Barrichello está vivo. E feliz

Rubens Barrichello passa por um momento diferente: após a suspeita de AVC que sofreu no começo do ano, vive cada dia de forma única. Nas pistas isso não muda, e tudo que tem falado durante as etapas de Stock Car corrobora isso

Felipe Noronha, de São Paulo

Rubens Barrichello assustou os fãs de automobilismo de todo o mundo quando, em fevereiro deste ano, anunciou em vídeo que havia sofrido uma suspeita de AVC e que estava internado em um hospital nos Estados Unidos. Naquele momento, pairavam dúvidas: ele estava de fato bem? Ele poderia continuar a praticar o esporte que tanto ama? Se sim, poderia correr já na abertura da Stock Car, dali um mês?

Desde então passaram-se pouco mais de três meses e Rubinho vem respondendo da melhor maneira possível: pilotando, conquistando resultados, curtindo a família, feliz. Vivo.

Durante as quatro etapas da Stock Car realizadas até este meio de maio, Barrichello foi visto sempre sorridente no paddock, nos boxes, nos pódios e conquistas de pole que alcançou. Sempre na 'correria', pois é um dos mais assediados por fãs, jornalistas, patrocinadores... Mas disposto a falar sobre os problemas pelos quais passou - lembrando que, depois, revelou que retirou um tumor do pescoço - e de bom humor, focando no fato de que tenta aproveitar cada momento desde tudo que aconteceu.

Isso foi o observado pelo GRANDE PRÊMIO durante a Stock Car até aqui. O que mais pode explicar como Rubinho tem se sentido? O que o próprio diz: em declarações dadas durante esse semestre louco - mas, talvez, o mais importante de sua vida.

Barrichello com o filho. Curtir a família é um de seus focos pós-suspeita de AVC
Rodrigo Berton/Grande Prêmio

10) A confirmação

"Muito feliz em anunciar que tô liberado. Fiz todos os tipos de exame. Foi realmente um grande susto, mas aqui, ó, em carne e osso, cheio de vontade."

Rubinho confirmou sua participação na Corrida de Duplas da Stock Car, a primeira etapa da temporada, de forma animada - deixando claro que estava feliz e com muita disposição. Foi o primeiro indício de que tudo ficaria bem para o piloto. Importante lembrar: essa confirmação ocorreu apenas 20 dias depois da revelação da suspeita de AVC.

9) 14%

Se certas operadoras de 'streaming' tem a sua série '3%', Rubinho poderia chamar a sua de '14%'. É que, após o pódio na Corrida de Duplas, ele contou ao GRANDE PRÊMIO que ouviu de seus médicos que apenas 14% das pessoas que passam pelo que ele passou sobrevivem sem sequelas. E ele é uma delas.

"Tive uma coisa que 14% das pessoas que tiveram saem como saí."

Barrichello com Felipe Albuquerque, seu parceiro na Corrida de Duplas
Fernanda Freixosa/Vicar

8) As lágrimas

Barrichello é conhecido por ser alguém que se emociona muito. Nesta situação não havia como ser diferente. Ainda no pódio em Interlagos, foi às lágrimas - o momento era propício para tal 'desabafo'. 

"Perguntei para meus filhos se eles tinham vergonha de ver o pai chorando e eles falaram que não e quis muito chorar. A emoção é a melhor, é a coisa mais gostosa que a gente pode sentir. Tem gente que chora mais, tem gente que chora menos. Eu voltei do hospital mais rápido, mais forte e mais choroso, pode ter certeza absoluta."

 

7) A dor

O momento de maior sofrimento de Rubinho durante todo o ocorrido foram as quase duas horas de dores fortíssimas. E piora, quando ele assume que aqueles que o amam sofreram por mais tempo ainda com as dúvidas que tudo gerou. Então, assim que saiu seu primeiro ótimo resultado após a suspéita de AVC, uma palavra definiu: grandioso.

"A vida de um esportista de alto nível não tem 'e se', nós ficamos em segundo, e eu agradeço aos céus, para mim isso é maior do que tudo. Eu tive muito medo de não estar aqui, então estar aqui e lutar da forma que eu sempre lutei, isso é grandioso"

Barrichello ao lado de Lucas di Grassi e Daniel Serra, no pódio em Londrina
Fernanda Freixosa/Vicar

. 6) Sete vidas

Vamos permitir uma exceção: em vez de uma frase de Barrichello, colocaremos uma de Filipe Albuquerque, seu parceiro na Corrida de Duplas. Porque ela resume bem tudo pelo que Rubinho passou - e é vinda de alguém que viveu dias especiais ao seu lado em Interlagos.

"É muito especial. Costuma-se dizer que é a segunda chance da vida. Ele tem sete vidas"

5) Gratidão

"Cada momento em que eu entro no carro é uma gratidão. Acho que você poder acordar e agradecer é um sentimento que não tem igual. Vou até chorar de novo."

Foi assim que Rubinho resumiu seu sentimento após conquistar a pole em Curitiba, sua primeira da temporada. Independentemente do ótimo resultado, um "momento gratificante".

Rubinho com Dona Maria, mãe de Max Wilson, piloto da Eurofarma e amigo pessoal há décadas
Duda Bairros/Vicar

4) Saldo sempre positivo

Em Curitiba, Rubinho saiu na pole na corrida 1, mas passou por problemas na largada e despencou no grid. Ao final da etapa, conversou com o GRANDE PRÊMIO em cena inusitada, mas que mostra como está tranquilo, leve: andava de moto pelo paddock, indo embora, mas parou para explicar o ocorrido. E deixou claro que a vida é mais importante do que um erro em corrida.

"Eu estou feliz de estar vivo, chateado com a situação de ter sido pego no pé errado."

3) Sem incômodo

Quando todos pensavam que o pior já havia sido revelado, Rubinho contou durante entrevista à TV Globo que não só havia passado por uma suspeita de AVC, como também havia retirado um tumor do pescoço. Mesmo revelando uma 'bomba' deste tamanho, conseguiu brincar.

"Eu tirei rapidinho porque, é benigno, mas precisava-se tirar porque ele cresce. Como eu não quero incômodo no meu carro..."

Barrichello com o #111 onde ama estar: na pista
Duda Bairros/Vicar

2) Momento histórico

Ao conquistar sua segunda pole na temporada, em Londrina, Rubinho celebrou o fato de novamente poder comemorar com um troféu em mãos.

"Esse momento é histórico. Estou emocionado em continuar, com essa idade, com essa velocidade."

1) Corpinho de 30

A última declaração deste 10+ vem de uma entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO. Em Londrina, Barrichello resumiu tudo pelo que tem passado neste semestre. Toda a história, em poucas, mas fortes, palavras.

"A história desse ano... Eu tenho esse desejo de que as pessoas pudessem sentir essa fase da vida de agradecimento. É lógico que eu preferiria ter um corpinho de 30, hoje em dia você come um pouquinho a mais, sobe na balança e fala ‘Jesus amado’. Mas, sabe, eu estou tão dedicado quanto, com uma vontade tanto quanto eu tive em qualquer momento da minha carreira."

"É agradecer de verdade por estar vivo"
Fernanda Freixosa/Vicas