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Análise

Bruno Senna

Às vésperas das 6 Horas de Spa-Francorchamps, a segunda etapa do Mundial de Endurance, Bruno Senna fez uma análise do início da temporada 2017 e se vê com grande chance de entrar na briga pelo título neste ano

 

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Bruno Senna está totalmente voltado para o endurance em 2017. Depois de deixar a F-E, o brasileiro mergulhou de vez nas corridas de longa duração e a decisão parece acertada. O segundo lugar na etapa de abertura do Mundial, em Silverstone, mostra que o foco no WEC deve render ainda muitos frutos na nova classe LMP2, onde sua equipe, a Rebellion, está agora atrás de maior competitividade. Bruno ainda divide o Oreca 07 #31 com Nicolas Prost – sim, o filho de Alain Prost – e Julien Canal. A equipe também tem um segundo carro, composto por Nelsinho Piquet, Mathias Beche e David Heinemeier. Quer dizer, nomes de peso da história do automobilismo  mundial aí não faltam.

Às vésperas da segunda prova da temporada, que terá como palco o velocíssimo circuito belga de Spa-Francorchamps, Senna concedeu entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM e falou da expectativa para a temporada 2017 do WEC. Embora ainda entenda que o carro não está bom o suficiente, o sobrinho de Ayrton Senna mostrou confiança no projeto da Rebellion e acha que o time vai entrar na briga pelo título. 

Além do Mundial, o piloto também correu as tradicionais 24 Horas de Daytona, prova que terminou apenas em 17º, e também as 12 Horas de Sebring, no início de 2017.

O paulistano de 33 anos também falou sobre a emoção de disputar as 24 Horas de Le Mans e descartou qualquer possibilidade de seguir o exemplo de Fernando Alonso, que chocou o esporte a motor ao decidir correr as 500 Milhas de Indianápolis. Ainda assim, Bruno se mostrou aberto à Indy que anda em mistos e circuitos de rua. Porém, Senna vê mais chance de voltar à F-E, especialmente com a chegada da etapa brasileira. E falando em Brasil, Bruno também disse o que pensa sobre uma eventual privatização de Interlagos.

Confira o papo:
 

(Silverstone Largada WEC (Foto: VIMAGES/FABRE))

Bruno Senna divide o Oreca 07 #31 com Nicolas Prost e Julien Canal (Bruno Senna e Nicolas Prost em Silverstone (Foto: VIMAGES/FABRE))

GRANDE PREMIUM: Como você avalia as suas chances no WEC em 2017, também do ponto de vista da mudança de classe no Mundial? 

BRUNO SENNA: Começamos o projeto sabendo que ele era vencedor. A equipe tem um histórico vencedor. Trazer a equipe para a LMP2 é um desafio grande para um time que estava na LMP1 sem enfrentar grande competição, eles tiveram de elevar bastante o nível agora. O time de pilotos é muito forte, com uma boa distribuição tanto no que diz respeito aos profissionais quanto aos silver. Então, os ingredientes estão aí para fazer bons resultados com constância. Na primeira corrida, já fizemos um segundo lugar. Faltou treinar mais, não pudemos treinar o suficiente na pré-temporada. Por isso, estamos um pouco atrás em termos de performance pura diante de algumas equipes. E isso está dificultando as coisas, a competição é muito forte. Com certeza, depois de Spa, teremos de treinar bastante para fazer o carro mais competitivo antes de irmos para Le Mans.

GP*: O que ainda falta para acertar de vez o carro?

BS: Quanto mais quilometragem no carro, mais você o entende. O nosso carro já se mostrou confiável, e isso é muito bom. Mas, em termos de acerto, ainda não está tão rápido, não chegou no ponto que deveria chegar. Então, precisamos focar nisso se quisermos brigar pelo campeonato. Le Mans é uma corrida muito importante, e nós vamos precisar trabalhar um pouquinho nisso. Mas, no geral, acho que nós temos tudo para brigar pelo campeonato.

GP*: As 24 Horas de Le Mans faz parte da chamada Tríplice Coroa do automobilismo mundo. Mas qual é o real peso dessa prova?

BS: É até difícil de descrever, o ambiente é muito especial. As pessoas que vão para lá são fanáticas pela prova, é como o pessoal que ia para Interlagos nos anos de 1990. Elas estão lá porque são muito ligadas ao automobilismo, aos fabricantes de carros, pilotos, equipes. É uma coisa de paixão pura e tem muita gente sempre. São mais de 200 mil pessoas por corrida. Então é algo muito especial, inclusive para os pilotos, é uma corrida que você quer muito vencer. O desafio é muito grande, os carros sofrem demais. É rotina ter muita mudança nas condições ao longo da prova, chuva, temperatura. Isso tudo exige muito dos pilotos, das equipes e dos carros. É um desafio único.

Já tenho quatro Le Mans na carreira. Já briguei pela ponta várias vezes nessa corrida. No GT, disputamos a vitórias em 2013 e 2014. Em 2013, meu companheiro bateu o carro faltando somente cinco voltas – e nós estávamos na liderança. Lideramos também em 2014, mas tivemos uma falha mecânica. No ano passado, o carro quebrou logo no começo da prova e nós perdemos meia hora de prova por isso. Mas acabamos em sexto, o que não foi tão ruim. Essa é uma corrida na qual você briga muito e tem raiva, gana mesmo, até conseguir vencer. E agora nós teremos essa chance novamente.

Bruno Senna já disputou quatro vezes as 24 Horas de Le Mans (Bruno Senna ELMS 2017 Silverstone, (Foto: VIMAGES/Fabre))
 

GP*: No final é comum até os membros das equipes chorarem apenas pelo fato de terminar a corrida. Você já se emocionou em Le Mans?

BS: Aconteceu comigo em 2013. Andamos muito forte a corrida toda, estávamos com uma boa vantagem, éramos os primeiros com mais de um minuto de dianteira para o segundo, então era só administrar o restante da prova. Os mecânicos fizeram um baita trabalho, estávamos muito confiantes. Aí veio a notícia do acidente com meu companheiro de equipe. Estava todo mundo muito cansado pelo esforço, aí os mecânicos choraram, todos ficaram arrasados.

GP*: Falando na Tríplice Coroa, como você vê a decisão de Fernando Alonso de abrir mão do GP de Mônaco para disputar a Indy 500?

BS: É uma decisão difícil. O Alonso tem mais cacife que qualquer um na F1 para tomar as decisões mais polêmicas. Com certeza, ele deve ter calculado que talvez não tenha outra oportunidade de disputar essa prova e acha que em 2017 não deve ter chance de ir bem em Mônaco. É algo que acho interessante, ele vai descobrir que o desafio lá é bem maior do que imagina. Vai ser duro para ele.

GP*: É uma prova que você faria?

BS: Não. Correr de monoposto em oval é algo que não posso exigir da minha família. Andaria de Indy sem problema, mas em oval não dá.
 

(Bruno Senna e Nicolas Prost em Silverstone (Foto: VIMAGES/FABRE))

Bruno Senna foi ao pódio na etapa de abertura do WEC em Silverstone (Julien Canal, Bruno Senna e Nicolas Prost em Silverstone (Foto: VIMAGES/FABRE))

 GP*: No ano que vem devemos ter uma etapa da F-E no Brasil. Há alguma conversa para voltar à categoria ou fazer somente esta prova?

BS: Eu tenho interesse de voltar à F-E, mas tenho de voltar com a equipe certa. Obviamente, eu não tenho obrigação de voltar, mas tenho sondado o que está acontecendo na categoria. Vamos ver o que acontece, ainda estou conversando sobre essa volta em 2018. Mas seria realmente fantástico fazer uma etapa no Brasil. Desde a primeira temporada estamos tentando fazer isso acontecer aqui.

GP*: O Brasil possui condições para ter a F-E como um evento permanente?

BS: Claro que tem. Nós tínhamos três pilotos brasileiros na categoria, é uma presença forte do país na F-E. É uma categoria interessante para o Brasil porque você pega cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que têm muita poluição por conta de automóveis. Vale a pena você ter essa demonstração de uma tecnologia limpa, que melhora muito a qualidade de vida das pessoas no dia a dia. Essa é a grande sacada da F-E, mostrar uma corrida de carros elétricos no centro de grandes cidades, trazendo esse tipo de noção para pessoas que nem imaginam que isso já é possível. É algo muito interessante, especialmente para um país como o nosso.

GP*: Você acha que o automobilismo no Brasil esfriou? Que as pessoas estão menos ligadas?

BS: Isso não está acontecendo só no Brasil, mas no mundo. O automobilismo perdeu um pouco daquela mágica que tinha no passado, o esporte era algo de heroísmo, os pilotos se arriscavam muito para correr de automóvel. E hoje em dia é muito mais seguro, é muito mais corporativo, não é tanto o esporte que era antigamente. Então, talvez tenha ficado um pouco mais maçante em relação ao passado, quando era muito mais um desafio humano do que da máquina. Atualmente é mais da máquina que do humano.

 

GP*: Você mora e trabalha na Europa. Como é a sua relação com o público de lá?

BS: Aqui no Brasil as pessoas são muito mais próximas, elas têm esse carinho enorme pelo Ayrton e eu consigo perceber isso muito claramente. É uma coisa muito próxima ainda, mesmo tendo se passado mais de 20 anos, as pessoas têm uma emoção muito forte por causa dele ainda. Na Itália e no Japão até é parecido, mas aqui ainda é mais intenso.

GP*: O que você acha da privatização de Interlagos?

BS: Nesse negócio não tem tiro certeiro. Independe de quem vai administrar, seja o governo ou uma empresa. O que importa são as intenções para o futuro. Você pode muito bem ter uma empresa que decide não fazer nada de bom para o circuito. Nós temos o promotor do GP do Brasil ainda bastante forte. Se mudar esse promotor, a gente não tem como saber o que vai acontecer com Interlagos.
 

(Bruno Senna MF2)

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