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Análise

Retrato do marasmo da Fórmula 1

O GP da França foi mais do mesmo com pouquíssimas ultrapassagens, alguma competição em posições menos importantes e nova vitória fácil de Lewis Hamilton. Como trama da Netflix, a categoria ainda é melhor quando não tem corrida

Lewis Hamilton não gostou de um acerto no banco, da relação de marchas, do desgaste dos pneus da Mercedes… Mas só quem pode mesmo reclamar foi quem assistiu ao GP da França deste domingo (23), em Paul Ricard. O inglês não teve trabalho algum para vencer com extrema facilidade e ver seu companheiro de Mercedes, Valtteri Bottas, cruzar a linha de chegada em segundo. Charles Leclerc fez o que era possível pela Ferrari e foi o terceiro. O dito candidato ao título Sebastian Vettel foi o quinto. E foi só.

Com o resultado, Hamilton partiu para os incríveis 187 pontos, 37 a mais que o vice-líder Bottas, 76 a mais que Vettel. Entre os Construtores, a diferença é ainda mais gritante com 337 pontos para Mercedes, contra 198 da Ferrari.

A oitava etapa do calendário foi o retrato do marasmo em que a Fórmula 1 se encontra. Pouquíssimas ultrapassagens, alguma competição por posições menos importantes para o Mundial e nenhuma graça. Mais do que isso: 53 voltas do mesmo. Foi preciso muito boa vontade para ficar ligado em um produto que hoje apaixona pelo o que já ofereceu. Evidentemente que ainda há expectativa de dias melhores mas, no momento, pouca gente tem o que comemorar além de Hamilton e a Mercedes.

Lewis Hamilton reclamou de dificuldades no carro, mas teve vitória tranquila no GP da França (AFP)

Diante da dificuldade de ultrapassagens, em muito provocada pela aerodinâmica, os carros passavam em uma quase procissão. Nenhum safety-car, nenhuma manobra mais arrojada na largada, nenhuma batida que fosse. Apenas um abandono. Talvez a ação mais emocionante tenha sido mesmo a estratégia tardia da Ferrari em colocar pneus macios para Vettel para conseguir o ponto extra da volta mais rápida. Deu certo mas, desta vez, não teve placa de primeiro lugar para ser trocada, como no GP do Canadá.

Descontada a trama mostrada pela Netflix sobre os bastidores da ainda glamurosa categoria, não há muito o que se ver na pista. Ou seja, a F1 é mais interessante quando não tem corrida. Ainda assim, Hamilton, claro, fez o seu papel e disse que enfrentou algumas dificuldades.

“É sempre um desafio achar o limite, mas não poderia fazer sem esse time incrível da Mercedes. Estamos fazendo história juntos”, disse Hamilton, feliz com a sua 79ª vitória na carreira.

Em Paul Ricard, Lewis Hamilton conseguiu a sua 79ª vitória na carreira (AFP)

Mesmo os franceses, que no ano passado tanto celebraram o fim do hiato de dez anos sem seu GP local, não se viram tão empolgados — melhor focar na Copa do Mundo de futebol em que a seleção da casa enfrenta a brasileira nas oitavas de final. Pierre Gasly de novo não foi digno de nota, a Renault nem de longe é o que prometia, e Romain Grosjean mais uma vez aprontou das suas. O francês da Haas reclamou no rádio de uma manobra agressiva do australiano Daniel Ricciardo, justamente de Renault, pela gloriosa 12ª posição, lá na 28 volta.

Para não dizer que nada nada aconteceu, Leclerc ameaçou, só ameaçou, a segunda colocação de Bottas na última volta. Contou com um errinho do finlandês para se aproximar, mas foi só.

O GP da França, que já não está na memória de muita gente, também não precisará ser lembrado por muito mais tempo. A F1 já arruma as malas para o GP da Áustria, no Red Bull Ring, neste fim de semana, na nona etapa da temporada.

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