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Análise

Para finlandês ver

Valtteri Bottas conquistou a pole do GP da Inglaterra, mas a pequena diferença entre os três primeiros deixa a promessa de uma corrida disputada no domingo

“É para inglês ver”, diziam os brasileiros quando, em meados do século XIX, o Império do Brasil aprovava leis que dificultavam o tráfico de africanos para o nosso país. Afinal, o Reino Unido pressionava os brasileiros para acabar com a escravidão – algo que era contra os interesses dos governantes locais na época. Com o tempo, a expressão entrou no léxico da língua portuguesa e passou a significar leis ou ações que tinham pouco impacto prático, criadas apenas para cumprir alguma exigência ou dar falsas esperanças. 

Neste domingo (13), na classificação para o GP da Inglaterra da Fórmula 1, em Silverstone, o que os ingleses queriam ver era a pole de Lewis Hamilton, o herói local. Porém, o piloto da Mercedes foi segundo – sendo superado pelo companheiro de equipe, Valtteri Bottas. Os ingleses tiveram que ver um finlandês feliz.

Bottas e a efusiva comemoração típica dos finlandeses

Ainda que Bottas seja o vice-líder do campeonato e tenha liderado os dois primeiros treinos livres, a pole foi surpreendente porque Hamilton vem em um momento bem melhor no ano. Agora, o #77 larga na frente no domingo com a oportunidade de se aproximar mais do companheiro de equipe na classificação geral do campeonato. São 31 pontos de diferença entre os dois.

A questão que fica no ar é: será que a expressão “para finlandês ver” terá, no mundo da F1, o mesmo peso de “para inglês ver”? Isso porque Hamilton pode não ter conquistado a pole apenas por causa de um erro na primeira tentativa do Q3 da classificação. Além disso, nos minutos finais do último trecho da sessão, a pista claramente piorou e não permitiu que ambos os pilotos da Mercedes melhorassem seus tempos. Hamilton pode estar muito mais rápido do que aparenta, e a pole de Bottas talvez seja uma ilusão. Na tabela, 0,009s separam os dois. Uma piscada de olhos dura, em média, 0,1s

Não é só isso. Charles Leclerc está colocando a Ferrari perto das Flechas de Prata como nunca – ficando 0,079s atrás da pole. Isso sem falar que no Q2, com pneus médios, o #17 foi o mais rápido, repetindo o que já tinha feito no terceiro treino livre. Por isso, não dá para tirar a carta de Leclerc do baralho.

Hamilton ficou bem perto de Bottas na classificação e pode surpreender na corrida

Aliás, que ninguém ouse desconsiderar Max Verstappen, também. O holandês já mostrou no GP da Áustria que, quando tem condições, luta até o fim. Na classificação, o #33 ficou apenas 0,183s atrás do  tempo da pole e sabemos que a Red Bull-Honda tende a diminuir a diferença para os adversários da F1A durante as corridas. 

Nisso tudo, quem corre por fora é Sebastian Vettel. Outrora maior adversário de Hamilton na luta pelo título, o alemão teve uma classificação para esquecer e conseguiu o sexto tempo, atrás até de Pierre Gasly. 

É, quando olhamos para o panorama geral – Hamilton largando em segundo, pequena diferença entre os quatro primeiro, Verstappen empolgado e Leclerc andando rápido – temos a promessa de GP da Inglaterra que tem tudo para ser inesquecível. Isso sem falar que o clima instável na Terra da Rainha pode ter um peso nisso tudo. Vamos torcer que não seja para inglês ver, não é mesmo?

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