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Análise

De 1 a 900: os GPs que marcaram a história da F1

Aproveitando a corrida de número 1000 da categoria, o GRANDE PREMIUM relembra as grandes marcas anteriores

São 69 anos de existência, 70 temporadas, 999 GPs. E a próxima grande marca está chegando: a Fórmula 1 alcançará o número mágico de 1.000 corridas no próximo domingo, 14, no Grande Prêmio da China, em Xangai. 

Com uma história tão rica, a F1 comemorou, no passado, suas provas de número 100, 200, 300, 400, 500, 600, 700, 800 e 900 – momentos que relevam não só como eram as disputas no passado, como nos mostram a evolução da categoria. Por isso, o GP* relembra aqui todas essas corridas. São momentos de tristeza, confusão, despedida e alegria.

Vale lembrar, obviamente, que esta contagem traz apenas os GPs que são considerados oficialmente para a pontuação do Mundial de Fórmula 1. Não são contabilizadas as corridas que receberam o título de "Grand Prix" que aconteceram antes da criação do campeonato, nem as provas extra-campeonato que vieram depois. 

Pronto para uma viagem no tempo?

(Largada do GP do Bahrein)

Farina, em uma Alfa Romeo 158, vence o primeiro GP da história da F1

Claro que, por mais que não seja uma marca redonda, a primeira corrida da história da categoria merece o seu destaque aqui. Só que o Grande Prêmio da Inglaterra de 1950, disputado em 13 de maio, não teve toda a pompa que a marca hoje requer. “Fórmula 1” tinha, naqueles tempos, apenas o sentido literal: o de uma fórmula técnica, pela qual eram disputadas as provas mais importantes do automobilismo (os "Grand Prix") desde 1946. Já o GP inglês marcava, na prática, o início do Campeonato Mundial de Pilotos, que prometia coroar o melhor piloto do mundo – ainda que cinco das seis etapas daquele ano inicial fosse disputadas na Europa.

Nem mesmo a Ferrari, equipe mais antiga do mundial nos dias de hoje, esteve na corrida inaugural. A Scuderia estrearia apenas na segunda etapa, em Mônaco, que aconteceria em maio. 

Giuseppe "Nino" Farina, da Alfa Romeo, venceu naquele sábado em Silverstone. Meses depois, o italiano seria, em casa, o primeiro campeão.

Hoje, Mundial de Pilotos e Fórmula 1 são sinônimos.

100: GP da Alemanha de 1961

Demorou 11 anos para a F1 alcançar a primeira grande marca, a de 100 corridas. Foi no GP da Alemanha de 1961, realizado no velho Nürbugring, de 22,8km de extensão. Os carros já eram consideravelmente menores que os de 1950 e tinha motores traseiros – mais conhecidos popularmente como as “baratinhas”. Era o começo do crescimento das equipes inglesas, com Lotus e Cooper (ambas equipadas com motores Climax) disputando a ponta com a Ferrari – que tinha um grande carro, com o famoso “bico de tubarão”. 

Phil Hill, do time italiano, cravou a pole, mas quem dominou o gigante alemão foi Stirling Moss, em uma Lotus da equipe privada de Rob Walker. Wolfgang von Trips ficou em segundo, correndo em casa, e com o resultado caminhava a passos largos para ser o primeiro campeão mundial da Alemanha. 

Von Trips morreria de forma trágica semanas depois, no GP da Itália, junto a 14 espectadores. O campeão de 1961 acabou sendo o norte-americano Phil Hill.

200: GP de Mônaco de 1971

Outros 10 anos se passaram até a Fórmula 1 chegar ao GP de número 200 em sua história. A categoria, claro, era completamente outra: os carros tinham asas e se aproximavam, lentamente, dos projetos da indústria aeronáutica. Boa parte das equipes corriam com motores Ford-Cosworth V8, com apenas a Ferrari em posição de desafiar o domínio dos garagistas ingleses. 

Não havia lugar melhor para alcançar a marca: Mônaco já tinha todo o charme que tem hoje. Na pista quem dominava era Jackie Stewart, que comandava aquele comecinho de temporada (Monte Carlo recebia apenas a terceira prova do ano). O inglês fez a pole na pista molhada a bordo de seu belo Tyrrel 003 – com mais de 1s de vantagem para o segundo, Jack Ickx, da Ferrari. No domingo, o escocês foi igualmente superior, vencendo com 25s à frente da March-Ford de Ronnie Peterson.

300: GP da África do Sul de 1978

A tricentésima prova da história da maior categoria do automobilismo mundial aconteceu em 1978, em Kyalami, numa África do Sul em pleno Apartheid – uma mancha triste para o mundo e, podemos dizer, para a F1. Ainda levaria alguns anos para que o esporte se negasse a compactuar com um regime de segregação racial. 

A Fórmula 1 havia mudado um pouco, também. Os motores turbo davam seus primeiros roncos por meio da Renault, mas o carro a ser batido era mesmo o Lotus 78, que introduziu o chamado efeito solo no ano anterior. 

Ainda assim, Niki Lauda, com o também mítico e estreante Brabham-Alfa Romeo BT46 (aquele que, depois, ganharia um “ventilador” em sua traseira), ficou com a pole. O carro, porém, sofria com graves problemas de confiabilidade, fazendo com que o austríaco ficasse para trás logo no começo da corrida, sofrendo uma quebra de motor após 52 voltas (de um total de 78).

Quem dominou o trecho inicial do GP foi Mario Andretti, da Lotus, mas o italo-americano teve problemas com os pneus a abriu passagem para Riccardo Patrese, de Arrows. Parecia uma vitória fácil para o italiano, mas o motor Cosworth dele abriu o bico – o que deu o primeiro lugar para Patrick Depailler, da Tyrrel. Infelizmente o francês  viu seu motor fumar e perder potência, sendo ultrapassado por Andretti – que ficou sem combustível e fez um pit stop em uma época na qual a manobra não era habitual. Na última volta, Ronnie Peterson, também da Lotus, travou uma grande disputa com Depailler, assumiu a liderança e venceu uma corrida inesquecível. 

Ao final da temporada, Andretti e a Lotus seriam os campeões.

Niki Lauda liderando o pelotão naquela que seria a sua única vitória em casa na carreira

400: GP da Áustria de 1984

Mais um salto temporal, agora de seis anos. Pode parecer pouco, mas foi o suficiente para acontecer o domínio dos motores turbo na F1, além da introdução da fibra de carbono na construção dos carros. Já a disputa pelo título ficou praticamente monopolizada por uma revitalizada McLaren, comandada por Ron Dennis, que tinha uma dupla de pilotos formada por ninguém menos que Niki Lauda e Alain Prost.

Nenhum deles foi o pole naquele Grande Prêmio da Áustria, realizado no Österreichring, em Spielberg. Não por incompetência, claro: Brabham e Ferrari tinham carros muito mais rápidos em classificação, ainda que faltasse ritmo e confiabilidade nas corridas. Por isso o brasileiro Nelson Piquet que partiu da pole no domingo, quando um problema nas luzes de largada causou um caos no grid. 

Uma relargada aconteceu – e os pilotos da McLaren aproveitaram para trocar de pneus, algo que causou a irritação de Piquet. Independente da atitude ter beneficiado ou não os pilotos de vermelho e branco, o fato é que o brasileiro teve problemas com seus calçados e se viu superado por Lauda, que vinha ultrapassando os adversários e crescendo no pelotão. O então bicampeão passou a liderar com certa facilidade, inclusive com tempo o suficiente para superar um problema no câmbio que poderia lhe tirar o primeiro lugar. Ao receber a bandeira quadriculada, o austríaco venceu com 23s de vantagem para o segundo colocado, Piquet. 

Aquela seria a única vitória do austríaco em casa. No final do ano, Lauda foi campeão com meio ponto de vantagem para Prost.

Depois de perder a vitória no GP 400, Piquet alcançou o 1º lugar na corrida de número 500

500: GP da Austrália de 1990

Muita coisa havia mudado para o GP da Austrália de 1990, em Adelaide. Os motores turbo estavam banidos, Lauda havia se aposentado, Prost era tricampeão, assim como Piquet. Já Ayrton Senna, novato em 1984, havia conquistado o bicampeonato no GP anterior, no Japão. 

Aquela famosa batida entre Senna e Prost logo após a largada em Suzuka, aliás, fez com que o francês não participasse de uma sessão de fotos com outros campeões mundiais presentes no fim de semana, uma lista que incluia o desafeto brasileiro e nomes como Jackie Stewart, James Hunt e Juan Manuel Fangio. Stewart, aliás, chegou a condenar o brasileiro, durante uma entrevista naquele fim de semana, por se envolver muito em acidentes. 

No domingo, Senna largou na pole e se manteve na frente no trecho inicial da prova, seguido pela Ferrari de Nigel Mansell, que eventualmente acabou ultrapassado por Piquet. Isso foi até a volta 62, quando o Ayrton teve problemas no câmbio e abandonou. O inglês então acelerou tudo para alcançar o outro brasileiro, que naquela altura pilotava pela Benetton, se aproximando da liderança quando faltavam quatro voltas para o fim. Mansell, porém, não conseguiu ultrapassar Piquet, que deu uma bela fechada no Leão na última volta, ficando com a vitória e com o terceiro lugar no Mundial de Pilotos.

Jacques Villeneuve com o belo carro da Williams em 1997

600: GP da Argentina de 1997

A corrida de número 600 da Fórmula 1 foi na nossa vizinha Argentina, no Autódromo Oscar Alfredo Gálvez, em Buenos Aires. Era a terceira etapa da temporada de 1997, que via um domínio inicial da Williams – Michael Schumacher estava em seu segundo de Ferrari e o alemão sofria para colocar o F310B em pé de igualdade contra os FW19.

Por isso, Jacques Villeneuve fez a pole, com uma folga de 0,7s contra o companheiro de equipe e segundo colocado, Heinz-Harald Frentzen. Schumacher ficou 1,3s atrás do canadense, se contentando com o papel de coadjuvante. 

O futuro heptacampeão abandonaria logo na primeira volta, após se enrolar com Rubens Barrichello, na época de Stewart. Villeneuve seguiu para uma vitóris quase tranquila – a única ameaça veio nas voltas finais, com Eddie Irvine, na outra Ferrari, diminuindo a diferença para o primeiro colocado. Foi apertado (por 0,9s), mas o lugar mais alto do pódio era do canadense – que, no final do ano, seria campeão mundial. 

Fisichella conquistou a última vitória da Jordan no 700º GP da F1

700: GP do Brasil de 2003

Esta é, provavelmente, uma das corridas mais divertidas desta lista – e foi justamente no Brasil. A temporada 2003 da Fórmula 1 se iniciava cheia de alternativas, com uma Ferrari que não tinha o mesmo domínio dos anos anteriores, uma McLaren que era extremamente consistente mesmo com um carro do ano anterior, uma Renault que começava a chamar a atenção e uma Williams-BMW que tinha o melhor motor do grid.

A pole ficou com Rubens Barrichello, na época na Ferrari, para delírio do público em Interlagos. No domingo tivemos uma corrida extremamente molhada, em um ano no qual a Bridgestone, por corte de custos, disponibilizava apenas um composto de pneus para pista nestas condições. Ainda que tivesse sido superado pela McLaren de David Coulthard nas primeiras voltas, o brasileiro usou a sua incrível habilidade na chuva para não só retomar a liderança, mas também consolidar uma boa vantagem na frente. Isso até ficar sem combustível e abandonar por pane seca no 47º giro.

Enquanto isso, as condições do circuito vitimaram pilotos como Schumacher, Juan-Pablo Montoya e Jenson Button. 

Lá na frente a liderança era de Coulthard, seguido pelo companheiro Kimi Räikkönen e pela Jordan de Giancarlo Fisichella, que vinha economizando combustível na tentativa de não parar mais. O escocês fez seu pit e o finlandês errou, permitindo que o italiano assumisse a liderança na volta 53. Pouco depois, Mark Webber saiu da pista e bateu forte no Café – com os detritos do Jaguar sendo atingindo em cheio, pouco depois, pela Renault de Fernando Alonso. Bandeira vermelha. Prova encerrada. Não havia mais condições de correr.

Festa na Jordan, seguida por fogo no carro de Fisichella – o italiano provavelmente teria problemas se a prova continuasse. A alegria, porém, durou pouco. O regulamento indica que em caso de bandeira vermelha o que vale é o resultado da volta anterior – liderada por Räikkönen. Vitória do finlandês? Não.

Ainda que a bandeira branca e azul tenha ficado no centro do pódio em Interlagos, descobriu-se depois uma imagem que revelava que Fisichella havia completado a volta 55 – algo que não havia sido computado por um erro na aferição de tempos. Ou seja, o posicionamento a ser considerado era o da volta 54, já com a liderança de Fisico.

Aquela seria a última vitória da Jordan na Fórmula 1. Também foi o último GP do Brasil disputado em abril, com a prova sendo transferida para outubro/novembro a partir do ano seguinte. 

800: GP de Singapura de 2008

Após mais cinco anos, a marca de 800 GP da F1 era comemorada no circuito de rua de Singapura – uma prova tão polêmica quanto a do Brasil em 2003, mas por outros motivos. Essa foi, também, a primeira corrida noturna na história da categoria.

A temporada de 2008 viu uma grande disputa entre Felipe Massa, da Ferrari, e Lewis Hamilton, então na McLaren. O inglês chegou no circuito asiático liderando, já na parte final do campeonato, mas o time italiano parecia viver um melhor momento. 
( )

Até por isso Massa cravou a pole e, no domingo, liderou as primeiras 17 voltas. Foi quando Nelsinho Piquet, da Renault, rodou, bateu no muro e obrigou a entrada do safety-car na pista. A Ferrari chamou o líder para abastecimento e troca de pneus e, na pressa de não perder a ponta, liberou o brasileiro antes da hora – que saiu pelo pit lane com a mangueira de gasolina presa na lateral do carro, despejando combustível pela pista.

Nico Rosberg, da Williams-Toyota, herdou a liderança. Após o alemão ir para os pits, a ponta caiu no colo de Jarno Trulli, na época na Toyota, que também parou logo em seguida. Fernando Alonso, de volta a Renault, assumiu o primeiro lugar. O espanhol controlou uma prova acidentada para sair como o vencedor.

Um ano depois, com um furo do jornalista Reginaldo Leme, o mundo descobriria a verdade: Nelsinho provocou a batida na volta 17, a mando do chefe de equipe Flavio Briatore e do engenheiro-chefe Pat Symonds, beneficiando a estratégia de corrida de Alonso – que convenientemente havia feito seu pit stop mais cedo, na volta 12.

Alonso nunca assumiu participação no caso e manteve aquele vitória. Briatore foi banido da categoria (punição que, depois, seria revertida nos tribunais) e Symonds foi suspenso por cinco anos, enquanto Nelsinho nunca mais voltaria a andar em um F1.

Rosberg e Hamilton tiveram uma bela disputa no GP do Bahrein de 2014

900: GP do Bahrein de 2014

O Grande Prêmio de número 900 na Fórmula 1 parece que aconteceu ontem – afinal, aconteceu há cinco anos. A prova em Sakhir foi a terceira da temporada 2014, que ficou marcada pela introdução dos motores V6 turbo híbridos. Com grande investimento nessas novas unidades de potência, a Mercedes largou na frente e dominou praticamente todo aquele ano, em uma disputa monopolizada por Lewis Hamilton e Nico Rosberg. 

Nico cravou a pole naquela prova comemorativa, mas o alemão foi ultrapassado pelo inglês logo na primeira volta. Roberg então começou a caçar Hamilton, que aguentou a pressão e manteve a liderança até o fim do GP. Lewis venceu por uma margem de apenas 1s após uma bela disputa roda a roda. 

No final do ano, Lewis Hamilton conquistaria o seu bicampeonato da categoria. 

A surpresa, mesmo, ficou com o desepenho de Sergio Perez em Sakhir. O mexicano fez uma prova brilhante, largando em quinto, ultrapassando a Williams de Massa na pista e segurando a Red Bull de Daniel Ricciardo para acabar na terceira posição. Com o resultado (e o quinto lugar de Nico Hülkenberg), a Force India assumia uma temporária terceira posição no Mundial de Construtores. A equipe acabaria o ano em sexto lugar. 

E agora, quais são as histórias que o GP de número 1000 da Fórmula 1 nos guarda? Vamos descobrir em breve..

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