Encontros com o Muro dos Campeões

Sede da etapa do Mundial de Fórmula 1 realizada no último fim de semana, o Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, tem um pedaço que é lar de acidentes aos montes. De tão lendário, ganhou um apelido: Muro dos Campões

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

Corrida antiga no Mundial de Fórmula 1, o GP do Canadá sofreu mudanças de traçado com o passar do tempo. Nos últimos pouco mais de 20 anos, uma figura quase mítica ascendeu: o Muro dos Campeões, colocado fora da pista após a chicane L'Epingle, na entrada da reta dos boxes. Faz 20 anos que o nome surgiu, em 1999, mas o muro faz estragos desde antes.

O GRANDE PREMIUM aproveita a edição 2019 do GP do Canadá, no último domingo, para repassar tudo que você precisa saber.

 

 

Jacques Villeneuve
Reprodução/Youtube

Jacques Villeneuve, 1997

Antes do muro ganhar nome, teve Villeneuve. Jacques ia em busca de repetir o feito do pai, Gilles, e vencer em casa, mas a pista nunca fui muito boa com ele. O piloto seria campeão daquela temporada, mas sem repetir o que o pai fizera em 1978. 

Villeneuve era o segundo colocado ainda na volta 2 quando perdeu a traseira ao contornar a primeira parte da chicane. O destino foi o famoso muro.

Villeneuve foi destacado antes por ser um campeão e porque estava em casa, mas foi Alexander Wurz quem atacou o muro antes. No treino de classificação, para ser mais sincero. Era apenas a estreia de Wurz na F1, uma vez que Gerhard Berger, então titular da Benetton, estava lesionado.

Damon Hill
Reprodução/Twitter

1999

- Damon Hill

O Muro dos Campeões seria chamado assim apenas a partir de 1999, porque aquela corrida foi um tanto quanto caótica. Naquele dia apenas dez carros dos 22 do grid conseguiram chegar ao final - somente sete na volta do líder. Ralf Schumacher havia batido na classificação, mas se recuperou e terminou a corrida no quarto lugar. Quem bateu no domingo não teve tanta sorte.

O primeiro a bater naquele dia não foi um campeão da F1, mas um estreante - embora campeão mundial de GT: Ricardo Zonta. Logo na segunda volta o piloto da BAR escapou, acertou o muro e abandonou. Na 14ª volta, aí, sim, Hill. O campeão de 1996 viu a Jordan traseirar no fim do contorno da curva e não conseguiu segurar. Pneu furado, suspensão quebrada e abandono.

- Michael Schumacher

Pole-position, o Schumacher mais velho caminhava para uma vitória aparentemente tranquila. Até que, na volta 29, quase nem diminuiu a velocidade. Pegou de frente no muro, o que fez a asa dianteira se soltar por inteira. Também acabava ali a participação dele.

- Jacques Villeneuve (de novo)

Apenas cinco voltas mais tarde, Villeneuve novamente se encontrou com aquela parte da pista. A corrida estava boa para ele, que, já com a BAR, havia subido do 16º para o oitavo posto quando falhou ao tentar diminuir a velocidade - bem parecido ao que fez o velho rival da Ferrari. Em oito participações no GP do Canadá, Villeneuve abandonou cinco.

2001

- Rubens Barrichello

O GP do Canadá de 2001 teve duas famosas confusões. E ambas no treino de classificação. O piloto, então da Ferrari, foi além dos limites da pista bater na zebra e perder a traseira do carro vermelho. Acabou destruindo a asa traseira e estourando o pneu.

- Nick Heidfeld

Depois, Heidfeld, então na Sauber, tinha o 11º tempo e estava pouco mais de 1s3 atrás do líder Michael Schumacher. Com menos de 2min para o fim da sessão, tentava ganhar mais espaço quando perdeu o carro ao quicar na zebra da L'Epingle e ir direto no Muro dos Campeões. A Sauber reconstruiu o chassi para a corrida, mas ele abandonou na segunda volta após ser vítima de uma pancada de Eddie Irvine.

Jenson Button
Reprodução/Twitter

- Jenson Button, 2005

Na edição de 2005, então pela Honda, Button ainda não era um campeão mundial - algo que só mudaria em 2009. Mesmo assim ele se apresentou como a grande figura do sábado e anotou a pole-position.

Quando o domingo chegou, as coisas foram modificadas. Fernando Alonso, que tomava o campeonato de assalto, assumiu a ponta. Mas cometeu um erro e abandonou. Button, em terceiro, ainda tinha chances de vitória quando foi pressionado por Michael Schumacher, passou rápido demais na chicane e foi parar no muro.

Juan Pablo Montoya
Reprodução/Twitter

- Juan Pablo Montoya, 2006

Qualquer lista de batidas fica mais rica se tiver um Momento Montoya. Essa não seria diferente, então separamos a colisão do colombiano na 13ª volta do GP do Canadá de 2006. Foi o terceiro ano seguido que ele, então piloto da McLaren, não terminou a corrida, mas a primeira vez que tocou o Muro dos Campeões.

A batida foi leve, é verdade. A McLaren bateu de lado, seguindo um deslize por não conseguir conter a velocidade com que contornou a chicane. Temos Montoya!

Sebastian Vettel
Reprodução/Twitter

- Sebastian Vettel, 2011

O GP do Canadá de 2011 não foi ruim para Vettel. Então já campeão mundial, o alemão fez a pole-position e terminou a corrida na segunda colocação, atrás do companheiro Mark Webber, numa dobradinha da Red Bull. Mas na sexta-feira...

Enquanto ainda iniciava a contagem da quilometragem na pista do Circuito Gilles Villeneuve, Vettel obrigou uma bandeira vermelha a entrar em ação após Sebastian sair de frente na primeira perna da chicane e ficar como passageiro do bólido com que conquistaria o bicampeonato mundial no fim do ano. Uma baita apresentação ao temido muro.

Bruno Senna
Reprodução/Twitter

- Bruno Senna, 2012

Pela Williams, Senna viveu seu grande momento de Muro dos Campeões no segundo treino livre para a corrida de 2012. O carro passou desequilibrado na primeira perna da chicane, mas escapou mesmo, de vez, após a segunda perna. Em alta velocidade, acertou em cheio e perdeu a asa dianteira.

Embora não seja campeão da F1, Senna se tornou campeão mundial ao conquistar a classe LMP2 do WEC na temporada 2017. Vai para os créditos do muro.