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Análise

A combinação perfeita entre piloto e carro

Mercedes precisou de uma derrota doída para a Ferrari na metade do campeonato para acertar suas peças e explorar todo o potencial do futuro pentacampeão de F1 Lewis Hamilton. Decisão deve acontecer já neste domingo (21), no GP dos EUA

Prestes a confirmar neste domingo (21), no GP dos Estados Unidos, seu quinto título mundial, Lewis Hamilton contrariou um insistente pensamento dos mais críticos à F1 moderna: o piloto ainda faz a diferença na principal categoria do automobilismo. O inglês da Mercedes não tinha até a metade da temporada a mesma força da Ferrari de Sebastian Vettel, mas compensou com a melhor fase da carreira em resultados improváveis na briga pelo pentacampeonato.

Hamilton desembarca no Circuito das Américas, em Austin, no Texas, com 67 pontos de vantagem para Vettel, a quatro corridas do fim da temporada. A sexta colocação na prova dá o título ao piloto desde que o adversário não marque pontos. O GRANDE PRÊMIO acompanha ao vivo e in loco todas as atividades do fim de semana que pode ser decisivo.

As quatro espetaculares vitórias consecutivas, claro, chamam a atenção neste momento decisivo do Mundial. Hamilton, hoje com 33 anos, está mesmo no auge da sua capacidade de pilotagem e, com um carro agora mais bem equilibrado, tem tripudiado das dificuldades dos adversários. Importante notar, no entanto, que a construção deste momento começou ainda lá atrás. Se o conjunto prateado melhorou, o vermelho se perdeu em erros de todos os tipos.

Hamilton se aproveitou do erro de Vettel no GP da Alemanha para tomar liderança do Mundial de F1 (Reprodução/F1)

O piloto

Hamilton assumiu de vez a liderança da tabela de classificação no GP da Alemanha, em julho, ainda na 11ª das 21 etapas do Mundial. Naquela oportunidade, o #44 inclusive havia exagerado na dose no Q1, teve um problema na caixa de câmbio e largou só da 14ª posição. Para piorar, ainda via o #5 sair da pole-position, em Hockenheim, bem diante da sua torcida. Na corrida, em meio a uma indefinição geral quanto ao chove e não molha da pista, Vettel passou reto no estádio e entregou 25 pontos ao rival.

No compromisso seguinte, no GP da Hungria, outra mostra de habilidade e confiança do inglês. O piloto pouco se importou com os raios e trovões ameaçadores em Budapeste e tirou uma pole-position daquelas, tendo enfiado mais de meio segundo no rival, que largaria só na quarta posição. Na corrida, o princípio de um polêmico jogo de equipe que ainda se renovaria em algumas provas. Valtteri Bottas justificou cada linha da sua então recente renovação de contrato e bloqueou Vettel ao ponto de quase tirá-lo da prova. Sem grandes problemas, Hamilton seguiu tranquilamente para mais uma vitória.

Em um salto de quatro provas para frente, o controverso jogo de equipe da Mercedes voltou a ser debatido. Foi nas monótonas ruas de Sóchi, nos arredores do Parque Olímpico, que o midiático chefe de equipe Toto Wolff apareceu para as câmeras de todo o mundo com o dedo no botão “táticas”. O recado era claro. Ignorava-se no GP da Rússia o fim de semana, a pole-position, a competição pura e simples. O finlandês deveria abrir caminho para o inglês passar e abrir não 43, mas 50 pontos de diferença para o segundo colocado.

Nesse meio-tempo, Hamilton, sempre também com muitos méritos, teve outras atuações fantásticas como prova da capacidade de um tetracampeão, que passou a ter um carro ainda mais competitivo nas mãos. As vitórias na Itália e em Singapura eram aquelas tidas no início do ano como improváveis. Na primeira delas saiu da terceira posição e dividiu com Vettel uma curva para seguir adiante e terminar no lugar mais alto do pódio na Marina Bay. Na corrida seguinte, fez o que chamou de “volta mágica” ainda na classificação e só teve o trabalho de controlar o ímpeto de Max Verstappen. Vettel foi terceiro na prova noturna.

O GP do Japão, já com sólidos 50 pontos de vantagem, Hamilton — que já havia passeado em todos os treinos livres, conseguido a volta mais rápida no sábado e, agora sim, era favorito — venceu sem dificuldades; enquanto Vettel, outra vez, se metia em problemas de sair da pista em Suzuka. Isso sem falar na estratégia estúpida da Ferrari de antecipar a água com pneus para chuva e fazer o alemão sair da oitava posição para chegar só em sexto e assim ficar 67 pontos atrás.

               
                               
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O carro

Fica nítido, portanto, que a fase estelar de Hamilton foi a grande responsável pela larga vantagem que o #44 impôs em Vettel e a Ferrari, mas a Mercedes também tem seu peso no desempenho do inglês. Como dito, por boa parte da temporada, os ferraristas deram um passo enorme a ponto de ter um carro que se mostrou versátil e adequado para a maioria das pistas. Só que os prateados precisaram sofrer uma derrota doída para olhar melhor para dentro de suas garagens.

A vitória categórica da equipe italiana em Spa-Francorchamps foi o ponto de virada. Naquele fim de semana, o primeiro da segunda fase da temporada, Lewis havia ‘achado’ uma pole em condições de pista molhada no rápido circuito belga, só que, com asfalto seco no dia seguinte, Hamilton nada pode fazer contra a força de rival alemão. “Ele me passou como se eu não estivesse ali”. Foi assim que o britânico descreveu a manobra de ultrapassagem de Seb, em plena reta, ainda no início da corrida.
(Divulgação/Mercedes)

Vettel conseguiu uma vitória categoria sobre Hamilton que não se sustentou depois do GP da Bélgica (F1 2018; GP DA BÉLGICA; SPA-FRANCORCHAMPS; SEBASTIAN VETTEL; FERRARI)

O triunfo vermelho pareceu deixar claro que a Ferrari dominaria o restante do campeonato, dando a Vettel a chance de tornar pentacampeão. Mais do que isso, a liderança de Hamilton era muito frágil. Mas aí algo mudou dentro da Mercedes, como explicou o chefe Toto Wolff mais tarde.

“Obviamente, é uma combinação de coisas que está em andamento, e isso leva muito tempo, mas você encontra as pistas. Estava conversando sobre isso com os engenheiros a respeito de um e-mail que mandei depois de Spa, em que dissemos que não estávamos desistindo, porque este é um campeonato que não poderíamos perder. Precisávamos entender por que nós fomos superados. Então é desenvolvimento, pesquisa, análise, mentalidade, ética de trabalho”, contou.

 

A partir da etapa belga, o time passou a entender melhor seus pontos fracos e preparou atualizações decisivas do ponto de vista aerodinâmico, mecânico e do desempenho do motor. Talvez uma das principais mudanças foi com relação aos pneus. Não é segredo que a equipe prata sempre encontrou mais dificuldades em fazer os compostos mais macios da Pirelli funcionarem. O superaquecimento dos pneus traseiros era uma dor de cabeça. Mas os engenheiros conseguiram reverter o problema em um ponto forte, criando um desenho de roda, que gerou mais fluxo de ar, além do trabalho dos freios de carbono. Só aí a Mercedes deu um passo enorme à frente. Isso tudo em Singapura – pista em que os alemães temiam, por conta difícil adaptação dos carros nas últimas temporadas.

 

É claro que lá a Mercedes viu um Hamilton inspiradíssimo. A volta da pole foi espetacular e os colocou em vantagem, mas as mudanças estruturas auxiliaram muito. Na Rússia, a equipe ainda levou um pacote novo da asa traseira. Quer dizer, foram detalhes que fizeram a diferença também. E agora pode-se dizer que a Mercedes está ligeiramente à frente da Ferrari.

“Monza, Singapura e Suzuka, três pistas muito diferentes, e nós tomamos como uma ambição para ir bem nas três para provar a nós mesmos que somos capazes de entregar um carro [capaz de corresponder] em todo tipo de pista. Seja na pista de alta velocidade de Monza, num circuito quente e sinuoso como Singapura, e então, Suzuka, que tem um pouquinho de tudo. Acho que agora nós temos o carro numa posição muito boa”, comemorou.

“Entendemos como a aerodinâmica funciona com os pneus, os pilotos se sentem muito bem e têm muita confiança no carro, e tudo isso junto nos faz superar nossos concorrentes”, analisou Wolff.

O resultado, aliado aos erros do rival, colocaram a Mercedes em uma posição muito favorável. Hamilton venceu quatro das cinco corridas desta segunda fase de temporada, e isso explica a razão pela qual Lewis tem agora a primeira chance de fechar o campeonato, neste fim de semana, em Austin.

(Lewis Hamilton (Foto: Mercedes))

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