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Análise

O amigo internauta quer eficiência ou espetáculo?

Max Verstappen se enrolou durante o fim de semana do GP do México, mas ainda assim foi escolhido como o piloto do dia pelos fãs da F1. O que isso quer dizer sobre a própria categoria?

Max Verstappen: eleito pelos internautas fãs da Fórmula 1 como o piloto do dia no GP do México. Foram 20,2% dos votos para o holandês da Red Bull, contra 17,6 do vencedor, Lewis Hamilton, e 12,2% de Sebastian Vettel. Fechando o top 5 dos votos estão Daniel Ricciardo (9,4%) e Alex Albon (8,5%).

Será que a eleição foi justa? E o que ela diz sobre a própria F1 e seus fãs?

Verstappen: piloto do dia. Foi merecido? (Divulgação/Red Bull Content Pool)

Verstappen tinha tudo para ser o cara do fim de semana. O piloto fez os dois melhores tempos do Q3, o que lhe garantiria a pole position com certa folga. Ele, no entanto, não tirou o pé ao ver a bandeira amarela que indicava o acidente da Mercedes de Valtteri Bottas, algo que o próprio piloto admitiu durante a coletiva após a classificação. É aquela coisa: se há uma regra, ela deve ser cumprida.

Com uma punição de três posições no grid, Verstappen largou da quarta posição no domingo. Aí veio o misto de juventude e direção selvagem do piloto, que ainda teima de aparecer em momentos importantes, e Max se enroscou com Hamilton (causando danos na lateral da Flecha de Prata). Em seguida, o #33 disputou a posição com Bottas, mas um pneu furado durante a briga terminou de acabar com as chances de vitória do piloto. Com a parada nos boxes para resolver a situação, o holandês caiu para 20º, o último. 

A partir daí começou uma corrida de recuperação para o primeiro piloto da Red Bull. Com isso, Max alcançou a marca de 11 ultrapassagens, sendo 6 com o uso do DRS. Uau, certo? Nem tanto.

Há uma grande diferença entre as três grandes equipes e o resto do grid. Normalmente, para esses seis pilotos, ultrapassar os outros adversários não é só algo esperado, mas que deve ser cobrado. Para Verstappen essa cobrança é ainda mais crítica: o holandês venceu no Autódromo Hermanos Rodriguez nos dois anos anteriores, mostrando que ele e o carro se dão muito bem com a pista. 

No final, Max Verstappen terminou o GP em sexto – o último da F1B, uma volta atrás do vencedor. E eleito como o piloto do dia.

Enquanto isso, Lewis Hamilton lidou com o carro avariado pelo próprio Max, andou com o mesmo pneu duro por 48 voltas. Foi a 83ª vitória do inglês. 

Correndo em casa, Sergio Perez, da Racing Point, largou em 11º, levantou o público em casa e ficou em sétimo, o melhor do resto.

A eleição de Verstappen diz mais sobre a Fórmula 1 do que você pode imaginar (Divulgação/Red Bull Content Pool)

A eleição de piloto do dia da Fórmula 1 – oficialmente, Driver of the Day award – foi criado ainda durante a gestão de Bernie Ecclestone. A iniciativa surgiu para trazer uma maior interatividade com o público, principalmente o mais jovem. Obviamente ela não reflete apenas o desempenho em pista, mas também a popularidade dos pilotos entre os fãs. Quem consegue movimentar mais o público certamente terá mais votos.

Hamilton é também um campeão de atenção, mas Verstappen tem fãs mais ativos, que se empenham mais nas votações. Ou seja, quando olhamos para o que acontece além da pista – e isso é sempre importante em votações do público -, o holandês tem seus méritos. 

Das 18 corridas de 2019, Verstappen foi o piloto do dia em seis – o que passa longe de ser um domínio contundente, diga-se. Curiosamente, Hamilton não foi eleito em nenhuma oportunidade. Isso revela outro ponto importante para os internautas: quem dá espetáculo vistoso. Não é o que o #44 tem feito. O piloto, na disputa pelo título, faz provas mais centradas e no limite. Até agora são dez vitórias assim. Ok, vai, é um espetáculo, mas não é cheio de escapadas, derrapadas e batidas. 

No final do dia, o Driver of the Day award não tem valor algum – talvez, apenas, para o ego de um ou outro piloto – mas ainda reflete o desejo dos fãs de ver mais coração e menos cérebro nas disputas. Ainda que seja um desejo irracional, ele é reflexo de uma realidade na qual corridas são decididas quase sem nenhuma briga na pista. No GP do México, foram zero as ultrapassagens (sem contar pit stops) pela liderança. 

Aliás, a última ultrapassagem na disputa pelo primeiro lugar foi em Singapura. 

É, talvez seja hora não do Liberty Media repensar a interatividade com o público, mas sim o que essa interatividade quer dizer sobre a própria Fórmula 1.

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