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Análise

Promessa é dívida para a Red Bull

Equipe precisa vencer três das quatro corridas que restam para cumprir a meta traçada pelo consultor Helmut Marko de ir cinco vezes ao lugar mais alto do pódio na temporada 2019. Com Max Verstappen, time levou os últimos dois GPs do México de Fórmula 1

Helmut Marko prometeu e a Red Bull terá de se virar para cumprir uma meta que começou a ser estipulada nos testes de pré-temporada. O consultor ainda repetiu inúmeras vezes ao longo do ano que o objetivo para a equipe era de cinco vitórias. Com só dois triunfos de Max Verstappen em 2019 e, pior, com quatro corridas para o fim da temporada de Fórmula 1, a tarefa às vésperas do GP do México parece um tanto ingrata para o time que ainda tem Alex Albon.

Sempre sisudo, o chefão da Red Bull deixou bem claro que não está plenamente satisfeito com o desempenho da equipe como um todo. Em que pese o terceiro lugar consolidado entre os Construtores, com 323 pontos, as diferenças na tabela para Ferrari (110) e, principalmente, para a hexacampeã Mercedes (289) machucam bastante alguém tão exigente com os números. Levar o troféu ao final do ano sempre foi utopia, mas oferecer um pouco mais de resistência ao passeio prateado ou aproveitar as derrapadas em vermelho não teriam caído nada mal ao longo da temporada.

Ao olhar para frente, além do GP do México, que acontece no próximo domingo (27), o calendário ainda reserva provas nos Estados Unidos (3/11), no Brasil (17/11) e em Abu Dhabi (1/12). A julgar pelos cenários, é sim possível. Mas, entre tantos assuntos no meio do caminho, haverá a confirmação do título de Lewis Hamilton e demais brigas que não deixariam a Red Bull confortável além do próprio rendimento. Para ficar só em uma projeção para o circuito Hermanos Rodríguez, Verstappen pode fazer de novo bonito por lá. Apesar das mudanças para a temporada, o carro costuma a andar muito bem pelas longas retas e curvas rápidas do traçado. Não à toa, o jovem venceu as duas últimas corridas por lá.

Com vitória na Áustria, Verstappen encerrou jejum de 12 anos da Honda fora do lugar mais alto do pódio (Divulgação/Red Bull Content Pool)

Verstappen foi o primeiro homem não coberto de Mercedes a vencer uma corrida em 2019. Naquela altura, em junho, no GP da Áustria, Lewis Hamilton já havia conseguido seis vitória e Valtteri Bottas, duas — hoje são nove a três, ainda com duas vitórias de Charles Leclerc e uma de Sebastian Vettel. A quebra da hegemonia pareceu dar um novo ânimo para a equipe, que também faturou duas corridas depois, já em julho, no GP da Alemanha, de novo com o piloto holandês. Não foi bem assim que a coisa andou, com Verstappen (212) hoje embolado em pontos com Leclerc (221) e Vettel (212). Pouco para quem quer fazer um campeão mundial o mais rápido possível.

A primeira vitória do #33 não só encheu o time de orgulho, como marcou também a primeira vitória do motor Honda desde 2006. O fim do longo jejum deu aos japoneses, e a Marko, a certeza de que os tempos em que o motor era achincalhado por Fernando Alonso, na McLaren, tinham enfim acabado. Sim, porém ainda precisava evoluir um bom bocado. Apesar da nova vitória, a equipe ainda lamentou as sucessivas trocas de peças nos velozes GPs da Bélgica e da Itália.

“Antes de ir para a Austrália, prometi que venceríamos cinco corridas nesta temporada. Sigo pensando que, além de ser possível, ainda podemos conseguir”, destacou Marko, ainda antes do GP do Japão, quando por lá, de motores novos e tudo, esperava-se muito dos dois carros da equipe, diante da torcida local. “Nós também estávamos rápidos em Spa e Monza, mas fomos obrigados a cumprir punições. O mesmo aconteceu em Sóchi.”

Marko prometeu cinco vitórias, mas Red Bull levou apenas GPs da Áustria e da Alemanha (Divulgação/Red Bull Content Pool)

Uma vitória em Suzuka, por toda a representatividade para os japoneses e a Honda, essa sim, faria Marko trocar as outras duas já conseguidas e até esquecer a meta de cinco triunfos. Nos Estados Unidos e em Abu Dhabi, as coisas não costumam a ser das mais fáceis, sem nenhuma vitória na era híbrida por exemplo. Já a loteria da chuva da prova no Brasil pode fazer com que Verstappen tenha outra atuação de gala e quem sabe termine com a vitória.

Antes de confirmar o que seria o insucesso, o interessante foi observar o discurso do próprio chefão da Red Bull, que lá no início da temporada havia declarado amores ao motor Honda. No GP da Áustria, disse que a fabricante deu 30 voltas com potência máxima para Verstappen conseguir a vitória. Agora, a história não é bem assim, já que o chassi teria evoluído mais, e mais rapidamente, que o motor. Com contrato entre as partes só até 2020, a Red Bull utilizou uma velha tática do mercado e começou também a desdenhar o produto na tentativa de baratear o preço.

“A Honda está esperando que o regulamento novo seja posto à mesa para só aí começar a analisar tudo e decidir”, disse Marko, sobre a indefinição dos motores em 2021 — os atuais V6 turbo além de caros, não caíram no gosto de público e pilotos. “Ainda estamos claramente atrás nos treinos classificatórios, principalmente contra a Ferrari. Perdemos 0s8 para eles nas retas, mas nas corridas estamos quase iguais ao ritmo da Mercedes.”

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