, tanto no canal oficial da F1 no YouTube quanto nas manhãs de domingo com a Globo.

As provas reprisadas são sempre icônicas. A Globo já trouxe os GPs do Japão de 1988 e do Brasil de 1991, ambos com triunfos de Ayrton Senna. No YouTube da F1, outras como o GP de Mônaco de 1996, o da Europa de 1997 ou do Brasil de 2016. Todas provas que o fã mais aficcionado sabe de cor e salteado quem venceu e como a trama se desenrolou.

Mas e se você quiser ver uma boa corrida sem saber o que vai acontecer? Bom, o GRANDE PREMIUM tem algo especial para você: separamos dez provas cheias de ação, mas com resultados menos conhecidos. Para garantir que você possa acompanhar a prova sem spoilers no seu link corsário preferido, fizemos apenas um breve resumo do motivo para a corrida ser interessante, sem revelar o resultado final.

O GP da África do Sul teve vencedor incerto até a última volta
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GP da África do Sul de 1978

Problemas mecânicos, mais problemas mecânicos e ultrapassagem na última volta. O GP da África do Sul de 1978, no tradicional circuito de Kyalami rendeu cinco líderes diferentes, e isso numa época em que não havia estratégia de pneus para render ultrapassagens artificiais. A Lotus vinha forte com Andretti e Peterson, mas encarou a resistência inesperada de Ligier, Arrows e até Wolf.

GP do Canadá de 1981

A corrida chuvosa mais famosa do Canadá certamente é a de 2011, mas a de 30 anos antes, em 1981, não fica devendo muito. A edição, na época em que Montreal ainda era uma novidade, teve um temporal desde a largada e uma série de toques entre pilotos. Os pilotos não ficaram com medo da água acumulada e seguiram forçando ultrapassagens, com destaque para Nelson Piquet, Gilles Villeneuve, Alain Prost e Nigel Mansell. O canadense, aliás, protagonizou cena icônica na prova.

O GP de San Marino de 1985 teve o consumo de combustível como protagonista
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GP de San Marino de 1985

Antes das chicanes, Ímola era um circuito excepcional para ultrapassagens. Outro aspecto que muito afetava as corrida era o alto consumo de combustível, que transformava as voltas finais em uma luta contra a pane-seca. Nenhuma edição do GP de San Marino mostra isso melhor do que a de 1985: uma prova que parecia tranquila nas voltas finais teve reviravoltas em um piscar de olhos envolvendo gente como Senna, Prost e Piquet.

GP do Japão de 1993

Suzuka tem várias corridas marcantes, muitas delas nas décadas de 1980 e 1990. 1993 não ganhou o status de prova memorável, mas merece mais carinho. A corrida japonesa teve a Williams menos dominante do que de costume para a época, o que também teve a ver com a chuva intensa que caiu sobre o autódromo na metade da prova. Penúltimo capítulo das disputas entre Senna e Prost, a corrida também envolveu retardatários atrapalhando líderes e rendeu troca de socos depois.

O GP da França de 2002 mostra que até uma era dominada por Schumacher teve emoção
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GP da Áustria de 2001

A edição de 2002 do GP da Áustria entrou para a história da F1 pelo ‘hoje não, hoje não, hoje sim’ de Cléber Machado. Só que a edição de 2001 não foi tão melancólica assim. Aliás, muito pelo contrário: o GP seguiu com desfecho incerto até o fim. Teve briga entre Montoya e Schumacher, teve abandono inesperado e, bem, teve jogo de equipe também.

GP da França de 2002

2002? Com boas corridas? Bem, é inegável que o domínio absoluto de Michael Schumacher não ajudou a criar corridas empolgantes, mas houve exceções. O GP da França, no costumeiramente chato traçado de Magny-Cours, é uma grata surpresa: teve pole da Williams com Montoya, isso além da McLaren também fazendo frente ao poderio da Ferrari. A prova, com um dos primeiros momentos de brilho de Räikkönen na F1, fica em aberto até as voltas finais.

O mesmo vale para o GP da China de 2011, ano dominado por Sebastian Vettel
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GP dos Estados Unidos de 2003

Talvez o maior crime dessa lista: uma corrida com diversas variáveis, inclusive climáticas, mas que caiu no esquecimento de grande parte do público. A prova já tinha tudo para ser marcante antes mesmo da largada: Schumacher, Montoya e Räikkönen eram separados por 7 pontos, isso com dois GPs restando. Teve também chuva, toques e uma punição controversa. Um novo argumento para lembrar que a Era Schumacher na F1 não foi necessariamente monótona do começo ao fim.

GP da China de 2011

Xangai já rendeu corridas marcantes na F1. O GP da China de 2011 costuma ser ignorado, mas não fica devendo. A terceira etapa de uma temporada que seria dominada por Vettel foi o primeiro grande desafio para a Pirelli no retorno à F1. O traçado causou alto desgaste nos pneus e criou estratégias diferentes. Teve briga pela vitória entre Vettel, Hamilton e Rosberg, isso além de uma bela recuperação de Webber após largar em último.

O GP da Hungria de 2015 teve emoção por Jules Bianchi, mas também pela ação na pista
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GP do Japão de 2013

A reta final de 2013 geralmente é vista com maus olhos por fãs da F1. Vettel se tornou ainda mais dominante do que já era, combinando excelente pilotagem com uma Red Bull sem pontos fracos. Só que o GP do Japão foi exceção: Mark Webber teve uma de suas melhores performances do ano e Romain Grosjean se viu com chance clara de vencer. O resultado foi uma disputa de estratégias que seguiu em aberto até as voltas finais, consequência das estratégias distintas que os pneus de alto desgaste da Pirelli permitiam.

GP da Hungria de 2015

Uma corrida mais recente, mas que merece carinho. Em um ano de GPs majoritariamente modorrentos, o da Hungria teve incidentes até dizer chega. Em uma corrida que já seria marcante pelas homenagens a Bianchi, morto uma semana antes, a incapacidade da Mercedes de dominar foi a cereja no bolo. A Ferrari mostrou grande força com Vettel e até mesmo a Red Bull, que fazia uma temporada das mais fracas, virou um fator. Hamilton e Rosberg, por sua vez, tiveram uma dose considerável de contratempos.