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Análise

Os motivos para a Ferrari renovar com Räikkönen

A equipe italiana preferiu focar na experiência do finlandês – e, provavelmente, concentrar seus esforços no título de Sebastian Vettel

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Kimi Räikkönen será piloto da Ferrari na F1 por mais um ano, conforme a equipe de Maranello anunciou nesta terça-feira (22). Pode não ter sido necessariamente uma surpresa, mas deixa claro aquilo que o time busca para o futuro próximo: estabilidade e experiência. Afinal, a temporada de 2017 já demonstrou que os carros vermelhos reencontraram o rumo das vitórias.
 
No entanto, a escolha pelo nome de Räikkönen deixa claro, também, outros pontos não só sobre a estratégia dos italianos, como também o que eles pensam da F1 como um todo.
 
Para começar, Kimi não está, mais, em seu auge na categoria. Entre 2003 e 2007, o finlandês conquistou 15 vitórias, dois vice-campeonatos e um título. Não é pouco para cinco temporadas e pensando que, antes disso, o piloto teve apenas dois anos na F1 (sendo um pela Sauber), além de ter pilotado por apenas um ano (e 23 corridas) na F-Renault. Foi um começo meteórico.
 
Depois de um período sabático e uma interessante passagem pela Lotus (na qual chegou a liderar, mesmo que rapidamente, o início da temporada 2013), o #7 vem tendo um desempenho mais comedido nesta segunda passagem pela Ferrari. Foram, até o GP da Hungria, 70 corridas com apenas uma pole (este ano, em Mônaco) e nenhuma vitória. Nas três temporadas completas, o melhor resultado foi um quarto lugar.

Obviamente, a Ferrari não teve um grande carro em todos estes anos, que foram dominados pela Mercedes, mas a verdade é que Kimi também nunca teve o melhor carro do grid naqueles anos iniciais. Em 2003, temporada do primeiro vice, o finlandês correu com um carro de 2012 atualizado contra um Michael Schumacher em seu melhor a bordo de uma Ferrari também incrível. Já em 2005, ano do segundo vice, era a Renault e Fernando Alonso que tinham o melhor conjunto. E, vá lá, mesmo em 2007, o ano do título, era a McLaren que ditava o ritmo.

 

(Divulgação/Ferrari)

Pole com segundo lugar em Mônaco foi um dos grandes momentos de Räikkönen no ano (Divulgação/Ferrari)
 

Por que, então, mantê-lo? Bom, para começar, Kimi sempre foi um piloto consistente e com resultados constantes. Nessa segunda passagem pela Ferrari, ele tem um aproveitamento de 28% dos pontos disputados. Pode parecer pouco se, principalmente, você considerar que o piloto conquistou 44% de aproveitamento na primeira passagem pela Ferrari, mas era uma época na qual a pontuação premiava mais quem era constante do que o chamado ‘win or wall’.  
 
Talvez um comparativo melhor seja Felipe Massa, piloto que Kimi substituiu na equipe italiana. Se considerarmos apenas o desempenho após o acidente de 2009, o brasileiro teve um aproveitamento de 25% dos pontos com o mesmo regulamento – e em um período no qual o companheiro Fernando Alonso teve três vices.
 
Ou seja, o finlandês vem se saindo um segundo piloto melhor do que Massa.
 
Sim, segundo piloto. É essa a pretensão clara da Ferrari para Kimi, como todos vimos no último GP da Hungria. E apesar do piloto  não ter feito uma cara de bons amigos para a situação, este é o humor habitual do finlandês. Engraçado e direto nos rádios, Räikkönen é calado e, de forma geral, não atrapalha o ambiente, o que garante que o clima não fique carregado quando você tem uma grande estrela (como Vettel) sob o mesmo teto.
 
Além disso, a política de primeiro e segundo pilotos é a que mais deu certo na Ferrari. Foi assim com Schumacher ao lado de Eddie Irvine, Rubens Barrichello e Felipe Massa. Também foi assim entre Massa e Alonso, e entre Alonso e Kimi. Mesmo no período no qual não havia um primeiro piloto declarado, entre 2007 e 2008, as circunstâncias acabaram alçando um dos corredores da casa a esta posição.

 

(Divulgação/Ferrari)

No final do dia, a escolha por manter o finlandês acaba sendo a melhor para Vettel, que ainda não renovou contrato para 2018. Ter Kimi garantido é como deixar um tapete vermelho para o alemã, que não se sentirá tentado a ir para a Mercedes caso a equipe de Toto Wolff resolva sacar Valtteri Bottas. Melhor correr ‘em casa’ contra Kimi do que contra Lewis Hamilton.
 
O anúncio também deixa claro que a Ferrari não vê ninguém melhor do que Räikkönen para a posição de segundo piloto do Vettel. Daniel Ricciardo, por exemplo, talvez seja aquele piloto que mais se adequaria ao que os italianos procuram – é relativamente calmo, além de ser rápido e constante. No entanto, o australiano ainda busca o sonho de um título mundial (o que Kimi já tem), poderia peitar mais o alemão e, além disso tudo, é um dos poucos que pode estampar no currículo que foi melhor que Vettel dirigindo o mesmo carro – o que aconteceu em 2014, com ambos na Red Bull.
 
Não é, óbvio, uma boa lembrança para Sebastian.
 
Outra opção seria Max Verstappen. O holandês é rápido e habilidoso, mas também jovem e intempestivo. Isso custa caro não só no quesito regularidade, como é alguém que causaria sérios problemas no relacionamento com Vettel, que, como sabemos, também adora reclamar.
 

Renovação da Ferrari com Räikkönen também acalma os ânimos de Vettel (Divulgação/Ferrari)

Nisso tudo, talvez Sergio Pérez fosse a melhor escolha. O nome do mexicano já circulou nos corredores de Maranello há alguns anos, é alguém mais experiente, é muito constante e já teve a frustração da única temporada na McLaren como aprendizado. Por outro lado, justamente este ano em Woking poderia ser um indicativo de que Pérez não é ‘jogador de time grande’, como se diz no futebol. Os italianos preferiram não arriscar.

Outros nomes, como Esteban Ocon, Carlos Sainz e Pascal Werhlein, não reúnem um ou mais requisitos buscados pelos italianos. E um retorno de Fernando Alonso é carta fora do baralho. Assim como uma aposta para tentar tirar Jenson Button de uma quase aposentadoria. Ou mesmo procurar o telefone de Massa na agenda de algum celular antigo.
 
Neste cenário, manter Kimi Räikkönen por mais um ano dá mais tempo para que algum piloto que, hoje esteja no meio do grid, demonstre algumas das características necessárias para ser um piloto do time. Também dá mais tempo para aqueles que estão na Academia de Pilotos da Ferrari se destaquem – Charles Leclerc, por exemplo, tem um título da GP3 no currículo e atualmente lidera com folga a F2. No entanto, ainda vai demorar alguns anos para ele estar no nível de pilotar um dos carros vermelhos na F1. Isso se, aos olhos italianos, ele chegar lá.
 
Resumindo todo este anúncio: ganharam todos. Ferrari, Räikkönen e Vettel devem ter ficado satisfeitos com a renovação. Só não ganhou, mesmo, a silly season da F1, que deve ser bem mais tediosa este ano… Isso se Lewis Hamilton não se aposentar ao final de 2017, não é?

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