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Análise

30 anos depois: ‘O que esse Schumacher bate!’

Frase de Galvão Bueno sobre Michael, quando o alemão começava na F1, já era injusta; hoje, comentário também seria precipitado se aplicado ao filho. Mick, no entanto, precisa melhorar apesar da dificuldade na Haas

Mick Schumacher, Haas, GP da Emilia-Romanha, F1 2021,
(Foto: Reprodução/Twitter/@F1)
Mick Schumacher perdeu carro enquanto aquecia os pneus

Mesmo os que que chegaram no pódio no GP da Emília-Romanha, no último domingo (18), comentaram seus erros. Tanto o vencedor Max Verstappen, quanto o segundo colocado Lewis Hamilton foram em determinado momento muito além do traçado da pista de Ímola, em San Marino. Os julgamentos, no entanto, não caíram sobre eles, mas sim em Mick Schumacher. Estreante na Fórmula 1, o filho de Michael, que carrega um sobrenome pra lá de pesado, rodou grosseiramente ainda no começo da corrida e precisará melhorar na temporada apesar de todas as dificuldades apresentadas pela Haas.

A situação lembra, em muito, um comentário do narrador Galvão Bueno, ainda em 1991, quando Michael dava seus primeiros passos na F1, assim como o filho, que completou apenas sua segunda corrida. Em sua quinta prova, no GP do Japão daquele ano, o recém-promovido a piloto da Benetton teve um fim de semana todo atabalhoado. Com um enorme talento e muito querido, o alemão pegou emprestado o carro reserva do companheiro Nelson Piquet, bateu na classificação e quebrou o motor a 20 voltas do final da prova. Foi quando o narrador da TV Globo praguejou:

“Olha… Com o Schumacher e com o Brundle, eles [os donos da Benetton] vão gastar dinheiro. O que esses batem, o que eles estouram de motor, não é fácil!”, disse o narrador.

Mick Schumacher, Haas, GP da Emilia-Romanha, F1 2021,
Mick fez sua primeira corrida de F1 com chuva (Foto: Reprodução/Twitter/@HaasF1Team)

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A história mostrou que o comentário de três décadas foi um tanto infeliz. Vale destacar que o próprio Schumacher evoluiu muito até se tornar heptacampeão mundial e um dos maiores do esporte. Com a transmissão para o Brasil na Band, claro, não foi possível um comentário parecido da voz oficial das corridas para cá por tanto tempo. Mesmo assim, cabe a reflexão sobre o que pode fazer Mick com um horripilante carro nas mãos. O #47, que por acaso refere-se ao tetracampeonato consecutivo (4) e aos sete títulos (7) do pai, rodou sozinho, quando estava em 15º, ainda no começo da prova — bicampeão mundial, Fernando Alonso também cometeu bobagem parecida, é bom que se diga.

O GP da Emília-Romanha já começou um tanto agitado, com a batida de Nicholas Latifi em Nikita Mazepin, logo na segunda volta. Com a entrada do safety-car, Mick tentava manter elevada a temperatura dos pneus quando foi traído pela pista molhada e bateu na parte final do muro da reta dos boxes do circuito Enzo e Dino Ferrari. O choque quebrou o bico dianteiro do carro, que foi trocado assim que o pit foi reaberto. No fundo, no fundo, o mau resultado na corrida não foi por conta dessa batida em si, mas não caiu bem para um jovem piloto que precisa driblar a desconfiança. 

“Foi a minha primeira vez com em um carro de F1 com pista molhada. Honestamente, não sei bem que aconteceu quando rodei. Foi bem rápido. Não sei se fui muito agressivo ou algo assim. É algo a analisar, mas estou desapontado comigo mesmo”, confessou o piloto, que largou na 18ª e terminou na 16ª, e penúltima, posição. Para efeito de comparação, Nikita, que rodou na sexta, no sábado e no domingo, além de protagonizar péssima entrevista, foi o último.

Mick Schumacher, Haas, GP da Emilia-Romanha, F1 2021,
Mick era o 15º colocado quando rodou sozinho (Foto: Reprodução/Twitter/@HaasF1Team)

Até para se livrar um tanto dessa desconfiança que sempre paira em cima de uma família famosa no automobilismo, Mick correu toda a sua carreira no kart com o sobrenome de solteira da mãe Corinna. Não que seja o caso de retirar o Schumacher e voltar a adotar Betsch, mas o piloto de 22 anos precisará ter paciência e mostrar muito trabalho na pior equipe do grid. Não só pela falta de desenvolvimento e competitividade, o time de Günther Steiner parece sofrer de enorme dificuldade quando se precisa tomar uma atitude mais drástica.

Campeão em seu segundo ano de F2, Mick, por razões óbvias e talento que já demonstrou no automobilismo de base, é preparado com muito carinho pela Academia de Pilotos da Ferrari. A vaga na Haas, inclusive, seria mais bem aproveitada se fosse na Alfa Romeo, com estrutura e gerenciamento melhores e a mesma espécie de convênio, já que também é equipada com motores italianos. Mick, inclusive, testou os carros das três escuderia antes de ingressar verdadeiramente no Mundial.

Mick dificilmente será como o pai, tampouco tão ruim como pintavam o pai no início de carreira. O cuidado precisa estar em não cometer novos erros bobos e fazer com que seus resultados se descolem rapidamente dos do companheiro de equipe Mazepin. A partir daí sim, fora da Haas, Mick poderá buscar seus próprios objetivos na F1.

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