Perguntas para a temporada 2020 da Fórmula 1

Lewis Hamilton ainda nem sabe, mas tem muitas das respostas para o Mundial que começará a ser desenhado em menos de um mês nos testes em Barcelona. Piloto pode igualar os sete títulos e até passar as 91 vitórias de Michael Schumacher

André Avelar, São Paulo

Em pouco menos de um mês, os carros da Fórmula 1 já estarão na pista para os primeiros trabalhos da nova temporada. Ainda não será em corrida, claro, mas nos testes oficiais no circuito de Barcelona, na Espanha, de 19 a 21 e de 26 a 28 de fevereiro. Até lá, vale projetar como será o Mundial, que começa só em 15 de março, com o GP da Austrália, em 10 perguntas por enquanto sem respostas exatamente certeiras.

Os principais questionamentos envolvem o nome de Lewis Hamilton. Hexacampeão, o piloto de recém-completados 35 anos exibe o melhor de sua forma física e técnica e acumula títulos com um carro que também encontrou a sua melhor versão. Mais do que isso, a Mercedes abraça o britânico em um casamento perfeito. Dessa combinação, surgiu a possibilidade real de uma extensão de contrato até 2022 por R$ 400 milhões, segundo informações do jornal italiano ‘La Gazzetta dello Sport’. Antes disso, até um namorico com a Ferrari para depois de 2020 foi especulado.

Dos assuntos que não envolvem Hamilton diretamente, há também bastante movimentação. O Mundial passado deixou algumas brechas das equipes médias para trás. Será curioso saber, por exemplo, se a McLaren estará pronta para voltar a brigar por pódios, se a Renault enfim vai justificar tamanho orçamento e o que fez a Haas renovar com a dupla mais trapalhona de pilotos da categoria.

Veja a seguir as '10+' perguntas antes do início dos testes de pré-temporada:

AFP

Hamilton igualará os títulos de Schumacher?

Nos últimos seis anos, sempre pela Mercedes, Hamilton adicionou cinco títulos ao seu currículo (2014, 2015, 2017, 2018 e 2019). Somado ao que havia conquistado ainda com a McLaren (2008), o britânico tornou-se naturalmente candidato a maior piloto da história da categoria em números absolutos. A aproximação aos sete títulos de Schumacher (1994 e 1995 pela Benetton e 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 pela Ferrari) amedronta e também cria expectativas para a própria F1. Se a alternância de vencedores faz bem para o esporte como um todo, vivenciar a história também tem, e muito, valor. Daí o enredo principal para a temporada.

Divulgação/Mercedes

Hamilton igualará as vitórias de Schumacher?

Há ainda um componente que, quer queiram os fãs de Schumacher quer não, deixaria Hamilton à frente nas frias e sempre eloquentes estatísticas: o recorde de vitórias. Se em títulos ainda faltariam duas temporadas completas para ultrapassar o alemão, o britânico precisaria só ir mais oito vezes ao lugar mais alto do pódio que conquistaria tamanha marca — 2020 ainda conta com o recorde de 22 corridas, uma a mais em relação calendário anterior. Para se ter uma ideia, o #44 conquistou a oitava das 11 vitórias no ano passado no GP da Hungria, na 12ª etapa.

Divulgação/Mercedes

A Mercedes terá uma rival?

Apesar de não se duvidar mais da capacidade de Hamilton, esses números, em muito, foram conquistados graças ao poder da Mercedes. No único título que deixou escapar nesta era da F1, que aliás tende a mudar muito em 2021, Nico Rosberg, também com o carro prateado, levou a conquista para a casa. Ao longo desses anos, a Ferrari se apresentou como a principal rival. Chegou perto, se afastou, chegou perto de bater a Mercedes de novo, mas se afastou mais do que muita gente esperava em 2019. Nesse cenário, a impressão deixada foi que, com mais um pouco de confiabilidade no carro, a Red Bull teria inclusive tomado a segunda posição geral no campeonato. Daí a dúvida que fica se os touros vermelhos serão a nova ou mais uma ameaça ao domínio da Mercedes.

Reprodução

Quem será o primeiro piloto da Ferrari?

E por falar em Ferrari… O enigma de quem terá os conhecidos privilégios de primeiro piloto na escuderia italiana se apresenta como um dos assuntos mais quentes para 2020. O jovem Charles Leclerc chegou para desbancar o tetracampeão Sebastian Vettel no ano passado, mas sofreu resistência da própria equipe. As coisas timidamente chegaram a se inverter já no final da temporada, mas o choque dos dois no GP do Brasil pareceu acabar com qualquer relação de cordialidade dentro da pista. Se é que sairá de novo na frente, Vettel não pode demorar nem duas corridas para deixar Leclerc para trás e mostrar que pode brigar por mais um título. Do contrário, o monegasco está disposto a disputar cada curva para provar o seu valor.

Divulgação/Red Bull Content Pool

Verstappen brigará pelo título?

Ainda na geração de novos pilotos, Max Verstappen, em sua sexta temporada na F1, já acumulou experiência de sobra para brigar pelo título. Pagou pelos erros que cometeu no passado e hoje parece um tanto mais centrado mesmo nos momentos mais difíceis da temporada. Aos 22 anos, o fenômeno holandês tem a Red Bull inteira voltada para um cada vez mais amadurecido título. As dúvidas talvez se resumam ao que o carro pode oferecer diante, principalmente, da confiabilidade da Mercedes. Nas mão de Verstappen, a Honda não só voltou ao pódio como voltou a comemorar vitórias. Foram três na última temporada.

Divulgação/McLaren

Quão longe irá a McLaren?

Uma das equipes mais tradicionais da F1, a McLaren esteve à beira do abismo nos últimos anos. De 2015 a 2017 perdeu tempo creditando à Honda (ou só à Honda) os péssimos resultados obtidos, sobretudo, com o bicampeão mundial Fernando Alonso. De quem tanto se esperava, não veio nada muito além de reclamações e memes na internet. Ao todo, foram quase seis anos longe do pódio até que um também espanhol coroou a revolução dentro da equipe. Carlos Sainz Jr., com um tanto de sorte é verdade, mas muito de talento, herdou a terceira posição no GP do Brasil do ano passado e montou um pódio improvisado com a equipe depois da tardia punição a Lewis Hamilton. Ao lado do ótimo Lando Norris, fica a dúvida se a equipe repetirá a tradicional cena mais vezes neste ano.

Divulgação/Williams

A Williams sairá do atoleiro ou fechará as portas?

Outra que tem sua história misturada com a F1, a Williams parece viver em um atoleiro ainda maior que o da vizinha McLaren. Pior do que isso, sem qualquer perspectiva de sair esportivamente da crise. Depois de um incompatível pódio com Lance Stroll no GP do Azerbaijão de 2017, a equipe nem mesmo voltou a dar uma sorte como essa. Se perdeu dinheiro com patrocinadores e ‘paitrocinadores’, como o pai de Stroll, ganhou com a chegada de outros herdeiros de milhões: Nicholas Latifi, no lugar de Robert Kubica, e Roy Nissany, piloto de testes. Talvez por isso, a equipe diga que não está preocupada com orçamento para este ano, mas ninguém está disposto a aguentar os lendários carros ingleses fechando o grid de largada pelo terceiro ano seguido.

Divulgação/Renault

A Renault justificará o investimento?

A Renault já deu a entender, algumas vezes, que teria dinheiro para construir quantos carros fossem necessários para voltar ao caminho das vitórias. Depois de quatro temporadas completas, o sonho ainda parece estar distante. Pior do que isso, da empolgante temporada 2018, o time andou para trás no ano seguinte mesmo com a aquisição de Daniel Ricciardo. O piloto de sete vitórias na F1 queria mais do que lhe poderiam oferecer na Red Bull e por isso apostou no desafio. Aos 30 anos, o australiano já se imaginava campeão mundial ou pelo menos perto disso. Para 2020, Esteban Ocon, que volta à categoria, se junta ao time no lugar de Nico Hülkenberg. Com tamanho aporte, dificilmente a montadora francesa repete outra temporada desastrosa.

Divulgação/Haas

Por que Grosjean e Magnussen de novo?

Houve um tempo em que chegaram a ser engraçadas as trapalhadas de Romain Grosjean e Kevin Magnussen na Haas. Para quem estivesse assistindo com a descontração de um filme de sessão da tarde, ou a de uma série no streaming, dava para se divertir bastante com as barbeiragens da dupla corrida sim e corrida também. Na quarta temporada, já não terá mais graça. A equipe norte-americana não os culpou pelos péssimos resultados em 2019: um mísero sexto lugar, logo na primeira corrida, que deveria ser até mais comemorado por Magnussen. Se a culpa não foi dos pilotos, é por que dá para esperar algo melhor da equipe ao longo do ano, naquela derrotada batalha de 2018 para ser a quarta força da F1.

Divulgação

Como serão os novos circuitos?

O calendário recorde de 22 corridas traz dois novos circuitos: os GPs do Vietnã (em 5 de abril, terceira etapa) e o da Holanda (em 3 de maio, quinta etapa). O primeiro deles estreia na F1, alterna trechos de rua com de circuito permanente e, sem modéstia, foi “projetado para criar grandes corridas”; o outro veio na crescente onda da Verstappenmania pelos autódromos europeus e, no fundo, retorna à categoria depois de 35 anos — uma curva com 18 graus de inclinação, uma diferença de 4,5 metros da parte mais alto para a mais baixa, deve ser o grande atrativo em um traçado que costumava a ser apertado.

 

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