Testes de pós-temporada

As primeiríssimas impressões de 2019 da F1 foram conhecidas na última semana, com os dois dias de trabalhos com os pneus novos, em Abu Dhabi. Atividade variou entre expectativa por Charles Leclerc na Ferrari e entusiasmo de novatos na categoria

André Avelar, São Paulo

Dezembro é um mês pra lá de complicado para os fãs de F1. O fim de uma temporada e o longo caminho até a próxima parecem intermináveis. Os testes da Pirelli, no entanto, movimentaram a última semana, depois do GP de Abu Dhabi, e puderam proporcionar o que seria mais conveniente chamar de primeiríssimas impressões para 2019. O GRANDE PREMIUM então separou para este início de mês dez momentos mais marcantes das atividades no circuito Yas Marina.

Os testes foram proporcionados pela fabricante italiana, com pneus do ano que vem, em carros ainda deste ano. Nada das prometidas e polêmicas alterações aerodinâmicas que, segundo quem está na frente, leia-se “Mercedes”, pode “colocar a F1 de ponta cabeça”; tampouco alterações nas cores ou patrocinadores por enquanto. Como não se sabe ao certo em quais condições os carros entraram na pista, seria imprudente julgar o desempenho de qualquer piloto.

Dono de quatro títulos mundiais, Sebastian Vettel, por exemplo, não precisa provar nada para ninguém, mas foi interessante observar seu novo companheiro de equipe Charles Leclerc rodar mais rápido que todo o pelotão nos tempos combinados entre terça e quarta-feira (28). Mais do que isso, há também uma grande expectativa pelo desempenho dos dois primeiros colocados da F2: George Russell, na Williams, e Lando Norris, na McLaren.

Confira a seguir dez grandes momentos dos testes de pós-temporada:

Vai dar trabalho 

Cria da Academia de Pilotos da Ferrari, uma vaga de titular era o destino certo para Charles Leclerc. O piloto monegasco fez uma temporada exuberante e inclusive elevou o patamar da modesta Sauber em 2018. Agora de macacão vermelho, resta saber o quanto ele poderá brigar com Vettel e, mais, se também suportará a pressão de guiar definitivamente pela escuderia italiana. A julgar por Abu Dhabi, com melhor tempo combinado, está em casa faz tempo.

O bom filho

Kimi Räikkönen foi flagrado sorrindo nos testes de pós-temporada. O quase sempre sisudo finlandês está de volta à equipe pela qual estreou na F1, em 2001, mas demonstrou não estar em fim de carreira - haja visto que são dois anos de contrato. Räikkönnen, no entanto, terá de novamente se adaptar a sucessivos problemas no carro. Nos testes, sofreu com um apagão no motor do seu carro e andou pouco em sua nova-velha equipe.

Você conhece o #88?

Robert Kubica está de volta à F1. Depois de um acidente que quase lhe custou a vida, anos de recuperação, outros tantos de pura desconfiança, o polonês enfim acertou para ser piloto titular da Williams. Kubica não deu explicações sobre o número 88 mas, com a experiência de cinco temporadas na categoria (2006 a 2010) soube entender bem a importância dos testes de pneu e também mostrar o exigido preparo físico.

Mais que sobrenome famoso

Se ainda é muito cedo para tirar qualquer conclusão sobre os testes de pós-temporada, imagine então para saber se Pietro Fittipaldi chegará um dia à F1. O fato é que o brasileiro, de 22 anos, chamou a atenção positivamente nas primeiras 56 voltas pela Haas. O carro quebrou mas, nem por isso, diminuiu a empolgação do piloto, tampouco os elogios do chefe Guenther Steiner, que inclusive pediu para Pietro acompanhar a F1 de perto no ano que vem mesmo sendo piloto de testes.

Calouros renomados

A mudança no grid da F1 foi tamanha que muita gente ficou assustada com tantos nomes novos em uma frenética dança das cadeiras. Para se ter uma ideia, os três primeiros colocados da F2 estarão como titulares do grid no ano que vem. Deles, apenas Alexander Albon (Toro Rosso) não esteve na pista. No mais, o campeão Russell (Williams) e o vice Norris (McLaren) mostraram serviço mesmo sabendo que têm muito que aprender em carros que precisam melhorar demais para o ano que vem.

Troca de espanhóis

Ainda na McLaren, Fernando Alonso deixou a equipe e deu lugar logo a outro espanhol. Carlos Sainz Junior tratará de distribuir as cartas no time de Woking, que precisa a todo o custo voltar a frequentar as primeiras posições. Sainz disse que se tratava de um sonho estar na McLaren, mas sabe que isso é pouco. Foram 150 voltas no primeiro dia de testes que talvez o tenham posicionado melhor o tamanho do desafio que vem pela frente. Ainda que a referência não valha muito, andar em quinto nos testes pode ser preocupante.

Será o Kvyat de novo?

Daniil Kvyat está de volta, e de volta, à F1. Em sua terceira passagem pela Toro Rosso, o russo foi escolhido para os testes da Pirelli para acelerar o seu já conhecido processo de readaptação. O russo fez quase três GPs de Abu Dhabi em um só dia e saiu do carro dizendo que tinha colhido muita informação para a equipe sobre o comportamento dos pneus em diferentes situações. O terceiro colocado da F2, Albon, será seu companheiro.

Sobe e desce da Red Bull

Kvyat esteve em baixa no cruel programa de pilotos da Red Bull. Por outro lado, Pierre Gasly está em alta. O francês deixou a Toro Rosso e assumiu a vaga de Daniel Ricciardo no time principal. Se o seu fim de temporada não foi dos melhores, demonstrou empolgação em Abu Dhabi com o segundo tempo do dia de abertura dos trabalhos. Para 2019, Gasly, que se meteu em uma polêmica por não deixar o companheiro de equipe ultrapassar, terá de lidar com a preferência descarada por Max Verstappen.

Pressão por 'novo Leclerc'

Antonio Giovinazzi acumulou bons resultados nas categorias de base do automobilismo e, talvez um tanto precocemente até, experimentou a F1 cedo demais. Em 2017, ele participou de duas corridas pela própria Sauber, conseguiu 12º lugar na Austrália, mas errou e bateu China. Perto de completar 25 anos, o italiano sabe que é bom o bastante para continuar na equipe. Já lhe pesa sobre os ombros, no entanto, repetir o desempenho de Leclerc com a mesma Sauber.

O filho do dono

Na Williams, Lance Stroll era filho de um empresário endinheirado que havia investido alto para colocá-lo em um cockpit de F1. Agora, na Racing Point, antiga Force India, o canadense é o próprio filho do dono da equipe. Por aí já não se aparenta ter muito o que gostar do jovem piloto. Nas entrevistas em Abu Dhabi, ainda paira aquele mesmo ar de superioridade. Se a equipe de agora é melhor, os Stroll têm de tomar cuidado porque o companheiro, Sergio Pérez, também é muito melhor em comparação com Sergey Sirotkin.

 

Leia mais: A análise do grid da F1 2019

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