Para voltar a vencer em casa

Ferrari tem uma lista de motivos para acreditar que pode fazer a festa da sua apaixonada torcida no tradicionalíssimo GP da Itália. Depois da vitória de Charles Leclerc na última corrida, escuderia conta com ânimos e motor novo para as longas retas do circuito

André Avelar, São Paulo

A Ferrari não pode comemorar como queria a sua primeira vitória na temporada, a primeira de Charles Leclerc na Fórmula 1. Por mais que não tivesse relação direta com a escuderia, a morte de Anthoine Hubert, na Fórmula 2, deixou o GP da Bélgica mais triste. No pódio, apenas um brinde, sem o estouro da champanhe. Apesar do clima ainda pesado para as próximas etapas, a Ferrari tem motivos de sobra para preparar a festa para o próximo domingo (8), no GP da Itália.

Mais do que a moral pelo resultado — esperava-se mais apenas de Sebastian Vettel, que acabou preso em uma estratégia defensiva e parou cedo demais para trocar pneus —, os tifosi contam com outros tantos motivos para acreditar em nova vitória da escuderia italiana. Assim como Spa-Francorchamps, o circuito de Monza permite que a força do melhor motor da F1 fale mais alto pelas longas retas.

Se Leclerc disse ainda no rádio com a equipe, após a vitória, que era “difícil aproveitar um fim de semana” como o que passou, também deixou o recado de que a vitória foi “um sonho que virou realidade” e vai tratar de buscá-la novamente.

Aqui os 10+ motivos para acreditar que a Ferrari pode vencer no GP da Itália:

Divulgação/Ferrari

Corrida em casa

Que a torcida ferrarista é apaixonada e se faz presente em qualquer circuito, todo mundo sabe. Mas depois de uma vitória como a do GP da Bélgica, será difícil controlar a empolgação pelas arquibancadas do GP da Itália. Monza já é tradicionalmente uma festa para os amantes da velocidade, que colorem o autódromo de vermelho, mas com a possiblidade real de vitória a coisa muda de figura. Leclerc e Vettel são inclusive esperados no centro de Milão para atividades promocionais.

Gravação em Monza

Em comemoração aos 90 anos da Ferrari, Leclerc participou na semana passada de um dia de filmagens com o carro atual em Monza. A atividade é prevista para todas as equipes, no circuito que bem entenderem, desde que não testem nenhum componente novo. Os pneus também não são os de corrida, mas sem dúvida já deu para ter uma ideia da velocidade do carro nas longas retas. A força do motor, sem dúvida, deve ser o grande trunfo para a equipe.

Divulgação/Ferrari

Novo motor

Enquanto muitas equipes, entre elas a Mercedes, optaram pelo terceiro e último motor no GP da Bélgica, a Ferrari decidiu poupar o equipamento justamente para o “Templo da Velocidade”. O diretor-esportivo Laurent Mekies, que teve a honra de subir ao pódio, estava empolgado ao contar a estratégia até aqui vitoriosa. “A razão pela qual decidimos esperar o GP da Itália é que a performance do motor pode diminuir com a quilometragem, por isso precisamos de motores novos para esta corrida”, disse.

Toalha jogada

A superioridade das unidades de potência da Ferrari é tanta que até mesmo a Mercedes já avisou que não vai dar para competir de igual para igual. Antes, ainda na Hungria, Vettel havia dito que era 6 a 7 km/h mais rápidos que os rivais em retas nos treinos livres. Já no último fim de semana, Toto Wolff admitiu que “a potência da Ferrari é ridícula neste tipo de pista”. O chefe da Mercedes aposta só em uma melhor ritmo de corrida do seu time e em uma dificuldade dos rivais com os pneus em baixas temperaturas.

Divulgação/Ferrari

Fim da ordem de equipe

Com o campeonato pra lá de perdido (Vettel está a 99 pontos do líder Lewis Hamilton), a Ferrari tinha por obrigação dar fim à ordem de equipe. Seb ainda é tetracampeão mundial e merece todo o respeito, mas estava sem dúvida atrasando o desempenho de Leclerc por ordens de equipe tomadas por uma confusa direção de Mattia Binotto. Esse mesmo, aliás, disse que se sentia por que foi “provado que a força da equipe pode ser muito importante”.

A ameaça da Red Bull

A motivação real que a Ferrari tem na tabela de Construtores é a ameaça que vem da Red Bull: são 145 pontos para chegar na líder Mercedes e só 72 para perder a segunda colocação. Por isso, todos os pontos conquistados, e os de Monza parecem bastante alcançáveis, serão de grande valia no final das contas. Prova disso é que a própria Mercedes viu a ameaça e trabalhou na confiabilidade do seu motor mesmo durante a pausa de verão da F1.

AFP

Faz tempo

E lá se vão nove anos desde a última vitória da Ferrari em casa. Em 2010, Fernando Alonso cravou a pole-position e dominou toda a corrida para vibrar com a torcida ao final. Jenson Button, de McLaren, e Felipe Massa, também de Ferrari, completaram o pódio daquela corrida. Ao todo, a escuderia italiana conseguiu 18 vitórias em Monza, a primeira delas com Alberto Ascari, em 1951.

Primeira fila

Quando ainda tentava alguma coisa no campeonato, a Ferrari conseguiu uma dobradinha na primeira fila no classificatório para o GP da Itália do ano passado. Mas foi com Kimi Räikkönen à frente de Sebastian Vettel, na volta que estabeleceu os recordes da pista de 1min19s119 e de volta mais rápida da história da F1, com média de 263 km/h. Na corrida, Vettel rodou na primeira volta em disputa apertada com Hamilton, que acabou vencendo a corrida.

Divulgação/Red Bull Content Pool

Primeira vitória de Vettel

Se Seb, por algum motivo, anda desmotivado pelo padock da F1, os ares de Monza farão bem ao tetracampeão. Foi por lá que o alemão, então de Toro Rosso, surpreendeu o mundo e conquistou sua primeira vitória na categoria — são 52 até agora, tendo a última sido justamente a do GP da Bélgica do ano passado. Lewis Hamilton e Felipe Massa duelavam pelo título, mas o jovem piloto, de uma equipe desconhecida tomou conta do fim de semana já com a pole-position em uma classificação tumultuada. Com só 21 anos e debaixo de chuva, ele naquela altura se portou como um futuro campeão mundial.

Leclerc ainda empolgado

O monegasco ainda vive a sua primeira vitória intensamente. Do turbilhão de emoções que passou com a morte do amigo Anthoine Hubert ao sonho de uma vida realizado, o #16, como próprio dos principais pilotos do automobilismo, agora trabalha para conseguir mais e mais vitórias. Vettel mesmo demorou só sete corridas, mas precisou trocar a Toro Rosso pela Red Bull para experimentar de novo o sabor da champanhe. Já Leclerc, que em sinal de respeito sequer provou da bebida no pódio, tem já no fim de semana seguinte uma oportunidade infinitamente mais próxima Nem por isso, claro, encontrará facilidade para vencer novamente e, consequentemente, fazer a Ferrari voltar a vencer.

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