GP de F1 e seleção em Copa do Mundo

Não tem como ignorar a Copa do Mundo, certo? É exatamente por isso que o GRANDE PREMIUM aproveita o 10+ e lista as vezes que um mesmo país recebeu uma prova da F1 e viu a seleção jogar por uma Copa no mesmo fim de semana

Pedro Henrique Marum, do Rio de Janeiro

Em ritmo de Copa do Mundo, o GRANDE PREMIUM separa uma lista com os momentos em que um país sediou uma etapa da F1 e a seleção nacional correspondente entrou em campo pelo Mundial no mesmo fim de semana. Da Bélgica em 1954, passando por três campeãs e desembarcando em 2018, a lista corta grande parte da história das Copas e da F1.

Para quem realmente gosta de esporte, afinal, é sempre um privilégio poder passar de F1 para Copa do Mundo no apertar de um controle remoto, certo?

A largada do GP da Bélgica e 1954, vencido por Juan Manual Fangio
Devianart

20 de junho, 1954

Bélgica 1 x 4 Itália / GP da Bélgica

A primeira vez que esse casamento de importantes eventos esportivos na mesma data aconteceu foi em 1954. Naquele dia a F1 organizava o GP da Bélgica, terceira etapa do campeonato - sendo que uma delas havia sido Indianápolis, com um grid completamente diferente. A corrida começou com um carro extra, uma Maserati alinhada com a intenção de gravar cenas reais para um filme hollywoodiano. Juan Manuel Fangio era pole, largou mal, mas se recuperou e venceu a corrida. Foi a primeira vitória dele no ano e impulsionou para o título.

No mesmo dia, a seleção belga entrou no campo do Cornaredo, em Lugano, na Suíça, para a segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. A Bélgica tinha empatado em 4 a 4 com a Inglaterra no jogo inicial e agora enfrentava a bicampeã Itália. Foi um atropelamento. Egisto Pandolfini, Carlo Galli, Amleto Frignani e Benito Lorenzo abriram 4 a 0 para a Itália e Léopold Anoul descontou no fim. Placar final: Itália 4 x 1 Bélgica. A seleção belga deixou a Copa eliminada com um empate e uma derrota.

GP da Inglaterra, 1966, vencido por Jack Brabham
Reprodução/Twitter

16 de julho, 1966

Inglaterra 2 x 0 México / GP da Inglaterra

Durante o mês de julho de 1966, a Inglaterra estava lotada. A Copa do Mundo era lá e a F1 também ia correr no país. Em Silverstone, a quarta etapa do campeonato viu Jack Brabham se distanciar. O australiano já chegou líder, mas ainda garantiu a pole-position e converteu em vitória na sequência. Ele ainda venceu mais duas corridas e foi para o título mundial.

Sob pressão, a seleção inglesa vinha de empate com o Uruguai e precisa ganhar do México. O jogo começou tenso e assim ficou até Bobby Charlton abrir o marcador. Roger Hunt ampliou depois, no segundo tempo. Placar final: Inglaterra 2 x 0 México. Foi a primeira vitória no caminho dos Three Lions, que ainda se ajustavam nas mãos do treinador Alf Ramsey. Ao fim da Copa, eram campeões mundiais pela primeira vez.

Pedro Rodríguez venceu o GP da Bélgica de 1970
Reprodução/Devianart

6 de junho, 1970

Bélgica 1 x 4 União Soviética/ GP da Bélgica em 7 de junho

Em junho de 1970, o mundo olhava para outro continente. Enquanto a Copa do Mundo se desenrolava no México, a F1 chegava à Bélgica para a quarta etapa do campeonato. No sábado, dia 6, Jackie Stewart reforçou que tinha o melhor carro para treinos classificatórios e cravou a pole. Logo depois a seleção da Bélgica teve uma chance de confirmar a classificação para as quartas de final da Copa do Mundo, afinal havia vencido El Salvador por 3 a 0. Mas novamente, assim como em 1954, não foi o que aconteceu.

Anatoliy Byshovets, Kakhi Asatiani, Byshovets de novo e Vitaliy Khmelnitsky abriram 4 a 0 para a União Soviética. No fim, com o jogo já perdido, Raoul Lambert descontou. Mas o placar final no Azteca, na Cidade do México, foi mesmo 4 a 1 para os soviéticos.

No dia seguinte, foi Pedro Rodríguez, mexicano como a Copa de 1970, quem venceu a corrida. Foi a última vitória dele na F1 e teve Chris Amon e Jean-Pierre Beltoise a seu lado no pódio. Nenhum deles foi campeão da temporada, porém, algo que coube a Jochen Rindt.

A dobradinha das Ferrari de Lauda e Regazzoni marcou o GP da Holanda de 1974
Reprodução/Twitter

23 de junho, 1974

Holanda 4 x 1 Bulgária / GP da Holanda

O campeonato de 1974 começou antes em relação aos outros citados nessa lista. Quando o dia 23 de junho chegou, a Holanda recebia já a oitava das 15 etapas da temporada. Em Zandvoort, Niki Lauda aproveitou a pole-position e levou a Ferrari a uma até confortável dobradinha ferrarista, com Clay Regazzoni na segunda colocação e Emerson Fittipaldi num distante terceiro lugar. O piloto brasileiro já era líder naquele momento e seguiu assim para ser campeão daquele ano.

No mesmo dia, a seleção da Holanda fez algo que a Bélgica não fez nos outros anos. Após vencer o Uruguai e empatar com a Suécia, a seleção liderada por Johann Cruijff triturou a Bulgária no Westfalenstadion, em Dortmund, na Alemanha. Com dois gols de pênalti marcados por Johan Neeskens, um de Johnny Rep e outro de Theo de Jong, a Laranja Mecânica que encantou o mundo fez 4 a 1 - Ruud Krol, contra, anotou o gol búlgaro. A Holanda e seu futebol total chegaram à decisão do Mundial, quando perderam para a dona da casa.

Mario Andretti, com a Lotus, venceu o GP da Espanha de 1978
Reprodução

3 de junho, 1978

Espanha 1 x 2 Áustria / GP da Espanha em 4 de junho

O GP da Espanha foi a sétima etapa do Mundial de F1 de 1978. Na pista de Jarama, Mario Andretti marcou a pole e tratou de esperar o dia seguinte. Ao passo que, do outro lado do Atlântico, na Argentina, a seleção espanhola abria sua participação na Copa do Mundo contra a Áustria. E foi ruim. No estádio José Amalfitani, o Fortín de Liniers, Dani até empatou o placar que tinha sido aberto por Walter Schachner. Só que Hans Krankl deu 2 a 1 e números finais a favor dos austríacos. A Espanha conseguiu segurar um empate em zero com o Brasil e vencer a Suécia, mas mesmo assim foi eliminada.

As atividades da F1 voltaram e seguiram da mesma forma no dia seguinte: com comando total de Andretti. O piloto da Lotus disparou e venceu confortavelmente, inclusive com a melhor volta. Ronnie Peterson e Jacques Laffite completaram o pódio. Aquele foi o ano de Mario Andretti, que terminou campeão mundial.

Michael Schumacher venceu o GP da França de 1998
Ferrari

28 de junho, 1998

França 1 x 0 Paraguai / GP da França

Assim como em 1966, todos os eventos estavam acontecendo no mesmo país em 1998. Na pista de Magny-Cours, a oitava etapa do campeonato daquele ano teve Mika Häkkinen largando na pole, mas Michael Schumacher deu o bote na segunda largada - a primeira teve um carro, o de Jos Verstappen, parado no grid e foi abortada. O alemão manteve uma distância tranquila e venceu com o companheiro Eddie Irvine na segunda colocação. Häkkinen, terceiro na prova, acabou campeão mundial daquele ano pela primeira vez.

Em casa, a seleção francesa tentava apagar a desconfiança de uma torcida que não assistia seu time numa Copa do Mundo há oito anos. A fase de grupos foi boa, mas aquele dia 28 de junho guardava um dia de 'haja coração'. No estádio Félix Bollaert, em Lens, o Paraguai segurou os donos da casa durante 45 minutos, depois durante 90. A explosão da torcida veio apenas no minuto 114, na prorrogação, quando o zagueiro Laurent Blanc mandou para dentro uma bola escorada por David Trezeguet. Era o já extinto gol de ouro, que mandou a França para a próxima fase. Os Bleus ainda bateram Itália, Croácia e Brasil no caminho do título da Copa caseira.

Em 2002, no GP da Europa de Nurburgring, deu Rubens Barrichello
Ferrari

21 de junho, 2002

Alemanha 1 x 0 Estados Unidos / GP da Europa, em Nurburgring, em 23 de junho

Em 2002, na Copa da Ásia, demorou um pouco mais para os eventos se encontrarem. Era a nona etapa da F1 e quartas de final da Copa. Os carros já andavam em Nurburgring nos primeiros treinos para o GP da Europa. A seleção alemã entrou em campo para encarar um surpreendente Estados Unidos e teve dificuldades. Michael Ballack, aos 39 do primeiro tempo, fez o gol solitário que mandou os alemães para a semifinal ante a Coreia do Sul. A Alemanha chegaria até a final, onde perderia para o Brasil.

Já nas pistas, a Williams mostrou superioridade em ritmo de classificação e arrebatou a primeira fila, com Juan Pablo Montoya na frente e Ralf Schumacher em segundo. O treino classificatório, aliás, até teve horários modificados para não brigar com os jogos entre Espanha e Coreia do Sul, Senegal e Turquia. Mas o ritmo de corrida da Ferrari era superior no domingo. Rubens Barrichello largou bem e pulou para a ponta, passando as Williams. Michael Schumacher passou os rivais também, mas não conseguiu superar Barrichello. Vitória do brasileiro, com Schumacher em segundo e um jovem Kimi Räikkönen em terceiro. Schumacher terminou o ano com o terceiro título seguido e quinto da carreira.

Largada do GP da Inglaterra de 2006, vencido por Fernando Alonso
Reprodução/Twitter

10 de junho, 2006

Inglaterra 1 x 0 Paraguai / GP da Inglaterra em 11 de junho

Silverstone estava pronta para receber a oitava temporada do Mundial de F1 de 2006. No sábado, 10 de junho, o campeão mundial vigente Fernando Alonso enfileirou a quarta pole seguida de alguém que dava pinta de ser extremamente favorito. E depois as TVs ganharam papel central, porque a partida entre Inglaterra e Paraguai, estreia de ambas na Copa do Mundo, estava começando na Commerzbank-Arena, em Frankfurt. Logo aos dois minutos, o veterano Carlos Gamarra marcou contra o próprio patrimônio. Foi o suficiente para a Inlgaterra vencer por 1 a 0. Os ingleses avançaram de fase, passaram das oitavas, mas pararam em Portugal nas quartas de final.

No domingo, Alonso não deu sopa para o azar. Venceu com facilidade e se tornou, aos 24 anos e 10 meses, o mais jovem piloto a vencer três corridas seguidas na F1. Michael Schumacher e Kimi Räikkönen completaram o pódio de uma prova que teve, pela primeira vez, uma mulher envolvida num pit-stop na F1. Louise Goodman, que era repórter de TV, participou do pit-stop da pequena Midland, então como parte de uma matéria. Alonso terminou 2006 como bicampeão mundial.

Sebastian Vettel levou a melhor no GP da Europa em Valência, 2010
Red Bull

25 de junho, 2010

Espanha 2 x 1 Chile / GP da Europa, em Valência, em 27 de junho

Após os treinos livres da sexta-feira do GP da Europa de 2010, disputado em Valência, era hora da primeira grande decisão da então campeã europeia vigente, a Espanha, na Copa do Mundo. Era o terceiro jogo da fase de grupos, mas a vida espanhola não era nada confortável. A derrota para a Suíça, na estreia, obrigava a Espanha a derrotar o Chile para não ter que depender de outro resultado. E assim foi. David Villa e Andrés Iniesta colocaram 2 a 0 no placar para a Espanha no primeiro tempo. Rodrigo Millar, no começo da segunda etapa, deu números finais no estádio Loftus Versfeld, em Pretória, na África do Sul. A Espanha avançou até o título mundial.

O GP da Europa era a nona etapa de um campeonato até então liderado por Lewis Hamilton e a McLaren. Mas Sebastian Vettel marcou a pole e comandou a corrida, embora tenha sofrido a ameaça de Lewis no fim. Não dá para dizer que foi em Valência que Vettel arrancou para o título de 2010, visto que só assumiu a liderança na última corrida, mas, como foi campeão por quatro pontos, é justo dizer que foi um resultado fundamental.

A largada do GP da França de 2018
Beto Issa/Grande Prêmio

21 de junho, 2018

França 1 x 0 Peru / GP da França em 24 de junho

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7 de julho, 2018

Inglaterra joga as quartas de final caso passe pela Colômbia / GP da Inglaterra em 8 de julho

O GP* tomou a liberdade da licença poética levando em conta a Copa do Mundo atual. Na realidade, a seleção francesa entrou em campo na quinta-feira, dia 21 de junho, para vencer o Peru por 1 a 0, gol de Kylian Mbappé. O fim de semana do GP da França começou no dia seguinte, 22, e terminou com um domínio enorme de Lewis Hamilton, pole e vencedor sem qualquer susto.

Mas há ainda um porém. A Inglaterra enfrenta a Colômbia na próxima terça-feira, dia 3 de julho, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Caso avance, a seleção inglesa jogará a partida de quartas de final no próximo dia 7, sábado. O GP da Inglaterra de F1 está marcado para o fim de semana dos dias 6 a 8.